Esperando
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
Você é o caçador, e eu sou a presa
Presa nesta cela, esperando que você me liberte.
Esta fera acorrentada
Entediada, adormecida, entorpecida.
Por favor, me desperte.
Não confunda o campo de batalha com uma sala de espera. Não fique deitado na trincheira esperando que alguém volte sob o fogo cruzado para carregar você nas costas. NÃO SEJA O ÚLTIMO HOMEM NO FRONT.
Mas agora parece que estou no alto de um farol, esperando o navio do meu amor chegar.
"Zaratustra subiu a montanha para falar com o sol. Eu me escondi no meu quarto esperando merecer, um dia, a claridade que já me era dada de graça. Passei a vida querendo ser como o sol, sendo que talvez bastasse ser uma janela aberta."
Amor de Infância
Quando tempo fique te esperando, eu dormia e acordava de beijando, sonhava com você todos os dias, você era a única pessoa que eu queria. O tempo passou e você foi embora levou com você a nossa história, e comigo ficou as lembranças das coisas que fazíamos na nossa infância.
Eu não sabia o que dizer, eu não sabia o que falar simplesmente aconteceu você na minha vida, eu não sei se era o certo, eu não sei se era assim, mas o nosso amor de infância nunca terá, nunca terá um fim.
Deus nos abençoou, Deus nos protegeu, não sei porque somos assim mas temos o amor para nós unir, nada poderá nos separa, nada nunca irá nos fazer chorar, pois o nosso amor de infância para sempre vai durar.
De mãos dadas caminham,
a virtude e o conluio,
irmãos de sombra e claridade,
esperando o próximo passo.
A virtude sorri,
fala de justiça,
de horizontes limpos.
O conluio cochicha,
traz segredos,
promessas escondidas no bolso.
E juntos, lado a lado,
seguem como quem não escolhe,
como quem sabe que o humano
é sempre mistura,
é sempre ambiguidade.
O próximo passo decidirá:
Quem é a próxima vítima.
O destino é um convite pessoal. Se você passar a vida esperando que o outro aceite o convite por você, a festa vai acabar sem que você tenha entrado.
SerLucia Reflexoes
Sinbad, o Marinheiro
Na cama não pude ficar esperando, como se o senhor regente dos domínios oníricos das Terras dos Sonhos se tivesse esquecido de me inebriar esta noite, com as areais do torpor.
Logo antes do crepúsculo estava eu a olhar a lua em toda sua majestade, abençoando os mares noturnos com sua altivez reluzente, e imaginando que lá de onde exerce seu reinado ela é um elo de ligação entre todos que testemunham suas bênçãos.
Não importa a distância, se é noite todos a podem contemplar, sem qualquer tipo de discriminação; e se assim o é, há quem encontre consolo no luar quando os amados partem em jornada para longe.
Os primeiros raios de sol da alvorada enfim prenunciam o dia que acabara de nascer. A vermelhidão que divide a noite e o dia se ausenta dando lugar a um céu azul radiante, povoado por pequenos aglomerados felpudos de nuvens brancas.
Com o alvorecer, o ímpeto de meus sentimentos proclamam essa uma manhã de encontros e despedidas. Oportuna se faz a idade adulta, quando os jovens se candidatam à aspirantes de marinheiros, com o que esperam conquistar grandes aventuras, repletas de fama e glórias.
Em mim não há lugar para o desjejum, é como se meus órgãos brigassem por espaço com toda a ansiedade que comporto em meu ser e meu estômago parece estar perdendo; trêmulo, se paro um segundo e observo o silêncio, tudo o que posso ouvir é a sanha de meu coração, a lutar na guerra por espaço, bumbando como um tambor de rituais bélicos, dentro de meu peito.
No porto, a brisa úmida e salgada da enseada sopra encantada pelos deuses dos ventos do norte, que são conhecidos pelas grandes salmouras de suas moradas.
As ondas lutam contra o velho cais de madeira das docas, pode-se ouvir ao longe o som de suas investidas.
O vento tece a água, que espirra das colisões, em minúsculos cristais, e ao serem atravessados pela luz do sol cintilam em mágicos arco-íris.
As grandes embarcações movimentam as águas: imponentes, lustrosas, com belas carrancas ornadas na proa. Seus mastros seguem aos céus, de onde pendem velas brancas e infladas como pulmões pelo vento.
Depois de longa viagem: terra firme; atracam para breve estadia, seus transeuntes se atropelam, num vai-e-vem frenético, trazem e levam cargas, há navios comerciais e de transporte, e Chronos não parece ser amigo dos que ali se encontram, pois a pressa parece ser a única senhora de seus templos.
O dia mal havia nascido e eu atropelava as horas, pois era chegado o momento. Tempo de embarcar, de ceder aos senhores do amanhã o meu devir: que usem o fôlego de seus pulmões e soprem as velas do destino rumo ao horizonte, onde o sol mergulha no mar até se apagar na água e dar lugar a noite.
Chegou o dia dos planos de deixar o porto, onde nascera e de menino me tornara homem, por terras desconhecidas além-mar.
Tornar-me-ei em um marinheiro mas é apenas o começo de minha ânsia.
O mundo é tão grande que nenhuma carta marítima sabe dizer ao certo o quanto, logo, ainda que navegasse todos os mares não os poderia conhecer como gostaria.
Contudo, de certa forma, para mim, tal fato não importa, o que diz respeito as Moiras somente diz respeito a elas, ocupo-me do que posso fazer agora. E, agora, resta-me isso: navegar.
Com o tempo, no entanto, os Oceanos, suas dádivas e tormentos, conhecerei. E a sabedoria de um lobo do mar, que conheceu muitos povos, viu muitas terras e águas, desbravou-as e então voltou, portanto, em mim há-de fazer morada.
Cai a tarde deste domingo cinzento, eu aqui neste apartamento frente para o mar, tão só, esperando o tempo passar. E, por fim, neste tormento. E poder em breve te amar.
Hoje quando acordei recebi um presente... UM NOVO DIA estava ali na minha frente, esperando para ser desembrulhado. Era como uma caixa, colorida e com um grande laço de fita, mas antes de soltar as amarras eu fechei meus olhos e pedi a Deus que me guardasse, me protegesse e me iluminasse e agradeci com todo o meu amor por aquele presente, afinal abrir os olhos a cada amanhecer e poder contemplar o brilho do sol é mais que um presente, é uma dadiva de Deus na nossas vidas. (Priscilla Rodighiero)
Logo em seu nascer ele a contempla,
Esperando paciente seu desabrochar,
Está fumegante, sua visão é ampla,
O mais breve instante quer ornamentar.
Sempre haverá um faminto te esperando á cada refeição.
Sempre haverá um doente esperando sua visita.
Sempre haverá um estrangeiro esperando que você o convide pra entrar.
Estes que te esperam pode ser voce um dia...
Não se desgaste esperando dos outros a reciprocidade que você oferece, pois cada um só oferece o que tem.
