Espera no Senhor
A fé é idioma de quem espera em silêncio, aprender a calar é ouvir o divino, quem pratica esse idioma ouve caminhos, esperar em paz é conversa com o além.
Vivi o silêncio de deus e vi que ele estava lá, ausência de voz não foi abandono, foi espera, no silêncio, aprendi que a presença persiste, mesmo calado, Deus se fez companhia.
O futuro não é uma miragem que nos espera passivamente na linha do horizonte, mas a consequência imediata e visceral da sua coragem de romper com o passado aprisionador, de dizer um "não" trovejante àquilo que insiste em se manifestar como um presente indesejado. Não permita que a nostalgia de uma infância humilde, ou a dor de um erro pretérito, congelem a sua capacidade de avançar, a felicidade reside em construir o novo, desfazendo-se do peso dos excessos inúteis, as tristezas antigas e a compaixão malgasta por quem não merece.
O tempo não espera. Gastamos nossa vida economizando tempo, mas o que realmente desperdiçamos é o único momento que possuímos, o agora.
A espera é o lugar de treino onde a paciência cresce e se aprimora. Não é tempo perdido e parado, mas um momento especial onde Deus trabalha em coisas que não podemos ver. Se quisermos colher antes da hora, teremos frutos amargos, é essencial respeitar o tempo da semente, honrando o silêncio da terra onde a promessa ganha força.
A Lucidez do Paraíso é o Instante do Devaneio
O Paraíso não é um jardim que nos espera,
com portões de pérola e árvores de ouro estático.
Não é uma recompensa por uma vida finda,
mas uma suspensão lúcida do tempo presente.
Ele reside naqueles instantes-limite,
em que a consciência se afina e a imaginação se liberta.
A lucidez é a navalha que corta o ruído do mundo,
reconhecendo o peso exato de cada elo da corrente.
Ela sabe: o muro é muro, a dor é dor, o efêmero é a regra.
Não há ilusão que resista à sua luz fria.
Mas a alma, cansada da geometria do real,
não aceita a clausura do que é apenas "fato".
Então, o devaneio se apresenta.
Não como uma fuga cega ou uma negação covarde,
mas como a afirmação mais alta da potência do ser.
O devaneio é o arquiteto que refaz o mapa da realidade,
desenhando rios onde antes havia deserto,
dando voz ao silêncio que a rotina impõe.
É a permissão para que o possível
se sobreponha à tirania do presente.
E o Paraíso, finalmente, não é a terra de ninguém,
mas o ponto exato de interseção:
É a lucidez que reconhece a precariedade da vida
(sabe que o tempo vai passar, que a beleza é breve)
e, por isso mesmo, usa o devaneio
para saturar o momento com uma perfeição temporária.
É o piscar de olhos onde a razão e o desejo conspiram:
"Isto não é real, mas é tudo o que importa."
Naquele instante de flutuação, a mente está desperta
(lúcida de sua própria criação),
e a alma está em êxtase
(devaneando um mundo que ela mesma sustenta).
O Paraíso, portanto, é a plena consciência da nossa capacidade de ser feliz, mesmo que seja apenas um pensamento. É o gozo da ilusão assumida.
É quando a mente, lúcida e livre, se permite voar.
A vida é um rio que não espera.
Não lute contra a corrente.
Aprenda a navegar com coragem
e a beleza do caminho se revelará.
O tempo não espera por ninguém — ele devora horas, dias, existências inteiras sem piedade ou pausa.
A vida não ensina, não aconselha; ela simplesmente irrompe, crua e imprevisível, forçando-nos a aprender na dor ou no êxtase.
O futuro não é morada segura, mas mera passagem efêmera, um sopro entre o agora e o nada. Assim como a onda beija a areia e recua sem adeus ou promessas, os amores vêm e vão, frágeis ilusões de eternidade.
Não há sentimento que garanta para sempre; a saudade, a lembrança, a recordação gritam em vão para quem optou pela ausência.
Elas não confrontam o vazio — apenas ecoam no peito de quem ficou. O mundo não para quando uma vida se apaga. Ele gira, indiferente, tecendo novas tramas sobre cinzas antigas.
Apesar das tormentas, das perdas que rasgam a alma, eu sei: a vida é boa, um milagre teimoso em meio ao caos.
O problema não é ela — somos nós, humanos cegos, que ainda não aprendemos a viver de verdade, a abraçar o fluxo sem amarras.
Por um longo tempo, o indivíduo espera o grande momento, onde realiza o seu sonho colossal. Após tais festividades, o sujeito se rende à realidade. A vastidão de um ano de muito trabalho, pouco reconhecimento, e muitas adversidades.
241224
O amor platônico, tão complexo e profundo,
Um caminho de dualidades que nos confunde.
Na espera, encontramos a felicidade pura,
Mas também a tristeza que nos perdura.
Dizem entender o amor, mas será verdade?
Acredito que é algo além da realidade.
Pois o amor não se compreende, se sente,
É uma jornada individual e envolvente.
Se me cativas, então te amarei intensamente,
Mas será que em seu coração deixei uma semente?
Ah, o dilema do amor platônico persiste,
Sua incerteza me consome e me assiste.
Tu me fascinas, intrigas e dominas,
Em meus pensamentos, tuas pegadas são divinas.
Será que sou teu tanto quanto és minha?
Essa incerteza em mim se aninha.
No meu coração, na minha mente, é tua morada,
Vagando pela minha alma, sem rumo ou estrada.
Até quando essa paixão indecisa persistirá?
Quero descobrir, ou libertar-me desse lugar.
Ah, a beleza dela, uma visão encantadora,
Mas tão distante, não espera por mim agora.
Escorre entre meus dedos, fugaz e veloz,
Linda e complicada, como uma bela fera feroz.
Oh, minha doce bela fera a me provocar,
Desejo domar-te, mas é difícil conquistar.
Tu és astuta e sincera, em teu olhar há perigo,
Me aproximo e temo ser ferido, um castigo.
Será que te aproximas apenas para atacar?
Para me deixar agonizando, em dor a me afogar?
Após consumarmos um amor ardente e fugaz,
Sinto tua satisfação, enquanto me desfaz.
Ah, minha donzela, se soubesses o amor que te aguarda,
Dentro de mim, és a única, minha alma te guarda.
Longe de ti, a dor me acompanha e me consome,
Até que retornes, minha donzela amada.
E no final do diário de bordo, ainda entre vírgulas, um agradecimento e uma espera: o próximo verão.
O verdadeiro amor aparece quando menos se espera, e sai de onde menos se imagina, o amor é o um mistério, nunca está onde a gente pensa que esta, e quando passamos a este sentimento desfrutar, descobrirmos o verdadeiro sentido de amar
Quando chegar a aflição, oferece-a ao Divino, espera orando, verás que tudo segue o seu rumo e ficas aliviada(o). O desespero atrai o pior para ti...tem fé!
Acalma o seu coração, pois a espera dói, o processo dói, a luta dói, mas não desista, porque vai ser lindo o que te espera.
Já não me encontro no amor ou na dor. Na saudade ou no vício. Na espera ou na vontade de algo melhor. Não há razão ou sentido. Tudo pelo que vivi, hoje são flores mortas em um jardim sem vida dentro de um cemitério abandonado, frio e amaldiçoado. Não resta nada pelo que viver.
- Marcela Lobato
