Escuridão

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Quando escolho fechar os olhos, a escuridão floresce espinhos em meu coração que não consigo ver, apenas sinto e a escuridão de não ver vai se transformando em alívio...um vazio inexplicável pois esse vazio parece doce e, no fim ainda é um vazio abissal.

“Quem tem luz própria, mostra a saída para aqueles que vivem na escuridão”.

Toda noite
sem luz:
Escuridão
uma trégua
pediria.⁠

O eclipse não pede desculpas à noite que desaba; recebo a escuridão com os olhos abertos, ciente de que até o solstício mais longo tem hora para acabar.

A morte do poeta é como um sopro na escuridão que quebra o silêncio da luz, e traduz tudo que nada diz...
(Saul Beleza)

ACORDA

— Nessa manhã nublada, tudo está tão diferente... não vejo mais o véu da escuridão e a felicidade brota...
— Acorda... Eu sei, eu sei, você queria que
fosse assim, queria viver nesse sonho.
— Quem é você?
— Sou aquela que quando passam por você, ninguém vê...
Sou uma névoa melancólica fadada a sofrer...
Sou a que chora, mas é você quem derrama as lagrimas...
Agora lembra quem sou? Acho que não... você não se importa...
Vive imaginando que o mundo é como suas ilusões...
Sou alguém que realmente sonha... mas sei que o mundo
É o que realmente é... um lugar onde a mentira impera.
Você não é cego, mas não enxerga essa verdade... porque tem medo!

Queria ter dito-te que te amava... Que eras o meu protetor em meio a escuridão de minha infância! Queria ter abraçado-te a velhice mais bela que minha ávida imaginação de criança! Queria ter contigo chorado quando juntos estivemos em uma longa tarde de inverno, onde a ti deveria eu ter feito saber o quanto foi inspiração de doce melodia em meu sôfrego arfar. Tua força protetora de quem com asas voa como por liberdade dos mais tristes lugares comuns. Sim, queria ter dito o quando foste meu rosto amigo em momentos de solidão de outrora. E, assim tenho-te como eterno, sempre perambulando nas lembranças de um segundo furtivo que me varam as visões de um efêmero contemplador. Tua voz mais enevoada, que do terror libertava quando criança a minha alma infeliz. Que possam teus feitos emoldurarem as portas dos céus decaídos com pétalas de esperança. Que possa tua face servir de ornato vivo para meu coração já distante de todo cenário febril. Que possas estar no mais belo descanso da paz, como nos mais silentes campos nos aguardando, Jacob, meu irmão!

⁠Para o mundo que brilha sombriamente
Em comunhão com a escuridão
Onde a intemporalidade gera tranquilidade;
E eu na sarcástica petulância
De fugir do meu receio...
Confinando-me a esta cela
De estranhezas e desprezo
Contra essas paredes
De uma realidade há muito tempo fraturada,
e que sangra-me a carne já mortificada...
Que enferruja-me as entranhas de meu cerne
E aprisiona-me neste ergástulo de memórias nevoentas...
O brilho opaco de névoas urdidas por almas já olvidadas...
E os uivos agonizantes de um páramo murchando
Envolto em decadência...
Minha solidão grita em versos depressivos...
Ansiando arranhar esse refúgio até se fender
Ou colapsar, como tecidos frágeis.
Sinto-me engaiolado, sibilando uma canção para o tédio;
Ele que dilacera o espírito; fruto pútrido dessa Quarentena.
E eu olho para os olhos brilhantes desse loop...
Que semeia sofrimento ainda mais desenfreado
Rasgando-me... Mais sou apenas mais uma planta neste cenário sombrio.

MINHA ESCURIDÃO É INFINITA


Eu medi a minha escuridão e descobri que ela é infinita. Diante disto, propus-me a me olhar com outros olhos. Procurei luz na alma, mas só havia sombras. Isso inquietou-me diante da improbabilidade de ver a luz. Então me recolhi, mantendo-me na minha pequena insignificância, porém, não me dei por vencido.
Eu já tinha visto a luz, mas o ego a sufocava. Procurei me despir dele; havia camadas, e lutei com as forças que me restavam. Eu estava cego, pobre de espírito e nu! Mas quem disse que eu estava nu? Meu próprio ego. A briga sempre foi intensa, de causar exaustão.
Procurei sair da bolha em que me meti. Tentei alçar voos, mas sempre era reprimido. Quase tudo que me cercava eram trevas, devido à bolha. Tornei-me um monstro, um ser sem vida, buscando vidas em outras dimensões.
A batalha dual se acirrou, sendo que eu mesmo era o espectador. Eu torcia pelo mais forte, só que, no momento, o mais forte era o obscuro. Os outros "eus" que existem em mim, ambos os lados, não levantavam a bandeira branca, e eu seguia inquieto na expectativa do vencedor!
Por fim, alcancei o chão e, de espectador, resolvi entrar na briga. Foi quando comecei a enxergar um filete de luz na minha vasta escuridão!

“A luz da Caridade não precisa vencer a escuridão aos gritos; basta tocar um coração para que nele floresça um pouco de céu.”

Uma sombra cansada não hesitará em conduzir outras sombras à eternidade, pois na escuridão, a fadiga se torna liberdade.

O Eclipse Vermelho

A lua vestiu-se de vermelho
e mergulhou devagar na escuridão,
como quem guarda no próprio silêncio
uma antiga transformação.

Por um instante, cessou o brilho,
o céu perdeu sua direção...
e aquilo que parecia vazio
podia ser outra dimensão.

Há mudanças que chegam caladas,
sem anúncio, sem explicação,
fundem antigas partes quebradas
numa nova forma de inteireza e chão.

Quando a sombra deixou o céu,
a lua voltou a respirar...
não era outra, nem deixou de ser ela,
apenas aprendera a se transformar.

E talvez todo eclipse seja assim:
um breve mergulho no que não se vê,
até que o que estava disperso em nós
encontre um lugar onde possa florescer.

"Quem conhece a própria sombra dança na escuridão sem medo."

Senhor, faz-me Teu farol na escuridão. Que a Tua luz guie meus passos para que eu possa guiar os que nada têm, lembrando ao mundo que a Tua graça é o único e verdadeiro amparo.

⁠O conhecimento é a única luz capaz de nos livrar da escuridão trevosa da ignorância

⁠Ela é minha companhia nas noites mais frias, é quem na escuridão da noite me traz luz… A sua beleza além de inspirar ela me conduz, e eu tento trazer isso expresso em cada linha que compus!

de: mim
para: lua

Nunca esquecerei aqueles que chegaram trazendo luz quando tudo ao meu redor era escuridão. Aqueles que estenderam a mão sem que eu precisasse pedir, ofereceram carinho sem esperar nada em troca e permaneceram quando tantos escolheram partir.

Porque quem ilumina nossos dias mais escuros deixa marcas que nem o tempo é capaz de apagar.

Gratidão a quem foi luz quando eu mais precisei.

Nesta vida somos semeadores do amor e coletores da bondade, por mais que haja escuridão, a Luz que brilha no infinito será sempre maior que a treva que ressoa ao anoitecer

Graças a Deus que entre a luz e a escuridão existe a penumbra, é essa possibilidade de decidirmos entre céu e inferno, o caminho correto para irmos em busca da elevação espiritual

⁠Lamparina acesa é demônio da escuridão