Escuridão
Quem está acostumado a viver na “escuridão” (tristeza, frieza, mágoa ou dureza) muitas vezes não consegue dar “luz” para outra pessoa , ou seja, não consegue oferecer carinho, alegria, apoio ou bondade.
Não é porque a outra pessoa não merece.
É porque ela mesma nunca aprendeu ou nunca recebeu isso.
A verdadeira caridade não busca a luz dos holofotes, ela é a semente plantada na escuridão, cujo fruto é visto apenas por Deus.
Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.
A maior escuridão que enfrentamos não está fora, mas na nossa recusa em acender a luz da autocrítica. A vida não examinada é apenas um longo e caro sono.
A esperança é o pulso teimoso que vibra sob o manto da mais densa escuridão, a certeza lírica de que a luz deve quebrar o horizonte, mas a fé é a brasa fria que arde em seu centro, a única lanterna válida no abismo.
O amor de Deus é o único que não se intimida com a minha escuridão. Ele entra onde ninguém mais ousa tocar, ilumina onde nem eu quero olhar. Seu silêncio não é ausência, é cuidado que respira devagar. E nesse respiro encontro a força que não sabia possuir.
Há noites em que o céu parece fechado, mas é dentro de mim que a escuridão é mais espessa. Mesmo assim, procuro estrelas na memória. E sempre encontro uma: a da fé que não apagou. Porque Deus brilha mesmo quando não o vejo.
Caminho por campos nebulosos, com a escuridão sendo a companhia silenciosa, que me acompanha e como eu, caminha sem destino certo, usando como guia, o fraco e longínquo brilho das estrelas, que em outrora, brilhavam sintilantes.
Existem pessoas que são carniças pulsantes, infestadas de vermes, esquecidas na escuridão do próprio ser. Ao menor sinal de luz em alguém, avançam como pragas vorazes, dilacerando sem piedade até o último resquício de brilho, apenas para ocultar a imundície que as devora por dentro.
Cada passo no breu é lâmina encandescente, um corte na escuridão, abrindo a trilha brutal da esperança.
A escuridão não tem o poder de apagar a sua luz, ela apenas te ensina a acendê-la por conta própria, com muito mais intensidade.
O amor-próprio nasce ao ver valor no escuro, descobrir-se na escuridão é encontrar luz interna, valor íntimo não depende de aplausos, no silêncio aprendi a me reconhecer.
Quando tudo naufragou, a fé foi tábua, na escuridão, a fé manteve-me flutuando, segurei nela até ver a margem chegar, a fé foi ponte entre o afogar e o chegar.
