Escrito na Areia

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⁠AREIA DA PRAIA
(Edson Nelson Soares Botelho)

Areia da praia com seus mistérios e silêncio
Esconde tantas aflições e momentos felizes
Mistério do mar que a beija e se vai sem dizer adeus
Levando consigo todos os mistérios do amor

Mistério do vento que acaricia e quase enlouquece
Levando a verdade e deixando a saudade
Mistério do sol que aquece e no infinito desaparece
Dizendo que o amor só acontece uma vez

O amor não é de origem humana
Ele vem do Céu e quem ama primeiro
Espera ser correspondido com o passar do tempo

Todos participam da alegria e do sofrimento
Amar e ser amado não acontece com todos
A lei do amor impressa no coração foi criada por Deus

⁠Dance pela areia… O Sol sente falta de abrasar a sua pele e de esquentar o seu coração… A brisa gostaria de alisar a sua face e de acariciar os seus cabelos… O mar deseja molhar os seus pés e lavar a sua alma! Então, dance… Apenas dance!

⁠Correr na areia cansa duas vezes mais. A gente cansa mais rápido, desiste mais fácil, se entrega sem pensar. Pensando sempre que, se tem que correr atrás é porque já não vale a luta. Desisto.

⁠Certo tempo, em outra estação, para os grãos de areia que acompanharam a evolução e a passagem da tempestade de areia no deserto – o eu lírico – andara sem destino nestas terras áridas. A tempestade de areia passou e a estação mudou. As miragens deste deserto me fez lembrar o jardim que eu cultivava, da flor que, por um momento, pensei que fosse a minha rosa, mas, era um girassol que eu regava. Neste jardim de belas flores tinha uma abelha rainha pousada em um girassol a espera do seu tão sonhado zangão, ela estava sentindo o aroma que borrifava em seu rosto através do néctar. Pousei bem entusiasta no girassol, bailando para mostrar os meus talentos de zangão para a pequena abelha rainha. No fim, os nossos pólens não se conectaram, estávamos em estações diferentes, ainda não era tempo de colheita. Talvez esta não conexão viesse para dá mais vida ao zangão, mais momentos para voar. Desse amor, só se troca pólen uma única vez com a abelha rainha, depois disso, somos ceifados para outra estação, morremos. Como zangão, imagino que tive a oportunidade de me reinventar e bater asas para um novo jardim, de ser ceifado em um momento em que a conexão de pólens ocorrerá de forma plena e intensa com o néctar da vida. A estação não chegou, porém tudo mudou quando o zangão voou.

A negatividade é como areia movediça, quanto mais você reclama, mais você afunda.

E Cristo continua escrevendo seus pecados na areia enquanto você aponta o dedo para o pecado dos outros.

eu acho
que faz tempo
que sonhamos acor
dadas, que nossa paz
é barulhenta,

que da areia dos nossos olhos insones
a noite fabrica suas pérolas (de
amor, e de outras guerras)

Estou cansada demais para construir castelos de areia.
E velha o suficiente para saber que castelos de concreto só existem apenas nas ilusões transtornadas.

Perto

Risco o teu nome na areia
Ao silêncio dos reflexos
Sais-me dos dedos
Mas é na boca que me deixas
O sabor a rosas que há em ti

Sei de caminhos e ruas
Sei de tempestades
Sei de corpos e cidades
Mas a ti amor
Só te adivinho

Contigo
As ausências
São a pausa desejada
Tu é que trazes
Estrelas e luar
À minha noite fechada

Amanhã quando vieres
A este pedaço de céu
Que iluminas
Estarei do outro lado
Da circunstância
Ao alcance do olhar

Uma coisa aprendi quando criança e brincava com areia:
Não dá pra segurar a areia por muito tempo, ela escorre entre os vãos dos dedos mas ainda assim, ficam umas pedrinhas na mão.
Na época, eu achava que eram preciosas.
E hoje, tenho certeza disso.

Sonhei com você

Passei a noite numa ilha
Areia fina, mar azul, céu de estrelas
Acompanhada pela lua a me espreitar
Caminhava lentamente admirando a paisagem
A perfeição da natureza ao meu redor
Coqueiros e palmeiras frondosas
Brisa leve a tocar meu rosto
O local parecia ainda intocado
A disposição das dunas
As conchas na areia, o barulho das águas
O assovio do vento
Estávamos ali naquela caminhada
Eu e aquele luar
Até que ao fechar meus olhos
Deparei-me com você
Habitante dos meus pensamentos
Dono do meu coração
Olhavamo-nos olhos nos olhos
Numa mesma respiração
Num silêncio que gritava ao mundo
O nosso sentimento
Nessa noite o amor inundou aquela ilha
Foi um sonho maravilhoso com você...

OINICSAF

Não me incomoda
se teus pés pisam areia
e que salgas tua boca com água do mar.
Não me peças que fale de vida
nem de vai e vem de ondas.
Não me interessam as conchas que
não vou ganhar, nem que te
fascines com o mar.
Não me incomoda nada ser
e nem ter um sorriso de ontem nos lábios.
Me incomoda saber-me não mais teu cais.

Construir castelos na areia é fácil o difícil é prever as ondas.

Se Isaac Newton tentasse quantificar o amor, não conseguiria, pois, não haveria grãos de areia, que o quantificasse.

Vago Poema

Cheirando à areia e sal,
sou gaivota a sobrevoar o mar.
Sou mistério neste vazio,
Sou o tranquilo vôo das aves,
rumo à linha oscilante, mar e maresia.
Enquanto o vento no areal vai passando,
como as marcas desenhadas na areia,
somem as palavras da lembrança,
como rastros na maré cheia.
Íntima idéia, clara no pensamento,
que se perde em devaneios, e
na latência deste silêncio,
me alimento da poesia alheia.

Fachada

Essa fachada de rocha, por dentro é areia movediça.
Ninguém me disse o quanto a vida é capaz de doer
e a despeito de tudo e tanto
abrimos os olhos todas as manhãs
porque a gente aprende que é melhor sentir dor do que deixar de existir.

E quando sou tola, nada fere, ingenuamente me sinto viva,
mas às vezes tranco a tola no baú dos sóbrios adultos
e a consciência da vida tem lâminas afiadas,
visto-me de pedras.

Pesada é a pedra, e a areia também; mas a ira do insensato é mais pesada do que elas ambas.
Provérbios 27 : 03

Por você
Brinco de fazer estrelas
Por você
Construo castelos de areia
Desenho você nas flores
Pois, o meu jardim precisa de vida...

Meus pés afundam na areia
Talvez por causa do peso
Não das correntes
Nem dos cadeados
Nem das chaves
E sim, pelo que está preso à mim

Quisera eu ser estrela, sol e céu. Areia, vento e nuvem, quiçá o mar.