Escrita
"[...] eu diria, como leitora e escritora, que existem livros com mais alma do que muitas pessoas,
Com mais compaixão e amor em suas palavras do que se tem visto em muitos relacionamentos.
[...] acredito que uma das melhores formas de se imortalizar algo é pela escrita,
É tecendo esses símbolos em papéis ou telas para que eles comuniquem algo de alguém, para alguém [...]".
Abriram-se os portões da palavra:
Enquanto houver o que pensar, haverá o que escrever, dizer e representar.
Existindo alguém para a escrita,
A escrita abrirá caminho para alguém.
Escrever, para mim, é sobre obsessão.
🐢🐞🍁🍂Cá está uma poesia que supero😂✌
TÃO FRÁGIL
...
...
Que o vento forte a machuca
Que o excesso de luar não ajuda
Que a terra bruta não assegura sua vida
Tão frágil
que o amor penetrante a faz chorar
Que a concentração de oxigênio a faz vomitar
E o excesso de declaração de amor a faz duvidar,e a torna muda
Tão frágil
Que teme o querer viver
Quer logo envelhecer e morrer
Se embriaga no silêncio da noite
E se entrega a depressão insinuante
Tão frágil que depende do coração de quem a estende a mão
Sem pensar na verdadeira intenção de quem o faz
Seus olhos tristonho
Escondidos em maquiagem
Coração temeroso em cada paisagem
Fugindo sua própria imagem
Tão frágil...
By: Lídia Silva
Escrevo porque sou obcecado pela palavra, tenho uma espécie de tara por ela.
MÉTODO POÉTICO
.
.
Meu método?
O mesmo das Estrelas.
Primeiro, surge uma ideia –
vaga, ou mesmo fantasmagórica.
Ou então uma combinação inesperada
de palavras, por vezes embaraçosa...
Talvez – quem sabe – uma imagem
cujas estranhezas e travessuras
afrontem todos os cânones.
Uma eloquente frase
que cale ao peito
solitária:
sincera
lágrima.
.
Em uma palavra: Poeira
– nuvens de poeira desgarradas
vindas dos confins da mente
e das bordas do acaso.
.
Mas então, depois de muito vagar pelos meus arquivos,
ou de pairar errantemente sobre os meus sonhos,
algumas delas começam a se combinar
– como se, irmãs, viessem
de famílias distintas –
E eis que surge,
alegre,
a Gravidade,
pronta a juntar em um só giro
o que se queria disperso e sem mais rumos:
Ansiosa para, com violenta ternura,
moldar a forma.
.
Por fim, emerge,
do caos girante, uma estrela
– supremo milagre no delirante acaso
de um universo improvável
em sintonia fina.
.
Faz-se o Poema
– estranho acontecimento
cuja tenra fornalha interna
queima a pretensão
de alimentar
as almas...
.
A ti parece, este, um método por demais aleatório?
É porque não sabes de toda a paciência que foi necessária
para não limpar intempestivamente a poeira errante
que por tanto tempo pairava nos escuros céus
dos meus arquivos, sonhos, lembranças.
Quantas vezes fui tentado a deletar
um quase-embrião de verso,
ou quis me desfazer
da tal metáfora
tão desajeitada!
Mas ouvi a voz:
Guarda este pó
que de ti vieste.
.
Sem esta paciência,
não seria possível a criança:
ver, do poema, a forma brotar esperança
como flor que redefine as suas próprias pétalas
e decide, magnífica e hesitante,
se pétalas terá...
.
Ver, da alma poética,
redesenhar-se certo corpo
quando é corpo o que se quer...
E, quando não é isto o que se almeja,
aceitar-se como alma pura-chama,
ou reconhecer-se, mesmo,
tão somente como pó.
a dignidade do pó:
despretensioso,
periférico,
errante.
.
Este é o método:
render-se ao que se tornou possível
no oceano do improvável
com a bem ajustada
sintonia fina.
Respirar
a poesia
como destino
que se fez do acaso...
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Revista Sede de Ler, 2024]
Escrevo minha respiração nesta folha para que você possa sentir o ar que me consome nesta combustão através de uma chama de misericórdia surgida no interior da caverna que me aprisiona agora e diante dos teus olhos se faz a minha ausência, então te deixo esta folha, onde habita o ar, que consome a minha respiração, escrita aqui.
“Escrever é vencer o tempo, cristalizar orações e memórias,
e fazer memória do que está dentro.
É permitir que o tempo não corroa tudo o que precisa ser lembrado.”
Carta aos irmãos.
De modo especial escrevo aos irmãos de paróquia, aos irmãos de serviço e aos que, se da vontade de Deus for, serão futuros irmãos de comunidade.
Caríssimos,
Escrever é a forma mais eficaz de pensar,
pois no instante da escrita, você não está apenas criando um texto, você está dando vida, luz e eternidade aos pensamentos mais íntimos, racionais, emocionais e profundos.
A importância de meditar, debruçando-se sobre o escrito, traz à luz as mais profundas meditações.
Por isso, exorto-vos:
Escrevam sempre!
Escrever é não viver distraído.
É a arte de dar vida a tudo o que foi meditado. Escrever desperta interesses inesperados, ideias esquecidas, talentos adormecidos.
Escrever é vencer o tempo, cristalizar orações e memórias, e fazer memória do que está dentro.
É permitir que o tempo não corroa tudo o que precisa ser lembrado.
Renan Ribeiro, (renanfest)
Quinta-feira 23 de Janeiro de 2025 Anno Domini Nostri Iesu Christi
Resistência
Quando me cortaram as mãos
usei a boca para escrever;
Quando me arrancaram os dentes
usei meus pés para escrever;
Quando me arrancaram os pés
usei meus olhos para escrever;
Quando me cegaram
usei meus cabelos
para com eles fazer um pincel
a fim de pintar
o que já não me deixavam mais escrever!
Escrevo como quem rasga a realidade com a ponta da caneta, escapando pelas frestas das entrelinhas antes que o mundo me engula por completo.
Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve?
O último romântico
Sou um poeta romântico,
Em meio ao caos da atualidade
Onde o amor é passageiro,
O falso é verdadeiro
E a desunião é realidade.
Sou um poeta romântico,
Em meio ao estranho século 21
Onde a moda é odiar,
Onde estranho é amar,
Onde lealdade é quase incomum.
Sou um poeta romântico,
Em meio a frieza do mundo
Onde gostar de alguém é ser emocionado,
Onde se apaixonar é errado
Onde o medo de amar é profundo.
Sou apenas um ser qualquer,
Com o dom de se reinventar
Esse é meu lado poético,
Meu eu lírico é discreto
Afinal, ser poeta é ir além do verbo amar.
Forjei minha armadura, uma pluma feita de folhas em branco e o dedo firme sobre uma caneta, prontas para rasgarem a dor do meu silêncio.
"Toda essa desesperança
é a minha bênção.
É ela a dor que me torna
imune ao orgulho, simples demais,
profundamente simples."
— UM MILÉSIMO | Dante Locatelli
"Finalmente, é a hora do poema.
Vou sair, levar a caneta para passear,
fazer linhas na folha em branco."
Tanto o escritor quanto o leitor são transportados para um novo mundo — a diferença é que o escritor tem o poder de moldá-lo.
Poder transbordar em forma de palavras… escritas… permite que não haja um afogamento em dores… que só poderão ser acessadas por quem tiver permissão.
