Escrita
Tem sido dias turbulentos dentro do meu coração e da minha alma. Às vezes só há dor. Eu sou aquele que nunca é o bastante.
Deixei de dormir essa noite e não foi por insônia. Foi uma escolha. Uma escolha estúpida. Prometi que hoje, vou chorar tudo que tá entalado a muito tempo. Mesmo que seja em silêncio para meus pais não ouvirem.
Acordo pela manhã e me sinto abandonado. Pés no chão, um soco no estômago. Morrerei sozinho do mesmo modo que vivo.
Choro todas as noites, só por saber que existimos em um mundo onde o passado se tornará amargo no futuro.
Passo sempre as madrugadas acordado pensando que tudo poderia ser diferente, procuro enxergar dentro de mim, rever os meus conceitos e mudar de direção.
Eu sinto náuseas, febre e dores musculares. Eu acordo assustado no meio da noite chorando a toa. Só por hoje eu queria ter uma folga de ser quem eu sou, um dia apenas sem carregar meus problemas, frustrações e medos, eu só queria um único dia.
Eu nunca fui grande coisa, vivo trancado no meu quarto, escrevendo, ouvindo música e me convencendo de que é melhor estar sozinho. Onde está o amor? Me traga vida novamente. Dessa vez eu não vou chorar. Preciso aguentar essa rasteira, que a vida me passou.
O desafio não é mais escrever isso ou aquilo.
O desafio é viver o que se escreve
ou aquilo que quer ser escrito.
Há um desejo que pede,
anseia,
esperneia,
exigindo registro.
É desafio da vida
que busca a fenda,
a réstia,
a luz,
a brecha de mim escondida.
O braço se estica, mas não alcança a chave
que está lá... lá... bem lá...
presa no cinto do carcereiro.
E, a cada noite, o dia vira morte não escrita.
Aí dentro, aqui dentro,
você se cansa da espera.
Eu sei que se cansa.
Vejo seu cansaço fechando o portão,
a porta, a janela.
Mas não quero ver a chama que me chama
ceder à gota d’água,
aquela que trará nuvens de cinzas.
