Escrever
NUNCA MAIS QUERER
Não quero nunca mais escrever
Dos meus sonhos esquecer
E as minhas fantasias
Nunca mais voltar a ter...
Eu quero agora viver
Nem que eu viva a sofrer
Viver...viver...para num dia
Em que eu menos esperar...morrer...
Não adianta ter ilusão
Quero falir meu coração
E decretar à todos
Minha tremenda decepção...
Não adianta fantasiar
Pois o que eu vivi asonhar
O que eu vivi a procurar
Jamais vai se realizar
Quero perder a esperança
Pois em toda minha herança
Fiz de meus dias
A vida de uma criança...
Não convivi com a real
Fugi do mundo animal
De minha vida fiz uma peça teatral
E atuei...como atriz principal
Hoje decretei falência
Pois nessa minha existência
Só vi minha carência aumentar
Preciso parar de sonhar...
Tentei...muito lutei...
Sonhei...esperei...
Eu quiz e não tive...então resolvi
Viver como a maioria vive...
Pra resumir eu "fali"
Pois pela vida eu vi
Que é preciso ser anormal
Para viver nesse mundo animal...
Como começar a escrever sobre uma perda, sobre uma dor anunciada, o inevitável, um sentimento de saudade já anunciado?
Angústia, agonia e muita revolta... não tenha dúvidas.
Ninguém está preparado pra enfrentar tragédias, para aceitar perdas, pra aceitar o fato de vida ser tão frágil, ver a incapacidade de evitar isso.
Fica na cabeça, no coração de quem está aqui para ver tudo isso, se tudo que acontece em nossa vida pode realmente ser evitado, se há culpa, se algo deixou de ser feito, inevitavelmente se explicando e dividindo a culpa por perdas.
Achar um culpado para expressar os sentimentos ajuda, em partes até alivia, mas não resolve como um todo.
É difícil aceitar e entender, a vontade de dormir acordar e pensar que foi um pesadelo, as lembranças de ontem, de um tempo atrás, de muito tempo, serão agora apenas lembranças... aquele sorriso que estará apenas na memória, no coração.
Se tudo na vida tem um motivo, se nada é por acaso, que algo aconteça.
Se é preciso perdas e tragédias para se dar mais valor e atenção a vida, se é preciso sacrifício, dor e lastimas para algo a mais, só cabe ao tempo responder, cabe à fé de cada um confortar.
Que as pessoas que estejam sofrendo hoje, por qual motivo for, com a saudade, que elas sejam fortes, que não se percam, que elas em vida não deixem saudades aqueles que ficam, aqueles que ainda estão aqui e precisam de suas vidas.
Saudade dói, dói muito, mas ver pessoas que amamos em vida nos abandonarem junto aos que já se foram, dói muito mais.
Se há motivos para estarmos vivos, que continuemos, que vivamos nossas vidas por nós, por aqueles que nos amam, por aqueles que amamos e por aqueles que fizeram e nós deram momentos inesquecíveis em nossas vidas, que vivamos agora por eles, por um grande futuro que o destino não os deixou viver...
Assim a saudade, que insiste em doer, será um dia então confortada.
Não sei o que há de errado comigo. É como se tudo o que pudesse fazer é escrever esse palavreado para evitar a depressão.
Se tenho algo para falar, falo na cara, não sou de escrever indiretas em redes sociais. Esse é meu jeito autêntico de ser, do qual me orgulho bastante. Se gosto, vou atrás, falo dos meus sentimentos e apresento minhas reais intenções, mas se deixo de gostar, não adianta vir atrás porque simplesmente já não quero mais. Se me importo contigo, vou falar, vou dar conselhos, vou tentar estar por perto. Comigo é jogo limpo, pingos nos i's e cara à tapa. Sem jogos, sem charme, sem indiretas. E isso vale para todos os tipos de relacionamentos.
Poderia te escrever a mais bela frase de amor dizendo o quanto eu estou apaixonado por você. Porém, ainda não existe tal poema que se compare a uma mulher assim como você.
– A verdade é que ainda não sei se realmente serei capaz de escrever bem.
– Bom, isso é como nós, artesãos. Não espere perfeição no começo.
Vê se não demora. Eu tenho ânsia de falar da gente. Se eu não puder escrever de você, eu vou ter que escrever do final. Então, vê se não demora.
Toda vez que toca o telefone, eu penso que é você; toda noite de insônia eu penso em te escrever pra dizer que o teu silêncio me agride, e não me agrada ser um calendário do ano passado.
Pra dizer que teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança depois que a música parou.
RECOMEÇOS
Já que a semana está em branco e um novo dia sorri, vamos escrever a vida. Sem medo. Sem aquela expectativa surreal de ter-que-fazer-perfeito. Sem aquela cobrança de fazer tudo o que queremos (e não o que precisamos).
Que tal pararmos de pular a primeira página pra treinar a letra ideal? Vamos escrever do jeito que for, afinando e desafinando, errando e acertando e - sempre - amando e aceitando o melhor e o pior que existe em nós. Afinal, cada dia é um novo ano. E a gente merece ser feliz e recomeçar sempre.
(Quantas vezes for preciso).
A imortalidade
O caminho para ser imortal é cantar, dançar, atuar, escrever, pintar... enfim é a arte. A arte muda a cada minuto, cria e recria a vida e, ao senti-la na essência, nunca mais a esquece e nunca mais serás esquecido.
Saudades de meu pai
Pai, tento escrever sobre ti, mas não tenho tua sabedoria;
não sou poeta, mas sou filho;
não tenho belas palavras, mas tenho saudades;
saudades de um pai que para mim foi heroi, foi amigo, foi vilão e mocinho;
foste para mim, pai, segurança e comforto, mesmo distante,meu porto seguro;
muitos te julgaram, poucos te entenderam;
muitos te encontraram, poucos te esqueceram;
foste martcante mesmo subjulgado;
deixaste saudades, mesmo renegado;
pude ver,pai, no dia em que partiste, por detrás das máscaras do orgulho, o arrependimento nos
olhos daqueles que te julgaram, mas contigo, aprendi a perdoá-los;
Não pudeste me ensinar a pedalar, ou a torcer pelo Flamengo;
Não conheceste minha primeira namorada, nem me viste servir à pátria;
Não penduraste meu diploma na parede, nem meu primeiro trabalho;
pouco nos vimos, pouco nos falamos, mas no pouco feste muito, me ensinaste a viver.
Hoje peço à Deus, forças para prosseguir,para Honrar este nome , que com orgulho carrego.
Não sou poeta...
mas sou filho.
COMPANHEIROS
quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho
e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados
deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros
mas não lego
mapa nem bússola
porque andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver
hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço
companheiros
