Esconder Amor
Desta volúpia nascida de mim
Volúpia que foi semeada por ti
Não faço questão de esconder
Os desejos audazes estão aqui
Prontinhos para serem colhidos
Desejos doces e provocativos
Não temo de entregá-los
Inteiros para serem cometidos
Confio nos teus cuidados
Por tua mão escorregadia
Escrevo versos com cravo
Perfumo poemas com canela
Tempero poesias com pimenta
Também sei ser tua e Gabriela
Estou em plena sintonia
Como gaivotas no pleno revoar
Aprendi a desenhar no mar
Estou aqui para te acariciar
Trago dos teus olhos negros
O fruto dos nossos segredos
Trago sementes e lembranças
Com certeza as mais obscenas
Das ternuras entre as açucenas...
Não tenho
nada o quê
esconder
de você e nem
de ninguém,
Que eu quero
ser a poetisa
pioneira a colocar
os pés na Lua,
Embora em
sonho já
tivesse ido,
Porque lá
é a residência
dos poetas
que vivem
no mundo
em resistência;
De carro
cor de Capella
e com uma
rosa amarela
na boca,
Você virá
me buscar
de surpresa
como uma
das novelas de Gabo.
Às vezes só tenho vontade de me acolher
De me encolher
De me esconder
Do mundo
Colocar meu corpo debaixo de um chuveiro
Que pinga água uterina
Água quentinha
Aconchegante
Num lugar com luz solar
Abundante
Com uma vela acesa
Um cheiro de ervas
Alecrim
Capim santo
Sabugueira
Fechar os olhos devagar
Divagar
Pensar em nada
Apenas me abraçar
Sentir a água escorrendo
Pelos recônditos
Do corpo e da alma
Ouvir o som dos pássaros
Que burburinham bem ali
As folhas das árvores dançando
O vento suave e amigo
A respiração fácil
Na pele, um arrepio
Anunciando bonanças
E devolvendo-me esperança
De dias de pleno festio.
