Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
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Preocupa-nos mais que falem de nós, do que a maneira como falam.
Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.
Os acontecimentos políticos humilham e desabonam mais a sabedoria humana que quaisquer outros eventos deste mundo.
O homem que despreza a opinião pública é muito tolo ou muito sábio.
A imaginação exagera, a razão desconta, o juízo regula.
Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.
Não ser amada é uma desventura; mas deixar de sê-lo é uma afronta.
Na mocidade buscamos as companhias, na velhice evitamo-las: nesta idade conhecemos melhor os homens e as coisas.
Os homens investidos no poder crêem na duração do presente.
Poucas vezes quem ganha o que não merece, agradece o que ganha.
Como se há-de governar um país que tem 246 variedades de queijo?
A atividade sem juízo é mais ruinosa que a preguiça.
Quem é capaz de suportar tudo pode atrever-se a tudo.
A glória é o sol dos mortos.
O luxo, como o fogo, devora tudo e perece de faminto.
Qualquer povo defende sempre mais os costumes do que as leis.
Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.
Mors Amor
Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,
Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?
Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,
Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"
A razão também tiraniza algumas vezes, como as paixões.
Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar.