Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura

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O orgulho pode parecer algumas vezes nobre e respeitável, a vaidade é sempre vulgar e desprezível.

A fortuna troca às vezes os cálculos da natureza.

Machado de Assis
Iaiá Garcia (1878).

Não há paixão que abale tanto a sinceridade dos juízos como a cólera.

Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.

O medo é a arma dos fracos, como a bravura a dos fortes.

Todos os homens são bestas; os príncipes são bestas que não estão atreladas.

O Homem não tem porto, o tempo não tem margem; / ele corre e nós passamos!

O insignificante presume dar-se importância maldizendo de tudo e de todos.

Há uma certa vergonha em sermos felizes perante certas misérias.

Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.

Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.

O amigo é um segundo eu.

Os pintores só devem meditar com os pincéis na mão.

Há verdades que é mais perigoso publicar do que foi difícil descobrir.

Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?

As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.

Ninguém se agasta tanto do desprezo como aqueles que mais o merecem.

A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.

Muita luz deslumbra a vista, muita ciência confunde o entendimento.

Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.