Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
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O orgulho pode parecer algumas vezes nobre e respeitável, a vaidade é sempre vulgar e desprezível.
A fortuna troca às vezes os cálculos da natureza.
Não há paixão que abale tanto a sinceridade dos juízos como a cólera.
Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.
O medo é a arma dos fracos, como a bravura a dos fortes.
Todos os homens são bestas; os príncipes são bestas que não estão atreladas.
O Homem não tem porto, o tempo não tem margem; / ele corre e nós passamos!
O insignificante presume dar-se importância maldizendo de tudo e de todos.
Há uma certa vergonha em sermos felizes perante certas misérias.
Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.
Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.
Os pintores só devem meditar com os pincéis na mão.
Há verdades que é mais perigoso publicar do que foi difícil descobrir.
Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?
As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.
Ninguém se agasta tanto do desprezo como aqueles que mais o merecem.
A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.
Muita luz deslumbra a vista, muita ciência confunde o entendimento.
Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.
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