Era
Eu era mais rigoroso que muitos dos meus amigos porque eu queria mais, eu exigia mais. Eu era mais faminto por sucesso do que qualquer pessoa que conhecia.
Está vendo aquele lago? Suas águas estão calmas e serenas. Eu era assim!
Mas se atirarmos uma pedra, ficará agitado. Como eu fiquei!
Com o tempo, se acalmará novamente, mas a pedra continuará lá. Fará parte dele e o modificará para sempre!
Sozinha nos trilhos eu ia,
coração aos saltos no peito.
O espaço entre os dormentes
era excessivo, ou muito estreito.
Paisagem empobrecida:
carvalhos, pinheiros franzinos;
e além da folhagem cinzenta
vi luzir ao longe o laguinho
onde vive o eremita sujo,
como uma lágrima translúcida
a conter seus sofrimentos
ao longo dos anos, lúcida.
O eremita deu um tiro
e uma árvore balançou.
O laguinho estremeceu.
Sua galinha cocoricou.
Bradou o velho eremita:
“Amor tem que ser posto em prática!”
Ao longe, um eco esboçou
sua adesão, não muito enfática.
Eu me encantei pelo seu sorriso, me seduzi pelo seu cheiro. Tudo era uma mistura inebriante, que ao mesmo tempo que me sufocava, tambem me fazia bem.
Às vezes eu sinto uma saudade enorme. Só não sei de quê. Talvez seja da minha infância. Era tão boa. Tudo era tão simples, tão fácil. Ou talvez seja das pessoas. Daquelas que passaram, mas não ficaram... se foram sem se despedir. Mas também pode ser os momentos. Esses que marcam e pairam na nossa mente. São sem dúvida especiais. É como se o agora fosse dispensável, e o pensamento voasse, procurando algo que não sabemos bem o que é. E nosso olhar insiste em ir em direção à janela. Como se a resposta desse aperto no coração estivesse além. Não sei se sensação é boa ou ruim... Sinto-me agradecida por tudo que vivi; mas ainda há uma enorme vontade de quero mais.
Cada vez que o olhava sorria inquieta, procurando sem muito êxito uma forma de traduzi-lo. Ele era um mistério, o seu doce mistério.
"Cospe a pedrinha, Mansur!"
(*) Frase que se tornou proverbial. Mansur era um "boca-suja", sacristão de um bispo, que tentava inutilmente corrigir-lhe a linguagem, permeada de palavrões. Até que lhe ocorreu a idéia de que Mansur mantivesse uma pedrinha na boca para ajudá-lo a lembrar-se de evitar expressões indecorosas. Num certo dia de intenso calor, o bispo percorria a estrada - a pé, acompanhado por Mansur -, em visitas pastorais, quando ouviu uma velha que com insistência chamava por ele, do alto de um morro. Quando os dois acabaram de subir a penosa encosta, a velha explicou que o chamara para abençoar sua ninhada de pintinhos... O bispo, passando o lenço na testa, voltou-se para Mansur (também ele furioso...), dizendo: "Tudo bem, Mansur, pode cuspir a pedrinha!"
e foi no caminho de volta para casa, sem você
que eu percebi que aquele já não era mais o nosso caminho.
E lembro-me de quando o conheci, foi-me tão claro que ele era o único para mim.
Ambos de nós soubemos, de imediato.
E, com o passar dos anos, as coisas tornaram-se mais difíceis, fomos confrontados com mais desafios
Eu o implorei que ficasse
Tentasse lembrar-se do que tínhamos no princípio
Ele era carismático, magnético, eléctrico, e todo mundo sabia disso
Quando ele caminhava
A cabeça de cada mulher se virava, todos se levantavam para falar com ele
Ele era como este híbrido, esta mescla de um homem que não conseguia se conter
Eu sempre tive a sensação de que ele se tornou dividido
Entre ser uma pessoa boa e perder todas as oportunidades que a vida poderia
Oferecer a um homem tão magnífico como ele
E dessa forma, eu o compreendi
E eu o amava
Eu o amava, eu o amava, eu o amava
E eu ainda o amo
Eu o amo
Eu sempre soube que vivi um pouco diferente de outros homens. Quando eu era um garoto não vi nenhum caminho antes de mim, simplesmente dei um passo e depois outro. Sempre em frente, sempre para a frente, correndo em direção a algum lugar que eu não sabia onde. E um dia eu virei e olhei para trás e vi que cada passo que eu tinha tomado era uma escolha, ir para a esquerda, ir para a direita, ir em frente ou até não ir. Cada dia, cada homem tem uma escolha entre o certo e o errado, entre o amor e o ódio, e às vezes entre a vida e a morte, e a soma dessas escolhas torna-se sua vida. O dia que eu percebi isso foi o dia que eu me tornei um homem.
A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma coisa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurara esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao Céu cabia ouvir, porque não eram vozes da Terra, nem para a Terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única.
Meu quarto é o melhor lugar do mundo: era o meu plano. Paredes rosa, lembram minha infância. Ursinhos fofos, mostram que uma parte de mim ainda é meio criança. Mural de fotos, registra todos que amo e não posso tocar. Cama de casal, deixa o espaço que só um pode ocupar. Meu quarto não é o melhor lugar do mundo: era a realidade.
A música era o meu refúgio. Eu pudia rastejar para o espaço entre as notas e dar as costas para a solidão.
Um sábio perguntava a um louco qual era o caminho da felicidade. O louco respondeu-lhe imediatamente, como alguém a quem se pergunta o caminho da cidade vizinha: 'Admira-te a ti mesmo e vive na rua'. 'Alto lá', exclamou o sábio, 'pedes demais, basta já que nos admiremos!' E o louco respondeu logo: 'Mas como admirar sem cessar se não nos desprezarmos constantemente?
(A Gaia Ciência)
" ...E quando eu pensei que era o meu fim...
a doce voz de Deus me disse assim:
Eu tenho para sua vida uma nova história...
um novo caminho com final feliz...
confia em mim!"
Um dia me falaram:
Que forte era aquele que não amava. Discordo. Fortes são os que arriscam o coração e as lágrimas por um amor de verdade. Fraco é quem não ama por medo de perder uma noite de sono, ou duas. Por medo de perder a razão, de tirar os pés do chão! eu me arrisquei,quebrei a cara,mais pelo menos assumo que fui feliz entre tanto fingimento
