Era
Vazios de Si:
Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si.
O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade
para habitar um mundo imaginário —
por vezes autoritário, talvez confortável para si,
mas sempre opressivo para os outros.
Aí não há diálogo: há imposição de vontade.
E quando o bom senso deveria prevalecer,
voltamos ao início:
são tão cheias de “razão”
e tão vazias de si.
A tarde era um cálice demarrado sobre os campos verdejantes de ramagens escarlates na boca que pronuncia a verdade sublime no instante exato de brilhar estrelas no céu e suas grandes constelações. E eu diria que seus olhos são dois abismos onde a eternidade repousa em minha memória densa de lembranças esquecidas, pois passa rápido a vida e as mãos desconhecem despedidas se acenam e não seguem em frente. Paradas, absortas no esvair de uma saudade abstrata, cuja raiz pousa os pés na terra vermelha e nascem constatações intermitentes, pois afirmar pode ser uma forma de negar indubitavelmente. E tudo é sempre mais do que parece ser, quando bem me faço entender, se a lógica diz e cala na escuridão da sala. A memória é um jardim de estátuas cobertas de musgo, já que a ação inexorável do tempo envelhece artefatos humanos enquanto a natureza cresce para além de si mesma em sua opulência e grandeza. O perfume dourado das magnólias adormece o crepúsculo e eu busco um impulso para encarar a noite e suas torrenciais correntezas. Ao ouvir o azul da tarde a doçura prateada da lua adormecia na perspicácia dos centros comerciais onde tudo tem um preço, até mesmo esquecer tinha a moeda do tempo no silêncio macio de sol envolvendo pensamentos na arquitetada paisagem da cidade planejada em minúcias para muitos e para poucos, quando se janta o almoço, em um alvoroço de viver freneticamente enquanto ainda temos um corpo. A aurora despertou lentamente os montes adormecidos e no café quente do copo eu questionava os minutos de sossego na inquietude melódica do dia a espraiar certezas vagas como um relógio antigo há muito tempo atrasado. Mas porque comer o passado se o presente tem sempre novos recomeços e a ternura genuína dos afetos alcançam glórias humildes no aconchego de um dia feliz?
Um dos meus maiores desejos ao entrar na psicoterapia era descobrir quem eu era. Após cinco anos me deparo com o mesmo questionamento. Me deparo com o mesmo questionamento mas, o que mudou, foi o espanto da descoberta. Se segue assim, no inicio: o mundo. Logo depois vem a ideia: associação livre. Quando a apreendi, nunca mais parei. Meu inconsciente não se segurava mais. Ainda o seguro. Estava prestes a descrever uma série de etapas que se seguem quando se quer seguir etapas afim de obter uma máxima quando percebi que, depois da associação livre, me perdi. Descobri tantos novos caminhos. Poderia falar da série de fragrâncias com cheiros exóticos que descobri: sangue, plástico, pele, iodo. Não, não era isso o que queria dizer. O que quero dizer é que: aprendi a gostar de fragrâncias! Lembro de quando era pequeno, ia ao mercado central da cidade. La encontra-se de tudo: Galinha, pombo, cobra, rato, queijo, tempero, goiabada. Tudo isso misturado me gerava uma extrema náusea - odor fétido. O estranho que, depois de organizado, se tornou cheiro. Sei que, quando criança não era capaz de distinguir todos os odores, acabava misturando tudo em uma coisa só. E ai vinha um odor fétido - que não pode nem ser chamado de cheiro. Ah.. as produções humanas. Todas sempre me fascinaram assim como seus criadores. Gosto mesmo é de pegar um pensamento e escamá-lo. Moldá-lo. Emaranhar-me em sua elasticidade, tocá-lo de dentro para fora a tornar visível externamente o relevo de meu toque sob a superficie. Depois quero virá-lo do avesso. Durante o processo, caso o locutor se perca assim como perde-se entrando em uma rua desconhecida, seu corpo é passível de acomodar-se entrando em sincronia invertida, descompasso de onda - pulsar, assim como se faz o coração: Tu dum. Percebe, entre o _Tu_ e o _Dum_ existe um espaço, eles não são no mesmo tempo mas também não são espaços iguais em tempos diferentes. Uma vez li que a diferença de um pulsar para o outro indica a capacidade do ser vivo de se adaptar e permanecer vivo em meio as mudanças. Quem diria que, através do coração se pudesse saber da mente. Milênios que separam a mente do coração. Nunca pensamos na possibilidade de serem um sistema conjunto. Meu coração bate, minha mente age. As vezes minha mente bate de frente, mas meu coração não mente: age! Não é todo dia que isso acontece, mas quando acontece, sinto que posso enfrentar o mundo: A brisa do amanhã oferece, ao encontrar-me em meu caminhar, um suspiro aldeídico de esperança - movo-me, ajo! Os dias ordinários continuam, o que muda é a lente ocular. Foi tarde que descobri a possibilidade de troca. Claro, está muito abstrato. Amiúde, quando lhe desabrocharem as graças, troque-as. A mudança exige um certo tipo de expertise. Esteja disposto a encontrá-la e aprimorá-la, afinal, ninguém anda por ai com os óculos sujos. Mas chega de falar de óculos até porque, não faço uso. As vezes não enxergo. Não por falta de luz. Não enxergo à luz do dia! Não como Diógenes. Não enxergo pois estou tão entranhando em uma linha de pensamento que, as vezes esqueço de processar as imagens que estão sendo recebidas e processadas. Deixo esse processamento em Stand-by. Ah como seria bom se pudéssemos levar as coisas mais no stand-by. Logo sinto um calafrio, assusto, começo imediatamente a ação mecânica de analisar e categorizar toda luz que entra nesse cano que chamo de olhos. Não sei, poderia falar mais quanto quisesse. Não estou falando! Me dispus de um tão mais renomado trabalho, o da seleção de palavras para dizer - mas dizer o que se não falo nada? A diferença entre dizer e falar é da mesma natureza ontológica entre hear e listen, no inglês. Seguimos com o exemplo:
Can anyone hear me?
Alguém pode me ouvir?
Curiosamente podemos escrever e traduzir:
Are you listening to me?
Você esta me ouvindo?
Percebe? O emprego de duas palavras, em inglês, distintas se deu em uma tradução, em português, idênticas.
A diferença esta no afeto. Há sim! As palavras afetam. Primeiro: Nossas cordas vocais geram ondas físicas que são percebidas por partes do nosso aparelho auditivo que separam e, com a ajuda do cérebro organizam o som para nosso entendimento. Ufa...! Não só isso, estava prestes a dizer o modo que a diferença ontológica entre hear e listen se dá: Hear é vago, pense, podes ouvir um ruido na rua de um carro. O som se torna tão insignificante que sei bem que mal percebeu. Agora, acredito que, ao primeiro contato da onda do som de um homem aos berros aos seus tímpanos, o interesse florescerá e a atenção será furtada de modo tão sutil como o da arte dos batedores de carteira. Define-se essa diferença ontológica através da atenção do ser que se coloca naquilo. Quando se fala, se pode falar qualquer coisa, minha mãe dizia: Até papagaio fala! Mas quando se diz, deposita-se a verdade da existência de si ao que está sendo proferido: Quando digo Digo, digo Digo, não digo Diogo. Quando digo Diogo, digo Diogo, não digo Digo. Na maioria do tempo estamos falando - ah, e como falamos! Mas quando queremos dizer algo, em inglês diríamos: _I mean it_. Em tradução literal: Eu significo isso. Em tradução livre: quero dizer. A palavra interpola entre a ideia e o ser da coisa, o sentido. Nem sempre funciona muito bem, mas pra isso, temos as outras artes. Claro, como exprimir os infinitos pensamentos do ser humanos nas palavras? Delas, faço de instrumento. E, nessa repetição mecanicamente instrumental que é falar, um dia, disse. Disse: Não quero ser! Mal sabia o que era, mas, o que era, não me dizia mais. Mal sabia se era, mas se o era não queria mais o ser. Quero ser! Mas o que ser? Não sei, quero ser, não importa o que ser, além do mais, passei a achar o ser em seu singular muito tedioso. Quem é, é! Não há de ser outra coisa. Se a maçã é vermelha é porque é! A não ser que seja maçã verde - não é. Nunca vi uma maçã cor de rosa.
E se um dia eu, como maçã, não querer mais ser vermelha? A quem devo à suplica de meu ser? Pergunto pois, no mesmo instante rogarei: quero ser cor de rosa! E se o Deus das maçãs escutar as minhas preces, ficarei feliz ao saber que, ao mínimo pigmento que cobre a superfície lisa e brilhante de meu ser, fui inventada enquanto maçã. Bom, é da palavra que tenho então hei de usá-la! Usarei-a sem sentido dessa vez: Biboca, Pimpolho, coração de neném, cão, gato, sapato, amianto, aparelho, internato. Proponho um desafio, já propus o dizer - e o falar - bem como o escutar - e o ouvir. Agora peço que, escute o que vou lhe escrever. Não. Não. Melhor. Escute as palavras. Não! Não! Melhor! Se escute as palavras que tenho a lhe dizer:
Biboca, Pimpolho. Coração de Neném. Cão, gato, sapato, amianto, aparelho. Internato!
Se pões atenção ao que se ouve, creio que tenha sacado de inicio o rimar das palavras antes mesmo de eu as dividir na ordem que devem ser faladas. Aqui _faladas_ pois aqui o que importa é seu som, não seu sentido. Repita mecanicamente e verá que criou-se do que se imaginava não ter serventia alguma, a mecanização instrumental de falar as palavras, uma rima! Usai-vos os sentidos! Acredito que a ideia acerca da existência de sentido quando a palavra falta tenha se lançado a luz da dúvida aos instrumentalistas de plantão. Repito: Para isso temos outras artes. Se o que tenho é a palavra, hei de usá-la. Desta vez, usarei-a com sentido: preciso ilustrar uma imagem que ganhe sentido através da palavra: eis o ser. Sendo assim, comecei a falar dizendo. Sempre que falo, digo! Sempre que digo, digo de mim. Por ai, digo que escuto o que dizem de mim e assim, sou sendo.
Na noite que tarda estrelas, as mãos tecem versos no chão e se podia dizer que era manhã, já que as palavras tudo aceitam dos versos descomprometidos com a verdade e eu não diria que é mentira se ardem as esmeraldas. A face reflete o mais puro céu azul e os girassóis deliram no amarelo altivo de uma vasta plantação. E se diria que o rubro de minha face era a vida queimando na melodia indizível das colinas esverdeadas que murmuravam fontes de água cristalina nas mãos de flauta. E se podia dizer sobretudo que tudo já foi dito, mas o poema contradito toca a margem do infinito e mais versos geram em minhas linhas digitais. As árvores falam o sussurrar das folhas ao vento e colorem de flores o chão e as ruas se fazem rosas, vermelhas e larajadas, uma camada farta de detalhes numerosos em sonhos de turquesa. O amor partiu em muitas tardes como uma imagem que se esvai e restam fotos antigas desprovidas de vida. E o amor já não é uma necessidade, haja visto o preço oneroso da vida, pois é preciso comer, morar, vestir e viver. Eis que o amor é um luxo e se procura a paz no esdrúxulo movimento de se manter em pé. E para tanto se pede um pouco de fé, na esperança desmedida de o mundo ser melhor e sermos melhores para o mundo. No entanto, navego no absurdo e planto flores no olhos plenos de palavras, que assim compõem uma paisagem que não distingue as estações e faz solar a escuridão da noite. Faz do sul o norte e tudo muda de lugar no poema a proclamar verdades de imensidão nos dedos que tecem rimas nas constatações violetas do corpo em êxtase, pois tudo são pormenoridades se escrevo e me escutam e nada tarda na vida que permanece no tempo. Seguimos fortes sem lamentos a poupar o rosto de lágrimas frágeis, porque se bem observar não há motivos para chorar, pois que estamos vivos e atravessamos todas as madrugadas frias.
O que é seu, o tempo e a vida protegem. Se alguém se foi, não era para ser. Confie no que Deus reservou: se o amor de agora parece grande, o encontro com sua alma gêmea será ainda maior. Não lamente a partida de quem abre caminho para o verdadeiro encontro da sua alma
Onde você está agora?
Todos os dias me pego pensando
nos tempos em que sua presença
era meu lugar seguro,
meu riso fácil,
meu pedaço de paz.
Sinto falta da leveza,
das conversas sem hora,
da alegria que só existia
porque você estava ali.
Se você estivesse aqui,
tudo estaria bem —
eu sinto isso no peito.
Mas agora somos livres…
e essa liberdade dói.
Dói porque é vazia de você.
Hoje eu preciso seguir,
preciso tirar você
da minha cabeça
e do meu coração,
mesmo sabendo
que essa será
a batalha mais difícil
que já enfrentei.
As Pessoas Que Já Fomos
Outro dia me peguei olhando uma fotografia antiga.
Não era uma fotografia especial. Não mostrava nenhuma grande conquista, nenhuma viagem inesquecível ou um acontecimento extraordinário. Era apenas um registro de um dia comum. Mas havia algo diferente naquela imagem.
A pessoa que aparecia ali era eu.
E ao mesmo tempo, já não era mais.
Por alguns instantes fiquei observando aquele rosto, aquelas expressões, aqueles sonhos que eu carregava naquele tempo. Lembrei das preocupações que pareciam tão importantes, dos planos que eu acreditava serem definitivos e das certezas que hoje já não existem mais.
Foi então que percebi algo curioso.
Passamos boa parte da vida acreditando que somos a mesma pessoa. Afinal, carregamos o mesmo nome, as mesmas lembranças e a mesma história. Mas a verdade é que estamos mudando o tempo todo.
Existem versões de nós que ficaram pelo caminho.
Aquele jovem cheio de pressa.
Aquela pessoa que tinha medo de errar.
Aquele sonhador que acreditava que a felicidade estava sempre em algum lugar distante.
Todos eles ainda fazem parte da nossa história, mas já não ocupam o mesmo espaço dentro de nós.
Alguns desapareceram com o tempo. Outros foram transformados pelas experiências. E há aqueles que precisaram partir para que pudéssemos continuar crescendo.
Talvez seja por isso que, em certos momentos, sentimos saudade de épocas que nem eram tão perfeitas assim.
Não sentimos falta apenas dos lugares ou das pessoas.
Sentimos falta de quem éramos.
Da forma como enxergávamos o mundo.
Da maneira como acreditávamos que tudo seria.
Mas a vida segue seu curso.
Ela leva algumas certezas, modifica alguns caminhos e nos apresenta situações que jamais imaginaríamos viver.
E quando menos esperamos, nos tornamos alguém que aquela antiga fotografia jamais poderia prever.
Nem melhor.
Nem pior.
Apenas diferente.
Mais consciente de algumas coisas.
Menos preocupado com outras.
Mais próximo daquilo que realmente importa.
Hoje compreendo que crescer não significa abandonar completamente quem fomos.
Significa agradecer a cada versão que existiu.
Porque cada medo enfrentado, cada erro cometido, cada sonho sonhado e cada recomeço vivido ajudou a construir a pessoa que somos agora.
E talvez, daqui a alguns anos, eu encontre outra fotografia.
Talvez eu observe novamente meu próprio rosto e perceba que uma nova transformação aconteceu.
Porque a vida nunca para sua obra.
Ela continua nos moldando silenciosamente, dia após dia, enquanto seguimos caminhando.
E assim, entre lembranças e descobertas, vamos conhecendo as muitas pessoas que existiram dentro de uma única vida.
"Me perguntaram se eu era livre. Respondi: 'Sou escravo da liberdade'. E o que é a liberdade? É não ter preço, não dever favores e não se curvar para caber no mundo de ninguém. É o direito sagrado de escolher o próprio caminho, mesmo quando ele é o mais difícil."
Ginho Peralta.
Era assim:
A só mareava, por terras tantas que se partiam,
que o mundo em que minha voz habitava,
ao invés de nascer, se escondia.
Agarrei-me então as palavras,
doces, ferozes, cristalinas,
e o cio do tempo desabitado,
Tornou-se num dedilhado,
cordas que entoavam,
o coração em fogo vivo.
A Bela Brigeta no Caminho Florido
Era uma vez
Uma menina chamada Brigeta.
Ela amava flores.
Flores pequenas, grandes, coloridas.
Flores que dançavam com o vento
E sorriam para o sol.
Um dia, Brigeta ouviu falar
De uma trilha encantada,
Onde as flores nasciam
Como num sonho!
Curiosa, pegou seu chapéu,
Um sorriso e saiu a caminhar.
Logo na entrada,
Viu um lírio branco —
Tão puro quanto a neve!
Mais à frente,
Um narciso amarelo
Brilhava como o sol da manhã.
E, um pouquinho depois,
Uma hortênsia azul,
Azul como o céu lá no alto!
Brigeta abriu os braços e riu:
— Bem que diziam!
Neste caminho só mora a beleza!
Mas, assim que fechou a boca,
Seu olhar se encheu de encanto:
Diante dela, uma rosa vermelha,
Vermelha como o coração!
E então Brigeta pensou, suspirando:
“Como é linda a estrada da vida,
Com tantas flores
Colorindo o caminho.”
Era você
Um dia achei
que não era você.
Depois vi.
E, aos poucos,
comecei a entender.
Você é isso mesmo:
louca nas palavras,
intensa no sentir,
inteira nesse jeito
quase indomável de viver.
Carrega decepções
como quem já caiu muito,
mas não deixou
o coração endurecer.
Mesmo ferida,
sorri.
Mesmo cansada,
oferece bondade.
Há uma força silenciosa
no seu riso,
uma coragem mansa
em continuar.
E foi assim,
sem alarde,
que percebi:
era você o tempo todo
Que a minha vida precisava.
Por um tempo conclui que minha raiva era por você nunca ter me dito não ou nunca ter decidido voltar.
Hoje eu entendo que não foi sobre você, mas por tudo o que eu inventei aqui dentro.
Eu que teimei em atribuir significado ao que era apenas o que era.
Não foi você.
Com o tempo, percebi que correr atrás de alguém que não era meu estava se tornando uma perda de tempo. Então deixei esses sentimentos de lado e segui minha vida. Quando deixamos de nos importar, algumas pessoas começam a nos valorizar, e é aí que percebemos o quanto esperar nem sempre vale a pena. Mais do que uma volta por cima, isso mostra que sou capaz de seguir em frente sem depender de amores que nunca existiram.
Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.
Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.
O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.
- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?
O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.
A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.
Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.
A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.
Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.
Até então, conhecera apenas a solidão.
Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.
Mas a borboleta azul era diferente.
Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.
Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.
Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.
Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.
A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.
Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.
Seu ferrão começou a se mover lentamente.
Ele tentou detê-lo.
Lutou contra aquele movimento.
Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.
A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.
Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:
- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?
O escorpião abaixou a cabeça.
Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:
- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.
Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.
Com grande esforço, a borboleta afastou-se.
Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.
Voou para longe.
Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.
Com o tempo, a ferida cicatrizou.
A dor diminuiu.
A vida seguiu em frente.
Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.
Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.
E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.
Você trouxe o que me faltava
Mas era utopia
Você é o traficante que me vicia
Mas não me sustenta
Pois a droga do seu amor acabou
E cá estou
...
Momentos perfeitos do seu lado vivi
Só não sei distinguir
Se você foi o amor da minha vida
Ou uma forte brisa
Era uma vez, um jovem escritor, que decidiu trilhar um mundo de imaginação, para iluminar seus leitores.
O menino e o sonho de ir a marte.
Era uma vez, Artur e seu sonho de ir a marte. Artur vivia no interior de uma cidade chamada, Céu azul, e tinha apenas 8 anos, quando viu um documentário a respeito da constelação na tv, que despertou o seu interesse em viajar para outro planeta, a fim de viver longe de tudo e de todos. Bom, o nosso querido Arturzinho, com apenas 8 anos, enquanto assistia tv, viu muitas coisas ruins em seu planeta, e não sabia como fazer todas aquelas coisas ruins acabarem. Ele já sabia que o homem conseguiu ir a lua, e que lá, não tem vida e não era possível os seres humanos viverem, mas, que em outros plantes isso ainda não acontecera. Arturzinho, imaginou que seria possível e à Marte e estudou bastante uma maneira de viajar para lá, e depois de muitos estudos, aflito, descobriu que seria impossível ir a marte e a outros planetas, com exceção da lua, diga se de passagem, pisada pelo homem. Arturzinho, embora muito crente das possibilidades, chegara a duvidar de tal acontecimento, devido informações desencontradas na história, mas ainda tinha esperança de pôde fazê-lo indo a Marte. Sabendo que o homem foi a lua por meio de uma espaçonave, e tendo apenas 8 anos, estudou quais equipamentos e ferramentas poderia ajudá-lo a criar sua máquina para viajar. Certa noite, muito cansado, Arturzinho foi para cama descansar. Enquanto ele dormia, um ser, cuja imaginação do homem não podia imaginar, um ser afantasiado, apareceu na casa de Arturzinho e entrou pela janela, a qual Artur, sempre via por telescópio, o espaço e a Via-Láctea. Este ser inimaginável, deixou dois recipientes na mesa de Arturzinho, um de cor vermelha e outro de cor azul e saiu pela janela deixando Arturzinho dormindo. No dia seguinte, pela manhã, Artur levantou-se da cama e como num dia normal, sem ver os recipientes, foi tomar seu café, juntamente com seus pais, que logo saíram para trabalhar deixando Arturzinho na escola. Após sair da escola, Arturzinho voltou para sua casa, e fez a lição de casa na sala de estar, rapidamente para começar explorar o conhecimento humano a respeito dos mundos e planetas existentes e em como descobrir uma forma de viajar para Marte. Arturzinho deixou de ver TV em certos horários por causa das más notícias que surgiam e afligia-o demasiadamente, optando apenas pelo canal de assuntos cientifico. Arturzinho não considerava-se um cientista, apenas uma criança que entendia um pouco as coisas que aconteciam no mundo e almejava sair dessa Terra onde haviam muitas coisas ruins. Quando concluiu a sua lição de casa, subira para o quarto, e deparou-se com os dois recipientes. Estranhou os recipientes ali, questionando-se quem deixara para ele, se seus pais nada falaram a respeito. Analisando os recipientes, notou que havia uma mensagem numa folha estranha que não havia na terra. E havia nesse folheto, uma mensagem feita de imagem. Havia uma bola vermelha e seres cuja mente humana não conseguia criar, e um deles tomava algo que dizia a imagem, era o liquido que havia no recipiente vermelho e depois o recipiente azul. Arturzinho anestesiado, entendeu a mensagem e logo pegou o recipiente vermelho e bebeu. Ele ficou parado olhando pela janela, quando de repente, veio-lhe uma forte tontura e ele desabou no chão desmaiado. Aos poucos, algo começou acontecer com o corpo de Arturzinho, seu corpo tremia como de epilepsia enquanto ele gemia e espumava saliva vermelha e branca. Ele começou a tomar uma forma estranha dos seres na imagem do folheto, e que eram invisíveis aos olhos humanos, somente Arturzinho podia ver-se no espelho e os seres inimagináveis podiam vê-lo. Arturzinho, aos poucos foi despertando e quando abriu os olhos, notou que sua visão ampliara numa resolução que podia ver marte e os outros planetas, como se estivesse pisando nesses planetas. Arturzinho ficou espantado e feliz ao mesmo tempo, pois notara que havia algo de estranho acontecendo com ele. Perguntava-se, será poderes especiais? Então, Arturzinho começou a observar Marte mais de perto, com seus olhos super biônicos e ficou muito feliz, pois conseguia ver vida em Marte. Esses seres inimagináveis, eram vistos por Arturzinho, que alegrou-se muito com seu novo poder. No entanto, Arturzinho olhou novamente para o folheto que recebera do estranho, e fez o que indicara a imagem, tomou também, o líquido do recipiente azul. Após tomar o líquido do recipiente azul, novamente Arturzinho caiu desmaiado e passou-se a tarde inteira adormecido, quando despertara e logo seus pais chegaram em casa e foram falar com Arturzinho, jantaram normalmente e Arturzinho voltou para o quarto. Após trancar-se no quarto, Arturzinho começou a ouvir muitas vozes, como se estivessem milhões de pessoas falando ao mesmo tempo, e ele não entendia muito bem o que as vozes diziam, porque eram muitas ao mesmo tempo. Além de ter aguçado sua visão, os líquidos dos recipientes, também aumentaram a sua capacidade de ouvir as pessoas humanas falando a milhões de distância e ouvir também as vozes dos seres de Marte, falando em seu ouvido com uma espécie de língua diferente da humana. Ele entendia o que os seres de Marte diziam e só Arturzinho ouvia. Não bastando, outra coisa estranha acontecera a Arturzinho, nasceram algo nas pernas de Arturzinho que fazia-o voar, e uma camada de casca bem grossa envolvia-o, e ele ficou muito forte e estranho como os seres de Marte. Apenas Arturzinho, quando olhava-se no espelho e os seres de Marte, viam-o assim. Arturzinho não entendia o que estava acontecendo, espantado e feliz por suas habilidades estranhas, sentou-se na cama e tentou entender o que diziam os seres de marte à ele. Ele entendia todas as coisas faladas e começou a ficar mais tranquilo, pois passou a ouvir apenas uma voz, era do mesmo ser que deixara os recipientes no seu quarto, que dizia, - Arturzinho, somos seus amigos, ficamos sabendo que você quer vir a Marte para sair de seu mundo malvado, e decidimos ajudar-te. Mas antes, precisamos de ajuda e você pode ajudar-nos. Arturzinho atento, confirmou que ajudaria, mas queria saber no que precisavam de ajuda. Então, o ser estranho que falava com Arturzinho, disse – Arturzinho, meu nome é Benício e nós vamos te ajudar, você ainda não sabe, mas consegue voar, venha até nosso planeta e vamos mostrar-lhe no que precisamos de sua ajuda. Então Arturzinho espantado e feliz, deu um impulso e voou pela janela de seu quarto para Marte. Chegando lá, disse Benício para Arturzinho – nós te ajudamos a vir para marte, agora ajude-nos. E Arturzinho feliz, disse – Sim, obrigado, vou ajudá-los. Então Benício contou-lhe o que estava acontecendo em marte e mostrou todo o planeta para Arturzinho, que ficou espantado, porque descobriu que lá em Marte, também haviam coisas ruins acontecendo e chegou à conclusão de que o povo de Marte podia ajudar a Terra e Arturzinho podia ajudar a Marte. O que estava acontecendo em Marte, era um ser monstruoso que oprimia e tratava todos os seres viventes de lá como escravos, e maltratados, e só Arturzinho podia transformar essa realidade numa coisa boa. Isso, porque Arturzinho tinha dentro de si, um coração puro e cheio de amor, e aquele ser malvado, só poderia parar de ser malvado, se Arturzinho tocasse nele, especificamente na parte que parecia ser um dedo mindinho, onde ficava o coração do monstro malvado, porque, como eu disse anteriormente, era um ser inimaginável, e ao tocá-lo, sairia dele uma mancha verde escura, gosmenta que transformara-o de ser bom, em ser malvado. Então, naquela noite, Arturzinho foi ter com o ser que estava inclinado para o fazer mal. Nenhum dos seres de Marte, conseguia chegar perto do monstro malvado, mas Arturzinho, era invisível aos olhos do malvado. Apenas os seres bons que viam o Arturzinho, de modo que, Arturzinho foi tranquilamente aproximando-se do monstro malvado e sem problema nenhum, tocou no coração do malvado, que era no dedo mindinho. Arturzinho tocou-lhe no coração e o monstro malvado caiu de joelhos na terra de Marte e essa gosma verde escura, saiu dele e sumiu no espaço para sempre, assim, esse ser que era mau, ficou bom e pôde ver Arturzinho e ficou feliz por ser liberto. Quando isso aconteceu, todos os seres bons de Marte, alegraram-se e festejaram e sabiam que nenhum mal voltaria a assombrar a Marte. O Benício aproximou-se de Arturzinho e todos agradeceram o seu bom coração puro, por salvar a Marte. Arturzinho muito feliz pelo feito, lembrou-se da vida na Terra e perguntou ao Benício porque ele não poderia salvar a Terra, como fez em Marte. Então Benício contou-lhe que sim, que ele poderá salvar a Terra das coisas ruins que lá existem. Dessa forma, Arturzinho perguntou-lhe como e Benício disse-lhe – Ao tocar no monstro malvado, e transformá-lo em do bem, Arturzinho adquiriu mais um poder, o poder de expulsar o mal das pessoas na Terra, apenas passando por elas. Arturzinho ficou muito feliz e impressionado porque um bem que se faz, gerar mais bem ainda. Todos estavam felizes em Marte e disseram para Arturzinho que ele é sempre bem-vindo e que pode ficar em Marte sempre que quiser, pois agora, é também a sua casa. Arturzinho despediu-se dos seres de Marte e voou para a Terra de volta, a fim de salvá-la. Chegando na Terra, entrou pela janela do seu quarto, e já eram 6 horas da manhã, quando sua mãe veio ao seu quarto, para despertá-lo para ir à escola. Ele estava semelhante aos seres de Marte, mas os humanos não conseguiam ver, apenas Artur, pelo espelho e os seres de Marte. Assim que sua mãe entrou no quarto, algo acontecera-lha, como todos os seres da Terra, com exceção de Arturzinho, e outras crianças e algumas poucas pessoas, embora não fossem completamente maus, tinham dentro de si, outra espécie de mancha, que não era tão forte em algumas pessoas, e em outras, era muito, muito forte, por isso que a Terra estava ruim, a ponto de fazer Arturzinho quere ir para outro planeta. Como Arturzinho tinha um novo poder, não precisava fazer nada, apenas passar perto das pessoas, e essa mancha estranha, saía das pessoas pra sempre. Outra coisa boa, era que a cada pessoa que Arturzinho passava perto, era transformada e purificada da mancha e assim, quem passava perto das pessoas purificadas, iam sendo purificadas também, purificando todas as outras pessoas na Terra. Por conseguinte, a mãe e o pai de Arturzinho foram purificados, e dessa maneira, conseguiram ver o bom coração de Arturzinho, que agora estava no dedo mindinho e a sua forma estranha e inimaginável dos seres de Marte. Eles se assustaram, mas depois que Arturzinho explicou, eles ficaram felizes, e também foram transformados como os seres de Marte. Arturzinho foi para a escola e transformou todos que passavam por ele e todos na escola, purificando a quem precisava e todos ficaram iguais aos seres de Marte. E os pais de Arturzinho, também foram para o trabalho e no caminho todas as pessoas transformaram-se iguaizinhos aos seres de Marte. E todos quantos purificados foram, uns pelos outros, purificados ficaram todos da Terra, semelhantes a todos os seres de Marte e viveram felizes para sempre.
Um hipopótamo falante.
Era uma vez, um hipopótamo falante. Eu estava passeando pela selva, numa caminhada alucinante, em busca de aventura, quando tive a necessidade de atravessar um grande rio cheio de jacarés. Era tarde do dia, e sentei-me a beira do rio para meditar em como atravessar esse rio cheio de predadores. Tive a ideia de criar uma canoa, mas estava sem materiais para isso, e resolvi atravessar nadando quando todos os jacarés dormissem. Os jacarés dormem geralmente, ao iniciar a noite, e assim sucedeu, no entanto, eu teria que ir sorrateiramente, sem fazer nenhum barulho para não acordá-los e assim o fiz. Ao entrar no rio, passei a nadar, silenciosamente, no entanto, entrei numa correnteza, e tive de nadar com mais força, quando de repente, acordaram todos os jacarés ali presentes, cerca de uns cinco jacarés que vieram em minha direção, famintos de carnes. Eu nadei mais depressa o possível para atravessar seguro, mas esses répteis gigantes, eram muito mais rápidos que eu, e se aproximaram com muita velocidade, quando observei uma boca gigantesca vindo em minha direção, pronto para devorar-me, fechei os olhos e esperei a bocada. Enquanto esperava, algo surpreendente aconteceu, um hipopótamo apareceu e tomou a frente do ataque e afastou os jacarés com grande desempenho e força. E lutou com todos eles, mostrando quem era mais forte. Após tê-los afastados, o hipopótamo aproximou-se de mim, e num impulso colocou-me em cima dele e levou-me para o outro lado do rio, para onde eu pretendia ir. Eu estava espantado, mas muito feliz por ter sido salvo, e não sabia como agradecer ao hipopótamo, que me deixou na beira do rio e com um olhar profundo, soou um grito semelhante aos humanos. Eu observei esse grunhido e percebi uma semelhança com os humanos, no entanto, não acreditava que eu entendia o que o animal expressava, e muito menos que ele falava como nós, humanos. Foi então, que novamente fitando-me, eu ouvir o hipopótamo dizer claramente, “tome cuidado nessa selva, bom amigo humano”, então caiu sobre mim, mais um espanto, conheci um hipopótamo falante, que simplesmente deixou-me ali na beira do rio e foi-se vagarosamente para onde estavam seus familiares. Eu não acreditei no que me havia ocorrido, um hipopótamo falante! Como pode tal proeza? Nada mais espantoso, o fato de ter sido salvo por um animal, até aí tudo bem, mas ouvir do bicho falar-me para tomar cuidado? Isso com certeza, foi além da normalidade. Por fim, enquanto ele se ia, indaguei em tom de espanto, “amigo hipopótamo, você entende o que eu falo?”, e o hipopótamo disse, “sim amigo humano, eu posso me comunicar com você, qual o espanto?”. Eu não sabia o que dizer, estarrecido, pedi para que ele permanecesse mais tempo comigo, para conhecermo-nos sobremaneira, e questionei o seu nome. “Você tem um nome hipopótamo?”, ao que me respondeu, “Hipopo” e em seguida, perguntou-me o meu nome, então eu lhe disse, “Human”. A partir daí, passamos a conversar. Perguntei-lhe se era o único animal falante e disse que sim. Perguntei como me salvou e ele disse que desde quando eu estava na beira do rio, estava observando-me e sabia do perigo que eu corria, e assim que entrei no rio, veio para salvar-me. Eu finalmente pude agradecê-lo como se fosse um ser humano, por que podíamos comunicarmos. “Obrigado Hipopo, por ter me salvado”, E ele disse, “não há do quê, nossos amigos jacarés, são mui famintos e qualquer presa eles devoram”. Perguntei-lhe, se já havia falado com outro ser humano como eu e ele disse que não. Perguntei-lhe como sabia que eu podia comunicar-me com ele, ele disse que não sabia, mas quando eu estava no rio, eu grunhia igual os hipopótamos, por isso, ele entendeu e ficamos felizes por isso. Então ele me convidou a passear pela selva, e conhecer um pouco mais a vida selvagem. Perguntou-me a razão de estar ali, cheio de perigos e mistérios, disse que vivia na cidade e conhecia bem, mas que preferia viver na selva longe de muito barulho. Ele compreendeu, fomos caminhar. Então ele ensinou-me muitas coisas sobre a selva, os animais mais fortes, os mais fracos, como viviam e como faziam para viver. Reclamou que uns comiam uns aos outros, uma verdadeira comilança para sobreviver, a vida na selva. Eu perguntei-lhe do que alimentavam-se os hipopotamos, e ele disse que das grandes arvores, e dos seus frutos, mas haviam muitos animais que devoram outros animais, como o leão, as hienas, jacarés etc. Estava muito triste quanto a isso e me disse para tomar muito cuidado. O Hipopótamo, a pesar dos demais animais, inclusive o leão, a águia, era o mais sábio da selva, pois tinha o poder de comunicar-se com um humano e esse humano era eu, que podia comunicar-me com ele, sendo eu, também o mais sábio dos humanos. E agora, aprenderíamos um com o outro sobre as duas formas de vida, a dos animais e a dos humanos. Eu contei para ele, das guerras, das coisas boas e ruins dos humanos, e ele me disse que além dos animais comerem uns ao outros, os humanos vinham e os capturavam e os matavam e que não gostava de humanos maus, que feriam a selva, mas que comigo, viu um bom humano. Então eu disse para ele que seria o protetor do mundo animal, juntamente com ele, por eu ter a capacidade de me comunicar com os humanos, e ele por sabe se comunicar com os animais, me protegeria na selva. Ambas a selvas precisavam de seres bons.
