Era

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A única forma de eu não ter acesso a ele era não estando ali.

Aquele dia parecia um dia como qualquer outro, mas não era.
E como fugir daqueles pensamentos.

Alice no país das frustrações


Havia uma menina pobre no interior, seu nome era Alice
mas essa não vivia no país das maravilhas, vivia na favela
Vivia numa pátria marcada pela desigualdade social
ricos de um lado, pobres de outro, quando se encontravam…
relações de proletariado e burguês, peão e chefe
Alice passou por isso aos 13 anos
foi trabalhar na casa de uma linda moça pensando em ganhar dinheiro para família
uma tentativa inocente de sofrer um pouco menos, o que teria efeito inverso no futuro
Nesta casa, a moça acreditava que Alice queria o seu marido, então fazia-a sofrer
Ofensas, tapas, socos, apertos, beliscões…
Alice, guarde seu resolve, sua família precisa de você
Aguente, “Tudo é lícito, mas nem tudo me convém”- Paulo
Seu apóstolo favorito pregava isso, acredite, deixe as ferramentas não laborais em casa
solte nas mãos de sua mãe junto ao salário
ela dirá,”eu conheço minhas filhas, e você é uma delas”

Às vezes, não saber era o que me mantinha inteiro.

Era perfeito… até eu entender.

O amor nunca faltou esforço — só não era por mim.

Descobri que não era amor… quando o esforço tinha outros motivos.

A saudade me falta o ar,
chega mansa… e faz doer.
Se eu pudesse voltar no tempo,
era só pra te ver.

*Recomeço*


Doze anos carreguei sozinha
o peso de um "nós" que já era só eu.
Acreditei em consertos de uma semana,
em promessas de um mês.
E a cada ciclo, eu voltava inteira pra fora
e quebrada por dentro.


Chorei nos cantos que ninguém via.
Ouvi gritos que viraram silêncio em mim.
Confundi amor com resistência
até entender: amor não machuca, não mente,
não prende.


Hoje não sou vítima, sou escolha.
Escolhi a paz que não negocia.
Escolhi meus filhos, Deus e a casa
onde a porta abre pra calma, não pro medo.


Não foi Deus quem me abandonou no altar.
Foi Ele quem me tirou de lá.
Porque casamento é amor,
e onde não mora amor, eu não moro mais.

Passei doze anos batendo na mesma porta,
achando que insistência era amor.
Do lado de dentro, só frio, grito, mentira.
Do lado de fora, eu, esperando o milagre
que durava uma semana e morria no mês.


Um dia percebi: eu regava sozinha
um jardim que já era pedra.
E cada “vai melhorar” que eu me dizia
era só eu me pedindo socorro.


Hoje eu moro em mim.
Minhas janelas abrem pra calma.
Meus filhos riem na sala e Deus senta à mesa.
Ninguém me explica dor que não viveu,
e tudo bem. Eu não preciso de plateia pra ser inteira.


Não é vitimismo, é cicatriz.
Não é fraqueza, é limite.
Eu não saí do casamento.
Eu voltei pra minha paz.

Limite


Doze anos tentando colar
o que já nasceu rachado.
Eu chamava de casamento,
mas era só eu carregando
promessa, culpa e cansaço.


Acreditei em consertos de domingo
que quebravam na segunda.
Ouvi que era pra aguentar,
que Deus não gostava de fim.
Mas foi Deus quem me ensinou
que amor não deixa roxo na alma.


Hoje meu altar é silêncio bom.
Tem riso de filho no corredor,
tem oração sem medo na boca.
Não é derrota, é direção.
Não é mágoa, é memória.


Eu não perdi um lar.
Eu encontrei a paz.

Uma vibração sutil percorreu seu corpo, como se o universo a reconhecesse. Era uma conexão antiga, profunda, que nenhum ser humano havia experimentado em eras.

Um único desejo genuíno podia ser o catalisador de toda uma era, e uma era, por sua vez, gerava outras, em um fluxo contínuo de criação e destruição.

Mas de um céu com luar e estrelado
A escuridão é o que vai sobrar
Do que era tão inocente
Tão diferente pensar.

Queria você aqui.
Droga, como queria você aqui!
As vezes, tudo o que queria era poder sentir
As vezes, trago seu fantasma pra perto de mim
As vezes, te imagino com tanta vontade
Que é como se estivesse aqui
Mas não posso te abraçar
Não posso tocar
E tudo o que conversamos
Fica apenas na minha mente
Te projeto, mas não quero a sua projeção.
Eu quero você!
Com tudo o que amo e odeio em ti.
Nem que seja pela última vez
Vem e deita ao meu lado.
Merda, como queria você aqui!
Ainda preciso de ti.
- Marcela Lobato

Antes ela era a única coisa que poderia me salvar quando o ar não entrasse mais nos meus pulmões, e tudo ficasse pesado demais. Agora ela é apenas uma estranha, como alguém que desconheço, que jamais conheci. Se eu me afogar, e não conseguir nadar para a superfície, nada mais tem o poder de me tirar das águas, muito menos de reanimar o meu corpo inerte e afogado.
- Marcela Lobato

Ser emo nunca foi uma fase ou um mero modismo pra mim. Mesmo antes de conhecer essa palavra, já era a personificação do seu significado. O emo, tanto o original, enquanto vertente do rock, como no aspecto do estilo, assim como modo de ser, sempre me agradaram e foram parte de mim. Conheci um pouco antes de se tornar um modismo, e nunca neguei ser e gostar.
Quando gosto de algo, não me importa se ninguém conhece, se ninguém gosta, se é uma "moda do momento" ou se é extremamente popular. Pra mim, a única coisa que sempre importou foi se eu gostei ou não. Se me identifico, se aquilo conversa com o meu mundo particular, se me agrada.
Lembro de uma amiga que dizia que quando eu estivesse um pouco mais velha, veria como não gostaria mais do emo e nem me afirmaria como tal. Bom, ela se enganou. Fui, sou e sempre serei emo. Keep emo alive! Mantenha o emo vivo! Viva a cena alternativa!
- Marcela Lobato

Te queria aqui naquele dia
Mas a culpa é toda minha
Perdi o que era insubstituível
E só queria que viesse
Por ser a única que poderia
Acalmar aquela dor
Mas a culpa disso tudo
É apenas minha
Quando cortei a ligação
E então fiquei sozinha
Quando perdi o único remédio
E afastei o que mais queria
Com tantos erros infantis
Nas sabotagens a mim mesma
E agora estou sozinha
Na mesma dor de antes
E não posso pedir
Que venha
Mesmo que fosse só para te ver
Por cinco minutos.
- Marcela Lobato

Quando te vejo assim, tudo o que eu queria era que esses segundos, minutos e horas durassem para sempre. Que um breve momento pudesse durar uma eternidade. Nesses instantes até me esqueço dos horrores do tempo, e em um surto de loucura, não me importaria de viver para sempre.
- Marcela Lobato

Ela não voltou mais suave.
Voltou mais inteira.

O feminino nela não era doçura o tempo todo,
era verdade.

E a verdade, às vezes, corta.

Ela cansou de ser medida pelo quanto suportava,
pelo quanto compreendia,
pelo quanto se calava para manter algo de pé.

Isso nunca foi força.
Era ausência de si.

Quando voltou,
não foi para ser escolhida
foi para se escolher.

O corpo mudou de lugar.
A presença também.

Já não se esticava para caber,
já não diminuía para manter,
já não confundia intensidade com profundidade.

O feminino nela deixou de pedir.
Começou a discernir.

E nesse retorno
não houve anúncio,
não houve explicação,
não houve necessidade de ser entendida.

Houve um silêncio firme
de quem sabe onde pisa.

Se alguém ficasse,
seria porque sustenta.

Se alguém fosse,
ela não iria junto.

Porque o retorno dela
não é para o outro.

É para um lugar
onde ela não se abandona mais.