Entrega sem Limites
Tudo vai passar, tudo no tempo do Pai. Confia e entrega. Peça auxílio ao teu anjo de guarda que está aí do teu lado, por mais turbulentas que sejam as adversidades da vida saiba que tudo passa e isso também vai passar. Só mais um pouquinho de paciência que o barco está oscilando em ondas gigantescas desse mar revolto do limite de tuas forças, mas olhe para o horizonte que vais enxergar o teu porto seguro e estendendo a corda da salvação está lá o nosso Redentor.
Quando a gente se entrega ao cuidado de Deus,
algo dentro da alma se aquieta.
A pressa se desfaz, o medo silencia,
e nasce uma paz que não depende do que acontece —
mas de quem segura a gente por dentro.
— Edna de Andrade | @coisasqueeusei.edna
Entrega-te a mim porque sabes o que sou... Levo-te do medo ao prazer, flertando o desejo a dor, os enigmas que trilhas ao amor.
Carla
O mundo não entende nada de entrega
Falam muito e sentem pouco
Mas o que a gente viveu ali entre os lençóis
Aquele transbordar que molhou tudo
É raridade de quem sabe ser bicho e ser alma ao mesmo tempo
Dizem que só 4% das mulheres no mundo vivem isso
Mas para mim você é os 100% que dão sentido a tudo
Obrigado por confiar no meu toque pra chegar nesse lugar
Onde o corpo não aguenta e vira dilúvio
Você é meu santuário sagrado
E o resto é só quem assiste de longe sem entender o milagre
DeBrunoParaCarla
PELE, SUOR E LÁGRIMAS. A ESTÉTICA DA ENTREGA.
A pele é o primeiro território da alma. Nela inscrevem-se os silêncios, as vigílias e os estremecimentos que não se confessam. A tradição filosófica sempre compreendeu o corpo como linguagem visível do invisível. Desde Aristóteles, que via na forma a expressão da essência, até Arthur Schopenhauer, que percebia no corpo a objetivação da vontade, a epiderme jamais foi mero invólucro, mas revelação.
O suor não é apenas secreção fisiológica. É testemunho. É o selo da disciplina, da luta, do esforço que se encarna. No atleta, no artista, no lavrador medieval que preparava a terra sob o sol austero do século XI, o suor era sacramento do trabalho. Ele dignifica a carne porque revela perseverança. Há beleza no suor porque há verdade na entrega.
A beleza, quando autêntica, não se reduz à simetria ou à proporção clássica celebrada por Leonardo da Vinci. Ela nasce da intensidade com que se vive. A pele marcada, o rosto cansado, o olhar úmido possuem uma estética superior à frieza perfeita. A verdadeira formosura é dramática. Ela carrega história.
E as lágrimas. As lágrimas são a mais alta forma de inspiração. Não são fraqueza. São transbordamento. Na literatura, em Os Sofrimentos do Jovem Werther, o pranto tornou-se linguagem da alma romântica. A lágrima purifica a visão. Ela lava o olhar e, paradoxalmente, ilumina.
Pele é presença. Suor é combate. Beleza é verdade. Lágrima é elevação.
Quando esses quatro elementos se encontram, a existência deixa de ser mera sobrevivência e transforma-se em obra. E somente quem ousa sentir até a última gota compreende que a inspiração não nasce do conforto, mas da coragem de viver intensamente.
Só se vê bem com o coração. O essencial quase nunca se entrega aos olhos apressados.
Há coisas que não se explicam pela aparência, nem se alcançam apenas pelo toque das mãos. É preciso sensibilidade para perceber, calma para enxergar além da superfície e alma para tocar aquilo que não se vê, mas se sente.
O mundo que pretendemos conquistar não tem fim. Não tem uma borda da qual se possa cair ou pela qual navegar pela escuridão.
Um homem não deve buscar mais do que a luz da sabedoria, bravamente, incessantemente e sem errar. Ainda que, para isso, devamos enfrentar a escuridão que habita em nós.
Não é o toque que me prende,
nem o desejo que me arrasta.
Se a alma não me chama antes,
o corpo nunca me basta.
