Entre Tantas Pessoas
"Eu antes achava Deus misterioso, pois eu falava tantas vezes pra ele achar uma pessoa melhor que eu, mais ele ainda insistia em mim. Até que entendi que não era só mistério, era misericórdia!"
Eu penso tanto que me perco nas palavras. Tantas coisas dentro de mim, mas nenhuma consegue sair do jeito certo. Eu queria poder gritar até que minha voz sumisse, correr sem rumo, sentir o coração acelerar sem medo. Queria quebrar tudo ao meu redor, destruir o que me prende, derrubar barreiras invisíveis que me sufocam. Mas, no fim, só fico parada, afundada nos próprios pensamentos.
Talvez eu só quisesse desaparecer por um instante. Sentar no topo de um edifício e observar o mundo de longe, como se nada disso me pertencesse. Ou então ir para a praia sozinha, deixar as ondas me envolverem, sentir o vento frio arrepiando minha pele, como se o próprio mar pudesse me levar para algum lugar onde eu finalmente existisse de verdade.
Às vezes, só queria o silêncio. Só queria não precisar explicar o que nem eu mesma entendo.
Porque não saber me expressar é como estar presa dentro de mim mesma. Como estar morta por dentro, mesmo que o coração continue batendo.
Eu quero me sentir viva.
São tantas em uma: sombras e luzes, reflexos e fatos, imaginação e realidade. Às vezes me perco e, por muitas, me encontro. Sinto-me presa, sinto-me livre, viro e reviro memórias, volto ao lugar e sigo. Onde está a presença? Onde está o imaginário? Onde estou eu? Onde está você? Você está em mim, eu em você, nós estamos em todos... Pensamentos aleatórios de uma poesia desconstruída, sem querer chegar, apenas deixando as palavras rolarem soltas pelas letras que fluem no teclado, tentando assimilar pensamentos com sentimentos que, muitas vezes, é impossível racionalizar... Percebo que criar espaço ao corpo para processar e acessar verdades não ditas, as fugas do coração ou os medos dos medos... sei não! Volto a me perceber, respiro e sei que preciso levantar para continuar. A rotina me espera e, ao encontrá-la, descubro a beleza de simplesmente observar que o que é de fato tão rotineiro aos olhos pode ser o que de fato é real, sem fantasias mentais, dando espaço para fluir e liberar o que precisa ir e o que precisa ficar... Ah, janeiro... Da poesia que vem tarde, mas com a permissão de se falar e explorar apenas quando a sinceridade vem, sem a presença do fazer, na conexão e integração do que se foi e do soltar o que virá.
Karina Megiato
_KM_
04/02/2025
POESIA CODA
Sou muitas mãos
E muitas vozes
Também sou muitos ouvidos
E tantas outras expressões
Sou telejornal e novela das 8
Encarte de mercado
Promoção de biscoito
Sou a pausa – do sinal afoito
Astronauta em dois mundos
Indo e vindo neles... amiúde
Alguém que se reinventa
Sou um poema (nas mãos) de Nelson Pimenta
Sendo assim, deixa-me suspenso
Entre configurações de mãos
e grunhidos de meus pais
Sinto deles o cheiro
(até hoje)
Quando falo em sinais
Eu estava pensando em você. Pensando em nós. No que fomos, no que poderíamos ter sido. Tantas vezes me peguei viajando nesse mesmo caminho, refazendo nossos passos, buscando respostas no silêncio da saudade. Mas, sempre que abro os olhos, percebo... era só um sonho. Um sonho que insiste em viver dentro de mim.
O tempo passou, a vida seguiu seu rumo, mas há amores que não se apagam. Você se tornou parte de mim de um jeito que nem a distância, nem os dias, nem a ausência puderam desfazer. Seu nome ainda ecoa nos meus pensamentos, sua lembrança ainda aquece meu coração.
Talvez nossa história tenha ficado inacabada, presa entre o que sentimos e o que o destino decidiu. Mas se existe uma verdade que o tempo me ensinou, é que o amor se vive, às vezes se perde, mas nunca se esquece. E eu sei... vou te amar para sempre.
Título: Entre Marés.
Já amei tantas, em marés de emoção,
Cada uma com sua marca, sua lição.
Mas quem no meu peito fez morada?
Na caminhada do amor, me perco na estrada.
Se o passado bater, sutil na minha porta,
Que o agora me ancore, e o presente me conforte.
Não deixar o hoje fugir, e no jardim de novos sentimentos
Devo deixar a vida florir.
Quem dessas almas, na minha vida tocou?
Se o futuro as trouxer, em que rua eu vou?
Na balança do amor, quem mais vai pesar?
Nessa jornada do coração, como vou amar?
Se todas têm valor, como escolher sem dor?
Amá-las sem desespero, no peito esse calor.
E se voltarem, em novo enlace a me encontrar,
Dividido entre um novo amor, como vou lidar?
Qual caminho seguir, qual destino abraçar?
Entre amores e tempos, a vida a chamar.
A resposta no sopro do coração devo escutar.
Entre marés de amor, eu navego sem parar,
Escolhas do coração, onde vou ancorar?
No presente, eu vivo, no passado, eu aprendo,
Amar quem está comigo, é o que devo fixar.
Inabitável
tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói.
achei que era o cabelo, cortei.
talvez o peito, então curvei a coluna, encolhi, escondi.
talvez a roupa, mudei.
talvez a maneira como me movo, falo, existo.
mudei. mudei. mudei tudo que minhas mãos alcançaram.
mas meu rosto não esculpe sombras no espelho,
meus ombros não marcam presença no espaço.
não sou pedra, não sou aço.
sou frágil demais para ser quem desejo,
pequeno demais para ocupar o mundo como ele exige.
há marcas no meu corpo que não reconheço,
ausências que gritam na pele, no reflexo.
e que tipo de homem eu sou? um que luta para caber em si.
eu queria carregar isso com orgulho,
mas é um peso que me dobra, me afunda.
meu eu por dentro grita, se debate,
se agarra às grades da minha pele e implora—
onde está meu corpo?
onde está meu corpo?
onde está meu corpo?
me atraio por caras que nunca vão me ver inteiro.
sei do olhar que me mede, que me nega,
sei do que falta entre as minhas pernas
e de como isso faz de mim um quase, um nunca.
mas que culpa eu tenho?
vou realizar meus sonhos.
vou tocar o impossível.
mas no fim, ainda serei trans.
até o último segundo, até o último suspiro,
a palavra nunca me deixará.
mas,
por quê?
por quê?
Eu já prometi, nunca mais escrever sobre você
Tantas vezes, mas você insiste em fazer morada nos meus pensamentos, nas minhas lembranças e nos meus sonhos
Essa noite sonhei com você
E foi esmagador, o que ainda me perturba é o nunca mais
Nunca mais amar alguém como eu te amei
Nunca mais entregar o meu coração como eu te entreguei o meu
Nunca mais me entregar a alguém como eu me entreguei a você
Nunca mais viver o que nós vivemos juntos
Nunca mais olhar nesses seus lindos olhos azuis
Nunca mais te beijar, e eu amava te beijar
Eu amava pertencer a você
Ninguém nunca me amou como você
Nunca mais ouvir a sua voz
E eu nem lembro mais o som da sua voz
E isso parte o meu coração, te esquecer
Dói tanto, te esquecer
Dói tanto, o nosso fim
Perder você acabou comigo
De tantas maneiras que ainda não consigo colocar em palavras
Mesmo depois de tanto tempo, eu ainda penso
O que eu poderia ter feito de diferente?
Será que você ainda iria me deixar
Será que você iria deixar de se importar comigo
Será que você iria deixar de me amar
Você foi o amor da minha vida
Você me fez tão Feliz
E você foi embora, simplesmente se foi
E te perder ainda consome a minha alma
Te perder me deixa louca
Te perder me mata dia após dia
E não há nada que eu possa fazer
Me sinto tão impotente
- 01 de Março de 2025
Mulher
Somos tantas
Algumas tontas
Joias raras
Somos gênios
Largadas
De rua, de cor...
Somos fortes
Guerreiras
De luz
Que reluz
Feras
Sofridas
Mulheres de risos
Leoas, leais...
Mulheres perdidas
Donas, donzelas
Levadas
De danças
De fogo, marcadas...
De dor
Mulheres de rosas
Mulheres vividas
Amadas
De amor
08/03/2025
E depois de tantas mágoas, tantas lágrimas e dor; o perdão, a rendição, a libertação e a paz. O que resta do passado é um aprendizado. No presente reside a oportunidade de fazer tudo diferente. E o futuro, como dizem, a Deus pertence!
Jurei tantas lembranças ao artifício da saudade. Não vá, partindo para o infinito esquecimento de meus desejos ao vazio que me faz esquecê-la. A infinita quantidade de desejos que temos, por tantos olhares que enxergamos, quando não é possivel se concentrar, a menos que ela não exista, qual seria o propósito deste esperado encontro, e a ausencia de seu profundo sentido?
Título: Juntos, Talvez, Diferente.
Eu morri e revivi tantas vezes
que já não sei se morro ou se vivo,
se vivo ou se morro.
Não sei se confio em mais alguém.
Bia, o tempo tem me ferido, me maltratado.
Se eu ainda te tivesse e juntos crescêssemos,
talvez fosse diferente…
Estávamos muito distantes.
Eu morava em outro horizonte,
longe, muito longe…
Ah, Bia...
Não sei se, estando contigo agora,
serei capaz de confiar, de me entregar,
de realmente te amar.
Viverei sempre com o eco e a sombra
de que deixei de ser o primeiro.
Posso ter sido, em teoria,
seu primeiro namorado,
mas não tive seus beijos, seus abraços.
Não transamos alucinados
como adolescentes apaixonados.
Me desculpe... me desculpe...
Sinceramente, talvez eu nunca volte a ser completo.
Talvez viva para ser sempre esse idiota,
nada esperto,
que te perdeu antes
e te perde agora
por ideias bobas,
que agora já não volta.
Talvez seja por isso que não te ligo,
que não te chamo.
Não quero estragar esse falso sentimento humano.
Quero acreditar que fui seu,
e você, minha.
Se me aproximo agora,
o que será dessa miserável vida?
O caráter depois de formado, se transforma numa rocha, que mesmo diante de tantas aberrações da modernidade trapaceira não se desmorona.
Um pequeno coração, com várias feridas, um pedaço sem rima, por tantas caídas, deseja parar de bater.
Tenho tantas saudades de mim, que me procuro pelas antigas fotos, já meio amareladas. O tempo passou tão depressa, e acho que não me atualizei.
Minha querida Carla,
São tantas lembranças, cada uma delas um tesouro que guardo com carinho. Nossa jornada de aventuras inesquecíveis, e cada peça brilha com a intensidade do nosso amor.
Lembro com clareza das noites mágicas em Itaipuaçu, sob o manto de estrelas, aquecidos pela fogueira e pelos momentos que fazíamos à beira-mar. As ondas sussurravam segredos enquanto nós nos perdíamos em nossos sonhos. E como esquecer aquela noite em que a alegria te levou a um estado... digamos, mais leve? (Risos) Deixemos esse capítulo para nossas memórias particulares.
Nosso primeiro acampamento foi um marco. Dormir no carro, depois a compra da nossa barraca de camping. Nossa primeira trilha nos desafiou, você andou por cerca de 15 minutos e cansou... cada passo nos unia mais.
Em Itacuruçá, a adrenalina tomou conta de nós. A banana boat nos fez gargalhar e gritar. E quando virei o caiaque, mergulhamos juntos na aventura, literalmente.
Nossa criatividade nos levou a transformar o lixo em tesouros, dando valor ao que muitos descartavam. Sua ousadia, entrando descalça no restaurante, me surpreendeu e me fez te amar ainda mais. Os momentos que tivemos no carro à beira-mar... não vou dar muitos detalhes.
O parque, passeio maravilhoso onde rimos e você quase quebrou minhas costelas, foi o início de uma coleção de momentos especiais. E até mesmo o dia em que fomos ao enterro da pessoa errada se tornou uma história para contarmos.
São tantas histórias, tantos momentos que se entrelaçam em minha memória, formando um retrato vívido do nosso amor. Mas há uma lembrança que se destaca, um momento que guardo com especial carinho, um segredo que sussurro ao vento: eu te amo, Carla, infinitamente.
FUI QUANDO NÃO ESTAVA
Parti tantas vezes sem me mover.
Deixei que o silêncio me carregasse,
tornei-me ausência antes mesmo de partir.
Houve dias em que fui sombra,
presença sem voz,
um nome dito sem significado.
Eu estava ali,
mas não me sentia,
não me encontrava.
As palavras se calaram,
as vontades murcharam,
e no espelho, vi alguém que não reconheci.
A vida seguia ao meu redor,
mas dentro de mim,
eu já tinha ido.
Agora percebo—
partir nem sempre significa ir embora.
Às vezes, é apenas desistir de permanecer.
E o mais difícil não é partir,
é reaprender a estar.
