Ensina a Criança
Sinto medo desde que era criança! Piorou quando descobi que medos fazem parte de nossas lembranças, logo me lembro de sentir, não é apenas instinto. Agora, vejo herói, todos os que nem conhecem o medo.
"Uma criança sabe daquilo de que gosta e do que não, mas um adulto tem mais dificuldades nesse campo."
Quando olhamos alguém com o coração verdadeiramente sincero, encontramos a criança que ainda habita em seu íntimo, junto das dores e silêncios que o tempo jamais conseguiu apagar.
A criança que fui sussurra por debaixo do meu terno gasto, mendiga atenção entre o ruído das rotinas. Ela tem dedos que contam as horas em marcas na pele, e olhos que sabem o preço secreto de cada dia cinzento.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.
Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.
Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.
Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.
É permitir que alguém me ame.
Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.
Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.
Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.
Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.
- Tiago Scheimann
Vejo uma infância difícil, genitores que raramente o entendiam, provações que uma criança jamais deveria passar. Muitas vezes pareceu forte, mas, por dentro, tudo ao redor estava corroído, apodrecido pelo abandono.
Esse é o reflexo no espelho: a criança que aprendeu cedo demais a suportar aquilo que não compreendia, o homem que dela nasceu sem jamais se libertar inteiramente.
Há coisas que o tempo não cura; apenas ensina a carregar.
Não são necessariamente as palavras, mas, cada ação de um adulto é uma aprendizagem para uma criança!
Quando o homem tirar da criança a inocência, da fruta seu sabor e da carne sua dor, a essência da vinda se findou.
AVÓ, MÃE, TIA E MADRINHA
Quando Deus envia ao mundo
uma criança em seu nascer,
cerca-a logo de mulheres
que lhe ensinam a viver.
Cada gesto de carinho
faz a alma florescer.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A avó borda a experiência
com ternura e devoção;
conta causos, faz lembranças,
cultiva a tradição.
Seu colo é porto seguro,
seu conselho é direção.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A mãe é fonte de amor,
é coragem e proteção;
ensina os primeiros passos,
a verdade e o perdão.
No silêncio de um abraço
fala mais que uma oração.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A tia chega sorrindo
feito um raio de alegria;
é parceira das brincadeiras,
da conversa e da folia.
Mas também sabe aconselhar
com firmeza e cortesia.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A madrinha faz promessa
diante de Deus e do altar;
recebe um filho do coração
para amar, guiar e cuidar.
Na bonança ou na tormenta,
nunca deixa de amparar.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Cada uma tem seu jeito,
cada qual sua missão;
uma afaga, outra corrige,
todas dão a mesma mão.
Na união desses cuidados
cresce forte o coração.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
O café feito com afeto,
o remédio e a oração,
o vestido bem cuidado,
o pão quente e o feijão;
tudo ensina à criança
o valor da gratidão.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A bênção dada à noitinha,
o sinal da Santa Cruz,
a palavra de esperança,
a confiança em Jesus.
São sementes de uma vida
iluminada pela luz.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Quando a lágrima aparece,
logo chega uma das quatro;
uma enxuga o rosto triste,
outra acalma o desacato.
E o amor transforma a dor
num bonito reencontro.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Quem cresce cercado assim
leva o bem por onde for;
faz da bondade um costume,
da humildade o seu valor.
Aprendeu desde pequeno
a linguagem do amor.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Que Deus guarde essas mulheres
como estrelas a brilhar;
são alicerces da família,
são razão para sonhar.
Onde existe esse carinho,
Deus escolhe ali morar.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
AVÔ, PAI, TIO E PADRINHO
Quando Deus manda uma criança
para este mundo chegar,
não lhe entrega só um berço,
nem somente um simples lar;
dá pessoas de confiança
para ensinar e amparar.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O avô planta a memória
com paciência e tradição;
conta histórias do passado,
fortalece o coração.
É raiz que nunca morre,
é exemplo e direção.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O pai ensina o caminho
do trabalho e do dever;
mostra que a honra é riqueza
que ninguém pode vender.
Seu abraço é fortaleza
para o filho florescer.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O tio chega sorridente,
companheiro da alegria;
é parceiro das aventuras,
da pescaria e da folia.
Sem deixar de dar conselho,
faz da infância poesia.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O padrinho faz promessa
diante do altar sagrado;
assume um compromisso
de seguir sempre ao seu lado.
Quando a vida traz espinhos,
é apoio abençoado.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Cada um tem sua missão,
cada qual seu próprio jeito;
um corrige com firmeza,
outro abraça com respeito.
Todos deixam na criança
um amor que bate no peito.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
A bênção de cada um
vale mais que ouro e prata;
é riqueza que acompanha
desde a infância mais ingrata.
Quem recebe esse carinho
nunca vive vida exata.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Se o menino cai na estrada,
logo encontra uma das mãos;
uma levanta o seu corpo,
outra aquece o coração.
Assim cresce homem de bem,
cheio de fé e gratidão.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
A criança bem cuidada
faz do mundo um bom lugar;
leva adiante os exemplos
que aprendeu no seu caminhar.
E um dia será também
quem vai ensinar e amar.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Que Deus guarde essas figuras
como joias do destino;
são colunas da família,
são faróis do nosso hino.
Onde vivem esses homens,
floresce o amor divino.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
"A criança que brinca como adulto, perde a criança. O Adulto que não brinca como criança, perde ela também."
ENCANTO DE CRIANÇA
Criança é feito encanto,
É estrela a cintilar,
É um mundo de descobertas
Que começa a despertar;
É semente pequenina
Que aprende a vida a amar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Primeiro vem o nascimento,
Com seu choro e seu olhar,
Depois vem o colo amigo,
Onde aprende a descansar;
E, entre braços e carinhos,
Começa a se aventurar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Depois começa a engatinhar,
Logo aprende a caminhar,
Dá tropeços, cai no chão,
Mas insiste em levantar;
Cada passo pequenino
É uma forma de sonhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Vem a fase das perguntas,
Do brinquedo e da invenção,
Do desenho colorido,
Da primeira imaginação;
A criança faz do mundo
Um brinquedo de emoção.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Depois chega a adolescência,
Com conflitos e mudanças,
Novos sonhos, novos medos,
Despedidas e esperanças;
Vai deixando a meninice,
Mas conserva as lembranças.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E o menino vira homem,
A menina vira mulher,
Cada qual seguindo a estrada
Do destino que escolher;
Mas quem guarda a sua infância
Nunca deixa de viver.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Pois existe uma criança
Que o tempo não faz morrer;
Ela mora nos bons homens,
Nos que sabem compreender,
Nos que têm mãos para o abraço
E um coração para acolher.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Homem bom brinca com filhos,
Sabe rir e sabe amar;
Não tem vergonha da infância
Que insiste em lhe acompanhar.
Quem conserva a alma criança
Nunca deixa de sonhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Ser adulto não é nunca
Ter vontade de brincar;
É saber que a vida é séria,
Mas também sabe encantar.
É guardar dentro do peito
Um menino a caminhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Crescer não significa
A infância abandonar;
É levar dentro da alma
Tudo aquilo que ensinar:
Que o amor, quando é verdadeiro,
Tem o dom de transformar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E se o tempo envelhecer
O rosto, o corpo e a mão,
Que jamais envelheça
A ternura do coração;
Pois criança que permanece
É eterna inspiração.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Que venham com seus brinquedos,
Com seus sonhos e alegria;
Que venham com seus sorrisos,
Sua doce fantasia;
Pois onde existe criança,
Renova-se a poesia.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E quando a vida passar
E a velhice enfim chegar,
Que eu ainda tenha dentro
Uma criança a me ensinar:
Que nascer é começar,
E viver é se encantar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Há algo doloroso em crescer enquanto, diante do espelho, ainda enxergo a criança que o tempo não conseguiu levar de mim. O mundo me chama de adulta, coloca responsabilidades sobre meus ombros e espera que eu saiba caminhar sozinha, mas, por dentro, ainda procuro a mão que um dia segurava a minha. Talvez crescer seja essa contradição silenciosa: o corpo aprende a envelhecer enquanto a alma permanece sentada em algum lugar do passado, tentando entender em que momento os dias correram tão depressa e por que ninguém avisou que, um dia, eu teria que dizer adeus à infância sem jamais estar pronta para deixá-la partir.
Chorei como criança ao lembrar do beijo que você me deu, um toque inesquecível que o tempo jamais desfez; nosso amor foi tão lindo e eterno, inteiramente meu, e a saudade me devora até que eu seja teu mais uma vez.
A criança ignorada muitas vezes sobrevive, mas o adulto precisa aprender a reconstruir o que faltou.
A criança não é um adulto defeituoso; é uma pessoa em formação, cuja educação precisa respeitar o tempo, a experiência e as características próprias de seu desenvolvimento.
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