Encontro entre Amigos
Delícia sentir teu prazer desabrochar,
num encontro de fogo, ternura e calma.
Cada toque revela um mundo,
e o desejo nos faz um só coração.
Amor que se sente, que se entrega,
inteiro, intenso e tão nosso.
" E no fundo desse abismo, não há encontro. Apenas a permanência de quem caiu primeiro e nunca mais encontrou o chão. "
É no Deserto Que Temos um Encontro Verdadeiro Com Deus.Somos Tocados,Transformados e Libertos Por Ele.
Mas é só orando que eu encontro paz
O vento da aflição quer apagar a chama
da minha adoração Anderson Freire
O destino não é cruel, apenas nos espera. Somos nós que, apressados, corremos ao seu encontro e o abraçamos, sem ouvir o sussurro da nossa razão.
"A realização é o encontro com o que você já é. Quem passa a vida perseguindo o que falta, esquece de viver o que tem."
Geometria do Encontro
Eu não contava os dias por horas,
mas por versos que o acaso não leu.
Havia um deserto onde hoje repousa
o mapa de um tempo que ainda nem nasceu.
Chegaste como quem não pede licença
à casa vazia que o silêncio alugou,
e a parede fria, na tua presença,
aprendeu o calor que a cor não pintou.
Dizem que rio se forma gota a gota,
que o carvalho não brota do chão de manhã,
mas o mar que me invade a garganta e a rota
veio inteiro, de sal e de espuma, de ti, de manhã.
E não é sobre os meses que somamos à mesa,
nem sobre os calendários que a pressa riscou.
É sobre a tua voz sendo a estranha certeza
de que o "sempre" é um lugar, não um tempo que voou.
Cada passo contigo desenha um caminho
que a minha sede de ti faz de novo nascer.
Antes de ti, eu morava sozinho
no avesso do mundo, com medo de viver.
Agora, teu riso é a fechadura
de uma porta que eu nunca soube que havia.
E se a vida me der essa imensa aventura,
quero mais do teu lado, ir mais fundo, mais um dia.
Não me perguntes o "quando", pois o relógio
desaprendeu a correr quando te viu passar.
Ficou preso no instante em que o teu relógio
resolveu, sem saber, me ensinar a ficar.
Pouco tempo no mundo, imenso no peito.
Raiz que se alastra num chão recém-feito.
É que a beleza de estar onde estás
não se mede em segundos, se mede em ficar.
E eu fico. E eu volto. E eu me perco e me encontro.
E quanto mais fico, mais quero morar
nesse azul que teus olhos desenham no encontro
entre o que sou e o que quero ser: o teu lar.
A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira.
✍©️@MiriamDaCosta
E vejo o meu olhar
assim...
perdidamente inspirado
nesse encontro poético
do meu ser
com a paisagem outoniça
da Serra da Tiririca.
E vou caminhando
entre a Serra
e os meu versos ...
🖋@MiriamDaCosta
Sou o encontro de passado e presente
uma história que se enlaça
em tantas outras vidas
são anos de aprendizado,
de gente querida
de momentos bons
e outros nem tão presentes
Mas em mim está a força
de seguir em frente
a certeza de que a vida
é mesmo uma partida
e que cada passo dado
nos leva a outra vida
q ue o tempo é gigante
e ao mesmo tempo tão carente
Eu sou um livro aberto,
folhas amareladas pelo tempo
mas ainda trago em mim
a esperança e o sentimento
de que é possível criar
um mundo melhor
E assim vou caminhando,
entre o passado e o agora
tão vasta é minha jornada,
tão grande é o meu tesouro
sou o tempo que persiste
e que não tem borda nem sabor.
## Capítulo XXII
# A Conversa Depois
Durante vinte anos acreditara que o encontro seria o fim da espera.
Descobriu que era apenas o início de outra forma de tempo.
Saíram da cafeteria sem combinar destino algum. Heidelberg permanecia envolvida pela serenidade discreta das cidades que aprenderam a conviver com os séculos. As ruas estreitas conservavam o rumor distante do rio, e o vento da primavera movia lentamente as copas das árvores como se também ele tivesse decidido caminhar sem pressa.
Nenhum dos dois parecia disposto a romper o silêncio.
Não porque lhes faltassem palavras.
Mas porque certas presenças exigem primeiro o reconhecimento da realidade antes de aceitarem a linguagem.
Durante duas décadas haviam conversado através de livros, críticas, perguntas e ausências. Agora precisavam aprender uma tarefa infinitamente mais difícil.
Estar um diante do outro.
Foi Ariadne quem sorriu primeiro.
— Você continua caminhando como quem pensa.
Ele riu.
— E você continua observando como quem escreve.
Ela abaixou os olhos.
— Nunca deixei de escrever.
— Eu sei.
— Como sabe?
— Porque ninguém pensa dessa maneira sem escrever em algum lugar.
Ela não respondeu.
Apenas continuou andando ao lado dele.
Jantaram num pequeno restaurante às margens do Neckar. A conversa atravessou a literatura, passou pela música, alcançou a filosofia e, pouco a pouco, abandonou todos esses territórios para chegar ao único assunto realmente importante.
A vida.
Ela contou dos anos dedicados à universidade, dos alunos que lhe devolveram a esperança quando o mundo parecia definitivamente entregue à superficialidade. Falou dos pais, das perdas, das amizades interrompidas pelo tempo. Confessou que relera *O Cadafalso* muitas vezes, mas que a cada leitura encontrava um homem diferente escondido entre as páginas.
Ele ouviu mais do que falou.
Havia esperado tanto por aquele encontro que agora descobria não possuir qualquer urgência.
A realidade finalmente dispensava a imaginação.
Quando saíram, a cidade já estava quase vazia.
Caminharam sem destino.
Como duas pessoas que sabiam exatamente para onde desejavam ir e, por isso mesmo, não tinham pressa de chegar.
Foi ela quem interrompeu novamente o silêncio.
— Você imaginou este encontro?
Ele sorriu.
— Todos os dias.
Ela baixou a cabeça.
— Eu também.
— E aconteceu como imaginou?
Ela demorou a responder.
— Não.
— Melhor ou pior?
Ela voltou-se para ele.
— Melhor.
Porque a imaginação sempre exagera.
A realidade apenas existe.
Continuaram caminhando.
Chegaram ao apartamento dela já perto da meia-noite.
Havia livros por toda parte.
Partituras sobre o piano.
Uma xícara esquecida sobre a mesa.
Nada parecia preparado para receber alguém.
E exatamente por isso tudo parecia verdadeiro.
Ela abriu uma garrafa de vinho.
Serviu duas taças.
Sentaram-se diante da janela.
Conversaram durante horas.
Não sobre o amor.
Mas sobre aquilo que o amor permite compreender.
Em determinado momento, ela aproximou lentamente a mão da dele.
Não havia hesitação.
Havia reconhecimento.
Ele segurou aqueles dedos com a delicadeza de quem recebe de volta alguma coisa que acreditava definitivamente perdida.
O beijo aconteceu sem qualquer urgência.
Não pertencia ao desejo.
Pertencia ao tempo.
Naquela noite fizeram amor como duas pessoas que já haviam aprendido que o corpo não serve para vencer a solidão.
Serve apenas para lembrar que a alma também precisa de abrigo.
Depois permaneceram deitados.
Nenhum dos dois demonstrava vontade de dormir.
A chuva começava a bater contra a janela.
Foi Ariadne quem quebrou o silêncio.
— Durante vinte anos imaginei uma única pergunta.
Ele voltou o rosto.
— Qual?
Ela sorriu.
— Sobre o que conversaríamos depois?
Ele fechou os olhos por um instante.
Depois respondeu quase num sussurro.
— Descobri que passei vinte anos procurando essa resposta.
Ela esperou.
— E encontrou?
Ele olhou para o teto.
Depois para ela.
— Sim.
— Qual é?
Ele sorriu com uma serenidade que nunca conhecera.
— Descobri que, quando duas pessoas finalmente deixam de pertencer à memória e passam a pertencer à realidade, qualquer assunto se torna extraordinário.
Ela apoiou a cabeça sobre seu peito.
Durante muito tempo permaneceram ouvindo apenas a chuva.
Lá fora, o mundo continuava exatamente o mesmo.
As guerras continuavam.
Os jornais continuavam mentindo e dizendo a verdade ao mesmo tempo.
Os homens continuavam perseguindo poder.
Nada havia mudado.
Exceto uma pequena vitória invisível.
Depois de vinte anos, o pensamento finalmente encontrara a realidade.
E, pela primeira vez desde a tarde distante na Baviera, nenhum dos dois precisou imaginar o futuro.
Bastava viver a noite.
Nosso encontro é de alma — já estava escrito. Apenas nos reencontramos para selar o que o tempo aguardava.
Superar os obstáculos é reconhecer que o corpo é um lugar de encontro interior. Cada passo um despertar.
. O Encontro de Duas Vulnerabilidades
"Abrir a porta exige uma dose imensa de fé de ambos os lados, pois o encontro humano é um espelho de nossas próprias fragilidades. Quem bate, traz nos ombros o peso de uma dor que já não cabe em si e busca, desesperadamente, um sopro de abrigo. Quem abre, por sua vez, muitas vezes também habita o seu próprio silêncio, curando feridas escondidas que ninguém vê. Girar a maçaneta, portanto, é um ato de coragem mútua. É escolher acreditar, mesmo com as mãos trêmulas, que o remédio para a nossa alma está na capacidade de acolher o outro. Nesse instante sagrado, duas histórias se cruzam não para somar dores, mas para multiplicar o consolo e a esperança."
O Caminho, o Encontro e Outras Urgências
Era 15 de agosto de 2026, e o peregrino Nino Carneiro fazia sua peregrinação até Nossa Senhora de Aparecida da Babilônia.
Naquele dia, ele estava especialmente feliz. Tanto na ida quanto na volta, muitos pagadores de promessas o reconheceram. Alguns lhe desejavam uma boa caminhada; outros pediam uma fotografia; e havia ainda aqueles que, percebendo o dia abafado, embora não muito quente, ofereciam-lhe água.
Entre tantos peregrinos, porém, um chamou particularmente sua atenção: um pai que caminhava carregando nos ombros uma pequena “casinha”, dentro da qual estava sua filhinha, uma menina que aparentava ter apenas dois ou três anos.
E não é que aquele pai era justamente um grande amigo do peregrino Nino Carneiro, com quem costumava tomar café da manhã duas ou três vezes por semana?
O encontro foi uma daquelas surpresas que tornam uma caminhada ainda mais especial. Os dois ficaram muito felizes ao se encontrar. Conversaram por alguns minutos, trocaram algumas palavras sobre a caminhada e, depois, o amigo seguiu seu caminho, carregando a filha nos ombros e, provavelmente, algumas boas histórias para contar.
Ao chegar à capelinha de Nossa Senhora, o peregrino encontrou o recinto abarrotado de pessoas. Havia tanta gente que ficou praticamente impossível localizar novamente o amigo e sua pequena companheira de caminhada.
Depois de fazer sua oração de agradecimento a Nossa Senhora, o peregrino comeu algumas frutas, bebeu água, passou rapidamente pelo banheiro e retomou sua caminhada com destino a São Carlos, como de costume.
No dia seguinte, durante o tradicional café da manhã na Padaria Pão do Bairro, eis que apareceu novamente o amigo da caminhada do dia anterior — desta vez, sem a filha nos ombros.
Depois dos cumprimentos, os dois começaram a conversar sobre a peregrinação. Perguntaram um ao outro como havia sido a caminhada e se tinham visto alguma coisa que lhes chamara a atenção.
Foi então que o peregrino Nino Carneiro, naturalmente curioso, fez a pergunta que faltava:
— E a menina? Como ela se comportou durante a caminhada?
O amigo, com a maior tranquilidade do mundo, começou a contar.
Por volta da metade do percurso, a menina pediu para fazer xixi. Como ela havia deixado de usar fraldas poucas semanas antes, o pai pensou:
“Oba! Parece que a menina está se acostumando com a nova fase.”
Ao mesmo tempo, ele sabia que a esposa havia sido mais prudente e colocado uma fralda na menina antes da caminhada. Afinal, mãe experiente sabe que, em certas situações, prudência nunca é demais.
Até aí, tudo corria perfeitamente bem.
Quando chegaram ao Santuário de Nossa Senhora, porém, o pai resolveu levar a filha ao fraldário para verificar se estava tudo em ordem.
Foi nesse momento que a fralda resolveu participar ativamente da peregrinação.
Não houve anúncio sonoro nem aviso por escrito. Apenas aquele discreto, porém inconfundível, sinal de que a situação exigia providências imediatas.
A fralda estava cheia.
E, naquele instante, o pai descobriu uma das mais antigas leis da paternidade: uma criança pequena pode carregar muito pouco peso nos ombros, mas é capaz de colocar um peso enorme na responsabilidade dos pais.
O problema maior era que, dentro da mochila, não havia nenhuma fralda reserva.
O pai conseguiu higienizar a menina, mas percebeu que, para continuar a peregrinação, precisaria de uma ajuda que, naquele momento, valia mais do que qualquer água oferecida no caminho.
Pegou o celular e pediu socorro à esposa.
E assim terminou ali mesmo, nas proximidades da capela de Nossa Senhora Aparecida da Babilônia, a peregrinação daquele dia.
O peregrino Nino Carneiro ouviu toda a história com atenção e, como não poderia deixar passar uma oportunidade dessas, encerrou o encontro com uma reflexão digna de quem já aprendeu que a vida também gosta de pregar peças:
“A vida tem dessas coisas. Às vezes, um pequeno alívio pode representar uma grande felicidade. E, em certas peregrinações, o maior desafio não é chegar ao destino — é chegar até lá com fraldas suficientes.”
Naquele momento, o peregrino pensou que talvez essa fosse mais uma das lições das caminhadas: ninguém sabe exatamente o que encontrará pela frente. Pode haver sol, chuva, cansaço, fé, encontros inesperados, água oferecida por desconhecidos e até uma fralda capaz de mudar completamente o rumo de uma peregrinação.
E talvez seja justamente isso que torna o caminho tão interessante.
Porque, para quem caminha com o coração aberto, cada passo pode trazer uma história — e algumas delas, inevitavelmente, acabam precisando de uma fralda.
Peregrino Nino Carneiro
Acuda o próximo dentro de suas condições, pois um dia sempre aparecerá alguém ao seu encontro também quando mais precisar.
A morte é o encontro de todas as pessoas, com seus costumes, valores e tradições, onde suas diferenças
se anulam diante da mesma situação.
