Encontro entre Amigos

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Há olhares que atravessam o tempo. Entre um piscar e outro, cabe uma eternidade.
Vilma Martins

Somos o rascunho que o tempo escreve, suspensos entre a razão de nascer e a de morrer; mas apenas o silêncio é capaz de ler a obra inteira.
Reno Fioraso

RUÍNAS


Caminho entre os restos do que um dia fui.
Não há mapa para quem precisa reaprender a existir.
O silêncio pesa, como se o mundo inteiro tivesse sido deixado sobre o meu peito.
Mesmo assim, algo pequeno insiste. Uma luz quase tímida entre as rachaduras da alma.
Ela não grita, não exige... Apenas lembra, paciente, que até as ruínas guardam espaço para um novo começo.


>•< IANI MELO

No lugar onde os homens se tornam deuses, o coração flutua entre o Sol e a Lua sob o manto de um eclipse celestial.
Reno Fioraso

Onde o primeiro Adão nos escondeu de Deus entre as árvores, o Último Adão nos revelou a Deus pendurado em um madeiro!

Sentimentos


Diariamente, perco-me em pensamentos, a cabeça entre nuvens, distante de tudo. Encaro o espelho, buscando algo familiar, mas o reflexo me devolve uma expressão estranha. Sempre fui assim? Triste, vazio, remoto? Preciso admitir: não estou bem. Isso é inegável. Os olhos, sombrios e desolados, são prova suficiente.
Minha mente está abarrotada de preocupações, meu coração ferido e inquieto, como uma tempestade que nunca cessa. E você? Por que eu deveria conversar com você? Você, que insiste que adolescentes não têm problemas, como se nossa dor fosse menor, insignificante. Pois saiba: eu tenho problemas. Eu tenho sentimentos. Sentimentos que sua indiferença teima em ignorar, deixando-me à deriva, confuso, pior a cada dia.
Depois, com uma contradição cruel, você me pede para falar, para me abrir. Mas como? Como posso me expressar para alguém que nunca pergunta sobre meu dia, que sequer se senta ao meu lado no café? Alguém que me cobra palavras, mas nunca oferece ouvidos?
Quando minha alma não aguenta mais e transborda... ah, até o modo como meus sentimentos explodem parece te incomodar. E, no fim de tudo, resta-me apenas o consolo das lágrimas. Lágrimas silenciosas, que deslizam em um rosto cansado de lutar.
Choro por não saber lidar com tudo isso. Choro porque ninguém nunca me ensinou a cuidar de mim mesmo. E choro, sobretudo, porque você, que deveria ser meu refúgio, nunca me ensinou a lidar com meus sentimentos.

Entre Lágrimas e Visões

Há fases em que meu coração bate tão alto e tão forte que me assusta. Não consigo dormir, e meu sono se fragmenta em breves minutos de descanso.

Caio em lágrimas como uma criança que desaba ao chão quando percebe que a mentira também sabe vestir-se de paixão.

Há momentos em que meu rosto e meu coração se enrijecem pelo frio, pelo medo e pela decepção.

No entanto, tenho a certeza de que não são sonhos. São visões do passado. E, longe de me adoecerem, elas me enobrecem.

Entre confiar e desconfiar, sigo observando.

Gaza Livre

Entre eu e o abismo,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Que não posso alimentar.
Entre eu e a vida,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Faminta que me devora.
Essa vontade se chama
Sonho.

A Vida Entre o Quase e o Aconteceu


Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás.
Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão transforma-se em castelo, e uma simples tarde de chuva é suficiente para criar aventuras que nem os adultos conseguem compreender.
Nessa época, os sonhos não conhecem limites.
Queremos ser astronautas, jogadores de futebol, cantores, heróis ou qualquer coisa que nos faça sentir especiais.
O mais bonito é que acreditamos de verdade.
Mas o tempo passa.
E a infância, sem pedir licença, entrega lugar à adolescência.
Talvez seja aí que os primeiros desencontros aconteçam.
O espelho começa a mostrar alguém diferente.
O coração passa a bater mais forte por motivos desconhecidos.
Surge aquele amor impossível pela menina da escola, pelo rapaz da sala ao lado, por alguém que muitas vezes nem sabe da nossa existência.
Passamos horas ensaiando palavras que nunca serão ditas.
Criamos diálogos perfeitos que jamais acontecem.
Vivemos encontros imaginários e colecionamos desencontros reais.
Mas seguimos em frente.
Porque a juventude tem essa estranha capacidade de transformar decepções em combustível.
Então chega a fase em que acreditamos que já sabemos tudo.
Escolhemos profissões.
Fazemos planos.
Desenhamos o futuro como quem traça uma estrada reta em um mapa.
Só esquecemos de um detalhe.
A vida raramente segue o mapa.
Ela prefere os atalhos.
As curvas.
Os desvios inesperados.
Muitos encontram o emprego dos sonhos.
Outros descobrem que o emprego dos sonhos não era exatamente aquilo que imaginavam.
Há quem encontre o amor cedo.
Há quem espere anos por ele.
Alguns constroem castelos.
Outros precisam aprender a reconstruí-los depois que desabam.
E assim vamos colecionando experiências.
Os anos passam.
Os encontros continuam acontecendo.
Novos amigos surgem.
Outros seguem caminhos diferentes.
Algumas pessoas chegam para ficar.
Outras apenas passam, deixando ensinamentos que só compreenderemos muito tempo depois.
Também existem as frustrações.
A promoção que não veio.
O negócio que não deu certo.
O namoro que terminou.
O projeto que ficou pela metade.
A oportunidade perdida por poucos segundos.
São momentos difíceis.
Porque ninguém cresce imaginando os "nãos" que ouvirá pelo caminho.
Mas eles chegam.
E quando chegam, doem.
Porém existe algo curioso nas derrotas.
Elas quase sempre ensinam aquilo que as vitórias nunca conseguem explicar.
Então a vida continua.
Casamos.
Criamos filhos.
Mudamos de cidade.
Mudamos de opinião.
Mudamos de sonhos.
E, sem perceber, vamos mudando a nós mesmos.
Chega uma fase em que passamos mais tempo lembrando do que planejando.
As conversas ficam mais profundas.
As prioridades mudam de lugar.
Aquilo que parecia indispensável perde importância.
E coisas simples passam a valer ouro.
Um almoço em família.
Uma ligação inesperada.
Uma tarde tranquila.
Um abraço sincero.
Percebemos que a felicidade nunca esteve tão longe quanto imaginávamos.
Ela apenas se escondia nos detalhes.
Mesmo assim, a vida continua nos surpreendendo.
Porque sempre existe algo por acontecer.
Um novo amor.
Um novo trabalho.
Um novo projeto.
Uma nova amizade.
Uma nova chance.
Talvez seja esse o grande segredo.
A esperança.
Ela é a única companheira que atravessa todas as fases da nossa existência.
Está presente na criança que sonha.
No adolescente que ama.
No jovem que planeja.
No adulto que trabalha.
E também naquele que já viveu muito e continua acreditando que o amanhã pode ser melhor.
A esperança não envelhece.
Não se aposenta.
Não desiste.
Ela permanece sentada em algum canto do coração, esperando o momento certo para nos lembrar que ainda há páginas em branco para serem escritas.
E talvez a vida seja exatamente isso.
Uma sucessão de encontros e desencontros.
De expectativas e frustrações.
De planos que dão certo e de caminhos que precisam ser refeitos.
Mas, acima de tudo, uma jornada onde a esperança nunca deixa de caminhar ao nosso lado.
Porque enquanto houver esperança, sempre existirá um novo capítulo esperando para acontecer.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Todos os dias travamos um conflito entre o coração, a alma e a razão.

O nascimento abre os olhos. A morte fecha as pálpebras. Entre um e outro existe a oportunidade de amar, aprender, servir, perdoar e deixar um pouco de luz no caminho dos que vêm depois.

A vida é o intervalo sagrado entre o nascimento e a morte, uma oportunidade de lapidar a alma até que ela esteja pronta para regressar à Fonte de onde veio.

Entre o Toque e o Adeus




Sentir você tão perto.
Sentir o calor da sua pele.
Sentir o leve tremor das suas mãos.
Sentir o desejo que transborda do teu olhar.


Diz-me,
como isso não pode ser paixão?


Ou amor...
quem sabe.


Poderia ser uma cor,
qualquer uma,
desde que deixasse de ser
esse mundo em branco e preto.


Poderíamos criar um vermelho
que existisse apenas para nós.


Então você me beija,
me toca,
e, logo depois,
diz que não posso ser sua.


Se é assim,
por que continua alimentando
o que sabe que não pode florescer?


Eu te amo
para além do teu corpo.


Mas você...


Será que ama apenas o meu?

"A distância entre o desejo e a conquista chama-se obstáculo."

"O amor que dói em silêncio"


O amor que dói não grita,
mora no silêncio entre dois corpos,
na palavra que não se diz
e no beijo que não se deu.


É a falta que ocupa o peito
como um móvel antigo e pesado,
o amor que não pode ser vivido
e ainda assim insiste em doer.

entre as nuvens e as estrelas,
a música é o som vivo da natureza,
enquanto a fogueira e o bom vinho aquecem a noite inteira ...

#bysissym

Entre a ideia e a sua realização existe uma travessia solitária: momentos de perda, de silêncio e, no meio disso, um encontro consigo mesmo. Porque às vezes, para executar um sonho, precisamos nos reinventar, e nos tornar outra pessoa.

O Visitante


Há quem entre
sem fazer barulho.


E, ainda assim,
desorganize a casa inteira.


Toca nas paredes,
elogia a luz,
senta à mesa,
fala como quem pretende ficar.


Depois rareia.


Não vai embora de uma vez.
Seria honesto demais.


Vai sumindo aos poucos,
como quem espera
que o silêncio faça o trabalho
sujo.


A casa observa.


Não cobra.
Não chama.
Não implora.


Só aprende.


Porque há presenças
que não quebram nada,
mas deixam tudo mais frio.


E no fim,
o que pesa não é a partida.


É lembrar que alguém soube
entrar
e ainda assim
não teve coragem de
permanecer.

A linha entre a loucura e a genialidade é tênue, e só a ação a torna clara.