Elogios Nao me Elevam
Nada parece fazer sentido quando não damos sentido as nossas vidas até que, ao identificarmos os motivos reais da caminhada, tudo passa a fazer sentido.
Dar vida à letra...
É preciso tristeza para dar vida à letra.
- Ouvi dizer.
Digo que não é assim.
Na alegria também com a pena se brinca.
E o traço é bonito, bailado...
Afastar-se do cálamo vem do perder-se de si.
Nada se ouve que não o rebombar da superficialidade;
Para o olhar, falta clareza;
Tudo é turvo, opaco, obscuro.
Sentidos carregados de pressa, urgências, emergências.
Incoerências!
Para se escrever é preciso sentir.
Um sentir mais abstrato que os sentidos...
Um voltar a si de forma concreta
O íntimo cuidadosamente vasculhar.
Sentir, olhar, ouvir com vagar
O passar do momento, do espaço, do tempo.
Mas se me perco até de mim,
Que coisa posso eu oferecer?
Se não mais escrevo, não é por faltar tristeza;
A falta é de profundidade!
O que pode haver de mais triste?
Não é inspiração que me falta,
Falto-me de mim.
Há tão pouco, sentia falta apenas de ti.
Agora perdi-me de mim,
E tu ainda não estás aqui!
O que pode o mundo mudar.
Aquilo que você tem a dizer e não diz
É isso mesmo o que eu quero ouvir.
Aquilo que está aí entalado
Quase conseguindo seu corpo sufocar,
É precisamente o que
Pode o mundo mudar!
A milagrosa Palavra que o criou
Também no seu ouvido um mister sussurrou,
O seu quinhão para tornar nossa azul esfera
Em harmoniosa atmosfera...
Mas você só pondera: será?
Sim! A voz assim engasgada é estéril!
Como seu fruto desabrochará?
É oração, já febril, sedenta de seu rumo tomar!
Ah, por favor, não diga: mas eu não sei falar.
Exclama! Clama! Ama!
Sua missão é comunicar!
Que o tempo não esmaeça o sorriso;
Que cândida permaneça a esperança;
Que a existência seja senda ao paraíso;
Que a fé tenha idade de criança.
E que eu sempre me lembre de saudar a vida!
Sim, ao soprar mais uma vela,
Que eu reverencie a vida!
Que seja eu continuamente agradecida!
Amor presente
Não, eu não vivo de passado.
Valorizo o agora, o já,
O que comigo aqui está.
E é agora que eu te amo!
Sim, também te amei em tempos idos:
Amei, amava, amara
Em todos os pretéritos do indicativo.
Hoje eu te amo!
Amanhã, e depois, e depois...
E ainda depois, a certeza é te amar.
Mas pouco importa o que foi ou o que será.
Interessa o que tenho agora: o amor presente.
E é tão presente, e tão veemente...
Que é como se estivesses aqui.
Sempre aqui
Não vai passar
Estará sempre aqui
Nem sempre leve
Nem sempre um peso
Mas perpetuamente aqui
E a todo momento sentido
Às vezes doído
Às vezes garrido
Mas jamais se retira
Peito aperta
Mente reza
Peito alivia
Mente agradece...
Sai ano, entra mês
Vontade e medo do abraço se entrelaçam
Qual é maior: a dúvida ou a espera?
Certeza uma só: Não vai passar!
Estará sempre aqui
Pulsando internamente no meu lado esquerdo
E quando não houver mais pulsar,
Aperfeiçoar-se-á.
E comigo transcenderá!
Vai! Segue teu caminho!
Alegra o semblante, dá passos resolutos.
Não olhes para trás,
É o teu chamado. Responde: Presente!
Desnecessário despedidas.
Acostumar-me-ei com tua ausência física.
Já te tenho gravado na alma.
Estranharei o não repousar dos meus olhos nos teus,
Mas tua imagem é tatuada em íris, retina e cristalino.
Todo o meu ser vê os contornos teus.
É certo: superarei também o não ouvir tua voz.
Vou imaginar que ensurdeci,
Parecerá que todos os órgãos do sentido encontram-se em desordem.
Mas sei: serás feliz!
É claro que também serei feliz!
A alegria é minha raiz etimológica.
Entanto, por ora, estão aflorados todos os sentidos.
Saudáveis, latentes, irracionais.
Não foram feitos para compreender;
Conhecem com seu jeito subjetivo, sublime...
Sinto já! Sinto agora!
Um líquido quente escorre;
Cachoeira salgada torrente sobre minha face
Alcança meus lábios (que insistem em tremer).
Sempre irão exigir que sejamos perfeitos, mas a maior proximidade possível é uma mente que não se reprova naquilo que valida.
Muitos riem daquilo que os atemorizam, não como uma forma de diminuir o medo, apenas como resposta inconsciente.
Coração de Maria
Desprezando os conselhos do poeta
Sem emitir palavra, João dizia:
Não se aproxime. Não se aproxime muito.
Não inocule em mim a inconveniência da
Profundez de uma amizade verdadeira.
Caminhemos em vias paralelas.
Lado a lado em diferentes caminhos.
Cultivemos o descompromisso dos
Relacionamentos efêmeros.
Busquemos a qualidade do que é fugaz.
A mensagem não dita foi devidamente compreendida.
Maria não tentaria transpor os limites.
Todavia, ser intensa era-lhe intrínseco,
E a esperança não se deixa abater.
Buscaria outro alguém que, como ela,
Ousasse experimentar a dádiva...
“O presente é tão grande!” – ensina o poeta.
Ansiava pelo essencial.
Queria mãos dadas!
João não será esquecido.
Já está aconchegado naquele coração.
Coração de amiga. Coração de irmã.
Coração que ama. Coração de Maria.
Se você quer uma pessoa que pense igual a você, então, contente-se com o espelho. Mas, não o quebre se não gostar do que vê.
quando nos deparamos com nos mesmos em nosso eu , ficamos pensativos por que muitas vezes não entendemos nossa real existência .
tudo estar nas mãos de nosso criador .
religião não prende,liberta! religião não julga,ajuda!
Se a santidade é feita de julgamento,ore para que eu seja santo como vocês é!
Não faça de sua mente um depósito de coisas nocivas e negativas. Tudo que for bom e útil, você arquiva; caso contrário, faça a formatação ou delete.
