Elogios dos Olhos
Por que será que quando éramos pequenos brincávamos com qualquer coisa e depois que crescemos ficamos tão exigentes?...
Fico aqui pensando que, infelizmente, a maioria das pessoas encaram a Semana Santa, apenas como um feriadão e não como um tempo de paz e de reconciliação entre os irmãos, para juntos então comemorarmos no Domingo, a Páscoa da Ressurreição!
Oh, pais irresponsáveis!
Serão vocês por acaso,
Máquinas de indústria de bonecos
Ou se esquecem que dentro destas veias
Corre um sangue vivo e inocente?...
a pá na agua
a canoa movimentas-se
o mar navega
renovam-se os contentamentos
o tempo passa,
e eu só penso no mar
ah o mar !
só o mar me faz
amar e remar
CASUALIDADE
Daquele dia...
Lembro-me de duas coisas,
A taça quase vazia de vinho
E um longo sorriso doido.
A taça de vinho é fácil reproduzir.
O mesmo sorriso, jamais!
Amor e crença
Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?
Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!
Ah! Se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp’la do Céu santa e infinita!
Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,
ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!
O valor das coisas está no tempo que elas duram, porque a intensidade é um afago cruel quando se torna lembrança.
O Lamento das Coisas
Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos
O choro da Energia abandonada!
É a dor da Força desaproveitada
- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza....
Da luz que não chegou a ser lampejo...
E é em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!
Vozes da morte
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!
Vencedor
Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!
Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.
Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois de um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,
Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!
A mais bela
Olhos poderoros, sem iguais.
Após os ver
não esqueço jamais.
São lindos, brilhantes…
qual pedra mais pura.
Qual diamantes.
Cabelos brilhantes, sedosos
aos quais deviar o olhar
não posso.
Dançam livres ao sopro do ar,
assim como as ondas
do mais belo mar.
Sorriso belo e iluminado,
assim como o sol que nasce
num encantador dourado.
Alegra e enfeitiça.
Obra genial
do mais célebre artista.
Lábios tenros, chocantes…
Seus movimentos? Estonteantes.
Beleza nobre, rara…
e tocá-los é ser levado
onde a magia não pára.
Atributos do mais belo anjo
e de elogiá-la
jamais me canso.
Qualidades? Existem mais.
E se as procuro
não cesso jamais.
Ah mulher, como desejo seu sabor,
Seus olhos reluzentes, seu riso lindo...
É só elogios. Estou digitando com os pés
Porque com as mãos estou aplaudindo.
Elogios.
Existem certos tipos de elogios...
Que vem de muitos olhos...
Carregado com extremas forças negativas....
Buscando pequenas brechas...
Para nos ferir....
As famosas lacunas da vida...
Precisam estar bem selada com a sabedoria Divina....
Um único elogio ou crítica construtiva....
Pode estar consumidos...
Por olhos e línguas rivais....
Uma inveja de peçonha tamanha....
Tentando encontrar....
O ponto certo....
Em cravar suas presas....
Enjetando venenos neurotoxicos..
Afetando....
Nâo só nossa alma....
Mas também...
Todo nosso redor....
Fica a dica....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
*Querida Rosemary*
Querida Rosemary,
tu me encantaste com teus elogios
e com os olhos que refletem a lua —
tão fabulosos, tão enigmáticos,
que me arrepiam a alma.
Mas, ah, como os amo...
Oh, sim, eu os amo demais.
Rosemary,
tu não me amaste
com a mesma febre que me consome,
mas sabes que sou sincero
quando sussurro que te amo.
Oh, Rosemary,
por que brincar com meu peito frágil?
Por que iludir um pobre poeta
que só queria ser teu verso favorito?
Tu és egoísta,
mas, ainda assim,
te amo com a força de mil tempestades.
