Elegia de um Tucano Morto
Como peixe morto é o homem que vive pescado pelas águas putrefatas de Satanás, quando ele obedece aos desejos da sua carne.
A alma que peca é um peso morto para o corpo, um curto circuito para a mente e um veneno para o coração.
O homem é tão pobre em relação a sua própria existência que, qualquer morto idolatrado há mais de cem anos, passa a ser um iluminado ou um guia espiritual no lugar de Jesus Cristo.
A crítica sugestiva levanta um corpo morto na vida
e o põe de novo na luminosidade da alma e do espírito.
O que tem glória permanente a sepultura não o retém e, muito menos dá ouvidos aos espíritos de mortos.
A velha natureza do pecador perdido já passou para o nível morto das Cantareiras: se não chover bênçãos, vai precisar de Água viva para ser achado.
Nenhum médium, idólatra, ídolo, sacerdote, guru, mestre, padroeira, mediador ou santo morto, financia ou resgata as almas dos pecadores, se não for Jesus Cristo, entronizado por anjos.
Estar desaparecido é diferente de estar morto. De certa forma, é pior. A morte oferece um fim. A morte dá permissao para o luto. Para fazer um funeral, acender velas e deixar flores num túmulo. Para seguir em frente.
Estar desaparecido é estar num limbo. Preso num lugar estranho e desolado onde a esperança brilha fraca no horizonte, e o desespero e a angústia espreitam como abutres.
As dores da tristeza habitam em mim quando percebo que até um morto recebe um buquê de flores e um vivo não.
soneto da frase sobrando: O poeta esta morto
O poeta calou-se depois do meio dia
Inúmeras informações sem afeto
Datas, nomes, números(informação fria)
Senta-se na calçada, taciturno
Nada falava, nada sentia
Miríade de comentários floresciam
Foi a mão desumana e hipócrita
Ordinária mão do meio dia
Razão pela qual o poeta calou-se
Amar já não era a política que via
Temer a ambição da matilha sedenta
Emergente ação pacífica
Melhor calar-se e observar a volta
Enquanto a ternura retorna vívida
Ruas gritam pela volta da poesia
Na região do silêncio só os demônios comunicam com os vivos, enganando-os no papel de parentes mortos.
Pior do que uma consultar a um morto recentemente enterrado é aquele que consulta a imagem de padroeiros, em forma de pedaços de madeira ornamentados e formatos de gesso, vivendo enganado com falsas esperanças.
