Ele
O niilista que cultua o nada é o maior dos hipócritas: ele cospe na vida enquanto usa o oxigênio dela para reclamar.
A depressão é o corpo dizendo à mente que ele está cansado de interpretar um personagem que não existe.
O julgamento de Bob Kowalski.
Bob Kowalski morreu dormindo, mas ele acorda confuso sentado numa sala vazia, ele está olhando as paredes escuras sentado numa cadeira.
De repente, uma voz forte diz: Você será julgado por seus pecados, e poderá ser condenado à total destruição de sua consciência.
Bob Kowalski: Julgado por quem? Eu gosto de pensar e não posso ser julgado por ninguém!
A voz forte: Eu sou deus e vou te julgar, vou pesar toda a sua vida, todos os seus pensamentos, vou pesar a sua fé e posso te destruir.
Bob Kowalski: Então tu é bichão da goiaba mesmo, tu é o chefe da quadrilha, mas num sabe com está se metendo. Pesquise no Google por Bob Kowalski e trema de medo com as minhas verdades!
Voz forte: O julgamento terminou, você será destruído por completo!
Bob Kowalski: ser destruído sempre foi o meu sonho, então muito obrigado. Mas estou curioso em saber qual foi o meu grande pecado. O que eu fiz de tão errado que não estou lembrando?
Voz forte: O seu maior pecado foi ter roubado um chocolate quando era criança!
Bob Kowalski: Eu não lembro disso, se eu não lembro, então nunca aconteceu, e se não aconteceu pra mim, não é justo me condenar por algo que não fiz!
Voz forte: Vou fazer você se lembrar de tudo agora.
Bob Kowalski: Incrível, sim, agora parece que lembrei. Mas como posso saber se essa memória é real? Como me garante que não é falsa?
Voz forte: É verdadeira, aconteceu e fiz você lembrar.
Bob Kowalski: Como posso ter certeza de que essa lembrança é verdadeira? Alguém dizer que algo é real não prova nada. Pode ser uma falsificação, uma mentira para me acusar de algo que nunca fiz.
Tem certeza de que você não é o diabo? Como vai me provar que a memória é autêntica? Ou que você não está apenas me trollando? Nada do que fizer pode apagar minhas dúvidas, e não é justo condenar alguém que não se considera culpado no tribunal da própria consciência.
Voz forte: Eu posso te mostrar o depoimento de muitas entidades espirituais que viram você roubando o chocolate! Entendeu? Muitos observaram quando você roubou, isso é um fato, pois há o relato de todo mundo!
Bob Kowalski: você quer condenar um humano injustamente? Como eu vou saber se o relato das testemunhas é verdadeiro? Mesmo se eu acessar diretamente a memória de todas as testemunhas como saber se as memórias são verdadeiras? Você é um deus injusto, ou diabo que poderia ter forjado memórias falsas apenas para me incriminar, quer me culpar por algo que eu nunca terei certeza que aconteceu? Isso não é justo, isso não tem lógica nenhuma! Viu? Agora quem é o verdadeiro juiz sou eu, você é: burro e desonesto!
Bob se levantou da cadeira, caminhando lentamente pelo vazio da sala, sentindo cada passo como se fosse um argumento que quebrava o poder da voz.
Bob Kowalski: Eu decido a minha justiça! Se tudo que você diz é manipulação, então não há tribunal que me condene. Nem você, nem ninguém. Meu pensamento é meu templo, minha razão é meu escudo.
A voz forte silenciou, titubeante, como se não soubesse como responder à lógica absoluta de Bob. O vazio da sala começou a se transformar, paredes surgindo e desaparecendo ao ritmo da sua convicção.
Bob Kowalski: Então escuta aqui, criatura ou deus ou seja lá o que tu for: se quer julgar alguém, comece por si mesmo! Eu nunca roubei nada da minha consciência, e ninguém jamais vai pesar minha mente sem que eu permita.
E assim, sozinho, mas invencível, Bob Kowalski sorriu. A voz não voltou, e o espaço se curvou à sua vontade, como se o universo tivesse entendido que algumas consciências não podem ser destruídas, apenas respeitadas.
Bob Kowalski: Julgar? Só se for a mim mesmo. O resto é piada.
O silêncio foi absoluto, e naquele silêncio, ele finalmente dormiu de verdade, sem julgamento algum capaz de tocar sua mente.
O homem não sabe o seu futuro, mas deve projetá-lo, pois o homem pode não saber de onde ele veio, mas deve saber para onde ele vai.
O sábio não reage aos estímulos imediatos, como faz o animal primitivo. Ele filtra toda boa intenção, seja de amor ou de ódio, de repulsa ou elogio.
O estúpido também é capaz de amar,
o que ele não consegue é conter
seu instinto agressivo e até violento.
Se eu fosse falar a verdade
Talvez você se comovesse.
Perdi meu pai aos onze anos — e com ele, o lar.
A casa deixou de ser abrigo, tornou-se lembrança.
O conforto e a segurança que uma infância promete
se desmancharam na poeira do tempo.
A vida se desenrolou como um fio invisível
que eu apenas seguia, sem saber aonde levava.
Mas não escrevo para comover ninguém.
Sou um homem realizado no pouco que premeditei:
ser poeta — não por escolha, mas por destino.
Desde menino, tive uma clarividência silenciosa
sobre o que viria a ser.
Uma voz interior me dizia
que havia um mandato das alturas:
cantar, mesmo que o canto fosse triste;
dar forma ao invisível;
soprar o fio de Ariadne
que me conduziria pelo labirinto da vida.
Entre fragmentos e quedas,
fui forjado por dores que não escolhi.
E nelas, descobri a necessidade inevitável
de escrever — sempre com lágrimas,
sempre com o sangue secreto da alma.
Não havia mapa, só o instinto e a necessidade.
E foi nas escolhas, muitas vezes cegas,
que aprendi a me reconhecer.
Hoje compreendo que minha existência,
apesar de comum, sempre esteve repleta de sentido:
era o ensaio do homem que eu me tornaria —
um ser moldado pela perda,
mas iluminado pela busca.
O AMOR, QUANDO ELE CHEGA
I
O amor, quando ele chega,
altera o tempo e o clima,
transforma a rota do vento,
desloca o eixo da Terra
e o hemisfério se inclina.
II
O amor, quando ele chega,
organiza o caos infindo,
desmantela o imponderável,
rasga as vestes da razão,
e o que antes era utópico,
nas cordas do coração,
desamarra o improvável.
III
O amor, quando ele chega,
desperta o desconhecido,
faz oscilar estações
pra confundir os sentidos.
IV
E, nessa linha de sombra,
respira uma verdade fatal:
o amor, quando ele chega,
nos expõe à vil tragédia
que não raro é seu final.
Geralmente, o último gole de vinho não é meu.
Ele pertence aos que suportaram pensar até o fim.
A Oscar Wilde, pela inteligência como arma contra a hipocrisia.
A Hemingway, pela ética seca diante do absurdo.
A Rimbaud, pela violência precoce do gênio e pelo abandono.
A Flaubert, pela disciplina quase cruel da forma.
A Voltaire, pela lucidez ferina,
por ter combatido a estupidez com ironia
quando a coragem ainda era possível.
E o último dos últimos,
quando o vinho já não promete nada,
vai para Baudelaire.
Porque ele soube que a beleza não nasce da pureza,
mas do atrito entre o tédio e o abismo.
Depois disso,
o copo vazio.
O silêncio.
E a noite continua,
como sempre.
Quando o amor encontra seu lar, ali permanece, não por inércia, mas por escolha. Ele se acomoda nos gestos mínimos, na repetição dos dias, no reconhecimento silencioso de um no outro. Ficar não é fraqueza, é decisão cotidiana. O amor cria raízes, aprende o ritmo da casa, conhece seus ruídos, suas sombras e suas promessas.
O vento não chega de uma vez. Ele começa como estagnação, como descuido quase imperceptível, como a falsa segurança de que tudo está garantido. É a falta de escuta, a ausência de curiosidade pelo outro, o adiamento constante do cuidado. O vento é o silêncio que se prolonga, a palavra que deixa de ser dita, o toque que vira hábito sem presença.
A casa não cai por ódio, nem por grandes tragédias. Cai porque deixa de ser habitada por dentro. O vento apenas revela o que já estava frágil. O amor não acaba quando o vento sopra; ele se desfaz quando ninguém mais sustenta as paredes.
O cheiro ruim não vem do que é feio,
nem do que já morreu por dentro.
Ele vem da beleza…do que parecia puro, intocado. E é isso que assusta:
perceber que até o que é bonito
carrega o começo da ruína.
DeBrunoParaCarla
Amor meu não cabe no tempo,
ele se dobra em silêncio onde teu nome respira sem som,
e ainda assim te guarda
como quem promete sem dizer,
como quem fica mesmo quando o mundo parte
DeBrunoParaCarla
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Desprovido de despedida,
ele não chega… só desperta.
Como se a mente abrisse espaço
pra algo que sempre esteve ali,
quieto, esperando ser sentido.
Não é amorou pelo menos não esse que dizem existir. Mas é profundo,
de um jeito que não precisa de nome,
nem de explicação. Não precisa ver, não precisa tocar Ainda assim, é bom estranhamente bom, como algo que faz sentido sem nunca ter sido entendido.
Dura pouco ou talvez não dure nada.
Porque o que parece instante
já existe há milênios, repetindo, atravessando, voltando.
E mesmo assim, cada vez parece a primeira.
DeBrunoParaCarla
O universo real não precisa de sentido,
porque ele já existe antes de qualquer explicação.Eu te levei até lá sem caminho, sem nome, onde tudo é… mesmo quando ninguém entende.
DeBrunoParaCarla
