Ele
[Arquitetura da Expectativa]
quando o
sono passou,
ele esperou
por um momento.
pensativo,
esperou
pelo despertador.
com um ar
entusiasmado,
ele esperou
o café coar
e no ponto,
esperou
pelo ônibus.
após a conclusão,
esperou
pela próxima
tarefa a ser
realizada
e faminto
ele esperou
pelo almoço;
depois
pacientemente
esperou
a tarde passar.
atordoado
pela ansiedade,
esperou
pela ligação
e pelos
comentários
adicionais.
então esperou
pela confirmação
e conformando-se,
esperou
pelo fim do
expediente.
apaixonadamente,
ele esperou
por ela.
retornando
por ruas escuras,
esperava chegar
a salvo
em casa
e ao chegar,
pela encomenda
que não havia
chegado,
esperou.
há muito tempo
estava esperando
pela oportunidade
que nunca
chegava.
inconsolável
e desesperado
suplicou por
coragem,
enquanto esperava
a contagem
do microondas
ao requentar a janta.
deitado no sofá,
relaxou e esperou
pelo fim do episódio,
pelo fim da temporada,
pela próxima série.
apreciador de baixas
temperaturas,
na troca das
estações, esperava
pelo inverno.
em seus aposentos,
ele esperou
pelo fim do dia,
pelo fim do ano
e no fim das contas,
pelo sono eterno.
Michel F.M. - Trilogia Flores do Pântano
Bruno Michel Ferraz Margoni
30/12/23
Logo em seu nascer ele a contempla,
Esperando paciente seu desabrochar,
Está fumegante, sua visão é ampla,
O mais breve instante quer ornamentar.
Você Vai Conseguir Sem Precisar Ser Como Ninguém. Basta Confiar e Ter Fé em Deus Que Ele Fará o Melhor Na Sua Vida.
O amor é a própria alma da existência, a força vital que confere sentido à jornada humana. Ele se revela em miríades de formas, ora no afago mútuo entre almas, ora na entrega fervorosa a um ideal, ora na compaixão que nutre o próximo. Amar transcende a mera emoção; é um verbo, uma ação que se traduz em gestos e palavras, em ecos do coração. É a arte de vislumbrar a beleza nas nuances, de abraçar as imperfeições como parte integrante da história, e de celebrar a preciosidade de cada instante compartilhado.
O desgosto é o instante em que a alma descobre a fragilidade das expectativas.
Ele não nasce do mundo, mas da distância entre o que imaginamos e o que acontece. É um convite abrupto para olhar a vida sem as cores que pintamos nela.
O desgosto é um mestre duro:
mostra que nada é permanente, nem mesmo a alegria;
revela que o outro não pertence às nossas certezas;
recorda que o coração, por mais forte que seja, ainda é casa de delicadezas.
Ele desmonta ilusões, mas ao mesmo tempo amplia a visão.
No desconforto do desgosto, percebemos que a existência não é feita apenas de plenitude —
é feita de contrastes.
Sem o gosto amargo, não haveria clareza suficiente para distinguir o doce.
Paradoxalmente, o desgosto é também uma forma de despertar.
Ele corta, mas abre espaço.
Ele pesa, mas educa.
Ele derruba, mas deixa o terreno limpo para algo novo crescer.
Por isso, filosoficamente, o desgosto não é inimigo, mas um visitante incômodo que nos obriga a reorganizar a própria alma —
e a reconhecer que viver é aprender a renascer mesmo quando aquilo que amávamos desaba dentro de nós.
