Ela é...

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Que possamos florescer como seres "humanos" para vida deixando que Ela se revele.

A sua atenção é a moeda mais valiosa do universo, pois ela é a própria substância da sua vida transformada em tempo. Onde você pousa o seu olhar, ali você planta o seu destino; não permita que ladrões de trivialidades saquem o tesouro que deveria financiar o seu propósito.

A verdadeira medicina não cura apenas o corpo; ela abre as janelas da alma para que o Mestre entre sem pedir licença. Na miração, o silêncio da mata ensina mais do que mil sermões gritados em templos de pedra.

A opinião alheia é uma mercadoria que só tem o valor que você decide pagar por ela. Se alguém lhe atira lama, não tente lavá-la enquanto está úmida, nem a atire de volta; deixe que o tempo a seque e transforme em adubo. O que o outro diz sobre você revela o mundo dele, não o seu; e um rei não se inclina para recolher pedras atiradas por quem está no vale.

"É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir."
(Machado de Assis)

A vida é mais do que a beleza que se imagina; é a força que se tem para enfrentar o que se vive.
MARCELO CASTILHO ASSIS ⁠

A vida tem esse jeito silencioso de continuar. Ela não pede grandes acontecimentos, nem anuncia sua beleza em voz alta. Ela persiste no que é pequeno: no cuidado discreto, no gesto que quase passa despercebido, na rotina que, mesmo simples, sustenta tudo.


É naquele instante quieto do dia — quando o tempo desacelera, o café ainda exala seu calor e o peito encontra um respiro — que a gente percebe: existe paz, mesmo que breve. E às vezes, isso basta.


Crescemos acreditando que a felicidade precisa ser grandiosa, visível, quase extraordinária. Como se ela só existisse nos grandes marcos da vida. Mas, com o tempo, algo muda. A gente começa a entender que esses momentos intensos são raros — e que o que eles trazem muitas vezes é euforia, celebração… não exatamente felicidade.


A felicidade, talvez, seja outra coisa. Mais sutil. Mais constante. Ela se esconde nos intervalos, nas pausas, nos detalhes que não fazem alarde. Está no cotidiano que segue, no simples que permanece, no que continua mesmo quando tudo parece difícil.


Ser feliz nem sempre é natural — às vezes é decisão. É insistir, mesmo cansado. É dar um passo leve quando tudo pesa. É acreditar, todos os dias, que ainda há beleza possível, mesmo em meio às imperfeições da vida.


Existe coragem em não endurecer. Em continuar sensível num mundo que muitas vezes pede o contrário. Em escolher sentir por inteiro, sem aceitar metades — nem de sentimentos, nem de afeto, nem de presença. É abrir espaço apenas para o que é verdadeiro, para o que encontra morada inteira dentro de nós.


E junto disso, cultivar esperança. Não aquela distante e grandiosa, mas a que nasce nas coisas simples: no cheiro de um café feito com calma, num abraço sincero, numa risada inesperada. É acreditar que o amor, mesmo discreto e imperfeito, ainda encontra caminhos para florescer.


Sonhar grande continua sendo bonito. Mas talvez o segredo esteja em não esquecer que a vida acontece, de verdade, nas pequenas coisas. Permitir-se ser feliz é justamente isso: acolher o que é leve, reconhecer o que é bom, mesmo que silencioso.


Porque existe uma força rara em quem escolhe viver com o coração aberto — leve, mas inteiro. Esta força que me abastece para seguir em frente e ser feliz.

A opinião do mundo é um vento que sopra sobre a montanha: ela pode uivar e levantar poeira, mas a montanha permanece onde está. Não entregue as chaves da sua casa a quem não conhece o valor do seu alicerce.

Na água repousa um segredo antigo: ela guarda em silêncio o poder de destruir e de gerar vida, revelando o mistério divino que sustenta toda a criação.

⁠Acorde!
Viver a vida com leveza é ótimo desde que ela não te persuada à acomodação e estagnação.

“Se a pessoa quiser, ela muda.”


E aí está a armadilha…
Não tente transformar quem não quer ser transformado.

A pessoa saudável não ativa o seu medo, ela ativa a sua paz.

Ela não gosta de estar presa em operação pequena.

"A mentira não só tem perna curta como é dedo duro quando ela aponta na língua o sentido vem dando vazao a verdade ocultada."

Agora eu vejo. É preciso um pequeno esforço para ver a face, ela não é velha nem nova, ela transcende o espaço e o tempo. Como é bela, ela não se repete. Ela sou Eu.

Diz pra mão: se abre. Nada. Não diz nada, e ela se abre.

Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!

Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.

Não adianta fugir porque a felicidade não está aqui, nem adiante. Ela é o reconhecimento de si mesma.

A ave que vive de catar o lixo é magnífica. Ela é simples e pobre, como todos os animais. O urubu levanta o pescoço para que eu o veja.

Combatente


A Maya quer me enganar. Por que permite que eu saiba que ela existe? Será mais um dos seus truques? Somos pequenos bonecos diante das ilusões. Para mim a realidade foi construir ilusões. Por isso eu me importo com o pote cheio de canetas e presto atenção em cada taco do parquê. Entre os objetos existe algo. Não é o ar. Existe uma ligação que faz com que brilhem na luz amarela. Eu posso tocá-los com os olhos, posso cheirar uma história. A medida em que eu vou escrevendo os meus órgãos internos se agitam, as vozes agridem os meus ouvidos, a sede repuxa os meus nervos. Alguém que morreu há algum tempo teima em aparecer. Sou eu que estou morto porque vivo de lembranças. E enquanto eu estou aqui teimo em perceber o mundo profundamente, dum jeito que cansa, me faz um soldado, do batalhão da mente, do exército dos insatisfeitos.