Ela
A verdade não precisa de adornos para permanecer viva. Ela nasce simples, reta e limpa, como uma luz atravessando uma janela escura depois de uma longa tempestade. E talvez seja exatamente por isso que incomode tanto aqueles que fizeram das sombras um abrigo confortável para suas próprias mentiras.
- Tiago Scheimann
A educação não transforma apenas a inteligência. Ela molda sensibilidades, organiza o caráter e ensina a alma a caminhar com dignidade diante da vida. Porque aprender não é apenas acumular conhecimento, mas tornar-se alguém capaz de carregar luz suficiente para não se perder na própria escuridão.
- Tiago Scheimann
Nem toda fé nasce da esperança. Às vezes, ela nasce do desespero de quem já esteve tão perto do abismo que somente Deus permaneceu olhando.
Já não temo a tristeza como antes. Hoje compreendo que ela também é uma linguagem através da qual a existência tenta conversar conosco.
Eu conheço a melancolia pelo modo como ela acende as coisas simples: uma xícara, uma janela, um nome antigo, e tudo passa a doer com elegância.
A tristeza mais funda não faz alarde, ela se senta ao lado da alma e a convence de que o silêncio também é um idioma.
Há um tipo de tristeza que não afunda: ela paira, pesada, sobre a rotina, transformando o banal em lembrança de naufrágio.
Aprendi que a dor não pede licença para existir; ela entra, rearranja a casa e, se eu sobreviver, ainda me obriga a agradecer pela mobília que restou.
A solidão não me roubou; ela retirou o excesso de vozes até sobrar a pergunta que realmente importava.
Existe uma tristeza que nem as lágrimas conseguem alcançar.
Ela não grita.
Não quebra nada.
Não pede ajuda.
Apenas se senta em silêncio ao seu lado e passa a morar ali, como se sempre tivesse pertencido àquele lugar.
- Tiago Scheimann
A tempestade nunca foi minha inimiga; minha única batalha sempre foi impedir que ela se tornasse morada dentro de mim.
A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.
Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.
Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.
Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.
É permitir que alguém me ame.
Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.
Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.
Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.
Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.
- Tiago Scheimann
A espiritualidade me interessa justamente porque não elimina a ferida, ela a converte em altar de paciência.
Quando a alma se dobra, a fé não a endireita à força, ela a sustenta até que o peso deixe de ser sentença.
A verdade raramente consola. Ela apenas remove as mentiras que nos impediam de enxergar o tamanho da nossa própria coragem.
O peso da consciência não está naquilo que ela revela, mas na impossibilidade de voltar a ignorar o que foi revelado.
A memória nunca foi um abrigo. É um mecanismo de tortura aperfeiçoado pelo tempo. Ela conserva com precisão aquilo que o esquecimento deveria ter sepultado e elimina justamente o que poderia aliviar o peso da existência. Recordar não é reviver; é morrer lentamente diante daquilo que já não pode ser alcançado. Cada lembrança é um cadáver que insiste em respirar dentro de nós.
Tiago Scheimann
