Ela
"Não a multidão, mas sim a solidão caracteriza a constituição social atual. Ela é abarcada por uma desintegração generalizada do comum e do comunitário. A solidariedade desaparece. A privatização avança até a alma. A erosão do comunicado torna um agir comum cada vez mais improvável."
A beleza e o bom caráter
Ela é relativa
Ele é notável
Ela é demasiadamente apreciada
Ele por vezes é ignorado
Ela movimenta o comércio
Ele conquista pessoas
Ela ilude
Ele inspira
Ela satisfaz o ego
Ele valoriza os princípios
Ela tem milhões de seguidores
Ele persiste em ser seguido
Ela é efêmera
Ele se eterniza
Eu e a minha dor
Eu, intensa, ela também.
Eu, temerosa, ela, tenebrosa.
Eu, pensativa, ela, ofensiva.
Ela é invisível, mas existe, e vem potente.
Ela é traiçoeira, não avisa, apenas surge e me derruba.
Sim, é uma dor minha, uma dor que eu não escolhi.
Se você me olha e me vê aparentemente feliz, não faz ideia de quanto dói aqui por dentro.
E mesmo que você se mostre solidário, jamais entenderá o que eu sinto.
Às vezes sou Frida: “A dor é parte da vida e pode se tornar a própria vida”, outras vezes sou Fiona: “À noite de um jeito, de dia de outro”.
Mas a vida segue e eu escolho ser feliz.
Nota:
Eu faço parte de 3% da população brasileira que é afetada pela fibromialgia, uma condição em que a dor é minha companhia.
No começo eu até pensava: “Tem gente que sente muita dor, pra mim é mais tranquilo.” Acontece que hoje eu passei a fazer parte daquele grupo também e isso me assusta.
É preciso viver um dia de cada vez, mas cada dia vem cheio de dor e angústia.
02/10/25
Mãe
Missão de cuidar
Sem medida, amar
Ela sempre em construção
Mãe
Ensaia a paciência
Descobre resiliência
E aos filhos dá proteção
Mãe
Uma vida a evoluir
Há dissabores a sentir
Mas segue com doação
Mãe
Zelosa se faz presente
Dedica-se intensamente
E resiste à exaustão
Mãe
Sinônimo de afeto e carinho
Com bravura constrói seu caminho
Sua marca é doçura e emoção
10/05/26
Um causo financeiro 💸
Ela tinha apenas 13 aninhos e precisava pagar uma conta na escola, eram algumas rifas da festa junina. 😳
Comentou com uma pessoa a respeito e a mesma disse que poderia emprestar o dinheiro, mas a conta não foi paga no período determinado. 😬
O tempo foi passando e aquela dívida nunca foi esquecida pela devedora. 🫣
Mais de 30 anos depois ela fez alguns cálculos, comparou o valor da época ao salário mínimo atual e chegou ao total de 50,00. ✅
Mandou entregar o dinheiro para a pessoa e somente depois explicou: "Esse dinheiro é o pagamento daquele empréstimo que fiz trinta anos atrás." 😌
"Como assim? Eu não lembro!" - A pessoa respondeu. 🤔
"Mas eu nunca esqueci." - A pagadora respondeu. 🤫
A duas riram muito depois. 😆
Obs.: Aquela menina de 13 anos era eu, e depois daquele dia dormi mais tranquila. (Kkkkkkkk)
Conclusão: Nunca é tarde para pagar uma conta. 🤣
Quem é a pessoa que recebeu o dinheiro? Ela existe?
Simmmm.
27/05/26
70 anos de Maria Eunice Ferreira da Silva (em memória) ❤️
Hoje, 70 ela faria
Caminhando persistente
Seus projetos seguiria
Hoje, com seu amado estaria
Eternamente companheiros
Um amor de primazia
Hoje, seus filhos abraçaria
Em união pela vida
E a família guiaria
Hoje, sete netos ela teria
Diria: “Amores de vó”
De carinho os cobriria
Hoje, os dez irmãos reuniria
Para diálogos e conselhos
Como sempre assim fazia
Hoje é o dia de Maria
Da Eunice, mãe, esposa
Que só nos trouxe alegria
Parabéns, mãe, pelos seus 70 anos! 💕
Tatiane da Silva Santos – 04/06/26 🌻
Aos que hoje estão no alto, convém lembrar: a roda da vida gira. E, quando ela gira, ninguém permanece para sempre no mesmo lugar.
A Casa Vazia
Existe uma casa dentro de cada ser humano. Ela não tem endereço, não aparece nos mapas e não pode ser construída por outra pessoa. É feita de memória, silêncio, desejo e consciência. É o lugar onde a nossa voz ainda é nossa. Quando somos capazes de habitá-la, conhecemos seus corredores, sabemos onde guardamos nossas alegrias, onde escondemos nossos medos, quais portas evitamos abrir e quais janelas deixamos voltadas para o mundo. No centro dessa casa existe uma chama pequena e silenciosa. É ela que nos diz: “Você está aqui.”
O problema começa quando deixamos a porta aberta por tempo demais. Lá fora, o mundo não pede licença. Ele chama, acende luzes, oferece promessas, produz urgências, entrega desejos prontos e mostra vidas cuidadosamente enquadradas. E nós saímos. Primeiro por curiosidade, depois por desejo, depois por hábito, até que um dia percebemos que estamos há tanto tempo do lado de fora que já não lembramos como era estar em casa.
Não fomos expulsos. Essa talvez seja a parte mais difícil de admitir. Nós mesmos fomos nos afastando. Trocamos o silêncio pelo ruído, a presença pela distração, a experiência pelo espetáculo e a própria voz pelo eco das vozes alheias. Começamos a conhecer a vida de pessoas que nunca encontramos, a acompanhar histórias que não são nossas e a reagir a acontecimentos que não podemos tocar, enquanto alguma coisa dentro de nós espera, em silêncio, para ser percebida.
Os espelhos se multiplicam. As telas iluminam rostos, as comparações entram pelas janelas e os sucessos alheios tornam-se medidas para a nossa própria existência. Sem perceber, começamos a perguntar menos “Quem sou eu?” e cada vez mais “Como estou sendo visto?”. Parece uma mudança pequena, mas é profunda. Quando o olhar dos outros se transforma no nosso principal espelho, começamos a construir a própria identidade do lado de fora. E uma casa construída pelo olhar alheio nunca permanece verdadeiramente nossa.
Então precisamos de mais: mais reconhecimento, mais aprovação, mais intensidade, mais alguma coisa que faça silêncio dentro de nós. Quanto mais procuramos, porém, menos encontramos. A casa permanece vazia não porque não exista nada dentro dela, mas porque ninguém está lá para perceber.
O abandono de si não acontece de uma só vez. Ele acontece em pequenas ausências: quando ignoramos aquilo que sentimos, quando dizemos “está tudo bem” sabendo que não está, quando seguimos uma direção apenas porque todos estão seguindo, quando confundimos desejo com necessidade, quando nos distraímos para não pensar ou quando falamos tanto que já não conseguimos ouvir a própria voz. A poeira se acumula, não sobre os móveis, mas sobre a memória de quem somos.
Chega então um momento em que o silêncio assusta. Depois de tanto ruído, ficar sozinho consigo mesmo pode parecer entrar em uma casa abandonada. Mas talvez o silêncio não seja vazio. Talvez seja apenas o espaço onde aquilo que foi abafado finalmente pode ser ouvido.
É ali que começa o retorno. E o retorno não exige grandes gestos. Não precisa de espetáculo, de uma nova vida ou de uma nova versão de nós mesmos. Começa pequeno: sentar, respirar, escutar, perguntar e permanecer tempo suficiente para ouvir a resposta. “O que está acontecendo dentro de mim?” Talvez ela venha baixa, talvez confusa, talvez acompanhada de coisas que preferíamos não encontrar. Não importa. A casa precisa ser reaberta.
Um cômodo de cada vez. Uma lembrança, um sentimento, uma verdade, uma escolha, uma janela. Até que a luz volte a entrar.
E então descobrimos algo essencial: voltar para si não significa abandonar o mundo. Pelo contrário. É somente quando sabemos onde estamos que podemos verdadeiramente encontrar alguém. É somente quando reconhecemos a nossa própria voz que conseguimos escutar outra pessoa sem desaparecer dentro dela. É somente quando conhecemos os nossos limites que conseguimos respeitar os limites do outro.
Uma casa habitada não é uma prisão. Tem portas, janelas e espaço para receber. Escuta o mundo, celebra, ama, aprende e acolhe, mas sabe quem possui as chaves. As paixões podem entrar sem incendiar a casa. As ideias podem entrar sem ocupar todos os cômodos. A opinião dos outros pode ser ouvida sem se transformar em sentença. O mundo pode atravessar nossas janelas sem se tornar proprietário da nossa existência.
Talvez maturidade seja isso: não fechar a porta para o mundo, mas deixar de viver permanentemente do lado de fora.
Precisamos sair. Precisamos experimentar, amar, errar, conhecer outras paisagens e encontrar outras pessoas. Mas precisamos também voltar. Voltar quando o mundo estiver barulhento demais. Voltar quando a aprovação já não bastar. Voltar quando percebermos que estamos vivendo para sustentar uma imagem que não reconhecemos. Voltar quando ninguém estiver olhando. Voltar simplesmente porque sentimos falta de nós mesmos.
Talvez essa seja a verdadeira casa: não o lugar onde nos escondemos do mundo, mas o lugar a partir do qual conseguimos habitá-lo sem nos abandonar.
No fim, não precisamos construir uma nova casa. Ela já existe. Talvez esteja apenas silenciosa. Talvez tenha algumas janelas fechadas. Talvez haja poeira sobre aquilo que um dia foi importante. Mas a chama ainda está lá, esperando.
E talvez ela não diga muita coisa. Talvez diga apenas: “Volte.”
Quando voltamos, percebemos que nunca estivemos realmente perdidos. Estávamos apenas longe demais para ouvir a nossa própria voz.
A porta sempre foi nossa. A casa sempre esteve lá. E a luz nunca deixou de esperar por nós.
Não sou o dono da verdade, assim como nenhum ser humano possa ser.
A verdade não tem dono, ela é a própria essência do unigenito filho do SOBERANO E ETERNO E ALTÍSSIMO PAI CELESTIAL.
Sua graça constrange o meu ser.
E que nada, definitivamente nada, faço por esse dom eterno merecer.
A cadela do fascismo mostrando sempre no CIO, ela gosta de copular também em qualquer lugar onde tenha PÚLPITO e plateia de FANÁTICOS.
Se você parasse de ver o mundo em termos do que gosta ou desgosta e visse as coisas pelo que elas realmente são, você encontraria uma paz maior na sua vida.
(Patrick Jane)
Por que questionamos os porquês da vida se, quando ela nos responde, é porque não há necessidade de perguntar por quê?
A fome da África se tornou um problema grave, desde que todos se manifestaram contra ela mas não fizeram nada. É melhor então que não se manifestem e continuem sem fazer, pois quem sabe assim, dão alguma chance à eles de superarem esse seu sério problema! Ahh... Como é belo esse mundo feliz dos hipócritas!
Efêmera
Porque ela é assim
Sempre foi assim
A gente que enfeita ela
A vida é assim
Crua
Linda
E efêmera
Então é só ser
g.l
"Carrego apenas duas certezas da vida: a de que ela não é eterna e a de que São Paulo será campeão assim que eu lá chegar. Todo o resto é mera especulação."
É curioso como algumas pessoas chegam à nossa vida pela porta mais improvável. Ela chegou entre ofensas, provocações, brincadeiras e aquela vontade infantil de sempre ter a última palavra. Era quase uma disputa, dessas que fazem a gente rir enquanto finge não se importar. E talvez tenha sido justamente assim que ela foi ficando. Primeiro, nas conversas. Depois, nos pensamentos. E, quando percebi, já existia nela um lugar que eu não sabia explicar. Há um carinho que cresce sem fazer barulho. Uma vontade de estar perto que aparece mesmo quando não é chamada. E existe, ainda, essa parte amorosa que, sem pressa, parece crescer um pouco mais a cada dia. Não sei se algumas coisas precisam realmente de um nome. Talvez certas pessoas simplesmente aconteçam dentro da gente, e isso já seja suficiente. Ela, entre tantas coisas, acabou se tornando uma delas — talvez a mais difícil de explicar.
A palavra nasce do silêncio, mas não lhe pertence por inteiro. Ela carrega a matéria do mundo: o peso da pedra, a aspereza da terra, o calor da pele, o rumor das águas. Quando nomeamos, tocamos. Quando escrevemos, deixamos marcas no corpo do tempo.
A memória é uma casa sem paredes. Guarda vozes, gestos, cheiros, caminhos. Às vezes, permanece em uma cicatriz; outras, no espaço vazio de quem partiu. O corpo sabe o que a boca esquece. Cada osso traz um território. Cada passo redesenha a distância entre o medo e a coragem.
Resistir é permanecer sem ficar imóvel. É lançar raízes em solo ferido e, ainda assim, procurar a luz. É transformar a dor em presença, a ausência em lembrança, o silêncio em testemunho. Há palavras que quebram muros. Há silêncios que recusam a mentira.
Somos feitos de matéria e passagem, de ruína e recomeço. O território que habitamos também nos habita: entra pelos olhos, permanece nos músculos, reaparece nos sonhos. Nada desaparece completamente. A terra conserva pegadas. A palavra conserva o grito. O corpo conserva a história.
E quando tudo parece se desfazer, resta a insistência de existir: uma voz baixa, uma mão aberta, um nome dito contra o esquecimento. Permanecer é isso: continuar sendo presença onde quiseram deixar apenas silêncio.
