Ela

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Ela não compreendia esse mundo, e esse mundo não a compreendia. Ela jamais foi parte dele, apenas o habitava. Ninguém nunca soube entender seus versos, emoções e palavras. Ela não pertencia a esse lugar, e esse lugar nunca pareceu ser o seu lar verdadeiro.
- Marcela Lobato

A possibilidade de viver um novo relacionamento amoroso passou brevemente pela minha cabeça, ela voltou (algumas vezes) depois de uns dias... e meu coração sorriu.
Eu pensei tantas coisas a respeito e hoje reconheço que não é meu momento. Porque, muitas vezes, eu me entreguei com a intensidade e a profundidade do meu ser, e fui sobrepondo cicatrizes. Porque cada uma das vezes que eu tentei eu tentei de novo e de novo. Porque cada vez que eu estive em pedaços eu arregacei as mangas e pequei cacos entre uma lágrima e outra.
Cada vez que eu me reergui, eu caí de novo.
E eu tenho certeza de que as (profundas) lágrimas são infinitas.
Eu cansei.
Eu cansei de tentar.
Eu cansei de lutar.
Eu cansei de procurar.

Existe uma dor que não grita… ela fica em silêncio, morando no peito todos os dias.

É a dor de saber que quem você mais ama está em um lugar onde o medo é rotina e a incerteza é constante.

Ter um filho na guerra não é só sentir saudade…
é aprender a conviver com o invisível, com o que ninguém vê, mas que machuca o tempo inteiro.

Mas, junto com essa dor, existe algo que me sustenta: o orgulho.

Orgulho pela coragem dele.
Pela força que eu sei que carrega.
Pelo homem que se tornou, mesmo em meio ao caos.

Eu sinto medo… todos os dias.
Mas também sinto um amor que nenhuma guerra é capaz de destruir.

E é esse amor que me mantém de pé.

Dra. Erica Alvim Lyra

Quando a sociedade entrega o poder nas mãos da elite, ela abre portas para que façam da vida dela um jogo de sobrevivência; nesta disputa desumana, nem todos têm poder aquisitivo para seguir de forma justa.

Ela tem curvas que milhares a invejam e desperta outros milhares de olhares.

E ela não sabe nem metade do que sinto por ela mas também nem eu mesma sei...penso que sentimento quando é de verdade você não sabe definir ou descrever mais difícil ainda é dizer, mas como falar sobre algo que não da pra definir em uma palavra só??? Pensando bem quando definimos algo, automaticamente colocamos um limite nele então vou deixar assim...o importante é que isso que sinto é mágico e me faz muito bem...

“Existir inteiro é a coragem de ser, em qualquer
máscara ou sem ela.”

Quando a resposta se torna imediata, o percurso que leva até ela perde valor. A investigação deixa de ser uma experiência e passa a ser apenas um meio de obtenção de dados.

“Descansar a mente é difícil quando ela está constantemente ocupada com o ciclo de monitorar desempenho e evitar erros.”

Trecho do livro Quando o pai falta: a ferida da ausência paterna e o caminho de maturidade da alma

“A força feminina não é uma força de imposição mas de gestação. Ela se move nas entrelinhas, gera cultura, transmite valores, cuida do invisível. Ela não destrói para vencer. Ela transforma para servir à vida.”

Trecho do livro O despertar da Deusa: as faces do Feminino Sagrado

“A criatividade não exige técnica. Ela exige permissão. Permissão para fazer feio, para errar, para brincar, para sair do automático. O processo criativo não é sobre o resultado, é sobre a liberdade que ele libera em você. Não espere estar bem para criar. Crie para ficar bem. Deixe que a arte (a sua arte) seja a sua medicina.”

- Trecho do livro O centro é você: como se reencontrar no meio da confusão do mundo

Não apresse o rio, ele corre sozinho. Não apresse a alma, ela tem o próprio tempo de florescer.

Ela não voltou mais suave.
Voltou mais inteira.

O feminino nela não era doçura o tempo todo,
era verdade.

E a verdade, às vezes, corta.

Ela cansou de ser medida pelo quanto suportava,
pelo quanto compreendia,
pelo quanto se calava para manter algo de pé.

Isso nunca foi força.
Era ausência de si.

Quando voltou,
não foi para ser escolhida
foi para se escolher.

O corpo mudou de lugar.
A presença também.

Já não se esticava para caber,
já não diminuía para manter,
já não confundia intensidade com profundidade.

O feminino nela deixou de pedir.
Começou a discernir.

E nesse retorno
não houve anúncio,
não houve explicação,
não houve necessidade de ser entendida.

Houve um silêncio firme
de quem sabe onde pisa.

Se alguém ficasse,
seria porque sustenta.

Se alguém fosse,
ela não iria junto.

Porque o retorno dela
não é para o outro.

É para um lugar
onde ela não se abandona mais.

Ela aprendeu a abrir as mãos
não por fraqueza
mas por sabedoria

Já não implora permanências
nem negocia o próprio valor
com aquilo que insiste em ir

A mulher que desapega
entende que segurar demais
é uma forma silenciosa de se perder

Então ela solta
com o mesmo cuidado com que um dia acolheu

Solta memórias que já cumpriram seu papel
solta expectativas que pesavam mais que sonhos
solta pessoas que não souberam ficar

E no espaço que antes doía
ela se encontra

Inteira
presente
leve

Porque descobriu que nada do que é verdadeiro
se desfaz com a liberdade

E que partir
às vezes
é apenas a vida reorganizando o que merece ficar dentro dela

“Sua voz não precisa ser aceita por todos para ser válida. Ela precisa ser habitável por você.”

- Trecho do livro Se você sempre se adapta, em que momento você é você?

Há um tipo de força que não depende de ninguém para existir

ela nasce quando você para de se abandonar para caber em lugares que não te sustentam

não é sobre endurecer o coração
é sobre parar de confundir presença com permanência

nem tudo o que te toca merece te atravessar por inteiro
nem tudo o que chega merece ficar

eu aprendi a me reconhecer antes de ser reconhecida
a me segurar antes de qualquer mão
a me escolher antes de qualquer validação

e isso muda a forma como tudo te alcança

o que não tem verdade escorrega
o que não tem raiz não te derruba
o que não te enxerga inteiro não te desmonta

porque quando existe eixo por dentro
o mundo perde o poder de te fragmentar

Nenhuma influência é neutra, ou ela acende ou ela apaga a consciência.

Desastre


Venha, Deus à terra
deite sobre ela a sua gentileza.
Venha, Senhor depressa
mas Venha de escudo e espada,
de colete e de armas,
pois o tempo é outro
mas a sua criação permanece
contra o tempo e a ordem
contra paz e o amor
sem o próximo e o dever.
Venha, meu Rei à terra
mas prepare-se bem
que mares de novo se erguendo
e a terra vão varrer.
Venha, Omnipotente com cuidado
que a doutrina foi esquecida,
o pão está escasso
e o peixe corre.
O vinho ainda o há
e se acaba
nas veias de outro se escava
a tiro e à facada.
Haver bebida é sobreviver
haver luta é poder.
Venha, Omnipresente venha
proteja-se da melhor forma,
que todo o canto é buraco
e debaixo os ossos,
que antes eram carne viva,
de tão pontiagudos de partidos
usados como armas
nos ferem o pensamento.
Venha, ó Grandioso
e veja a sua arte derreter,
a tinta azul a corromper
e o verde em escassez,
onde a tela é escorregadia
e o brilho não vem do sol
mas dos olhos furtivos.
O cego aprendeu com os olhos enganar,
a criança para a guerra foi brincar,
as mães, porque outro lhes nasceu,
sempre a chorar
e os pais a morrer sem parar.
Líderes se inventam
ninguém os quer comprar.
Só porque numa cadeira se sentam
acham que o Seu mundo podem comandar.
Maldito seja o fruto,
tantos anjos e nenhum impediu,
tantas feras que grandes
dentes tinham
e que tamanhas forças possuíam
a árvore não quiseram derrubar.


Tixa Gomes

“A saudade é uma das manifestações do desejo. E assim como este, ela não é falta, é produção.”
(Aparecido Galindo)

“A fotografia não captura o instante; ela preserva o sentido que o olhar soube reconhecer antes que o tempo o dissolvesse.” - Leonardo Azevedo.