E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
Desacreditado
Há um momento em que alguém deixa de ser apenas questionado e passa a ser desacreditado.
A diferença parece pequena. Não é.
Questionar ainda deixa alguma coisa em aberto. Ainda existe espaço para resposta, para dúvida, para surpresa. Desacreditar é diferente. Muitas vezes, a conclusão chega antes da pessoa.
Ela fala, mas a escuta já começa a se fechar. Tenta explicar, mas a explicação parece vir tarde demais. Tenta de novo e encontra aquela suspeita silenciosa de quem pensa, antes mesmo de ouvir: “eu já sei onde isso vai dar”.
É assim que um erro, pouco a pouco, deixa de ser apenas um erro.
Ele cresce. Ocupa espaço. Ganha memória.
E, sem que ninguém perceba exatamente quando isso aconteceu, passa a representar a pessoa inteira.
Há uma diferença enorme entre dizer que alguém falhou e dizer que alguém é um fracasso. A primeira frase fala de um acontecimento. A segunda transforma o acontecimento numa definição.
Talvez esse seja um dos pesos mais difíceis de carregar quando se é desacreditado: não apenas perder a confiança dos outros, mas perceber que, para alguns, já não existe sequer o direito de ser diferente daquilo que um dia se mostrou ser.
No começo, isso vem de fora.
De um olhar. De uma palavra. De uma comparação. De uma lembrança que alguém insiste em trazer de volta. Vem daquela sensação estranha de que uma versão antiga de nós entrou no ambiente antes da nossa chegada.
Depois, com o tempo, alguma coisa muda de lugar.
A voz que vinha de fora começa a aparecer por dentro.
“Ninguém acredita em mim” pode, quase sem ruído, transformar-se em “talvez eu também não deva acreditar”.
E aí o descrédito se torna mais perigoso.
Porque já não precisa de plateia.
A pessoa recua antes que a rejeitem. Evita tentar para não confirmar aquilo que teme. Cala algumas coisas antes mesmo de descobrir se seriam ouvidas.
Não porque tenha necessariamente perdido sua capacidade, mas porque começou a perder algo mais delicado: a imagem de si mesma como alguém capaz.
Nem todos reagem da mesma maneira.
Alguns se recolhem. Passam a esperar menos de si, dos outros, da vida. Outros fazem o contrário: tentam provar demais, transformam cada gesto numa defesa, cada erro numa ameaça, cada dúvida alheia numa nova acusação. Há ainda quem escolha o desapego como proteção: se eu não esperar nada, pensa, nada poderá me frustrar.
São caminhos diferentes, mas podem nascer da mesma ferida.
O descrédito repetido reduz expectativas. Expectativas menores podem reduzir tentativas. E menos tentativas podem produzir, com o tempo, justamente aquilo que no início era apenas um julgamento dos outros.
A pessoa deixa de arriscar.
Deixa de insistir.
Deixa de imaginar alguns caminhos.
E, anos depois, talvez olhe para aquilo que não aconteceu como se nunca tivesse sido possível.
É aí que a frustração se torna mais difícil de compreender.
Porque ela não nasce apenas do que se perdeu.
Nasce também do que deixou de ser tentado.
Dos caminhos abandonados antes do primeiro passo. Das escolhas recusadas por medo. Das possibilidades que morreram não porque fossem impossíveis, mas porque a própria pessoa passou a acreditar cedo demais que não conseguiria alcançá-las.
Talvez, então, alguns dos frustrados de amanhã sejam os desacreditados de ontem que, pouco a pouco, aprenderam a esperar menos.
Não todos.
Não necessariamente.
Mas alguns.
Sobretudo aqueles que passaram a carregar por dentro o julgamento que antes vinha de fora.
Ainda assim, é preciso cuidado.
Desconfiar também protege.
Nem toda pessoa merece crédito. Nem toda promessa deve ser acolhida. Nem toda segunda chance precisa ser dada apenas porque foi pedida.
Há pessoas que repetem.
Há arrependimentos que funcionam muito bem nas palavras e muito mal nos atos.
Há mudanças anunciadas tantas vezes que acabam se tornando apenas outra maneira de ganhar tempo.
Por isso, desconfiar nem sempre é dureza.
Às vezes, é memória.
Às vezes, prudência.
Às vezes, é a forma que encontramos de não cair novamente no mesmo lugar.
Mas existe uma fronteira. E talvez ela seja mais importante do que parece.
A dúvida pergunta: “será?”
A desconfiança pergunta: “que razões tenho para acreditar?”
O descrédito absoluto já decidiu: “nada será suficiente”.
Um ainda observa.
O outro procura apenas aquilo que confirma o que já pensava.
Um admite a possibilidade de rever.
O outro transforma um episódio em destino.
Talvez seja por isso que desacreditar alguém possa significar mais do que retirar confiança.
Pode significar retirar movimento.
Deixar de admitir que uma pessoa possa reparar, amadurecer, aprender tarde — mas aprender. Recusar a hipótese de que possa fazer diferente, surpreender, escapar da imagem na qual foi aprisionada.
Isso não significa esquecer.
Nem fingir que nada aconteceu.
Nem devolver confiança apenas porque o tempo passou.
O tempo, sozinho, não melhora ninguém.
Há coisas que precisam ser demonstradas. Mudanças que exigem constância. Palavras que só recuperam algum peso quando, finalmente, começam a aparecer nos gestos.
Mas existe um perigo também do outro lado.
O perigo de decidir cedo demais que nada jamais será suficiente.
Porque chega uma hora em que já não estamos apenas tentando nos proteger de uma nova decepção.
Estamos tentando proteger nossa própria certeza de qualquer coisa que possa contrariá-la.
E isso também aprisiona.
O descrédito pode começar como defesa e, devagar, virar prisão para os dois lados: para aquele que perdeu o crédito e para aquele que já não consegue rever o julgamento que fez.
Quanto tempo deve durar um erro?
É difícil responder.
Quanto de alguém deve permanecer preso ao pior que fez?
Não sei se existe uma medida justa.
Quando uma lembrança necessária deixa de ser memória e passa a funcionar como sentença?
Em que momento uma mudança deixa de ser apenas uma fala bonita e começa, de fato, a merecer consideração?
Talvez essas perguntas não tenham respostas fáceis — e talvez não devessem ter.
Há uma tensão que não desaparece: responsabilizar sem congelar, desconfiar sem transformar a suspeita numa identidade, reconhecer mudança sem inventá-la, admitir reparação sem apagar aquilo que aconteceu.
Talvez maturidade tenha menos a ver com saber exatamente quando acreditar e mais com continuar capaz de perceber quando a realidade já não cabe na ideia que fizemos dela.
Porque o descrédito também seduz.
Há nele uma estranha promessa de segurança.
Quem não espera nada imagina que não poderá se frustrar.
Quem não acredita em ninguém pensa estar protegido do engano.
Quem já decidiu que alguém nunca mudará não precisa enfrentar o desconforto de admitir, um dia, que talvez tenha mudado.
Só que toda certeza cobra alguma coisa.
E, às vezes, cobra justamente a capacidade de enxergar aquilo que veio depois.
Ser desacreditado talvez seja uma forma de exílio.
Não exatamente de um lugar.
De um lugar possível.
É entrar numa conversa e sentir que aquilo que você fez anos atrás chegou antes. É perceber que o erro ocupa tanto espaço que quase não sobra lugar para todo o resto. É ser ouvido por meio de uma versão antiga de si mesmo.
E isso cansa.
Cansa ter de explicar.
Cansa ter de provar.
Cansa perceber que, para algumas pessoas, qualquer gesto novo continuará sendo lido por uma lente velha.
Talvez uma parte da reconstrução comece quando entendemos que não controlamos o momento em que os outros voltarão — se algum dia voltarem — a nos enxergar de outra maneira.
Algumas confianças não serão recuperadas.
Algumas portas não se abrirão novamente.
Algumas pessoas preferirão guardar para sempre a versão de nós que conheceram num momento ruim.
E há pouco que possamos fazer sobre isso.
Mas existe uma parte que não deveria ser entregue.
A própria identidade.
Porque perder o crédito de alguém não é a mesma coisa que perder a si mesmo.
Talvez a última resistência do desacreditado seja justamente essa: não passar o resto da vida tentando provar alguma coisa para todos; não transformar cada gesto numa defesa; não viver permanentemente diante de um tribunal imaginário, esperando uma absolvição que talvez nunca venha.
Talvez seja apenas continuar.
Com mais consciência.
Com menos ilusões.
Talvez com algumas cicatrizes.
Mas continuar.
E conservar dentro de si a chance de ainda se tornar alguém que nem o próprio passado conseguiu prever.
Porque ninguém deveria ser obrigado a coincidir para sempre com o pior momento da própria história.
Talvez exista uma liberdade pequena, quase silenciosa, nisso.
Seguir em frente sem exigir que todos voltem a acreditar.
Sem implorar que esqueçam.
Sem negar aquilo que aconteceu.
Mas também sem permitir que o descrédito dos outros tenha autoridade para escrever a última frase sobre quem ainda podemos ser.
O INVENTÁRIO DE NÓS
Por Marco Arawak
Há períodos da vida em que parece que alguém entrou em nossa casa enquanto dormíamos e mudou algumas coisas de lugar. Tudo continua reconhecível, mas já não encontramos facilmente aquilo que procuramos. Uma lembrança surge onde não deveria estar. Uma ausência ocupa um espaço antes insignificante. Uma antiga certeza perde a posição que tinha dentro de nós.
Talvez o desencanto comece assim: não como uma ruptura, mas como a percepção de que aquilo que sustentava nossa maneira de compreender o mundo já não permanece intacto.
A casa continua de pé.
Somos nós que já não sabemos exatamente como habitá-la.
Carregamos conversas, escolhas, desilusões, expectativas frustradas e vínculos que mudaram de forma. Nem sempre sabemos imediatamente o que fazer com tudo isso. Algumas lembranças permanecem próximas; outras tentamos esconder. Mas aquilo que não nomeamos continua participando de nós, às vezes de maneiras que só percebemos muito tempo depois.
A memória também tem seus quartos sem luz.
Por isso, chega um momento em que precisamos examinar o que carregamos. Não para transformar cada experiência em ensinamento, nem para encontrar uma explicação para tudo, mas para distinguir o que ainda nos pertence daquilo que mantemos apenas porque nunca paramos para escolher.
Há coisas que permanecem conosco sem jamais terem sido escolhidas.
Aceitar que certas relações se afastaram, que alguns projetos terminaram e que nem tudo pode ser corrigido pela nossa vontade não significa considerar justo o que aconteceu. Significa reconhecer os limites do nosso controle e começar a fazer as pazes com aquilo que não podemos modificar.
Nem toda ausência pede preenchimento.
Algumas pedem apenas reconhecimento.
Talvez escrever seja uma maneira de realizar esse inventário. A palavra aproxima o que estava confuso, dá contorno ao que permanecia sem nome e nos permite olhar para uma experiência sem aumentá-la nem diminuí-la. Escrever não muda o que aconteceu. Muda, às vezes, o lugar de onde conseguimos olhar para o que aconteceu.
E há coisas que só se tornam compreensíveis quando encontram linguagem.
Reorganizar não é apagar. É escolher o que merece permanecer perto, o que pode ser guardado mais longe e o que já não precisa ocupar nossa atenção.
Algumas lembranças permanecem.
Outras perdem a centralidade.
Não porque tenham deixado de existir, mas porque deixaram de governar.
Há sentimentos que precisam ser compreendidos antes de serem deixados para trás. Há vínculos que encontram outra forma de existir. Há portas que, depois de algum tempo, já não precisamos manter abertas.
Nem tudo o que se fecha precisa ser lamentado como perda.
Às vezes, fechar também é uma forma de cuidado.
Maturidade talvez tenha menos relação com esquecer do que com aprender a distribuir o peso do que vivemos. O desencanto pode permanecer na história sem determinar quem somos. Uma ausência pode ser reconhecida sem transformar-se em vazio permanente. O passado pode continuar verdadeiro sem ocupar sozinho o presente.
O que aconteceu não precisa desaparecer para deixar de ocupar o centro.
Também precisamos, às vezes, do silêncio. Não necessariamente para encontrar respostas, mas para escutar aquilo que o ruído costuma encobrir. Quando diminuímos a pressa de corresponder às expectativas alheias, algumas perguntas começam a aparecer.
É curioso como, quando tudo silencia, certas verdades fazem menos barulho e dizem mais.
O que ainda faz sentido?
O que mantenho apenas por receio de perder?
O que realmente pertence à minha história?
Nem sempre encontramos respostas. Algumas perguntas permanecem conosco durante anos, mudando de significado à medida que nós também mudamos. Mas perguntar já altera alguma coisa. Devolve à consciência aquilo que o hábito havia decidido por nós.
Há perguntas que não querem uma resposta imediata.
Querem tempo.
Talvez coragem seja justamente isso: não viver sem receio, mas não permitir que ele escolha sozinho o que permanece.
O receio pode bater à porta.
Não precisa receber as chaves.
Não somos obrigados a transformar toda despedida em explicação, nem todo encerramento em começo. Algumas coisas simplesmente terminam. E talvez precisemos apenas reconhecer que existiram.
Nem todo fim precisa de uma última palavra.
Às vezes, o silêncio é a única forma honesta de encerrá-lo.
No fim, continuar não significa reconstruir quem éramos antes. Há experiências que mudam nossa maneira de olhar, de escolher, de permanecer e de partir. Depois delas, a antiga disposição das coisas já não volta exatamente ao lugar.
Então aprendemos a viver de outra maneira.
Não necessariamente mais fácil.
Apenas mais nossa.
Talvez seja essa a parte mais silenciosa do amadurecimento: compreender que também somos feitos das escolhas que fazemos diante do que nos aconteceu.
O passado nos oferece matéria.
Mas não deveria escrever sozinho o que somos.
Esse é o verdadeiro inventário de nós: o que recebemos, o que nos atravessou, o que deixamos partir e o que, conscientemente, decidimos conservar.
Nem tudo merece permanecer.
Nem tudo precisa ser esquecido.
Há uma diferença entre carregar uma lembrança e continuar vivendo dentro dela.
No fim, não somos apenas o conjunto do que nos aconteceu. Somos também a maneira como damos destino ao que aconteceu.
E talvez seja justamente aí que alguma coisa se abre.
Não uma resposta.
Não uma promessa.
Apenas a possibilidade de continuar, levando conosco aquilo que ainda reconhecemos como nosso e deixando para trás, sem culpa, aquilo que já cumpriu o seu tempo.
Porque, às vezes, amadurecer não é acrescentar mais alguma coisa àquilo que somos.
É finalmente saber o que podemos deixar de carregar.
" É preciso perder para aprender a ganhar. Aqueles que somente ganham - ou somente ganhando querem viver - não sabertrão como portar-se nem como suportar-se, tempouco como encontrar suporte para os cortes que as perdas fazem acontecer".
" Quando buscamos adaptar o mundo e as pessoas aos nossos padrões pessoais de realidade e verdade, sem estarmos alinhados com uma postura humilde, corremos o risco de cometer grandes equívocos. (...) As diferenças são um recurso divino, capazes de enriquecer a experiência do ser espiritual em direção à plenitude."
A forma perfeita, de desvendar um mistério ou algo oculto. É arriscar sua própria pele, mas assegure-se de sempre estar com uma opção de fuga.
Mas o homem é como certas aves domésticas, que podem estar presas em galinheiro ou viveiros enormes, mas forçam sempre as portas e, encontrando saída, mesmo para um mundo menor e absolutamente ignoto, tem por desejo único fugir, escapar.
Os dias sem ela são cinzentos, geralmente, eu costumo ficar chorando de saudades e me perguntando: “O que teria acontecido se eu não tivesse feito aquilo? A gente ainda taria junto?”. Mas a gente é assim, daqui a pouco tá junto de volta, como se nada tivesse acontecido. É estranho, nunca tive algo parecido com ninguém, ela é especial. Eu sei que sou orgulhoso demais, mas tem algo nela que… me faz ir correndo atrás, isso me deixa confuso. Ela me mudou de todos os jeitos, em tão pouco tempo, coloriu meu céu, secou minhas lágrimas muitas vezes, me deu colo, conselhos. E ah, o cafuné dela é o melhor. Ela é linda, linda, linda, de todo jeito, com cara de sono, com cara de assustada, de todo jeito mesmo. Eu amo ela de um jeito torto, errado e confuso. É realmente estranho a nossa relação, nunca vi algo parecido. Nós somo um tipo de “amorizade”, somos como nos filmes, brigamos, ficamos de mal, fazemos birras, sentimos saudades, rimos um da cara do outro e estamos se amando de novo. Confesso que eu perderia o chão sem ela, não vou falar que não ia conseguir viver sem ela, eu até conseguia, mas não ia viver direito. Espero um dia nunca perder ela, porque se eu perder, até eu sei, eu me perco também.
Nada a fez desistir de uma atividade que, se de inicio foi um meio de vingar-se da vida, logo virou sua razão de ser.
O destino trabalha em uma constante! É uma bola de neve que só para de rolar e crescer, quando encontra o “final da linha”.
Aprendi na Vila Militar, no 1o.GCan90AAé, unidade do Exército Brasileiro - Primeira Região Militar, que "Ordem dada, ordem cumprida" - duro de absorver, pois nem sempre pode ser assim. Os tempos mudaram. Novos tempos chegaram e missão dada, depois de bem emanada e pensada, deve ser cumprida, dentro do possível!
Eu sonhei um sonho
Houve um tempo em que os homens foram gentis
Quando suas vozes eram macias
E suas palavras convidativas
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era entusiasmadora
Houve um tempo e tudo deu errado
Eu sonhei um sonho, dias atrás
Quando a esperança era grande e a vida valia a pena
Sonhei que o amor nunca morreria
Sonhei que Deus seria bondoso
Então eu era jovem e sem medo
E sonhos foram realizados, utilizados e desperdiçados
Não houve preço a ser pago
Nenhuma canção não cantada nenhum vinho não saboreado
Mas os tigres vêm à noite
Com suas vozes macias como o trovejar
Como se eles acabassem com sua esperança
Enquanto eles transformam seu sonho em desgraça
Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele preencheu meus dias com infinitas maravilhas
Ele alcançou minha infância, com seus largos passos
Mas ele foi embora quando o outono chegou
E ainda sonhei que ele voltaria para mim
Que iríamos viver nossos anos, juntos
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades não podemos resistir
Eu tive um sonho de como minha vida seria
Diferente deste inferno que estou vivendo
Agora é diferente do que parecia
Agora a vida matou o sonho que sonhei
O sonho, o sonho que sonhei
O instante de um raio de luz atravessando as trevas era para ela a criação cotidiana do mistério da vida.
"Eu sou budista por que creio em minha fraqueza. Eu sou cristão por que confesso minha fraqueza. Eu sou judeu porque rio da minha fraqueza. Eu sou muçulmano porque combato minha fraqueza. E sou ateu se Deus é todo-poderoso."
Você não é Lisbeth Salander, aquela que corrige os erros? A garota com a tatuagem de dragão? A garota que machuca homens que machucam mulheres? Todas aquelas mulheres sortudas. Você se lembra daquela manhã? Por dezesseis anos eu estive te observando. Por que você ajudou a todos, menos a mim?
Estou cansado, chefe. Cansado de estar na estrada, solitário como um pardal na chuva.
Cansado de nunca ter um amigo para me dizer aonde vai, de onde vem ou por quê.
Principalmente, estou cansado de às pessoas serem ruins.
Estou cansado da dor que sinto e ouço no mundo todo dia.
É muita dor!
São pedaços de vidro na minha cabeça o tempo todo...
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