Durma bem meu Anjo
Nos murmúrios do vento, domino o silêncio,
Ecoa a brisa da saudade no meu peito. Trago comigo das eras a missão do poema, a urgência grávida de erguer pirâmides no teu ventre.
Anseio salivar a tua doce presença,
Entre ruínas de versos e desejos insatisfeitos.
Ninguém me ensinou a ser tolo, a girar como uma roda de um moinho, mas espreito pelas costuras da vida, à procura dos peixes, dos arco-íris que brilham nas tuas pálpebras, como uma criança abandonada.
Tenho asas e não voo, guelras e só respiro por meio das palavras, dos verbos.
Nos teus peitos cravei estacas para marcar os campos da fome, os limites das baías tristes dos teus cabelos, onde naufrago como um cacto no deserto.
E nas falésias, uno-me às marés e aos ventos, como as antigas caravelas extintas do meu país.
Nem sereias, nem canções, nem moradas, nem lamentações.
Ser poeta é definhar a cada dia, envenenado como um gato vadio que se espuma pelas ondas.
Quem nunca...
A lua me guia
Andando pela rua escura
A lua ilumina o meu caminhar
Meu caminho até você
Apenas a lua entende meus sentimentos
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Vou seguindo e contando os passos
Até chegar a você
Meus sentidos já não fazem mais sentido
Palavras já não ecoa pelo ar
Apenas me de a Lua
Meu presente maior para você
Meu desejo único para você
Meu maior Presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Me de a Lua
Meu maior presente (Para você)
Fazem filmes com roteiros mais vergonhosos que o meu, e o público ainda os assiste.
Vergonhoso?
A existência em si é sempre vergonhosa, não sabia disso?
O fato de que respiramos e vivemos é vergonhoso.
Continuar a viver e comer é vergonhoso, e ser dito que é uma vergonha é vergonhoso.
E o que diabos há de errado em ser vergonhoso? É algo para se morrer?
Não consegue viver atrás da vergonha, você não pode aceitar, não é?
Mas eu não morrerei porque estou envergonhado, e é porque sou o vencedor, entendeu?
Viverei sendo pisado pelas pessoas, ouvindo elas falarem coisas horríveis do trabalho que escrevi, e vou viver envergonhado até a morte, então me deixe em paz!
Como uma sina causada pelo meu cruel destino fico a temer a escuridão das noite que vem pausando meus pensamentos. E sobre a terra o que só vejo é o escucer. Torturas é o que das noite espero. Não a o que fazer. Nem como das lembranças mágoas e tristezas me esconder. E assim as noites que inunda de amargura todo meu ser. Não tem sequer o clarão da luar pra me alegrar. Assim as noites se tornaram monstruosas sobre este que não suporta mais padecer. E como se fosse a noite divinamente pura nostalgia me embriago. Não tem porquê se lamentar mais. Porquê ninguém vai ouvir meus lamentos. Então as noites sombrias em plena escuridão me jogo e a torno minha única a companheira. Noite que me trás dor que se transforma em escrupulas tortura. Não aguento. Mais e a noite que já se faz imtensa esperando o meu triste soluçar. Soluços que engulo nas terrível noite escura. Apenas só me resta uma pergunta. Por que se fez assim tão escura diante de mim. Buscando apenas tristezas sem fim. Esqueço as lembranças saudades. Por que eu sei donde vem. Vem de ti. Vou me entregar a mais esta noite. Talvez eu possa me esquecer de mim. E nunca mais saber quem sou e nem de onde eu vim. Restando apenas noites escura sobre mim.
Jose A Nascimento
Deixa-me prova meu amor a ti. Me deixando livre pra ir em todas direções. Mais sempre retornando a um coração onde só tenho amor pra entregar
Jose A Nascimento
Tão breve..
Tão rápido..
Assim se fez presente
Assim se foi..
Foi carregado meu sorriso,
Em pouco tempo todo sentimento...
E se fez feliz por uns momentos..
Se tornando lembrança e dor..
Dia do Irmão
Hoje é dia do Irmão
Quem divide a vida comigo
Que levo no meu coração
E que é meu melhor amigo
Por vezes nós brigamos
Ou ficamos sem se falar
Mas é quem amamos
E podemos até a nossa vida dar
Existem os irmãos biológicos
E aqueles do convívio familiar
A quem queremos bem, é lógico
E temos afeto para compartilhar
Para ser bem comemorado
Esse dia, hoje nós vamos
Dar um abraço bem apertado
E dizer: Irmão eu te amo!
O meu mundo se acabou por alguns milésimos de segundo. Cheguei ao ponto de jogar tudo para o alto e dizer chega. A minha sorte é que continuei, e olha onde cheguei!
Florilégio
Sou uma pessoa
muito simples.
Meu único luxo
é ler Cruz e Sousa
e Murilo Mendes
no original.
Cantiga de caminho
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
sei rezar latim pro nobis
sou primo do preto Brás
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
vou vivendo como vivo
faço o que ninguém mais faz
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sei somar zero com zero
e ainda divido por dois
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sempre que posso eu passo
o carro à frente dos bois
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
sou rosa e pedra no caminho
sou capaz de guerra e paz
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
dou volta e meia no mundo
e o mundo não acaba mais
Álbum de família
Meu pai viu Casablanca três vezes (duas
no cinema e uma na TV). Meu avô
trabalhou na boca da mina. Meu bisavô
foi, no mínimo, escravo de confiança.
No dia do meu Enterro -
No dia do meu enterro
quero que os sinos se calem
minha vida é um erro
não quero que a dobrem.
No dia do meu enterro
quero silêncio na rua
na verdade que encerro
minh'Alma irá nua.
No dia do meu enterro
não quero luto nem pranto,
quero a morte, primeiro,
só depois algum canto.
No dia do meu enterro
irá meu corpo a passar
e nesse instante certeiro
minh'Alma a voar.
Abismo Profundo -
Em meu corpo que dia a dia se levanta
levo o negro de uma roupa que vesti
levo o peso da mágoa de quem canta
na loucura destes versos que escrevi...
Tanto que meu corpo em silêncio te falou
mil versos meu punho em tantas folhas te escreveu
fui aquele que um dia pela vida mais te amou
perdido nos abismos desse amor que era só meu!
Tinha no meu peito o teu amor! Quem mo roubou?
Quem pisou a dor destes versos desfolhados?
Meu lamento, minha taça, meu sangue envenenado ...
Afinal o que tenho e o que sou?!
Sem ti que faço?! Nem sei aonde vou...
Vou sem vida, pela vida, mal amado.
Espectros -
Desde a hora em que em meu peito entraram versos
que nunca mais a paz em mim pairou
e na loucura de poemas controversos
meu destino desde então se consagrou!
Mas foi loucura ter aberto o coração,
o mundo não me entende, sou cravo num canteiro
que procura água na secura, solidão,
num jardim de rosas em Janeiro!
Assim é a vida destes seres sonhadores,
diferente, num mundo imenso e abissal,
onde nada nem ninguém acolhe as suas dores ...
Homens livres, na verdade, sem sorte,
vencidos na vida, afinal,
destinados a triunfar depois da morte!
