Dormir em seu Colo e Morrer em seus Bracos

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Toda civilização jurídica carrega vestígios de seu passado e sementes de seu futuro.

Nenhum direito existe isoladamente quando seu exercício produz dano injustificado a terceiros.

Quando a razão adormece, o dogma começa a falar em seu nome.

Uma consciência livre não precisa negar Deus para recusar que alguém fale em Seu nome.

A publicidade aprendeu a falar com o desejo antes que a razão tenha tempo de lhe perguntar seu nome.

Nenhuma mercadoria é inteiramente material: parte de seu preço reside na história que aprendemos a contar sobre ela.

A omissão é a retórica silenciosa pela qual uma verdade pode ser preservada enquanto seu sentido é cuidadosamente deformado.

A personalização é a promessa de uma comunicação feita para cada indivíduo; seu risco é transformar cada indivíduo em objeto de uma estratégia que somente o sistema conhece.

No Brasil, a ciência pode investigar a origem do universo, a religião pode perguntar por seu significado, o Direito pode proteger ambas e o agnosticismo pode permanecer diante do mistério com a única certeza que lhe é permitida: talvez ainda não saibamos.

Uma crença religiosa pode sobreviver à ausência de prova científica porque seu fundamento pode ser metafísico; uma alegação científica não pode reivindicar o mesmo privilégio quando se apresenta como empiricamente verificável.

Quando a religião pretende governar o Estado, a liberdade de consciência começa a perder seu território, sobretudo para aqueles que não conseguem afirmar como certo aquilo que outros afirmam como revelado.

O poder do tirano termina quando seu corpo desaparece; o poder daquele que morre por uma convicção pode começar justamente quando já não possui corpo para defendê-la.

A razão pode iluminar os mecanismos da existência, mas não necessariamente seu fundamento; quanto mais avançamos na explicação do mundo, mais percebemos que compreender como algo acontece não equivale a descobrir por que há algo para acontecer.

O homem talvez não seja senhor do ser, mas seu mais inquieto guardião, condenado a escutar aquilo que jamais consegue possuir.

O homem possui coisas, mas jamais deveria permitir que as coisas se tornassem a medida de seu próprio ser.

O homem começa a tornar-se livre quando percebe que nenhuma autoridade externa pode pensar em seu lugar.

Não é a duração da existência que determina seu valor, mas a qualidade das perguntas às quais a consciência se dispõe a responder.

A educação pode começar como disciplina, mas seu verdadeiro resultado aparece quando o conhecimento deixa de ser obrigação e se transforma em hábito de pensamento.

Uma paixão começa a perder seu domínio quando a consciência deixa de apenas sofrê-la e passa a compreender as causas que a produziram.

A propriedade nasce, em Locke, da relação entre o indivíduo, seu trabalho e aquilo que a natureza disponibiliza, estabelecendo uma conexão entre esforço, apropriação e responsabilidade.