Dor Exceto quem as Sente
A verdadeira compaixão não busca plateia, nem transforma a dor alheia em espetáculo; ajuda em silêncio, porque sabe que a dignidade vale mais do que a exibição de um ato.
ANTES DA DOR
Autor: Góis Del Valle
Quando tudo ao redor desmoronar,
E a vida parecer te abandonar,
Quando a esperança for só um eco,
E os teus sonhos começarem a sangrar…
Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.
Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!
Quando os aplausos forem ruínas,
E as certezas se partirem ao meio,
Lembra que o amor que te sustenta
Não se apaga ao sopro do medo.
Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.
Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!
AO CALVÁRIO
Autor: Góis Del Valle
Ao Calvário, em passos lentos,
sombra e dor, Sobre os ombros,
a cruz a pesar. No olhar, um mar
de amor, mesmo ao ver a noite
chegar.
Gritos ecoam, pedras no chão,
O açoite rasga a pele em vão.
Mas Ele segue, sem recuar,
Cada ferida, um novo altar.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
Oh, meu Senhor, teu fardo era meu,
Cada espinho rasgava o céu.
Mas em teu olhar, havia a paz,
Que fez do fim, um renascer…
A casa que partiu
Há uma dor que só a família entende,
uma dor silenciosa
que se reparte entre olhares e lembranças.
É a saudade que chega devagar,
mas pesa como o tempo
quando percebemos
que alguém levou consigo
um pedaço de nós.
É a ausência
de quem era o centro da mesa,
de quem unia os caminhos,
de quem fazia da simples presença
um lar inteiro.
Nós voávamos pela vida,
netos, filhos, cada um em sua estrada,
mas sempre havia um caminho de volta.
Voltávamos nos aniversários,
nos Natais iluminados,
ou quando a saudade apertava o peito
e o coração pedia abrigo.
Porque sabíamos
que ali estava nossa casa.
Hoje ainda queremos voltar…
mas o silêncio tomou o lugar da voz,
e o tempo levou embora
quem era o nosso porto seguro.
Agora entendemos:
não era apenas um lugar
que nos fazia voltar.
Era você
que transformava tudo
em lar.
Bradou, bradou!
Da dor virou marca.
Este momento começou,
Grande é o canto em Harpa.
Não há mais o agora,
Fugiu a razão e foi embora.
Onde o encontrarão?
No mais inútil canto de um coração.
Beldade da existência,
Inquietante é a sua ciência.
Ser o elo entre a dor e o ser,
Na amarga rotina de viver.
Genial é um inseto.
Voa pelos ares incertos,
Não há preocupação,
Apenas resta a quietude de não saber o que sentir no coração.
Dor dilacerante do existir,
Buraco ao qual não vai extinguir.
A lança do pensar,
A nota de pesar.
Tal qual um sonho,
Doeu, suponho.
Ali está o eu,
Muitos dizem que morreu.
A mitologia da felicidade,
Tudo se fez vaidade.
Aqui faz uma mente,
Já se foi aqui o presente.
O diário de de um homem fiel,
De suas ideias ele virou réu.
A condenação eterna do pensar,
O cérebro corroeu o bem-estar.
É muito fácil julgar
Quando a dor não bate no seu peito,
Quando o problema não tira o seu sono
E o silêncio não machuca por dentro.
É fácil ouvir uma história
E achar que sabe de tudo,
Difícil é enxergar
O que ninguém teve coragem de contar.
Quero ver defender na ausência,
Quero ver estender a mão sem interesse,
Quero ver falar palavras
Que levantem alguém do chão.
Porque abraço também fala,
E às vezes o carinho mais bonito
É aquele que não faz perguntas,
Só permanece ali.
Tem dias que a gente não quer conselho,
Não quer resposta,
Não quer lição.
Só quer alguém disposto a ouvir.
Somos humanos.
Erramos sem perceber,
Escolhemos caminhos difíceis
Tentando sobreviver ao que sentimos.
E talvez o mundo fosse mais leve
Se as pessoas julgassem menos
E acolhessem mais.
Pressentimento ruim,
Breve virá o fim,
Dor de dilacerar um rim,
O mental é o estopim.
Nada mais resta fazer,
Dor e lágrima a cozer,
O caminho a escurecer,
Olhos a esmaecer.
Criminosa solidão,
Domina o coração,
Caiu o próprio sermão,
Veio o apagão!
O maior milagre não é passar pela dor sem cair… é continuar tendo um coração bom depois de tudo o que tentou endurecer a gente.
Superar não é esquecer de repente.
Às vezes é apenas conseguir lembrar sem que a dor machuque do mesmo jeito.
Por mais que a dor não passe, a perseverança tem que permanecer.
A meta, é tentar todos os dias, e não desistir da vida, embora que por mais que as vozes do além insistem em dizer dentro de sim, e ecoe cada vez mais forte, dizendo que não vale a pena mais viver!
Deus nunca desistira de Nós 🙏
Eis que se dizia que tenho uma dor que não cabe em mim, é pesada e me faz sofrer. Todos os ecos se escondem e me acusam de comer miséria, se me tenho curvada com o rosto sério. Isso se dizia no passado, pois a alma conhece atalhos e tecem uma longa colcha de retalhos. Há no mundo todos os espaços, hora de sofrer e momento de se fazer renascer. Benditos sejam o céu e o mar, se estou feliz e inteira, e nenhuma sombra se faz sorrateira. Mas a dor tem também sua beleza de pérola, ao olhar o mundo sem prazer. E mais real se faz a sua observação. Pássaros são poemas que o voo escreve no céu. As árvores e suas grandes sombras se fazem frágeis quando são cortadas e se transformam em papel, onde escrevemos amenidades de afazeres urgentes da cidade, nas salas burocráticas. Persistem outras árvores, cujas raízes estão na densa terra vermelha. E se fazem altiveiras em sua longa jornada de crescimento. E mais abunda na cidade o cimento seco e árido e não há gratidão se folhas negras não alcançam o chão. A lua cheia se ergue em esplendor e a quietude de sua luz povoa o silêncio delicado e se escrevem versos oníricos na expressão da tarde, que deixou na pele vertiginosas alteridades. E o ser não se cabe e como os cãos latem para a lua em fotos cruas que mais banalizadas se faz do que um indigente que colhe aquilo que sobra. Um louva-a-deus se encontra no nariz de um homem que dorme sobre a luz do luar e é sempre um bom presságio entre colinas e planícies, que sustenta o chão de um grão levado pelo vento alheio que se faz certeiro ao procurar o dia e acrescentar cores nas palavras em poesia. Vive-se em estado de fantasia se cada olhar descortina uma nova realidade. E o mundo se faz vasto, nas longas horas dos vagalumes que bricam de aparecer e se esconder, em sua luz verde e um anônimo se deita na rede sem pensar em nada, e a paz se faz calada. O vento canta nos galhos das árvores e amanhã teremos alvorada e novas cores pintam os olhos de então, que se demoram em grande contemplação.
Buscar a cura é ter coragem de enfrentar a dor mesmo depois do perdão, resgatando o amor-próprio, a paz e o autocuidado.
Quando o homem tirar da criança a inocência, da fruta seu sabor e da carne sua dor, a essência da vinda se findou.
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