Do nada
Nada como aprender a olhar as pessoas como se elas não tivessem defeitos... como se não tivessem cor...
COLEÇÃO
Minh’alma nada mais é do que uma colecionadora de sentimentos
Mas só coleciono os bons!
Vez ou outra quando lá fora está nublado
Quando nada dá certo
Deito e deixo que as pálpebras pesem
Não de sono,
Ou de tristeza
É só vontade de sentir a felicidade
É vontade de reviver o que foi bom
O que está intacto num cantinho secreto
Onde somente a mim é possível chegar
Acredite, possuo tesouros de valores inestimáveis
Sou repleta de pedaços
Ainda bem que Deus me deu a poesia
Esse jeito visceral de sentir
De tocar
De ser
De doar
De olhar para o nada e tudo ver...
Não custa nada acreditar em dias melhores, em uma vida feliz, em amor correspondido e amizade sincera. Vivo num conto de fadas onde eu construo meu mundo, meus dias e amores. Para mim tudo sempre dará certo. Já me queixei muito da vida, mas cá entre nós o passaporte para a felicidade será sempre fechar os olhos, respirar fundo, contar até três, saltar e acreditar que tudo passa e que dias melhores virão se você assim desejar, é claro!
Eu sempre acredito, sempre mesmo!
O silêncio da espera é o retumbante barulho da alma. Nada a fazer a não ser observar e aprender para enfrentar com prudência e determinação os desafios da vida.
Me afastei pra me auto querer, para que eu pudesse perceber que não preciso de mais nada além de mim para me fazer tão feliz quanto eu posso fazer. Talvez um dia você possa voltar ao meu lado
Para não mais ser parte de mim, mas sim excedente.
Nada q é cômodo te favorece
Busque sempre andar contra o que te estaguina em uma monotonia
Ou contente-se por almejar coisas e não poder tê-las.
O MEU POEMA MAIS CURTO - o primeiro
Plantei uma árvore.
Sem enxada.
Não precisei de mais nada.
A não ser as mãos.
E a árvore.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 14-10-2022)
A quem sabe, nunca esquece.
A quem não sabe, não esquece nada, porque nunca soube nada para esquecer.
O HOMEM DO POEMA
Sempre que escrevia, agoirava:
Não vale nada!
Que poesia mais chanfrada!...
Talvez namoro ou derriço,
Ou grito agudo de lamento
Daqueles que a alma vomita
Numa sensata heresia,
Enquanto lhe resta tempo?...
Mas quando o poema nascia
Na transpiração suarenta
Do corte da placenta
Do filho que foi dado à luz,
Entre coxas de sofridão,
Na mais completa escuridão
Onde só se via a cruz,
O homem chorava então,
Já não agoirava e dizia:
Eis a minha poesia
Tão modesta, tão pequena,
Saída da minha pena...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)
ANO NOVO BEBEDEIRA VELHA
Nada de novo, após o velho.
Esta história é uma charrua
Que revolve a terra pelos ares
E tantos mares,
À procura de outros semeares
Nos plantares,
Consoante a lua.
Tudo é incerto, na certeza
Das águas brotadas
Nas correntes dos sentidos,
Quando acordamos palhaços
Na tesura dos fluídos
Naquela expulsão dos mijos
Pelos álcoois ingeridos
Na madrugada da manhã,
Em vinganças
Sem esperanças
No elã.
É aí que pensas nas parecenças
E dos vícios
Que foram os suplícios
De gentes do lado de lá.
Vá,
Sossega e toma um chá
Que te limpe
Das infusões da vide
E pendura a cabra num cabide.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-12-2023)
SANGUES
Sangue, o puro, nem sempre é verdade
E até pode ser nada no conceito da idade.
Por vezes, pancadas tantas,
Nas espancas,
Que a gente leva,
No rosto,
De um mosto
Que quer renascer no vinho
Aguado,
Porque não foi pisado.
O sangue falso,
É como uma bola
Que não rola,
Uma gaveta fechada,
Ou um rico a pedir esmola
Às putas tristes da estrada .
Ou uma prisão sem grade,
Um amigo, só de metade,
Um rei, a limpar retretes
E ovos sem omeletes.
Triste mundo de falsidade,
Onde só impera a vaidade
Nos ditos tão instruídos,
Que esquecem os amigos
De verdade,
Por troca de outros fluídos.
Estão na moda os deletes
Que trincam erva e chicletes
E já não há mãos de fada,
Só línguas de alfinetada,
Enfim: Não há amizade,
De verdade,
Nem nada!...
(Carlos De Castro, in Há Um Triste Livro Por Escrever, em 25-03-2024)
Que a gente nunca se abandone por nada, pois o que era tudo pode ser uma mentira.
Escrita para viver.
