Dizer Adeus com Vontade de Ficar
Estar só NEM SEMPRE implica em estar sozinho, pode ser aquele tempo que VC separa pra ficar com VC.
Insta: @li.fer.nanda
Não dá pra ficar esperando o vento soprar para levar as coisas ruins, para te empurrar para frente, para limpar o caminho. Se houver a calmaria, reme, corra, varra você mesmo os seus dissabores. Não se acomode com o que não te acrescenta, não acumule dores e nem sonhos, esperando que algo aconteça. Se jogue e dê movimento a sua vida, isso vai exigir um pouco mais de você, mas nada melhor tomar o controle e ser o condutor da sua própria vontade.
à vontade
fico
mas se
só se
pra ficar mais um pouco
tomo todas mezinhas então
melhor seriam todas paratis
para mim
receita do esculápio
não do piu
mas para...
me deixariam
à vontade
para mais um decenário
se septuagenário finda
ora, hora que chegue
hora, se ora chega
no depois
não agora, hora
só para mais uns
talvez dezenas ou centenas
de carmes escritos
não pós escritos
ainda vividos
para ficar mais um pouco
faço do coquetel o não féu
mas o céu de quem
à vontade
ainda quer amar
a vida
e tudo nela contida
piu
Por um dia em que o amor decida chegar. Por uma noite em que o amor resolva ficar. Por uma eternidade em que o amor esteja na vontade de um querer sem fim. Por você que é amor dia e noite, nas horas infinitas, sempre em mim.
O meu desabrigo
geralmente provém
da minha tentativa de ficar
à vontade em ambientes inóspitos e hostis.
Sabadou com S de Só queria você aqui perto de mim. Mas, como você não me dá bola, vou ficar só na vontade mesmo… 🤡
Difícil de eu não ficar extasiado
diante ti, uma mulher atraente
de lindos traços, avivados
com intensidade, com um sentimento abrasador, com graciosidade,
então, quero ser merecedor
de saborear os teus notórios e calorosos detalhes
com uma vontade audaciosa, incansável,
num momento bastante
satisfatóriopra ambos
de um jeito memorável.
A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira.
A. impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir. Entretanto, na parte de ação que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo. […] A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas — basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido. Nem me consola o pensamento de que, entrando na confrontação simultânea de tantos acontecimentos, eu não pudesse sequer registrá-los, quanto mais dirigi-los à minha maneira ou mesmo tomar de cada um o aspecto singular, o tom e o desenho próprios, uma porção, mínima que fosse, de sua peculiar substância.
Para demonstrar o erro era preciso alguma coisa mais do que arruaças e clamores.
Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
-Tu as eu tort. Tu auras de la peine. J'aurai l'air d'être mort et ce ne sera pas vrai...
Moi je me taisais.
-Tu comprends. C'est trop loin. Je ne peux pas emporter ce corps-là. C'est trop lourd.
Moi je me taisais.
-Mais ce sera comme une vieille écorce abandonnée. Ce n'est pas triste les vieilles
écorces...
Entre pernas, passos e tropeços a gente vai deixando algumas coisas pelo caminho e encontrando outras... O que não pode é se subtrair. O processo tem que ser de acréscimo, sempre. Nada é tão definitivo assim e a gente nunca É, a gente ESTÁ...
Sempre digo que quem se aprofunda nas coisas, quem mergulha, sabe exatamente o gosto que tem o alimento cru porque não se contenta com o que está pronto, posto sobre a mesa. A gente vai experimentando aqui e acolá, vai sentindo o ritmo, o tempo, tendo cuidado com algumas coisas e desrespeitando as placas de aviso de perigo de outras. A gente cai, levanta, chora, celebra. A gente vive. A gente se conhece através das reações dos outros a nós mesmos. A gente se trabalha ou estagna, regride ou evolui. A escolha é sempre nossa. Tal como as consequências. A gente resolve se entregar quando é tarde pra descobrir que pra respeitar o nosso próprio tempo, é preciso lembrar e ter o mesmo respeito pelo tempo do outro. E que muitas vezes, pra ser honesto, é preciso se correr um risco o qual não queremos. Mas a gente corre. Que o medo não tenha tanto poder sobre nós... E que não fiquemos condicionados por experiências anteriores - há sempre uma oportunidade de surpresa, mas teremos que estar abertos a isso. Nada é tão definitivo.
A maioria dos dramas está nas ideias que formamos das coisas. Os acontecimentos que nos parecem dramáticos são apenas assuntos que a nossa alma converte em tragédia ou em comédia, à mercê do nosso carácter.
