Dizer Adeus com Vontade de Ficar
Eu pensei que alguém poderia me dizer como, mas eu me dei conta de que ninguém pode.
O aristocrata herda, quer dizer, encontra atribuídas a sua pessoa umas condições de vida que ele não criou, portanto, que não se produzem organicamente unidas a sua vida pessoal e própria. Acha-se ao nascer instalado, de repente e sem saber como, em meio de sua riqueza e de suas prerrogativas.
Ele não tem, intimamente, nada que ver com elas, porque não vêm dele. São a carapaça gigantesca de outra pessoa, de outro ser vivente, seu antepassado. E tem de viver como herdeiro, isto é, tem de usar a carapaça de outra vida. Em que ficamos? Que vida vai viver o "aristocrata" de herança, a sua ou a do prócer inicial? Nem uma nem outra.
Está condenado a representar o outro, portanto, a não ser nem o outro nem ele mesmo. Sua vida perde inexoravelmente autenticidade, e converte-se em pura representação ou ficção de outra vida. A abundância de meios que está obrigado a manejar não o deixa viver seu próprio e pessoal destino, atrofia sua vida.
Toda vida é luta, esforço por ser ela mesma. As dificuldades com que tropeço para realizar minha vida são, precisamente, o que desperta e mobiliza minhas atividades, minhas capacidades. Se meu corpo não me pesasse eu não poderia andar. Se a atmosfera não me oprimisse, sentiria meu corpo como uma coisa vaga, fofa, fantasmática.
Assim, no "aristocrata" herdeiro toda a sua pessoa vai se desvanecendo, por falta de uso e esforço vital. O resultado é essa específica parvoíce das velhas nobrezas, que não se assemelha a nada e que, a rigor, ninguém descreveu ainda em seu interno e trágico mecanismo — o interno e trágico mecanismo que conduz toda a aristocracia hereditária à sua irremediável degeneração.
(Livro "A Rebelião das Massas")
A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.
Eu não sei o que dizer sobre vocês, devo dizer que são os melhores amigos do mundo? Que passo mais tempo com vocês do que com qualquer outra pessoa? Que eu sou melhor por ter conhecido-os? Sinceramente eu não sei o que dizer. Acho que nunca irei conseguir descrever esse sentimento, a amizade verdadeira, o amor de irmão em palavras. Sempre as atitudes melhor explicam. Todas as nossas palhaçadas, brincadeiras, bobeiras, risos, lágrimas, brigas, tudo valeu muito a pena, porque em nenhum minuto, algo ou alguém conseguiu desfazer o laço que nos uni. Nós somos bestas, idiotas, mas o mais importante, somos amigos. Sempre um estará do lado do outro, ajudando, conselhando e se preciso, chorando junto, pra poder no final, rir de tudo isso e poder dizer o que cada um significa. Eu amo demais vocês.
O tempo não cura tudo
— Alô?
— Oi! Quem é?
— Sou eu. Não precisa dizer nada, só me escuta.
Tudo bem? Como têm sido teus anos longe de mim? Cheguei hoje de viagem e pensei em te ligar. Sei lá, puxar um papo, te resumir minha vida nesses oito anos. Eu sei que a gente não se falou nesse tempo, e que eu, tampouco, respondi as tuas mensagens. É que andei tão ocupado que mal tive tempo de pedalar como antigamente. Na verdade, eu precisava de um tempo. Queria estar longe e não estender mais o nosso vínculo. Tu sabes que eu nunca fui muito bom com despedidas, e acredito que eu ainda devo me profissionalizar em “adeus”. Tu lembras daquela faculdade na qual eu queria passar tanto? Então, depois de três anos tentando, eu entrei. Foi a maior festa lá em casa. Minha mãe pensou em te ligar, mas não tínhamos mais o teu número. Ou melhor, foi o que eu disse pra ela. Até hoje a coroa insiste em dizer que tu és o melhor parceiro de festa que ela teve, e especialista em queimar todo o churrasco. Tenho tanta coisa para te contar que, se eu demorar muito, meu bônus acaba e só poderei te ligar amanhã. Tu sabes: “A vida tá difícil.” Meu bordão ainda é o mesmo. Afinal, sou graduando e não formado. Vais precisar ter um pouco de paciência caso escutes um “tututu” ao invés da minha voz. Há uns dois meses eu ganhei uma viagem com acompanhante para Bali, acredita? Para Bali, cara! Sim! Eu fui sorteado na agência que o Pedro trabalha. Na verdade, eu não sei se realmente foi sorte ou a desculpa dele maquiada para irmos juntos. Ah sim, nem te falei: estou namorando. O conheci naquele posto que a gente sempre comprava o teu cigarro que eu tanto odiava. Até que, do ódio, surgiu um amor. O guri é meio louco, mas é tri gente boa. Dirige um fusca, têm umas tatuagens mucho locas pelo corpo e um cabelo bagunçado que eu adoro. Ele sabe como me tratar bem. É doutor em me arrancar gargalhadas e faz questão de me mandar toda manhã alguma citação do Gabito Nunes. Pelo estilo do cara, não deveria se empenhar pela metade, mas, segundo ele, o amor é sujeito à mudança. Além dos seus defeitos já acostumados, quase morre a cada texto que eu publico. Ele acha que será uma carta de término, exatamente como eu fiz contigo aquela vez. Lembra?
Minha amiga me ligou na segunda, falou que tu vais te casar. É verdade? Só pode, né?! Teu rosto está estampado na coluna social que ela fez questão de digitalizar e mandar por e-mail. Por um lado eu fico feliz. O nosso plano de nos esquecermos deu certo. Mal e porcamente, mas deu. Eu também estou feliz. Mês que vem estou indo tirar umas férias na África. O Pedro tem fissuras por lá e o meu coração ainda bate quando vejo aquelas crianças com olhares que refletem a vida. Ainda vou morrer com a vontade de querer abraçar o mundo e resolver a vida dos necessitados.
Esse tempo longe fez eu entender que o amor não discerne distâncias, não conta as horas e que a saudade não vem a óbito com as substituições. Ou melhor, o tempo não cura tudo, só tira o incurável do centro das atenções. Existem saudades que passam a ser nossas amigas. Como uma filha, uma vez gerada, só podemos deixá-la de lado quando outra pessoa assumir e der um jeito de tratá-la. Antes de embarcar no aeroporto, uma senhora com roupas e acessórios de cigana pediu para ler minha mão. Interpretando minhas linhas turvas, graduada nas leis da vida, me encarou com dois olhos negros acompanhados de uma voz suave: “A memória conserva a felicidade dos momentos compartilhados e a mente faz o trabalho de lembrar o porquê não estendê-la. Não existe receita para a felicidade, não há fórmulas para o amor, não existirão remédios para a saudade. O coração tem memória, passe a respeitá-la! Não o subjugue, pois ele sabe muito bem a diferença entre lembrar e amar. Quem um dia amou, leva a saudade antiga no bolso para poder viver em paz com a novidade de um novo amor.”
Tututu…
Para meus amigos CASADOS.
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos, mas sim o quanto nesses anos, vocês foram bons um para o outro.
"Tem gente que fala demais por não ter nada a dizer". (Renato Russo). Fica assim não. Na vida tudo passa.
O que eu escrevo é menos do que eu posso dizer.
E o que eu posso dizer,agora,é menos do que eu sinto por vc.Tanta verdade se perde do caminho do coração ao cérebro,do cérebro à boca,da boca à mão,da mão ao papel...Agora eu quero que vc saiba tudo o que eu sinto,sem perdas pelo caminho.Sem desperdícios.Quero que vc percorra meus caminhos de volta,dos papéis ao coração.
É aqui!
É aqui dentro que vc tem que morar,meu amor!
Era acima de tudo tedioso e perdi tudo. Não quero dizer estar perdido, quero dizer ter perdido... Em certos momentos achei que fosse enlouquecer.
Ele só queria ser compreendido,queria dizer oque sente e ser entendido,ser alegre sempre sorrindo,mas um sorriso verdadeiro,não esses de hoje em dia,queria encontrar a pessoa certa,ser a pessoa certa para alguém,ele só queria achar alguém que o mereça,alguém que o complete,que o faça feliz,ele só queria isso, ser feliz.
O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.
A mais barata e mais inofensiva forma de viver é a do pensador: pois, para dizer logo o mais importante, o que ele mais necessita são justamente as coisas que os outros menosprezam e deixam de resto.
Minha avó costumava dizer: "Você gosta porque, e você ama apesar de."
Você gosta de alguém por causa de suas qualidades, mas o ama apesar de alguns defeitos.
Dizer quem são os outros, quais os defeitos, o que eles tem que melhorar, o que não gosta nelas, é bem facil dizer, agora dizer quem é voce, quais são seus defeitos, quais as coisas que não gosta em si mesmo, é dificil, pois todos enchergam o que incomoda no outro mais facil, mais rápido, é automatico, mais em voce, não.. adorar fazer criticas, mais odeia ser criticada, adora apontar os erros dos outros, mais odeia que apontem o seu, faz seus pré-conceitos sobre as pessoas, mais odeia que façam pré-conceitos sobre voce, antes de dizer o que o outro tem que mudar.. se olhe no espelho diga quem voce é, e MUDE!
Perdoem-me o desencanto
e o desacato de não vos dizer
o óbvio e implícito:
estou trocando de pele,
estou trocando de face,
estou tentando trocar de vida,
estou em mutação,
em processo contínuo de transformação
e grito sem gritar,
assopro minhas dores,
regurgito meus temores,
por mim,
por egoísmo.
E por isso o meu silêncio,
estava digerindo os meus anseios,
devorando os devaneios,
ansiando,
aspirando,
suspirando,
as minhas quimeras,
uma ex-lagarta,
um casulo vazio...
Mas ainda não tenho asas,
ainda não sei voar
e me devoro..
