Dizem
A BOLA DA VEZ!
Tem pessoas que dizem;
A melhor fase é a terceira idade.
Pois digo que não.
Fila incansável de atendimento .
Convênio médico impagável.
Abandono em asilo
Desprezo de entes queridos .
Doenças provenientes de cansaço.
Tristeza, amargura.
Memória comprometida.
Dores incessantes.
E principalmente:
Saber que lutou tanto pelos seus
E hoje não tem valor.
Olhar para trás e sentir saudade da juventude.
Olhar para a frente e saber que o inevitável está chegando.
Mas mesmo assim nunca desistimos.
E nunca perdemos a fé.
"Evangelho de Fariseu?"
Dizem que fazem o IDE,
Que vão atrás dos de fora,
Mas deixam se perder —
Os que estavam dentro, desde o início.
"Se ele não vier até mim,
Não irei até ele", dizem friamente.
Incrível. Que evangelho é esse?
Evangelho de fariseu… indiferente?
Nem chamam de fraqueza a dor que carrego,
Chamam de imaturidade. Chamam de birra.
Como se feridas profundas
Fossem apenas dramas de quem não lida.
Mas só quem sangra,
Sabe o peso de continuar.
Às vezes, fugir é sobreviver —
Não é medo… é tentar respirar.
E ainda que eu não quisesse sair,
Não tive escolha…
Pedi ajuda, clamei apoio,
E ouvi: “Estou do seu lado” —
Mas o fim… o senhor já sabe.
Promessas jogadas ao vento,
Palavras sem presença.
No momento mais escuro,
Só o silêncio fez companhia.
Enquanto uns pregam multidões,
Outros morrem em silêncio.
Quem vai por eles?
Ou será que… só contam os que aparecem no templo?
"dizem que a hora mais escura esconde a possibilidade de um novo amanhecer; tomara que estejam certos"
Dizem por aí
Dizem por aí, que sou eu quem rouba as tuas lembranças,
quando estás pensativa.
Dizem que sou eu quem rouba os teus amigos,
roubo alimentos e delírios e levo embora a tua bússola de destinos.
Dizem por aí, que roubo a tua água, sabão e esponjas que lavariam os teus erros.
E dizem mais.
Dizem que fui ligeiro, ao encher os teus olhos de areia e pendurar aranhas nas luas cheias plantadas em teus jardins.
A Globo não diz, mas teus seios cresceram me esperando.
Não diz que os meus arbustos floresceram, exercitando os seus músculos, dentro da solidão e saudade de ti.
Dizem por aí, que eu me fiz passar por alguém que a levaria ao cinema.
Mas, de bolsos vazios? Claro que não apareci.
Te neguei refúgio, neguei-te a claridade e roubei os teus cigarros.
Fiz desenhos alunares e a deixei sonhando com o altar.
É claro que todos estão certos, afinal, sou esse monstro repleto de traças e de brochuras. Sou único, a montar e desmontar os teus quebra-cabeças.
Dizem as esquerdas, que conhecestes a liberdade, através de mim!
Não dou testemunhos falsos.
Juntos, caminharemos firmes rumo ao massacre.
Deixe que falem que sou romanesco e até simplório. Deixe que chorem.
Lágrimas salgadas de oceano são sintomas sem vidas. Foi o Fernando quem falou essa coisa.
Loucuras sem método? Aguarde notícias.
Só não interfira no que faço. Deixe-me errar. Eu sei errar sozinho.
Quando o poeta está errando, deixe que enlouqueça.
Não afugente os seus delírios.
De mãos dadas, rumaremos ao desastre.
Pode ser que nos matem e que nos rasguem, e até nos apaguem. Se a direita ressuscitar, isto é certo.
Mas vamos nos pertencer. Formaremos uma só ideia. Alimentaremos a tudo que de certa forma possa gerar futuros.
Chegaremos ao futuro expondo nossas vísceras. Seremos dois gigantes destemidos. Não vamos perpetuar orçamentos em segredo.
A sociedade construiu um palco.
E desde cedo colocam a gente nele, entregam um roteiro e dizem:
“Agora atua.”
Atua como bom filho.
Como bom marido.
Como profissional de sucesso.
Como alguém que não questiona.
Mas ninguém pergunta se aquele papel combina com a sua essência.
Dizem que eu preciso de uma mulher para ser completo.
Que preciso formar uma família para ser respeitado.
Que preciso de um diploma para ser alguém.
Que preciso mostrar resultados, bens, status.
Mas eu aprendi a desconfiar do que todo mundo aceita fácil demais.
Hoje vejo pessoas dizendo que não postam relacionamento por causa de “inveja”.
Mas postam o treino.
Postam o show.
Postam o carro.
Postam a ostentação.
Curioso… a inveja só atinge o amor?
Na real, muitos não assumem porque não querem fechar portas.
Não querem perder possibilidades.
Não querem abrir mão dos “contatinhos”.
Querem parecer disponíveis enquanto vivem algo pela metade.
Isso não é proteção.
É conveniência.
Eu não quero viver assim.
Não quero relações escondidas como se fossem erro.
Não quero ser opção enquanto alguém mantém vitrine aberta para algo “melhor”.
Não quero competir com possibilidades invisíveis.
Prefiro a verdade nua do que a ilusão bem editada.
O problema nunca foi estar sozinho.
O problema é se trair para não ficar.
Eu escolhi ser meu próprio padrão.
E isso significa não aceitar desrespeito disfarçado de modernidade.
Não aceitar migalhas emocionais.
Não aceitar a lógica de que tudo é substituível.
Ser alguém, para mim, não é seguir o roteiro da maioria.
É ter postura quando ninguém está vendo.
É ter caráter quando seria mais fácil negociar valores.
É sustentar sua identidade mesmo que isso reduza a plateia.
Se for para viver algo, que seja inteiro.
Se for para construir, que seja com clareza.
Se for para ficar, que seja com verdade.
Porque no fim, status passa.
Ostentação cansa.
Aparência envelhece.
Mas caráter…
caráter é o que define quem você é quando o mundo para de olhar.
By Evans Araújo
Sobre a vida: Dizem que a resposta está na luz no fim do túnel. E eu aqui, olhando para o nada, fingindo entender tudo.
Você não é o que os filtros dizem; você é a obra de arte planejada do Criador.
A vida não é uma linha reta de desempenho, mas um jardim vasto esperando cultivo."
Muitos dizem para seguir o coração, outros dizem para buscar conselhos. Digo, pense e reflita, pois nos dias de baixa estima seu coração pode pulsionar a fazer o mau, e alguém pode aproveitar e passar maus conselhos, então pare, pensa e reflita, pois assim cometerás menos erros.
O brilho que se apaga.
No início, dizem que a pessoa é especial porque a mente inventa e projeta nela um brilho raro, capaz de transformar o olhar em descoberta. Mas, quando esse encanto se desfaz e o reflexo se dissolve, resta apenas o vazio - não um vazio qualquer, mas um vidro estilhaçado, onde se revela a contradição de quem idealizou mais do que o real podia sustentar.
E diante dos cacos espalhados, percebe-se que não há como recompor o que foi quebrado. Cada fragmento reflete um pedaço da ilusão, cortante e irreversível, lembrando que o brilho nunca esteve na pessoa em si, mas na lente distorcida de quem a olhava.
O estilhaço, então, não é apenas dor: é também revelação, a prova de que toda idealização carrega em si o risco de se despedaçar.
Lembranças minhas!
Lembro-me de coisas que não aconteceram
Pelo menos me dizem que não
Eu me lembro de tudo
Do que você se esqueceu,
Lembro-me do que você não disse
Lembro-me do que eu não fiz
Eu me lembro de tudo que foi real pra mim
Que eu senti na pele, no coração.
Mas porque ninguém viu?
Ninguém acredita?
Ninguém quer saber.
Eu me lembro detalhadamente
De tudo que vocês dizem ser coisa da minha cabeça!
O Tempo
O tempo é revelador
O Tempo amadurece
O tempo diminui a dor
Alguns dizem que o tempo cura.
Nada melhor do que dar Tempo ao tempo.
Portanto não perca tempo,
pois temos pouco tempo!
Bens materiais. Essas palavras dizem tudo. Muitos se preocupam com esses bens de forma tão feroz que acabam se esquecendo dos bens espirituais, aqueles que são eternos, mais valiosos e importantes, e que nos dão os créditos necessários quando formos cobrados após nossa existência do lado de cá.
As perguntas pouco dizem sobre quem somos; são as respostas que denunciam o bem ou o mal em nós.
Renê Fernandes Dantas
Todos dizem para matarmos um leão por dia, mas prefira entrar na cova dos leões, domá-los e torná-los seus bichinhos de estimação; isso é ter fé, ser inigualável, se tornar uma lenda e ir muito além.
Onde o Tempo Para
Dizem que o tempo cura,
mas o tempo, aqui, não tem ponte.
É um relógio que parou na curva,
um sol que se pôs no horizonte.
Não é ausência, é presença constante,
um amor que não tem para onde ir.
Ficou guardado no peito, latente,
na vontade eterna de te ver sorrir.
A vida seguiu, mas eu fiquei lá,
naquele abraço que o mundo roubou.
Sou a saudade que aprendeu a andar,
sou o resto do amor que o céu reservou.
Contravento das Almas e a Doutora do Avesso
Dizem que existe, escondida entre estradas que levam a lugar nenhum, uma cidade chamada Contravento das Almas.
E dizem mais: quem entra lá precisa tomar cuidado…
porque até a lógica costuma sair de cabeça pra baixo.
Em Contravento, quase todo mundo é especialista.
Especialista em tudo.
De manhã, o padeiro comenta geopolítica.
À tarde, o frentista resolve crises do país.
E à noite, a praça vira tribunal —
onde ninguém estudou direito… mas todos têm certeza absoluta.
Aliás, direito é o forte da cidade.
Há advogados de profissão…
de vocação…
e principalmente de ocasião.
Mas nenhuma figura é tão emblemática quanto ela:
A célebre Doutora do Avesso.
Uma espécie de artista da argumentação.
A Doutora não discute — ela transforma.
Pega um fato, vira pelo avesso, ajeita as palavras…
e devolve como se fosse outra coisa.
E o mais curioso?
Quase convence.
Sua especialidade são as causas difíceis.
Aquelas que tropeçam na própria lógica…
mas que, nas mãos dela, ganham maquiagem, discurso e até aplauso.
Há quem diga que já defendeu o indefensável com tamanha firmeza
que o público não sabia se discordava… ou ria.
Lembra um antigo julgamento da cidade —
em que o advogado foi tão brilhante
que o tribunal inteiro ficou dividido entre a sentença… e o espetáculo.
Em Contravento, isso não é exceção.
É método.
Porque ali, mais importante que a verdade…
é a versão.
E versões, meu amigo, não faltam.
A cidade já foi próspera — dizem os mais antigos.
Tinha comércio forte, ruas vivas, gente acreditando.
Hoje… ainda tem gente.
Mas acreditar virou artigo raro.
Os mesmos que reclamam que nada cresce
são os que não regam.
Os que criticam o comércio
são os que compram fora.
E os que desconfiam da própria terra
plantam dúvida até onde podia nascer esperança.
Há até um costume curioso:
Muitos fazem questão de que os filhos nasçam longe dali —
na capital, de preferência.
Como se o primeiro choro precisasse de endereço mais importante.
Mas o tempo passa…
E um dia, sem aviso, o menino solta:
— “Ô pai… fecha a porteira!”
E pronto.
Contravento reaparece.
Inteira.
Sem pedir licença.
Porque ninguém foge completamente do lugar
de onde aprendeu a ser.
Enquanto isso, na praça, o tribunal segue aberto.
A Doutora do Avesso discursa.
Alguém rebate.
Outro distorce.
E no fim… ninguém muda de ideia.
Mas todos saem com a sensação de vitória.
É uma cidade curiosa.
Não anda pra frente.
Não anda pra trás.
Ela gira.
Gira em torno de si mesma —
defendendo versões,
acusando verdades
e absolvendo ilusões.
E no meio desse espetáculo… sempre há aplausos.
Às vezes sinceros.
Às vezes por hábito.
Às vezes… só pra não ficar feio discordar.
Mas, ainda assim, existem alguns.
Poucos.
Gente que não discute — faz.
Não distorce — constrói.
Não precisa convencer — vive.
Esses não sobem no tribunal.
Não aparecem.
Não gritam.
Mas talvez — só talvez —
sejam eles que ainda impedem
que Contravento desapareça de vez…
engolida pelas próprias palavras.
Porque, no fim das contas…
Em Contravento das Almas, ninguém perde uma discussão —
a verdade é que já deixou de participar faz tempo.
✍️ Nereu Alves
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