Distância
chorava pela distancia nos separa, e te sentir tao perto
hj choro por estar perto , e estar tao longe
Tem narcisismo que a alma reconhece antes da razão: pede freio, distância e coerência.
Tem adeus que não é perda, é livramento.
Até ontem parecia amor, hoje já não existe — porque, na verdade, o narcisista não ama, ele joga.
E quando o jogo perde a graça, ele apenas troca a fita, como quem nunca sentiu nada.
Atravessando a distância que nos separa existe um caminho que nos leva a felicidade.
Meu coração viaja em sentimentos para o mais longínquo horizonte de brisas e firmamentos em um pensamento em tua imagem que nasce entre o espaço e a distância que nos separa.
Vivo a sonhar com você, não sai mais da minha cabeça quero o teu amor e não importa quando nem onde vou ter seu coração.
A qual quer distância, a sintonia do coração sente o detalhe que o outro sente, no gosto que o outro tem;
Caminhar com os olhos nas estrelas esperando qual quer sinal que faça lembrar os olhos teu;
Minha vida depende de mim apenas, trilhar com luta e amor para vencer meus obstáculos;
Amor Deusa do meu coração que transporta todo o meu carinho junto a ti deslocando a nossa distância;
Quando vejo o seu querer aprovando os meus desejos é sinal de que podemos e devemos transformar o simples em um ápice jubilar;
Um outro coração não entrelaçaria com tantos detalhes no qual te fizesse suspirar com sorrisos de felicidades, portanto te faço sentir o gosto bom que um à outro tem;
O desejo de estar com você ainda é maior que a distância que nos separa e das dificuldades que há entre nós;
A arte de amar é ser louco o suficiente para ter sentimentos mesmo a distância, e ainda sim nunca mudar o seu querer;
Nunca caminha numa curta distância porque tudo que podes alcançar vai ser um pequeno objetivo,e não pessa muito porque tudo que podes terminar vai ser um arrependimento inesquecível
Nem toda distância é abandono; algumas são formas superiores de cuidado. A consciência que se preserva aprende a retirar-se sem rancor, sabendo que permanecer onde o sentido se perdeu é trair a própria inteireza. A maturidade não está em ficar a qualquer custo, mas em saber partir sem destruir o que foi verdadeiro.
Tem gente que carrega a saudade no peito todos os dias…
Mas não pode atravessar a distância.
E tem gente que até pode ir, pode ligar, pode estar perto…
Mas escolhe não fazer.
HÁ QUEM PERMANECE E HÁ QUEM APENAS SE APROVEITA DA CAMINHADA: a distância entre servir a uma causa e servir-se dela
“Uns permanecem porque acreditam no destino da caminhada; outros caminham apenas enquanto a estrada tiver por destino os próprios interesses.”
Um aliado, ou mesmo um apoiador de ocasião, não se confunde com um amigo leal, tampouco com aquele que verdadeiramente se compromete com uma causa e faz de determinada bandeira uma convicção de luta. A aproximação circunstancial pode nascer da conveniência, da convergência momentânea de interesses ou da expectativa de algum benefício. O compromisso verdadeiro, ao reverso, pressupõe identidade de valores, constância e disposição para permanecer mesmo quando a fidelidade à causa impõe custos pessoais.
É precisamente aí que se estabelece a diferença essencial entre quem serve a uma causa e quem se serve dela.
Há aliados e apoiadores cuja adesão, embora revestida do discurso do interesse coletivo, encontra-se, em sua essência, muito mais vinculada à própria vaidade, à necessidade de reconhecimento ou à realização de ambições pessoais. Nesses casos, a causa institucional deixa de constituir um fim em si mesma e passa a funcionar como cenário, instrumento ou mesmo trampolim para um projeto individual. A bandeira continua sendo exibida, mas já não é propriamente defendida: é utilizada.
Tal comportamento nem sempre se deixa perceber de imediato. Enquanto os interesses individuais e os objetivos coletivos caminham na mesma direção, conveniência e convicção podem apresentar aparência semelhante. Ambas produzem discursos de entusiasmo, manifestações de apoio e gestos de aparente comprometimento. A diferença somente se torna perceptível quando os caminhos começam a divergir e quando permanecer fiel à causa deixa de proporcionar vantagens passa a exigir renúncias.
É nesse ponto que o tempo e as circunstâncias assumem uma espécie de função reveladora.
O fenômeno é particularmente perigoso porque, muitas vezes, a retórica do compromisso encobre interesses que somente vêm à superfície quando o protagonismo é ameaçado, quando o reconhecimento não chega, quando a liderança passa a ser exercida por outros ou quando a defesa da causa exige sacrifício sem qualquer recompensa imediata. É então que se descobre se havia verdadeira convicção ou apenas conveniência e se o indivíduo havia colocado sua trajetória a serviço de um ideal ou se, ao contrário, havia transformado o ideal em instrumento de sua própria trajetória.
A lealdade autêntica, portanto, não se mede pela intensidade das manifestações de apoio quando há aplausos, visibilidade ou vantagens a conquistar. Mede-se, sobretudo, pela capacidade de permanecer quando desaparecem os holofotes, quando o silêncio substitui o reconhecimento e quando a fidelidade aos princípios exige a renúncia ao próprio protagonismo.
Porque permanecer quando tudo favorece a permanência pouco revela sobre alguém. A medida da lealdade começa a aparecer quando permanecer custa alguma coisa.
É nesse sentido que ganha especial significado a conhecida metáfora das trincheiras: mais importante do que saber apenas qual guerra se trava talvez seja descobrir quem permanece ao nosso lado quando chega o momento de enfrentá-la. As trincheiras têm uma virtude que os tempos de bonança desconhecem porquanto revelam quem caminhava conosco por convicção e quem apenas seguia na mesma direção porque, até então, nossos caminhos coincidiam com os seus interesses.
Na caminhada, muitos podem acompanhar-nos enquanto a estrada é confortável, enquanto há reconhecimento, perspectivas ou vantagens compartilhadas. A trincheira, porém, introduz outra medida. Nela, a presença deixa de ser cômoda e passa a representar risco, sacrifício e renúncia. É justamente quando permanecer passa a ter um preço que descobrimos não apenas quem está ao nosso lado, mas, sobretudo, por que está.
Talvez por isso se tenha difundido, com autoria atribuída à Ernest Hemingway, a frase: “Quem estará nas trincheiras ao teu lado? — E isso importa? — Mais do que a própria guerra.” Sua força não reside propriamente na guerra, mas naquilo que a adversidade revela sobre os vínculos humanos, na medida que determinadas circunstâncias extremas retiram das relações a aparência da conveniência e deixam à mostra a substância da lealdade.
Quem está verdadeiramente comprometido com uma causa não precisa ser o seu personagem principal. Compreende que determinadas lutas são maiores do que as pessoas que momentaneamente as representam e que a defesa de um ideal coletivo exige, muitas vezes, a grandeza de ceder espaço, reconhecer méritos alheios e continuar contribuindo mesmo sem ocupar o centro da cena.
Há, nisso, uma forma silenciosa de desprendimento. Quem compreende a dimensão de uma causa sabe que ela não lhe pertence. Pode ter contribuído para construí-la, defendê-la durante anos e até suportando sacrifícios em seu nome, mas não adquire, por isso, o direito de confundi-la consigo próprio. As pessoas passam; as instituições, os valores e as causas que verdadeiramente importam devem ser capazes de sobreviver àqueles que, em determinado momento, as representam.
É justamente essa compreensão que distingue a liderança comprometida do personalismo. O verdadeiro compromisso deseja que a causa continue forte mesmo quando outros passam a conduzi-la. O personalismo, ao contrário, tende a experimentar o êxito alheio como diminuição própria e a interpretar a perda de protagonismo como se fosse o enfraquecimento da própria causa.
Já aquele que está comprometido sobretudo consigo mesmo tende a confundir a própria trajetória com aquilo que afirma defender. Enquanto seus interesses caminham ao lado da causa, mostra-se entusiasmado, combativo e presente; quando deixa de ocupar posição de destaque, ou quando a causa já não lhe proporciona visibilidade, sua disposição frequentemente diminui. Não necessariamente porque o ideal tenha perdido importância, mas porque deixou de servir ao projeto pessoal que, desde o início, talvez constituísse sua verdadeira prioridade.
Por isso, a adversidade possui uma virtude singular: ela não transforma convicção em conveniência, nem lealdade em oportunismo; apenas torna visível aquilo que, em tempos favoráveis, podia permanecer oculto. Quando chegam as dificuldades, caem os adornos do discurso, desaparecem as aparências e cada pessoa acaba revelando a verdadeira natureza de seu compromisso.
A caminhada e a trincheira, embora sejam metáforas distintas, encontram-se precisamente nesse ponto. A caminhada revela quem nos acompanha; a trincheira revela quem permanece. Uma permite perceber a companhia; a outra põe à prova a lealdade. E talvez somente depois de atravessarmos ambas possamos distinguir aqueles que compartilhavam verdadeiramente a causa daqueles que apenas compartilhavam, circunstancialmente, o caminho.
Talvez seja essa a medida mais segura da autenticidade, que é permanecer fiel à causa mesmo quando já não é possível convertê-la em prestígio, poder, reconhecimento ou vantagem pessoal.
Quem possui compromisso genuíno compreende que causas verdadeiramente importantes não existem para engrandecer aqueles que as defendem. Ao reverso são aqueles que as defendem que precisam, quando necessário, diminuir a própria vaidade para engrandecê-las.
E talvez o tempo seja, afinal, o juiz mais rigoroso dessas diferenças. Ele termina por distinguir os que estiveram ao lado de uma causa porque acreditavam nela daqueles que apenas permaneceram enquanto dela puderam extrair alguma utilidade. Os primeiros deixam contribuição; os segundos, quando cessam as vantagens, geralmente deixam apenas a memória de sua passagem.
No fim, há quem permaneça porque acredita na caminhada e há quem caminhe apenas enquanto a estrada conduz aos próprios interesses. Mas são as trincheiras que dissipam as últimas dúvidas: quando desaparecem o palco, o aplauso e a recompensa, descobrimos quem verdadeiramente estava ao nosso lado e, mais importante ainda, quem estava ao lado da causa. Porque o compromisso autêntico começa justamente onde termina a necessidade de protagonismo.
O que mais impressiona é o imensurável cosmos que nos distancia, ainda que sejamos herdeiros do próprio infinito que nos governa...
“Responsabilidade não é um conceito abstrato que se aprende observando a vida à distância; ela se constrói no peso das escolhas e no risco real de caminhar com as próprias pernas. Crescer exige enfrentar as próprias limitações, sustentar o próprio caminho e assumir as consequências do que se decide — inclusive o caos que isso provoca. Quem nunca atravessou esse território costuma enxergar o erro alheio com facilidade, não por lucidez, mas porque jamais se permitiu a vulnerabilidade de tentar por si mesmo. É simples parecer centrado quando não se administra a instabilidade da independência. Difícil, e raro, é sustentar a própria vida sem terceirizar decisões e ainda assim seguir adiante com consciência.”
