Disputar uma Pessoa
Se me conheceu uma semana atrás,
deixe-me apresentar de novo.
Eu mudo.
Eu cresço.
Eu renasço.
Aquilo que eu pensava ontem já não me define hoje.
Sentimentos antigos deram lugar
ao novo que Deus tem revelado em mim.
Vivo em reforma constante,
porque em Deus nada permanece estagnado:
paredes caem, áreas escondidas são iluminadas,
raízes antigas são arrancadas
e uma versão mais verdadeira de mim
vai ganhando forma.
E eu sigo
não sou a sabedoria,
mas estou em busca dela.
Não sou perfeita,
mas me esforço para melhorar meu caráter a cada dia.
O que é bom permanece,
o que é ruim eu mudo,
transformo,
abandono
e renasço.
E agradeço a Deus por cada mudança,
porque pior seria ficar igual
quando há tanto em mim
pra ser aperfeiçoado.
“Sinto que há uma criança em mim que olha para o adulto que sou hoje e pergunta: estamos vivendo nossos sonhos? Estamos fazendo valer a pena? Temos orgulho de nós?”
A estilística
é a pele intelectual do sujeito,
o modo singular como uma consciência aprende a habitar
a linguagem.
Migalhas
Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.
Quintal da memória
Uma varanda,
uma vila,
um corredor comprido.
Da janela,
um quintal aberto ao mundo.
Chuva de verão caindo morna,
cheiro de café vindo da cozinha,
o leite crescendo no fogão.
Brinquedos esquecidos pelo chão.
Pai - porto seguro.
Avó - doçura de colo.
Madrinha - mãos cheias de agrados.
Padrinho - passos lentos pelas tardes.
Hoje,
quando a chuva retorna
e o café invade o ar,
fica apenas
a infância
roçando leve
as asas da lembrança.
Execução
Não posso ficar calado.
Matar uma mulher
por não aceitar
o fim da relação
é um crime imperdoável.
A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;
tudo depende
da ética de quem a maneja.
A desigualdade se apresenta como acaso, mas se perpetua como (e com) uma engenharia refinada de privilégios.
É uma despedida?
Então… sim...
Há alguns anos, eu me apaixonei.
Não por alguém, mas por um instante.
Foi um sorriso.
E, nele, algo em mim despertou como se sempre tivesse estado ali, adormecido.
Houve um abraço.
E naquele breve contato, eu quase fui inteira.
Como se, por um segundo, eu tivesse pertencido a algum lugar que nunca conheci.
E eu fiquei.
Não ali… mas na sensação.
Porque há encontros que não acontecem no mundo, acontecem dentro.
Sabe essas histórias que acreditamos poder controlar? Eu não controlei.
Mas ele… talvez nunca tenha estado nelas.
E ainda assim, eu insisti em sentir.
Porque sentir, às vezes, é tudo o que nos resta
quando o outro não fica.
Eu soube.
Desde o começo, eu soube.
O adeus já existia antes mesmo do primeiro olhar.
Mas eu quis ignorar.
Quis esticar o tempo…
como quem tenta segurar água nas mãos.
E então houve aquele quase.
O beijo que não veio.
O olhar que, por um instante, disse tudo
e depois… nada.
E ali, silenciosamente, terminou o que nunca começou.
Não houve nós.
Não houve história.
Só um sentir que se expandiu demais
para caber na realidade.
E, ainda assim… doeu.
Porque, por um breve momento,
eu vi em você algo que nem eu mesma sabia que existia em mim.
E talvez seja isso…
Algumas pessoas não entram na nossa vida para ficar. Entram só para despertar algo dentro da gente.
E depois… vão embora.
Uma letra sozinha é apenas uma letra, mas unida a outras, da forma a uma palavra. Uma palavra sozinha é apenas uma palavra, mais unida a outras forma-se uma frase. Uma frase sozinha é apenas frase. Mas uma frase unida a outras frases forma-se em uma HISTÓRIA.
MORAL: Na vida ninguém constrói uma história sozinho, precisamos de outras pessoas para dar sentido naquilo que somos.
"Com um sopro, você pode apagar uma vela, com o mesmo sopro, você pode aumentar uma chama, não estou falando de química e sim de intenção."
A vitalidade se manifesta como permanência lúcida:
uma recusa silenciosa em ceder
à erosão do sentido.
Em Hebreus 6:4-6, o autor alerta que aqueles que “uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo” e, ainda assim, caem, tornam-se incapazes de se arrependerem, pois crucificam novamente o Filho de Deus e o expõem ao desprezo. Ou seja, é uma rejeição ativa da salvação e uma demonstração de endurecimento do coração, com sérias implicações eternas.
Imagine uma empresa que precisa urgentemente de um executivo para uma função estratégica. O homem escolhido tem boa vontade, mas não possui o conhecimento técnico nem a experiência prática para ocupar o cargo sozinho. Se dependesse apenas dele, fracassaria.
Porém, a empresa decide mantê-lo na função e lhe dá um tutor permanente: alguém que o acompanha em todas as decisões, orienta cada passo, corrige erros, antecipa riscos e executa, na prática, aquilo que o executivo não sabe fazer. Esse tutor é seu assistente pessoal, sempre presente, sempre ativo.
Por causa dessa assistência contínua, o executivo se torna bem-sucedido. A empresa prospera, os resultados aparecem e o cargo é mantido. No entanto, o mérito não está no executivo, mas no tutor que o sustenta, orienta e capacita diariamente.
O executivo não cria a estratégia, não produz o conhecimento e não garante o sucesso. Ele apenas confia, ouve e não resiste à orientação que recebe. Sua permanência no cargo depende dessa relação, não de sua capacidade intrínseca.
Assim acontece na salvação: o ser humano não possui, em si mesmo, condições de justiça, conhecimento ou força para alcançar a vida eterna. O sucesso não vem dele. Vem da graça que o assiste, da ação de Deus que conduz, corrige e sustenta. A resposta humana não gera mérito; apenas permite que a graça opere.
O estado mantém um verniz de civilidade, tornando o voto uma compulsão. Promove uma ilusão de agência enquanto as rédeas do poder permanecem firmemente além do alcance do eleitor. Alguém se pergunta o que resta de patriotismo uma vez que tais restrições sistêmicas são removidas.
Carlos Alberto Blanc
(Aquela conversa no bar. Dá uma tragada longa no uísque, solta o ar devagar e olha fixo para os amigos por cinco segundos em silêncio.)
Sabe... um cara me disse outro dia:
'Irmão, estamos tão perto do fundo do poço que eles nem escondem mais a armadilha'. E eu ri. Eu ri porque ele acha que a armadilha é para nós."
"Olha só... antigamente, o governo, as grandes empresas, eles tinham o decoro de mentir na nossa cara. Tinha todo um teatro. Eles montavam uma armadilha com uma caixa, um graveto e um pedaço de queijo suíço de qualidade. Você olhava e pensava: 'Hum, talvez valha o risco'." "Mas agora? Em 2026? Cara... a armadilha é só um buraco no chão com uma placa escrita: 'EI, ENTRA AQUI, SEU OTÁRIO'. E o pior não é eles serem preguiçosos. O pior é que tem uma fila de pessoas com o celular na mão, postando no Instagram: 'Gente, olha esse buraco novo, tendência total, #Gratidão #FundoDoPoço'." "Eles pararam de disfarçar porque perceberam que a gente parou de se importar. A gente já tá tão ferrado que, se o diabo aparecer na nossa frente hoje com um contrato, a gente nem lê as letras miúdas. A gente só pergunta: 'Tem Wi-Fi no inferno? Porque eu preciso cancelar minha assinatura da Netflix antes de descer'."
"Não é que o mundo ficou pior. É que os vilões ficaram confortáveis. É como aquele marido que para de murchar a barriga depois de dez anos de casado. O mundo só soltou o cinto, sentou no sofá e disse: 'É isso aqui que tem pra hoje, se não gostou, o buraco é logo ali'. "E a gente? A gente continua caminhando... só pra ver o quão fundo esse poço realmente é."
Carlos Alberto Blanc
