Direito do Trabalho
O Direito de Respirar
Cansei de morar entre ruídos que não escolhi
e entre tempestades que nunca nasceram em mim.
Meu sonho tem paredes simples,
uma janela aberta para o céu,
livros espalhados,
o cheiro de café,
música preenchendo os cômodos
e a certeza de que,
quando a noite chegar,
estaremos protegidas.
Alguns sonham com riqueza.
Eu sonho com tranquilidade.
Porque há batalhas
que só terminam
quando encontramos
um lugar que finalmente
podemos chamar de lar.
Percebi, com o tempo,
que a paz mora
onde a alma
pode respirar.
O Elefante Branco e o Direito de Dizer Não
Participei de um debate sobre O Conto da Aia. Assistimos ao terceiro episódio da primeira temporada e, depois, conversamos sobre as relações entre a obra e a nossa realidade, especialmente os desafios que atravessam a vida das mulheres, a maternidade e as expectativas que a sociedade insiste em depositar sobre nós.
Havia mulheres de diferentes idades. As cadeiras foram organizadas em círculo. Por uma dessas coincidências que às vezes parecem destino, acabei ficando bem no meio da roda, de frente para a convidada que conduzia o encontro.
Enquanto as pessoas falavam, percebi que a conversa estava concentrada nas flores. E pensei que precisava mudar aquilo. Não queria participar de mais uma conversa em que todos contornassem os assuntos difíceis para preservar a delicadeza do ambiente. Dessa vez, queria falar sem florear, sem procurar palavras mais confortáveis e, principalmente, sem me calar.
Enquanto aguardava minha vez, organizei mentalmente tudo o que gostaria de dizer.
E o meu momento chegou:
Para mim, aquele episódio, assim como o que vi da primeira temporada, apresentava uma espécie de junção das experiências femininas, embora em uma perspectiva exagerada, com elementos de ficção. Afinal, muitas mulheres nascem e crescem condicionadas, quase sempre sem perceber, a viver para servir. Seja ao marido, aos filhos, à família ou às expectativas de uma sociedade que parece nunca estar satisfeita.
É a mulher que precisa ser mãe, mas também manter o corpo perfeito. Que precisa amamentar, trabalhar fora, cuidar da casa, dos filhos, do marido e de tudo o que parece estar sob sua responsabilidade. E, quando não consegue corresponder a tantas exigências, ainda precisa administrar a culpa de não ter conseguido.
Falei também que o silêncio não significa ausência de sofrimento. Não é porque não falamos que essas coisas não acontecem. E talvez parte desse sofrimento encontre expressão no adoecimento, nas síndromes e em tantas outras manifestações que merecem nossa atenção.
Quando chegou o momento de falar sobre um sinal de liberdade que já havia conquistado, mudei de ideia e falei do que eu gostaria de conquistar. Escolhi algo aparentemente simples, quase óbvio, mas que, para mim, ainda representa uma luta: o direito de dizer NÃO.
Não quero.
Não vou me submeter.
Não gosto disso.
Não quero mais.
Não. Simplesmente, não.
Não é não.
Mas, quando comecei a falar sobre isso, outras histórias vieram à minha cabeça. Lembrei de adolescentes pressionadas a ficar com os namorados porque o primeiro "não" não foi suficiente. Lembrei de mulheres que tiveram filhos em momentos nos quais não desejavam engravidar. Vieram relatos, vivências, lembranças e tantas outras situações que pareciam passar simultaneamente diante dos meus olhos.
Um filme se formava dentro de mim.
E então vieram as lágrimas.
Não era exatamente vergonha de falar em público. Era aquela emoção que me acompanha quando alguma coisa me atravessa. Às vezes, as dores nem são minhas, mas chegam de tal maneira que não consigo simplesmente observá-las de longe.
Tentei me controlar, fiquei incomodada comigo mesma, senti vergonha e até raiva por não conseguir terminar o que havia planejado. Mas, enquanto tentavas recuperar a compostura, percebi que outras mulheres também limpavam os olhos. Até a convidada que conduzia o encontro, com a voz um pouco embargada, tentava me acolher, concordando e sorrindo.
As pessoas continuaram falando. Algumas também se emocionaram. E comecei a observar uma coisa: muitas procuravam cuidadosamente as palavras, como se tentassem preservar não apenas a própria integridade, mas também a si mesmas.
Era como se dissessem: vamos deixar a minha casa de lado e falar da rua, da casa do vizinho. Vamos discutir a ficção, a realidade dos outros, qualquer coisa, menos aquilo que está bem diante de nós.
O elefante branco no meio da sala.
E talvez seja mais fácil falar sobre a opressão quando ela está representada em uma série, em um livro ou na história de outra mulher. Difícil é reconhecer suas manifestações dentro da nossa própria realidade.
A conversa terminou, mas algo continuou comigo.
A mulher que conduzia o debate encerrou retomando justamente as minhas palavras. Disse que se identificava com tudo aquilo e reforçou a importância desse limite para o mundo e, principalmente, para as mulheres. Repetiu a ideia que eu havia tentado transmitir: não é não.
Já tinha saído quando me lembrei de outra coisa.
Sempre fui assim.
Às vezes, não é a vergonha de falar em público que me faz chorar. É a emoção que toma conta de mim. Lembrei de uma ocasião na faculdade em que compartilhei essa dificuldade com meu grupo. Um colega respondeu que era justamente aquilo de que todos gostavam, que queriam sempre que eu falasse, porque conseguiam sentir a minha emoção.
Na época, talvez eu não tenha compreendido completamente o que ele quis dizer. Porém, aquela lembrança voltou com outro significado.
Passei tanto tempo tentando controlar essa característica, como se precisasse corrigir alguma coisa em mim, que me esqueci de considerar a possibilidade de ela também ser uma qualidade.
Talvez eu não precise aprender a falar sem me emocionar. Talvez precise apenas parar de acreditar que as lágrimas diminuem a força das minhas palavras.
Afinal, não é porque a voz embarga que a mensagem perde o sentido. E não é porque os olhos se enchem de lágrimas que alguém deixou de ser capaz de sustentar aquilo em que acredita.
Saí daquele encontro pensando nas mulheres, nas meninas, nas tantas histórias que não chegam às rodas de conversa e nos muitos "nãos" que ainda precisam ser respeitados.
Mas também saí pensando em mim.
Se quero conquistar o direito de dizer não ao que me desagrada, preciso aprender a dizer sim àquilo que sou. À minha intensidade, à minha sensibilidade, à minha maneira de sentir o mundo e, até mesmo, às lágrimas que aparecem quando as palavras encontram lugares que ainda doem.
Porque a liberdade também começa quando deixamos de nos violentar para caber nas expectativas dos outros.
E, quem sabe, um dia, não precisemos mais fazer tanto esforço para dizer não, nem sentir vergonha por chorar enquanto tentamos explicar por quê.
Não é não. E sentir também não é fraqueza.
... a medular
liberdade de expressão
não se restringe ao justo direito
de quem a reivindica, manifesta - como
também, ao igualmente necessário e
justo direito de quem a disseca,
refutando ou não tal
conteúdo!
... o direito
de um homem deve ser
o direito de todos os homens...
O mesmo vale para os seus deveres
consigo e com o próximo — caso contrário,
qualquer direito se torna um privilégio,
e qualquer dever sem critério
uma infundada
imposição!
“No método Reiki, aprendemos que não devemos violar o livre-arbítrio alheio. Ninguém tem o direito de modificar uma pessoa que não queira mudar. Cada um tem direito ao modo de vida que preferir.”
É super legítimo lutar por direitos, o medonho é lutar por privilégios as custas do direito de alguém.
Brincar de ser cristão também é um direito — acreditar que o encardido faça o mesmo é só outra tolice.
O político influencer tem o direito de considerar idiotas seus asseclas apaixonados, mas não mais que ele.
Muitos fingem lutar por direitos ao buscarem privilégios em detrimento do direito de alguém.
Eles vestem a armadura do discurso justo, empunham bandeiras coloridas e erguem palavras como se fossem espadas morais.
Dizem lutar por direitos, mas no fundo desejam apenas inverter a balança — não para equilibrá-la, e sim para fazê-la pender a seu favor.
A luta por direitos nasce do reconhecimento da dignidade comum.
Já a busca por privilégios nasce do medo de perder vantagens.
Direitos ampliam a mesa; privilégios escolhem quem pode sentar.
Os direitos libertam; os privilégios substituem correntes de lugar.
Há uma diferença muito sutil — e também muito perigosa — entre justiça e conveniência.
Quando alguém reivindica algo que, para existir, precisa reduzir o espaço legítimo do outro, talvez não esteja defendendo um Direito, mas disputando Superioridade.
E toda superioridade travestida de virtude carrega o germe da injustiça.
É fácil se comover com o próprio discurso.
Difícil é examiná-lo com honestidade.
Porque defender direitos exige coerência: o que peço para mim deve caber também ao outro, inclusive àquele de quem discordo.
A verdadeira luta por direitos não escolhe favoritos.
Ela não humilha para incluir, não exclui para compensar, não silencia nem divide para vencer.
Ela constrói pontes onde antes havia muros.
No fim, a pergunta que resta é tão simples quanto desconcertante: estamos ampliando a Liberdade Coletiva ou apenas redesenhando o Mapa dos Privilégios?
A resposta começa no espelho da consciência.
Prefiro me preservar no Direito de não me Descrever para não tropeçar no infortúnio de me Enaltecer
ou me Limitar.
Toda tentativa de nos definir carrega um risco muito silencioso: o de transformar um instante em sentença.
Pois, quando nos descrevemos, quase sempre recorremos ao que já sabemos sobre nós, ao que já fomos, ao que os outros reconheceram ou criticaram.
E assim, sem perceber, vamos vestindo uma versão de nós mesmos que pode até nos servir por um tempo, mas que também nos aprisiona.
Enaltecer-se demais é cair na armadilha da própria estátua: bonita, admirável, mas imóvel.
Limitar-se demais é aceitar uma moldura estreita para uma vida que ainda tem espaço para tantos contornos inesperados.
Entre uma coisa e outra, talvez exista uma Sabedoria Discreta em permanecer inacabado.
Há uma liberdade profunda em não se definir com tanta pressa.
Em permitir que a vida nos contradiga, nos amplie, nos transforme.
Quem se descreve demais começa a defender a própria descrição; quem se preserva um pouco mais, continua disponível para se tornar algo que ainda nem sabe.
Talvez seja por isso que algumas pessoas preferem caminhar sem tantas legendas sobre si mesmas.
Não por falta de identidade, mas por respeito ao grande mistério de ainda estar em construção.
No fim, há algo de muito belo, charmoso e humano em aceitar que somos maiores que qualquer frase que possamos escrever sobre nós.
No universo Democrático, até o direito do cidadão alugar a própria cabeça para os Políticos-influencers deve ser rigorosamente respeitado.
E talvez seja justamente aí que more um dos paradoxos mais inquietantes da vida em sociedade: a Liberdade que protege o Pensamento Crítico é a mesma que abriga, sem constrangimento algum, a abdicação dele.
A democracia não exige lucidez — ela permite tanto o exercício pleno da consciência quanto a sua terceirização conveniente.
Pensar por conta própria dá muito trabalho.
Exige tempo, disposição para o desconforto, coragem para lidar com contradições e, sobretudo, humildade intelectual para reconhecer a própria ignorância.
É um processo solitário, muitas vezes ingrato, que não oferece aplausos imediatos nem a segurança acolhedora das certezas fabricadas.
Diante disso, não é difícil entender por que tantos preferem aderir a ideias embaladas, mastigadas e entregues com a sedução de quem promete simplificar até o mundo.
Os tais “políticos-influencers” não criaram esse fenômeno — apenas o profissionalizaram.
Eles compreendem, com precisão quase cirúrgica, que a disputa não é apenas por votos, mas por mentes disponíveis.
E encontram terreno fértil numa sociedade cansada, sobrecarregada e, em muitos casos, pouco incentivada a desenvolver pensamento crítico desde a base.
O grande problema não está apenas em quem fala, mas em quem escuta sem filtrar.
Em quem consome opiniões como se fossem verdades inquestionáveis.
E em quem transforma afinidade em argumento e carisma em credibilidade.
Há uma diferença bastante abissal entre concordar com alguém após reflexão e simplesmente adotar o pacote completo de ideias por pura identificação emocional.
Ainda assim, a democracia não pode — e nem deve — interditar essa escolha.
Obrigar alguém a pensar seria, em si, uma contradição de seus princípios mais fundamentais.
O direito de ser influenciado, de errar, de seguir atalhos intelectuais, faz parte do mesmo conjunto de liberdades que garante a quem quiser o direito de questionar, investigar e discordar.
Mas respeitar esse direito não significa romantizá-lo.
Há um custo coletivo muito alto quando a preguiça de pensar se torna regra.
O debate público se empobrece, a complexidade é substituída por slogans, e decisões que afetam milhões passam a ser guiadas por narrativas rasas.
A longo prazo, a própria democracia — que depende de cidadãos minimamente conscientes — começa a se fragilizar e a se minar.
Mas talvez o ponto mais delicado seja admitir que ninguém está completamente imune a essa tentação.
Em algum grau, todos — ou quase todos — já alugamos pequenos espaços da nossa cabeça para ideias que não examinamos com o rigor necessário.
A grande diferença está na frequência e na disposição em retomar as chaves.
No fim, a liberdade de pensar por conta própria — ou não — continuará sendo um dos pilares mais incômodos e fascinantes da democracia.
Cabe a cada um decidir se prefere o conforto de uma mente ocupada por terceiros ou o desafio, muitas vezes solitário, de habitar plenamente a própria consciência.
Brincar de ser Cristão também é um Direito — acreditar que o Encardido faça o mesmo é só outra Tolice.
Há quem vista a camisa da fé como se veste uma fantasia: para impressionar os outros, para parecer melhor do que é, para esconder contradições que, à luz de uma consciência honesta, seriam difíceis de sustentar.
Fala-se muito de Deus com a boca, mas nem sempre se permite que Ele alcance aquilo que realmente precisa ser transformado.
Ser Cristão, porém, nunca foi um concurso de aparências.
Não está nos gestos ensaiados, nas palavras decoradas, na quantidade de correntes e versículos publicados ou na facilidade com que alguém aponta o pecado alheio.
A Fé verdadeira costuma ser muito menos barulhenta e muito mais exigente: começa quando ninguém está olhando.
Porque é fácil parecer bondoso diante de uma plateia.
Difícil é ser misericordioso sem esperar a recompensa do aplauso.
É muito fácil defender a Verdade quando ela nos favorece.
Difícil é reconhecê-la quando nos confronta.
É fácil falar sobre perdão; difícil é abandonar o prazer mórbido de permanecer ressentido.
Talvez por isso exista tanta confusão entre professar uma fé e vivê-la.
O Discurso Religioso pode ser usado para esconder vaidades muito pouco religiosas.
O que não falta são pessoas se valendo do Santo Nome de Deus e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover.
E há uma ironia quase sutil nisso: quanto mais alguém precisa provar aos outros que é Cristão, talvez menos tempo esteja encontrando para examinar o próprio coração.
Também não deixa de ser curioso esperar que o “encardido” respeite aquilo que nós mesmos transformamos quase sempre em espetáculo.
O mal não precisa necessariamente destruir uma crença; às vezes basta torná-la superficial, transformando convicção em aparência, espiritualidade em vaidade e religião em instrumento de julgamento.
No fim, a fé não deveria servir para nos colocar acima de ninguém, mas para nos lembrar de quem somos quando tiramos as máscaras.
O verdadeiro Cristianismo talvez comece justamente nesse ínterim desconfortável em que deixamos de representar e admitimos nossas próprias Misérias.
Porque brincar de ser Cristão pode até ser um Direito.
Mas viver como um — exige-nos muita coragem para deixar de brincar.
Despertai-vos!
O Estado Democrático de Direito ,se rege pelo Devido Processo Legal,tal processo deve ser substanciado pela ampla defesa e contraditório,dar seguimento a um processo sem utilizar os elementos analogos ao Estado Democrático de Direito,lesiona a Paridade de Armas,e nos leva a autotutela.a autotutela é a maior homicida da Constituição
Não tenha raiva da chuva, pois como o ser humano pode sentir a falta do outro, o céu tem o direito de chorar por estar separado eternamente da terra.
Algumas pessoas não tem mais o direito de reclamar da vida, que tem algo errado ou que não vive feliz. Muitos tem oportunidades, mais poucos sabem aproveitar o que a vida coloca em seu caminho. Pra ser sincero não sei o que falta. Talvez falta amor próprio, um pouco de coragem, quem sabe convicção. O fato que nada muda o passado, mais nossas vidas serão futuramente resultado de nossas escolhas agora. Não basta simplesmente plantar as flores, elas precisam serem regadas para que cresçam saudáveis.
O único responsável pela sua felicidade é você mesmo!
- Relacionados
- Frases sobre Direitos
- Frases de trabalhador que inspiram e valorizam seu esforço
- Frases de Revolucionários
- Pensamento da Revolução Francesa
- 67 frases de bom dia especial para acordar com o pé direito ☀️
- 58 textos motivacionais para equipe de trabalho
- 52 frases de segurança do trabalho para colocar a cautela em 1.º lugar
