Dias
Há dias em que a única terapia é um banho quente, dissolvendo o peso que o dia insiste em deixar na pele.
Há uma fome que não passa com pão: é a fome de sentido. Comemos afazeres, mastigamos dias, e nada nos alimenta. O sentido chega como um peixe exausto na margem do corpo. É preciso mãos firmes para pegá-lo sem esfarelar. Quando o seguramos, aprendemos a mastigar vida com calma.
Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.
A alma não se revela nos dias de glória, mas nos instantes em que nenhum aplauso existe para sustentá-la. É no silêncio onde a verdade surge sem maquiagem, expondo as rachaduras que insistimos em esconder. Só na nudez da vulnerabilidade percebemos o tamanho do peso que carregamos. E às vezes, o maior milagre é continuar caminhando mesmo sem saber para onde ir.
Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.
Há dias em que a esperança veste roupas velhas e disfarça o medo. Ela caminha pela sala, tropeça, ri, insiste em ficar. Não é heroica, é teimosa e essa teimosia me sustenta, um ato minúsculo que repele a avalanche de desistências.
O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.
Os dias me ensinaram a carregar o mínimo necessário. Até o excesso de lembrança vira carga insuportável. Por isso guardo poucos objetos e muitas memórias escolhidas. Elas me aquecem como um fogo que não reclama. E me permitem caminhar sem tropeçar nas coisas velhas.
Há dias que parecem rascunhos mal colados. As frases saem tortas e os gestos, imprecisos. Reviro-os até que encontrem forma e razão. Algumas colagens funcionam, outras viram poesia de esquina. E a vida segue, improvisando imagens que valem.
Os dias ruins ensinam a valorizar os passos pequenos. Levantar da cama já se transforma em vitória. Talvez a grandeza da vida resida nesses mínimos. Somá-los é construir um caminho inteiro. E no final, ele será o suficiente.
Houve dias em que a fé foi mão que segurou a minha. Não fez milagres espetaculares, só presença. Quando tudo fraquejava, essa mão continuou. Hoje sei que presença é forma de sustento. E a gratidão a ela é meu alimento secreto.
Abri os olhos e constatei que o destino azulineo no céu, ameniza os dias actuais, isentos de ceifeiras, isentos de humanidade.
Tem gente que tem cheiro de estrambelhado, respirando os dias que correm com a corda do tempo, e tem gente que sabe o dia em que dá vontade de jogar tudo para o alto. Mas aquilo que faz o seu coração pulsar mais rápido irá guardar onde ninguém poderá tocar. Tem gente que abraça o mundo e ele sorri de volta. Se joga para a vida, devolve flores e amores. Não quer maturidade o tempo todo. E tem gente que dança no chuveiro para lavar a alma e deixa escorrer pelo chão as coisas da vida que não valem a pena. Tem gente Sonha! Acredita que seguir em frente é necessário. Um coração que é capaz de sonhar pode te levar aonde você nunca pode imaginar, ...
Tem essa coisa de Gente
Essa,
Vida de Solteiro,
Alexandre Sefardi
Gosto de me apaixonar e se pudesse me apaixonaria todos os dias, por várias coisas, eu acho a paixão linda, ela é cheia de entusiasmos, nos traz sentimentos fortes... Se apaixonar é uma delícia, é saudável, é recomendado.
Se apaixone por você, por uma música, por um lugar, se apaixone pela sua vida, mas também não tenha medo da solidão. Sinta-se feliz em ter o suficiente mesmo que pareça pouco ou quase nada. Mesmo que no final seja apenas você com você mesmo (talvez o mais difícil).
Aproveite a Vida.
Vida de Solteiro.
Alexandre Sefardi
Tem dias que tudo pesa. A mente não para, e a solidão aperta no meio da confusão. Todos querem um pedaço de você, mas ninguém parece enxergar a sua luta.
Para. Respira fundo. Você não é essa pressão toda. Você é mais forte. Cada pequena coisa que você faz é um passo importante para a sua vida. A paz que você precisa já está dentro de você.
E se alguém sumir? Se o silêncio machucar? A verdade é essa: sua força não pode depender de quem não está. A sua luz é sua...
