Dias
Tem dias que parece que o mundo não faz sentido.
Você está aqui sozinha e você não vê ninguém, ninguém que possa te ouvir falar.
Porque todas as pessoas não te entendem, elas não te fazem feliz, elas nem ao menos te enxergam, e tudo que tu queres é gritar, colocar pra fora tudo aquilo que dentro de ti vai se acumulando.
Olho para o relógio e parece que o tempo tá parado, as horas não passam, tenho a sensação de estar presa, presa na solidão.
Meus sentimentos desconhecidos e estranhos vão machucando meu coração, me matando por dentro.
No momento não consigo pensar nos fatos, mesmo sabendo que isso vai acabar, que logo vai passar, afinal, a vida sempre dá voltas.
Eu tô cansada, eu cansei desse mundo, cansei de falsidades, cansei das mentiras, cansei da ilusão.
Entre resistir e desistir, minha desistência tá pesando mais.
Nesse momento o equilíbrio é fundamental, só ele vai continuar a me manter viva.
Respeite o meu tempo nublado, aquele dentro de mim. Há dias que irradio sol e outros que sou tempestade.
— Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas.
Agradeço a Deus tanto pelos dias de chuvas quanto pelos dias de sol, ambos existem por serem suas criações, e Ele não criaria nada que não tivesse sua utilidade.
Por que é que se gastam todos os dias milhões para a guerra se não há dinheiro para a medicina, os artistas e os pobres?
Preservar memórias é um gesto de amor com o tempo.
É recusar que os dias importantes se dissolvam no esquecimento apressado da rotina.
A fotografia revelada carrega um peso diferente. Ela atravessa o toque, o olhar demorado, o silêncio que se cria diante de uma imagem que permanece. Não depende de bateria, de senha, de um arquivo perdido entre tantos outros. Ela existe. Está ali. Respira junto com a casa.
Os passeios registrados não são apenas lugares visitados — são estados de espírito vividos. O riso que escapou sem aviso, o vento no rosto, a mão que segurou outra com força. Quando essas imagens ganham moldura, deixam de ser apenas lembranças pessoais e passam a fazer parte do ambiente, da história cotidiana, da identidade de quem habita aquele espaço.
Uma fotografia emoldurada não é decoração.
É presença.
É memória que se recusa a ser esquecida no fundo de um celular.
É o passado caminhando suavemente ao lado do presente.
Há algo profundamente humano em passar por uma parede e ser atravessado por uma lembrança. Em parar por alguns segundos diante de uma imagem e sentir o coração reconhecer aquele instante. Como se a vida dissesse: isso foi real, isso foi seu, isso valeu a pena.
Emoldurar fotografias é escolher o que merece permanecer visível.
É dar honra aos dias que nos moldaram.
É permitir que as memórias nos acompanhem, não como nostalgia, mas como raiz.
Porque algumas lembranças não nasceram para ficar guardadas.
Elas nasceram para serem vistas, sentidas e revisitadas — todos os dias.
Por Jorgeane borges 8 de Janeiro 2026
E quando te trato mal, são dias te amando aqui, nos espaços vazios que você jamais preencheria e que são absolutamente você
Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, 0K?
Há dias cheios de vento,
há dias cheios de raiva ...
há dias cheios de lágrimas.
Mas depois ...
Existem dias cheios de amor,
que nos dão a coragem de ir em frente,
todos os dias de nossas vidas.”
Você pode escolher a pessoa que quer se tornar. Todos os dias você decide se continua do jeito que é ou muda. A grande glória do ser humano é poder participar de sua autocriação.
O dia em que caí sem minhas asas
Aqueles dias sombrios quando eu estava presa
Você deveria ter acabado comigo quando teve a chance
