Devaneio
Sobre tudo…
Donos de tudo, de tudo mesmo, mas, tudo esvai-se, devaneio e me volto, tudo, é sério.
Tudo desejo, tudo quero, tudo posso, tudo espero, tudo é meu, tudo encanto, tudo vou, tudo encerro, tudo corro, tudo é pressa, tudo ordeno, tudo erro.
Num mundo em que tudo é nada, lá vou eu pintando a minha estrada, não sei ao certo pra onde vou, não sei nada do que encontrarei, não sei, só sei que me perdir.
Não sei, realmente não sei como vim parar aqui, ah, eu lembro, eu me trouxe, mas, não sei quando e nem como. Aqui estou, será que é sonho, uma quimera, é muito raro, muita miséria.
Um preço pago por linhas tortas, eu escrevi e Deus se importa, quer corrigir e eu proíbo, quer me unir, só eu consigo, assim pensando vou me perdendo de hora em hora, mais me prendendo, a um caos tamanho, um cais vazio, barcos partiram, ninguém me viu.
Puxo as correntes, nunca termina, a minha âncora enferrujou, olho pro lado, mais preso estou, ainda uma corda num cais me amarra, minha tristeza não se compara. Mas, me recordo, não sei, nunca naveguei, que barco é esse, eu enlouqueço, apenas eu.
Meus posts não se resumem a indiretas para pessoas, apenas materializo rotineiramente meus devaneios, pensamentos e indignações. Por hora expressando temas sinceros ou tão somente palavras que possam agradar a muitos corações.
Não se permita engodar pelo devaneio de expressões febris: é tudo parte intrínseca de um saco cheio de ar.
O SONHO é um devaneio, uma utopia que me habita, mas prefiro me entregar ao encanto, pois é nele que encontro a seiva que nutre minha alma e ilumina o caminho, e talvez, quem sabe, o sonho se torne o precursor de um amanhecer mais iluminado e fresco.
Encontrávamo-nos algures entre o devaneio e a escrita que desbota o tecido com que se cose a vida, a arte da escrita era, quiçá a nossa forma gémea de dissiparmos o nublado da vida e encetarmos a vida clarificada das letras sonhadas e por sonhar.
A ética é a verdade (realidade), assim como a sua ausência constitui a fantasia, o devaneio e a ilusão.
Satisfiz meu devaneio
Em teu colo, eu sentei
Cavalgando entre montanhas
Na profundidade, senti o teu falo
Nos teus olhos estava o mar.
DEVANEIO TRISTE
Nas lágrimas que borram o céu altivo
vejo a lua que chora triste e sombria
as estrelas já espremidas e sem brilho
na trágica sina dessa minha melancolia
No vão oco obscuro de minha incoerência
busco-te num coração flagelado e de luto
perambulando em busca de minha existência
sou uma peregrina enclausurada num reduto
Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi…
sigo nesse destino que congela e paralisa
nesse meu arrebatamento transfigurado em ti
Saudade enegrecida que causa tanto tormento
Círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
para mais uma vez não te ter nesse momento!
A Lucidez do Paraíso é o Instante do Devaneio
O Paraíso não é um jardim que nos espera,
com portões de pérola e árvores de ouro estático.
Não é uma recompensa por uma vida finda,
mas uma suspensão lúcida do tempo presente.
Ele reside naqueles instantes-limite,
em que a consciência se afina e a imaginação se liberta.
A lucidez é a navalha que corta o ruído do mundo,
reconhecendo o peso exato de cada elo da corrente.
Ela sabe: o muro é muro, a dor é dor, o efêmero é a regra.
Não há ilusão que resista à sua luz fria.
Mas a alma, cansada da geometria do real,
não aceita a clausura do que é apenas "fato".
Então, o devaneio se apresenta.
Não como uma fuga cega ou uma negação covarde,
mas como a afirmação mais alta da potência do ser.
O devaneio é o arquiteto que refaz o mapa da realidade,
desenhando rios onde antes havia deserto,
dando voz ao silêncio que a rotina impõe.
É a permissão para que o possível
se sobreponha à tirania do presente.
E o Paraíso, finalmente, não é a terra de ninguém,
mas o ponto exato de interseção:
É a lucidez que reconhece a precariedade da vida
(sabe que o tempo vai passar, que a beleza é breve)
e, por isso mesmo, usa o devaneio
para saturar o momento com uma perfeição temporária.
É o piscar de olhos onde a razão e o desejo conspiram:
"Isto não é real, mas é tudo o que importa."
Naquele instante de flutuação, a mente está desperta
(lúcida de sua própria criação),
e a alma está em êxtase
(devaneando um mundo que ela mesma sustenta).
O Paraíso, portanto, é a plena consciência da nossa capacidade de ser feliz, mesmo que seja apenas um pensamento. É o gozo da ilusão assumida.
É quando a mente, lúcida e livre, se permite voar.
Ilusão é muito mal falada. Por definição, engano ou erro e sinônimo de alucinação, devaneio, utopia, e por aí vai; porém, é um ótimo anestésico.
Meu Anseio
Anseio por ti, ó minha donzela,
meu íntimo passa noites em devaneio,
devaneando sobre o dia em que tornarei a ver-te,
almejando teus lábios nos meus.
Alimento o desejo de deitar-me em teu seio;
com tal zelo, sentir o palpitar do teu coração.
Assim, permaneço em enlevo,
envolto por tamanha candura e paixão.
Contemplo tua pele, alva como as nuvens.
Teus lábios, macios como pétalas de rosa;
teus cabelos loiros, quais delicados fios de ouro.
E teu olhar, tão brilhante quanto as estrelas do firmamento.
- Kaiane Macedo
É como se eu estivesse num devaneio taciturno, sem fim,
regredindo — pertencendo menos a este inóspito mundo.
Acordado, porém, inserido em um emocionante devaneio, estou em um cenário noturno, numa rua pouco iluminada, noite chuvosa, a lua está com um brilho discreto e no centro desta rica imagem que dedicadamente a observo, teu é o destaque, um inevitável encantamento.
Banquete muito aliciante para os meus olhos, a partir da tua bela silhueta sendo molhada pela chuva, usando um vestido simples, de tecido fino, um pouco acima dos joelhos, molhado e colado ao teu lindo corpo, estás graciosa, demonstrando um sentimento livre, intenso e audacioso.
Estou usando uma camisa alva de manga longa, desabotoada uns três botões abaixo da gola, ela está para fora da calça, descalço, também à vontade, felizmente, aqui, não tem mais ninguém, além de nós dois, dessarte, não seremos incomodados, uma favorável oportunidade.
Encantado profusamente, não posso perder tempo, vou me aproximando de onde tu estás, cada vez mais perto até estarmos um de frente para o outro e então, iniciaremos um deleitável momento, faremos valer este nosso encontro, acelerando amavelmente os nossos batimentos.
Sei que já estavas me aguarnando, considerando que não estás nada surpresa, que o teu olhar está alegre, brilhando com a minha chegada, irradiando uma notável veemência, a mesma que estou sentindo, finalmente, estamos juntos com os nossos desejos correspondidos.
Vou segurar-te pela cintura, juntando o teu corpo ao meu, beijarei a tua boca carnuda, um beijo profundo, sedento e demorado, uma vivacidade gradativa, meus braços pressionando as tuas costas, achegando-te mais ainda, embevecidos em uma sensação vívida bastante calorosa.
O calor e o impulso dos nossos instintos só fazem aumentar, instigando os nossos movimentos atrevidos, minha mão está debaixo do teu vestido, apertando e acariciando a tua nalga, enquanto, cheiro o teu pescoço e vou descendo, beijando suavemente, um sabor prazeroso.
Com as tuas mãos apoiadas nos meus ombros, levanto a tua perna, deixando-a encostada na altura da minha cintura e nesta troca de afetos, em breve, banhados pela mistura das águas celestes com o nosso suor derramado, após o nosso êxtase ser reciprocamente alcançado.
A Jovialidade de um Devaneio Poético numa Dança Audaciosa.
Ao avistá-la, eu fiquei fascinado, ela, como sempre, estava linda, serena, pensativa, expondo a sua jovialidade atraente e certamente trazendo aquela emoção intensa no seu coração; parecia até que uma arte veemente havia ganhado vida ou que a inspiração tinha sido personificada — presença marcante e bastante expressiva, cuja intensidade não se acaba, está cada vez mais viva na essência da sua alma.
Em pouco tempo, a partir daquela ocasião exata, a minha mente e os meus olhos ficaram impactados, entrei em um daqueles devaneios que a poesia me permite e logo, estávamos juntos em um belo cenário, onde a nossa euforia era verdadeiramente recíproca e sublime; um pôr do sol de verão já estava presente, nos proporcionando uma iluminação naturalmente calorosa, enquanto os nossos olhares conversavam intensamente.
A realidade a nossa volta prontamente foi congelada e de mãos dadas viajamos ao passado, fomos para uma época distante quando o essencial era mais valorizado; tudo ao redor está coberto por um nevoeiro, entretanto, conseguimos chegar até as margens de um rio, pois estava iluminado por várias estrelas; de repente uma canção intensa foi tomando conta, nos convidando a dançarmos sobre as águas uma dança audaciosa com o fervor das nossas almas.
O Desejo de uma Última Dança e a Esperança de um Reencontro
No recanto de mais um devaneio poético, inspirado profundamente em uma história de amor, eu o vejo no céu lá no alto, observando atenciosamente a sua amada que ficou; certamente, sempre que ele a observa, pensa:
“Se eu pudesse ter pelo menos mais um momento ao teu lado, dançaríamos uma última dança; estaríamos sorridentes, os nossos corações bateriam sincronizados, nossos olhares brilhariam alegres e o tempo passaria ignorado — um privilégio que não teria nenhum desperdício. Um sonho realizado”
“Infelizmente, isso está fora do meu alcance; o que me resta é continuar te observando, até que possas um dia estar aqui comigo, pois o nosso amor continua vivo e o nosso laço será eterno; ainda desfrutaremos de um profundo regozijo, nossos corpos serão renovados e estaremos novamente reunidos.”
Quando a poesia se junta com o imaginário, o impossível passa a ser realidade, mesmo que seja apenas na minha mente, em tons de saudades, de uma imaginação impaciente, de sentimentos e verdades, todos coexistentes.
2832 📜 Enquanto Outubro não chega, qualquer Tentativa vira Devaneio ou Exibicionismo ou Fanfarronice... Ou tudo isso junto!
O devaneio faz com as pessoas crie esperança que é capaz de tudo.Pena que o mundo faz com que estes sonhos tornem-se tão cruéis.
