Deus fez Vc para Mim
O amor mais bonito é o de Deus
pois me faz conviver com a sua beleza
mesmo em fartos campos de guerra
me conduz em paz pelos cantos da Terra.
Criança sorridente
A alma arguta
Aproveita teu tempo
Meu anjo
Teus pedidos, Deus escuta
Perceba, não faz sentido
Abrir mão do pouco tempo
Que possuis
A querer viver depressa
A vida aqui na frente
É muito astuta
Crescer se faz premente
Se soubesses realmente
O que é a vida
Deixaria-se ficar
Pra sempre assim
Os jardins da vida adulta
Não tem flores
Parece ter
Mas você não poderá
Jamais tocá-las
Aproveita um pouco mais
A voz materna
Que te embala.
Talvez Deus tenha permitido ao homem multiplicar as línguas para que descobrisse a diversidade, mas reservou à Matemática uma linguagem em que a verdade não se curva à pronúncia. Nela, pouco importa a língua de quem pensa ou o caminho que percorre: quando a razão encontra o rigor, diferentes pensamentos convergem para a mesma verdade.
Daniel Perato Furucuto, 2026
Eu peço a Deus
que me livre de estar perto
no dia em que toda existência
Tiver sido um livro que já foi lido
Eu quero viver no Saara
Cujas estrelas no céu
Não param nem para brilhar
Eu também quero um olhar amigo
Que me leve no abrigo de uma oração
E que eu traga comigo, em meu coração
Qual sarça não consumida
Um jogo de paciência
Maior que o poder do fogo
A força que não supera
A divina ciência, aquela que ensina
Ser a simples passagem do tempo
A semente que cresce
Pra envelhecer em floresta
E agora aquele imenso mar, evapora
Mas eu vou estar bem distante
Quisera trazer comigo nesse dia
Uma boa lembrança qualquer
Poder renascer criança
Num lugar onde Deus quiser.
Edson Ricardo Paiva.
Nunca foi só sorte, sempre foi a mão de Deus a te guiar.
Ele que trouxe bênção ou aprendizado, em cada passo do teu caminho.
Agradeça pelo o que ficou... e também pelo o que Deus embora levou!
Deus, teremos um grande papo no fim da linha, no fim da minha estrada, teremos muito o que dizer um para o outro.
Engraçado você pedir paz e fazer o inferno da vida do outro: fala de Deus, mas chama Lúcifer para jantar à mesa. Toma vergonha, rapaz! Quem quer paz, pratica a paz.
Deus, o cumpridor de promessas, quando pronuncia seu amor, revela a plenitude de Sua graça em nossas vidas.
PEÇA A DEUS.
Peça a Deus a serenidade quando a tempestade parecer maior que as forças do teu coração.
Peça a Deus coragem quando o medo sussurrar que já não vale a pena prosseguir.
Peça a Deus discernimento para distinguir aquilo que podes transformar daquilo que deves apenas aceitar com humildade.
Peça a Deus que não retire todas as pedras do teu caminho, mas que fortaleça teus passos para atravessá-lo com dignidade.
Peça a Deus um coração que saiba perdoar antes de julgar, compreender antes de condenar e amar antes de exigir.
Peça a Deus que teu espírito jamais se acostume com a indiferença, pois é nela que muitas almas adoecem silenciosamente.
Peça a Deus a luz da consciência, porque nenhuma claridade exterior substitui a paz de quem dorme com a própria alma reconciliada.
Peça a Deus que teu sucesso nunca seja maior que tua humildade, nem tua inteligência ultrapasse tua capacidade de amar.
Peça a Deus que tua fé não dependa dos dias felizes, mas permaneça firme quando o horizonte estiver coberto pelas sombras da dúvida.
Peça a Deus menos facilidades e mais sabedoria; menos aplausos e mais virtudes; menos desejos passageiros e mais valores eternos.
E, quando finalmente compreenderes que nenhuma oração sincera se perde no infinito, descobrirás que Deus jamais esteve distante. Era tua própria esperança que, por instantes, havia deixado de enxergar Sua presença.
Porque quem pede a Deus apenas aquilo que alimenta o corpo vive por um tempo; mas quem Lhe pede luz para iluminar a própria alma encontra um tesouro que nem o tempo, nem a dor, nem a morte poderão destruir.
" SE DEUS QUER QUE O ENCONTREMOS POR QUE É TÃO DIFÍCIL ENCONTRÁ-LO? "
A BUSCA DE DEUS À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA: LEI DIVINA, CONSCIÊNCIA MORAL E A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO.
Do livro: Migalhas Da Grande Mesa, Cap. X
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A indagação sobre a dificuldade humana em encontrar Deus acompanha a história das civilizações. Desde os primeiros registros filosóficos até as grandes tradições religiosas, o ser humano procura compreender a origem da vida, o sentido da existência e a presença do Criador diante das aparentes ausências, dos sofrimentos e dos silêncios que atravessam a experiência terrestre.
Sob a perspectiva espírita, entretanto, Deus não se apresenta como uma realidade distante ou oculta por completo, mas como a Inteligência Suprema, causa primeira de todas as coisas. A dificuldade em percebê-Lo não estaria em uma ausência divina, mas nas limitações momentâneas da criatura, ainda em processo de amadurecimento intelectual e moral.
DEUS E A LEI DIVINA: A PRIMEIRA QUESTÃO DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Allan Kardec inicia O Livro dos Espíritos com uma pergunta fundamental:
“Que é Deus?”
E os Espíritos respondem:
“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”
(O Livro dos Espíritos, questão 1).
A formulação é profundamente filosófica. Kardec não pergunta “quem é Deus?”, mas “que é Deus?”, conduzindo o pensamento humano para uma investigação racional sobre a origem e a natureza do princípio criador.
Do ponto de vista antropológico, essa busca demonstra uma característica essencial da humanidade: a consciência de transcendência. Diferentemente dos outros seres vivos, o homem questiona sua própria existência, procura significado e estabelece valores. A ideia de Deus surge como uma das expressões mais profundas da consciência humana em busca de fundamento para a moral e para a ordem universal.
Na visão espírita, Deus não precisa ser encontrado apenas em manifestações extraordinárias, mas também na harmonia das leis naturais, no desenvolvimento da inteligência, na consciência moral e na capacidade humana de amar.
A LEI DIVINA GRAVADA NA CONSCIÊNCIA.
A questão 621 de O Livro dos Espíritos apresenta uma das afirmações mais luminosas da filosofia espírita:
“Onde está escrita a lei de Deus?”
Resposta:
“Na consciência.”
Essa resposta possui grande profundidade psicológica e filosófica. A consciência é apresentada como um núcleo interior onde o Espírito reconhece, gradualmente, os princípios do bem, da justiça e da responsabilidade.
Mesmo quando a criatura se distancia dos valores superiores, permanece nela uma percepção íntima do certo e do errado. Essa voz interior, muitas vezes abafada pelos interesses imediatos, pelos condicionamentos sociais ou pelas paixões desordenadas, representa uma orientação para o progresso espiritual.
A psicologia moderna reconhece que o ser humano possui mecanismos internos relacionados à ética, à empatia e ao julgamento moral. O Espiritismo amplia essa compreensão ao afirmar que a consciência não é apenas resultado da experiência biológica ou social, mas patrimônio espiritual adquirido ao longo da evolução do Espírito.
OS DEZ MANDAMENTOS E A EDUCAÇÃO MORAL DO ESPÍRITO.
Os Dez Mandamentos, apresentados no Antigo Testamento (Êxodo 20), representam uma das mais importantes sínteses da legislação moral da humanidade.
Eles estabelecem princípios fundamentais:
reconhecimento da soberania divina;
respeito à vida;
valorização da família;
honestidade nas relações;
domínio sobre desejos e sentimentos inferiores.
Sob uma análise filosófica, os Mandamentos funcionam como um código de organização moral da sociedade humana. Antropologicamente, revelam a necessidade universal das comunidades humanas estabelecerem princípios para evitar o caos, a violência e a injustiça.
Na perspectiva espírita, essas leis não devem ser compreendidas apenas como imposições externas, mas como etapas educativas para o Espírito compreender a Lei Divina inscrita em sua própria consciência.
Jesus amplia essa compreensão ao afirmar:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. (...) Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
(Mateus 22:37-39).
Para o Espiritismo, Jesus é o modelo e guia da humanidade (O Livro dos Espíritos, questão 625), pois sua mensagem revela a finalidade maior da evolução espiritual: transformar o conhecimento em amor e o dever em fraternidade.
A PRECE, O SILÊNCIO DE DEUS E O APERFEIÇOAMENTO ESPIRITUAL.
Muitas pessoas questionam: se Deus existe, por que nem sempre responde às orações?
A Doutrina Espírita ensina que a prece não tem como finalidade modificar os desígnios divinos, mas transformar o próprio indivíduo, fortalecendo sua fé, sua resignação e sua capacidade de enfrentar as provas necessárias ao crescimento espiritual.
Nem todo silêncio representa abandono. À semelhança de um educador que permite ao aprendiz desenvolver suas próprias capacidades, Deus concede ao Espírito liberdade e responsabilidade para conquistar sua evolução.
A ausência de respostas imediatas não significa ausência de amparo, mas pode representar uma oportunidade de amadurecimento interior.
A FINALIDADE DO ESPÍRITO: EVOLUIR PELO CONHECIMENTO E PELO AMOR.
A questão 659 de O Livro dos Espíritos pergunta:
“Qual o caráter geral da prece?”
Os Espíritos respondem:
“A prece é um ato de adoração.”
Mas a verdadeira adoração, segundo a Doutrina Espírita, não consiste apenas em palavras ou rituais externos. Ela manifesta-se principalmente pela transformação moral, pela prática do bem e pelo esforço constante de aperfeiçoamento.
Encontrar Deus, portanto, não é apenas uma experiência intelectual; é uma conquista moral. Quanto mais o Espírito desenvolve a bondade, a justiça e a fraternidade, mais percebe a presença divina na própria consciência.
CONCLUSÃO:
A dificuldade humana em encontrar Deus não decorre de uma ocultação divina, mas do estágio evolutivo da própria humanidade. O Criador permanece presente nas leis universais, na consciência moral e na oportunidade constante de crescimento espiritual.
A mensagem espírita convida o ser humano a substituir uma busca exterior e angustiada por uma construção interior: conhecer Deus pelo estudo, senti-Lo pelo amor e demonstrá-Lo pelas atitudes.
Frase:
“Aquele que ilumina a própria consciência com o conhecimento e o amor descobre que Deus nunca esteve distante; apenas aguardava o despertar do Espírito para ser reconhecido.”
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões 1, 621, 625 e 659. Paris, 1857.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Paris, 1864.
Bíblia Sagrada. Êxodo 20 — Os Dez Mandamentos.
Bíblia Sagrada. Mateus 22:37-39 — O mandamento maior do amor.
KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Paris, 1868.
A PRESENÇA DIVINA NA CONSCIÊNCIA HUMANA.
A relação entre o ser humano e Deus não se estabelece na superfície da vida exterior, mas no recolhimento silencioso da consciência, onde o pensamento ganha força de ação e o sentimento se converte em diretriz íntima. Não se trata de uma distância a ser vencida, mas de uma realidade a ser reconhecida. Deus não se encontra como figura distante, mas manifesta-se no interior da própria existência.
Segundo a tradição espiritualista, conforme sistematizada por Allan Kardec, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Esta afirmação não se limita ao campo da teoria, pois impõe ao indivíduo uma responsabilidade profunda. Se Deus é a causa, o ser humano é resultado consciente em processo de aperfeiçoamento, portador de leis inscritas em sua própria consciência.
Nesse sentido, a consciência não é apenas um fenômeno da mente, mas um tribunal moral constante. Cada pensamento cultivado, cada intenção sustentada, estabelece uma afinidade que aproxima ou afasta o espírito da harmonia divina. A lei de Deus não se impõe de fora para dentro, mas revela-se internamente como verdade reconhecida pelo próprio ser.
Léon Denis amplia essa compreensão ao ensinar que Deus se revela por meio das leis naturais, acessíveis à razão e ao aprimoramento moral. Não há arbitrariedade no divino, mas ordem. Não há privilégios, mas justiça. A dor, muitas vezes interpretada como castigo, revela-se como instrumento educativo, mecanismo de reajuste e despertar da consciência.
Sob o olhar da psicologia, a ideia de Deus relaciona-se diretamente com o sentido da existência. A ausência de transcendência conduz ao vazio interior, enquanto a percepção de uma ordem superior reorganiza a vida psíquica, oferecendo direção, significado e estabilidade. A espiritualidade, portanto, não representa fuga, mas aprofundamento da própria realidade.
No ensinamento evangélico, a expressão "o Reino de Deus está dentro de vós" sintetiza essa verdade com clareza. Deus não é encontrado como algo externo, mas reconhecido à medida que o indivíduo se transforma. A renovação íntima não é um ato isolado, mas um processo contínuo de elevação moral.
A história das civilizações demonstra que a ideia de Deus sempre acompanhou a humanidade na busca por compreender sua origem e destino. Com o amadurecimento do pensamento, essa compreensão evolui, deixando de lado o temor cego para dar lugar a uma percepção mais elevada, onde Deus é entendido como princípio presente e ativo na vida.
Assim, a relação entre você e Deus não se mede por palavras ou rituais, mas pela retidão dos pensamentos, pela dignidade das ações e pela sinceridade das intenções. Deus não exige aparência. Exige verdade.
E no silêncio onde não há testemunhas, onde nenhuma aparência se sustenta, é ali que essa relação se manifesta em sua forma mais autêntica e inquestionável.
"Quem se transforma descobre que jamais esteve distante da Fonte, apenas se afastou da própria consciência."
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DEUS E VOCÊ.
— A ALIANÇA SILENCIOSA QUE SUSTENTA A EXISTÊNCIA.
A relação entre o ser humano e Deus não se estabelece por imposições exteriores, nem por ritos vazios repetidos mecanicamente ao longo dos séculos. Trata-se de um vínculo íntimo, anterior a qualquer cultura, anterior à própria linguagem, inscrito na consciência como lei viva e atuante. Desde as civilizações mais antigas, a humanidade buscou compreender essa presença invisível que orienta, corrige e consola, reconhecendo, ainda que de forma imperfeita, que há uma inteligência suprema governando todas as coisas.
Na perspectiva da filosofia espiritualista, especialmente sob a ótica espírita sistematizada por Allan Kardec, Deus não é uma abstração distante, mas a causa primária de tudo o que existe, conforme exposto em "O Livro dos Espíritos", questão 1, publicada em 18 de abril de 1857. Essa definição não apenas inaugura um pensamento racional sobre o divino, mas desloca o homem da passividade para a responsabilidade moral. Se Deus é a causa primeira, o homem é o agente consciente de suas próprias escolhas dentro dessa criação.
Essa compreensão implica uma consequência profunda. Deus não se impõe ao indivíduo, mas se revela por meio das leis naturais, especialmente a lei moral, inscrita na consciência. Cada ato, cada intenção, cada pensamento estabelece uma sintonia com essa ordem universal. Não há favoritismo, não há privilégios, apenas a perfeita correspondência entre causa e efeito, princípio esse que rege a evolução espiritual ao longo do tempo.
Sob o olhar da psicologia espiritual, essa relação pode ser compreendida como um diálogo constante entre o eu profundo e a ordem divina. Quando o indivíduo se afasta dos princípios do bem, experimenta o desequilíbrio, a inquietação e o sofrimento. Quando se alinha com a justiça, a caridade e a verdade, encontra paz e lucidez. Não se trata de recompensa externa, mas de um estado íntimo que decorre da harmonia com as leis universais.
A antropologia das religiões demonstra que, em todas as épocas, o homem buscou Deus fora de si, em templos, símbolos e sistemas. Contudo, o avanço do pensamento filosófico e espiritual indica um movimento inverso. Deus não está distante. Ele se manifesta na consciência, na razão e no sentimento elevado. Essa interiorização do divino representa uma maturidade espiritual, na qual o indivíduo deixa de temer Deus para compreendê-lo.
A tradição evangélica reforça essa ideia ao apresentar o Reino de Deus como realidade interior, acessível a todos que se transformam moralmente. Não é um lugar geográfico, mas um estado de consciência. Assim, Deus e você não estão separados por distância, mas apenas pelo grau de percepção e entendimento.
Portanto, a relação com Deus não exige espetáculos, nem provas exteriores. Exige coerência, disciplina moral e vigilância interior. É no silêncio das decisões cotidianas que essa ligação se fortalece ou se enfraquece. É na escolha entre o egoísmo e a caridade, entre a vaidade e a humildade, que o homem define sua proximidade com o divino.
A grande questão não é onde está Deus, mas em que estado você se encontra para percebê-lo.
"Frase " Aquele que ordena a própria consciência segundo o bem descobre que Deus nunca esteve distante, apenas aguardava ser reconhecido na retidão silenciosa do próprio espírito.
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" Aquele que ordena a própria consciência segundo o bem descobre que Deus nunca esteve distante, apenas aguardava ser reconhecido na retidão silenciosa do próprio espírito."
" _ Mestre como faço para auxiliar alguém que esta distante de Deus?
_ Sim! Fácil, busque ficar mais próximo dele. "
QUANDO O SORRISO SE TORNA SILÊNCIO.
Capítulo I
Livro: O Silêncio De Deus.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Ela estava condenada pela matéria. Eu, condenado pela antecipação.
Havia nela uma doença que a consumia. Em mim, uma ausência de tempo que me dilacerava.
Ela sorria. Eu também.
Mas o sorriso dela era um véu. O meu, um clamor.
Eu sabia. Sempre soube.
Ainda assim, sustentávamos aquele teatro delicado, onde dois corações fingiam não perceber a ruína iminente.
Ela ainda vivia.
E eu vivia apenas um pouco mais dentro dessa estranha realidade que, paradoxalmente, começava a adquirir sentido.
Já não havia tempo.
Ou talvez nunca tenha havido.
Se ao menos fosse possível trocar destinos.
Se o tempo dela pudesse ser o meu.
Se o meu pudesse tornar-se o dela.
Tudo por um único sorriso verdadeiro.
Adormeci sob o peso dessas reflexões.
E, no limiar entre o sonho e o abismo, ouvi um sussurro.
"Não era o tempo dela."
Despertei abruptamente.
O coração pulsava como um sino em desespero.
Cada segundo tornava-se uma vida inteira comprimida.
Corri.
Corri como quem tenta fugir do inevitável.
Corri como quem deseja alcançar o impossível.
Só ouvia o meu coração.
Batendo em duplicidade.
Como se tentasse viver por dois.
Ao chegar, o silêncio era mais eloquente que qualquer grito.
Soluços preenchiam o ambiente com uma dor que não precisava de tradução.
Olhares me atravessaram.
Olhares que diziam tudo.
Olhares que me concediam passagem sem que eu precisasse pedir.
E ali estava ela.
Serena.
Bela.
Mas já distante do ar que antes lhe pertencia.
Onde estava o sorriso.
Sobre seu corpo repousava uma folha simples.
Um último testemunho.
Li.
E cada palavra era um golpe.
"Eu não suporto mais.
Que todos me perdoem.
Eu sorrio falso.
Sorrio vazio.
Vivo um pesadelo dentro da própria vida.
Quem eu amo não voltará jamais."
Minhas mãos tremiam.
A visão se dissolvia em lágrimas.
Ao lado, um frasco.
Silencioso.
Mas mais eloquente que qualquer sentença.
Ajoelhei-me.
Não por escolha.
Mas porque a alma já não sustentava o corpo.
Continuei.
"Desculpe-me.
O seu sorriso é real.
Você sabe viver.
Eu não sei.
Estou presa a um passado que não compreendo.
Você pode me perdoar por não tentar.
Deixe-me partir com a esperança da sua compreensão.
Não sei o que existe além daqui.
Mas, se existir algo, espero encontrar novamente esse seu modo de sorrir.
Esse modo de fingir que me compreendia.
Olha.
Quão estranha é a vida.
Meu Deus.
Quão estranha."
O papel caiu de minhas mãos.
E naquele instante compreendi algo que nenhum tempo poderia ensinar.
Há dores que não pedem cura.
Pedem presença.
Há almas que não sucumbem pela morte.
Sucumbem pela ausência de sentido.
E há sorrisos.
Ah, os sorrisos.
Alguns são pontes.
Outros, despedidas disfarçadas.
Naquele quarto, o silêncio não era vazio.
Era absoluto.
E nele ecoava uma verdade que nenhum de nós ousou enfrentar enquanto havia tempo.
Que viver não é permanecer.
É compreender.
E compreender, às vezes, chega tarde demais.
Diga-me.
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