Desprezo para Homem

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Sentado no silêncio da noite, penso que o homem é pneumoultramicroscopicosílicovulcaniótico por dentro, porque respira poeira de volcões antigos sem notar.

Quando um partido se torna o cérebro do homem, o homem deixa de pensar.

O verdadeiro Evangelho exalta Deus, adora a Cristo, honra o Espírito Santo e confronta o homem; na ausência de qualquer um desses pilares, o que se proclama é outro evangelho.

"É verdade que cicatrizes na vida de um homem vêm e vão.
Uma ferida, um corte, profundo arranhão.
Faz do homem que as obtém mais sábio e, quando criança, mais perto do amadurecimento, da consolidação.
Mas, mesmo quando provectos, não entendemos as cicatrizes do coração e pensamos que fora tudo em vão.
Eu trocaria qualquer ferida em meu corpo por aquela paixão.
Preferiria um corte, um rasgo em minha face, que ter lhe entregue sequer uma única batida de meu coração.
Tolo é o homem feito, a criança é somente ingênua e a esta lhe cabe perdão.
Amaldiçoo cada lembrança que recai sobre mim como chuva do Sul, monção.
Ao nome dela não farei menção.
Ela não merece, mas ela sabe que me tem, o castanho dos olhos de um quase negro, de morena tez, minha perdição.
Queria que viesse e jamais fosse, mas sei que cicatrizes na vida de um homem vêm e vão..."

Um homem pode ser um rei, mas torna-se um lacaio quando é encantado por um amor falso.

Três são os tipos de homem que caminham sob o sol.
Há aquele que nada compreende;
há aquele que não compreende, mas deseja compreender;
e há aquele que se entrega ao mau caminho e dele faz morada.


O primeiro, ainda que aja, não discerne o fim de seus atos.
Faz por fazer, sem visão nem propósito.
Abomina o crescimento, pois crescer lhe exige esforço;
é lento no espírito, pesado no ânimo
e murmura contra tudo que o cerca.


O segundo é inquieto de alma.
Não entende, mas pergunta.
Não sabe, mas procura.
Refaz o que quebrou, quebra o que construiu
e torna a levantar, ainda sem aplauso nem reconhecimento.
Busca sentido no que faz
e sofre por não ser visto, ainda que siga adiante.


O terceiro é homem de ruína.
Difama com a língua,
calunia com o olhar,
usurpa com as mãos
e envergonha até os próprios dias que vive.


Mas bendito é o homem que não compreende e, ainda assim, busca entender.
Pois ele não se chama sábio,
mas não se considera vazio.
Sabe que lhe falta muito,
ainda que para outros não baste.
Ele tenta se ajustar,
mesmo quando o mundo não lhe concede lugar.
E nessa busca, ainda que imperfeita,
há mais beleza do que em toda falsa sabedoria.

Miserável é o homem que não questiona.
Habita a própria casa e não indaga quem caminha ao seu redor;
convive com seus atos e não os examina,
sejam eles tidos por bons ou por maus.


Aceita como certo aquilo que lhe foi ensinado,
sem jamais provar se o certo é justo
ou se o que julga errado o é de fato.
Vive preso à fé que recebeu pronta,
não porque a compreende,
mas porque lhe disseram que assim deveria crer.


Tal homem anda em círculos,
como o animal preso ao curral:
vê apenas o chão que pisa,
não contempla o campo distante,
e ainda assim chama isso de liberdade.
Bendito, porém, é o homem que não se curva a palavras vagas,
ainda que venham vestidas de verdade.
Ele pesa a prova, examina o fato,
e questiona até aquilo que lhe parece sólido.
Nisso consiste a sabedoria.


Pois loucura é crer em toda palavra que sai da boca alheia.
Qualquer um pode lançar uma semente à terra,
mas poucos sabem de onde ela veio.
Todos desejam plantar,
mas quase ninguém se recorda da colheita.

*O HOMEM QUE NÃO QUERIA SER PRESO*




Era final de tarde de domingo e minhas alegres visitas tinham partido.


A casa ficou com aquela aparência de lugar onde alguma coisa aconteceu, mas ninguém teve a educação de limpar depois. Havia copos sobre a mesa, brinquedos espalhados, migalhas no sofá e um cheiro de comida que já começava a perder a batalha para o cheiro de casa fechada.


Não me incomodei.


Algumas bagunças são provas de que a vida esteve ali.


O Sol decidiu Acompanhar as crianças e a chuva veio para o expediente.


O gato ficou.


Estava deitado na janela, olhando para a rua com a seriedade de quem aguardava uma decisão importante. As crianças tinham ido embora fazia pouco tempo e, aparentemente, aquilo tinha sido uma experiência marcante para ele.


Talvez tivesse descoberto que humanos pequenos são mais divertidos do que os grandes.


Ou talvez estivesse esperando que voltassem para continuar o serviço.


Eu sabia que não voltariam naquele dia.


Ele não.


Ficou olhando.


Quanto a mim, era apenas o outro morador da casa. Aquele que compra comida, abre a porta, limpa a caixa de areia e paga as contas.


Ele fazia um trabalho muito mais nobre.


Companhia.


Achei injusto.


Fui até a padaria.


Era uma dessas padarias de bairro que colocam algumas mesas na calçada e fingem que aquilo é uma extensão da sala de estar. Sentei do lado de fora. Dali dava para ver o parque, as árvores e os últimos pedaços de sol tentando atravessar os galhos.


O trânsito de domingo fazia pouco barulho.


Alguns carros passavam sem pressa. Pessoas caminhavam pelas calçadas. Um casal empurrava um carrinho de bebê. Um homem levava um cachorro que parecia mais interessado em qualquer coisa do que nele.


Era um bairro residencial. Não havia grandes lojas, vitrines iluminadas ou aquela necessidade permanente de convencer alguém a comprar alguma coisa de que não precisava.


O parque estava cansado.


Talvez eu também.


As árvores continuavam ali, mas tinham aquela aparência de coisa que sobrevive mais por hábito do que por vontade.


A natureza é muito mais honesta quando ninguém tenta fotografá-la.


Pedi um café.


Na mesa atrás da minha havia três mulheres.


Falavam alto o suficiente para dispensar qualquer esforço de escuta.


Conversavam sobre homens.


Pretendentes.


Ex-namorados.


Homens que sumiram.


Homens que apareceram demais.


Homens que não ligavam.


Homens que ligavam demais.


Uma delas dizia que precisava dar um jeito de prender um homem.


Falou aquilo com a naturalidade de quem estava discutindo uma receita.


As outras riram.


Depois começaram a trocar métodos.


Demonstrar menos interesse.


Depois demonstrar mais.


Fazer ciúmes.


Desaparecer por dois dias.


Voltar como se nada tivesse acontecido.


Não responder imediatamente.


Responder quando ele estivesse começando a desistir.


Fazer com que sentisse falta.


A velha engenharia do afeto.


Pensei que talvez o amor moderno fosse isso.


Um jogo de caça com aplicativos.


Uma espécie de pesca esportiva onde ninguém quer admitir que está segurando a vara.


Uma delas falou que homem gosta de quantidade.


Outra discordou.


Disse que o problema era encontrar um que prestasse.


Elas riram novamente.


Eu fiquei olhando para o café.


Já ouvi aquela história antes.


Em bares.


Quartos.


Mesas de restaurantes.


Às vezes falando de mim.


Às vezes falando de homens que eu conhecia.


Às vezes falando de homens que eu não conhecia e provavelmente não queria conhecer.


Ja houvi que sou um homem de muitas mulheres.


Talvez seja.


Ou talvez eu apenas tenha vivido tempo suficiente para descobrir que os rostos mudam muito mais rápido do que as cicatrizes.


As pessoas chegam.


Fazem barulho.


Deixam alguma coisa sobre a mesa.


Depois vão embora.


Algumas deixam perfume.


Outras deixam contas.


Quase todas deixam alguma história que você prefere não contar inteira.


Nunca fui muito bom em explicar isso.


A verdade é menos interessante do que parece.


Nunca procurei quantidade.


Só não sabia muito bem como procurar outra coisa.


Durante algum tempo, confundi desejo com companhia.


Depois confundi companhia com amor.


Mais tarde descobri que nenhuma das duas coisas servia para preencher uma casa vazia.


Eu queria abrigo.


Só isso.


Um lugar onde não precisasse estar em guarda o tempo inteiro.


E abrigo é uma coisa rara.


Principalmente entre pessoas que passaram a vida aprendendo a partir antes de aprender a ficar.


Talvez eu também tenha feito isso.


Talvez tenha chamado de liberdade aquilo que, em algumas ocasiões, era apenas medo de descobrir o que aconteceria se eu permanecesse.


As mulheres continuavam falando.


Uma delas dizia que o problema era deixar o homem confortável demais.


Eu quase ri.


Conforto virou ameaça.


Imagine isso.


Duas pessoas passam anos procurando alguém com quem possam descansar e, quando encontram, começam a desconfiar porque o outro parece confortável.


Talvez tenhamos aprendido a confundir paz com desinteresse.


Talvez o barulho seja mais fácil de reconhecer como paixão.


Eu já confundi.


Muitas vezes.


Conquistar alguém é fácil.


No começo tudo ajuda.


A novidade ajuda.


O desejo ajuda.


A mentira ajuda.


Até o silêncio parece interessante quando ainda existe mistério.


Depois chegam as contas.


As manias.


Os dias ruins.


O mau humor.


As doenças.


Os parentes.


As mensagens não respondidas.


A roupa jogada no lugar errado.


A mesma história contada pela terceira vez.


O silêncio que não tem nada de sexy.


É aí que começa o trabalho.


E é aí que muita gente vai embora.


Não porque deixou de amar.


Às vezes porque descobriu que amar dá trabalho.


A mulher da mesa atrás falou que ninguém deve deixar um homem completamente livre.


Pensei no gato.


Ele tinha liberdade para sair pela janela.


Não saía.


Tinha comida.


Tinha água.


Tinha um lugar quente para dormir.


E ainda assim ninguém havia colocado uma tela naquela janela.


Talvez fosse esse o segredo que os humanos complicaram.


Não quero possuir ninguém.


Posse é medo fantasiado de amor.


Se alguém ficar ao meu lado, quero que fique porque poderia ir embora.


Quero que a porta esteja aberta.


Quero saber que existe uma rua do outro lado.


Quero que a pessoa possa caminhar para qualquer lugar e, mesmo assim, em algum momento, decida voltar.


Isso é muito diferente de prender alguém.


Prender é fácil.


Até animais sabem fazer isso.


O difícil é ser escolhido quando ninguém é obrigado a escolher você.


Fiquei olhando para o parque.


O sol já tinha descido mais um pouco e a chuva escurecia as ruas.


As sombras das árvores, sob relâmpagos atravessavam a calçada.


Um homem passou empurrando uma bicicleta.


Uma senhora caminhava rapido com duas sacolas de mercado.


Do outro lado da rua, um menino corria atrás de uma bola enquanto alguém gritava seu nome.


A cidade fazia o que sempre faz no domingo.


Tentava parecer tranquila.


Mas havia qualquer coisa de cansado em tudo aquilo.


Talvez porque domingo seja o dia em que as pessoas percebem que segunda-feira existe.


Pedi outro café.


A mesa atrás de mim tinha ficado mais silenciosa.


Por alguns segundos.


Depois uma delas disse que o problema era encontrar alguém que soubesse ficar.


Dessa vez ninguém riu.


Achei curioso.


Talvez aquela fosse a única coisa verdadeira que tinham dito naquela tarde.


Ficar.


É uma palavra pequena.


Mas custa caro.


Eu não me apaixono pela perfeição.


Nunca me interessou.


A perfeição é uma mentira bem vestida.


Gosto de quem sangra.


De quem tropeça.


De quem já perdeu uma guerra e ainda aparece no dia seguinte com a cara amassada para tentar outra vez.


Talvez porque eu conheça esse tipo de gente.


Talvez porque eu seja esse tipo de gente.


Carrego ferrugem na alma.


Algumas rachaduras.


Há coisas que o tempo não consertou.


Apenas ensinou a esconder melhor.


Também erro.


Muito.


E talvez tenha demorado mais do que deveria para entender que continuar presente na vida de alguém pode ser mais difícil do que conquistá-la.


No começo, quase todo mundo sabe ficar.


Depois é que começam os problemas.


Quando o encanto diminui.


Quando o outro deixa de parecer uma descoberta e passa a parecer uma pessoa.


Com seus defeitos.


Suas manias.


Seus medos.


Sua história.


Seu mau humor.


É nesse momento que você descobre se estava apaixonado pela pessoa ou pela versão que inventou dela.


Eu já tive versões.


Algumas bastante convincentes.


Nenhuma durou muito.


A maturidade talvez seja justamente isso.


Parar de procurar alguém que nos faça sentir completos e começar a procurar alguém diante de quem não precisamos fingir que estamos.


Não ofereço salvação.


Não tenho.


Não ofereço uma vida sem problemas.


Seria propaganda enganosa.


Ofereço café.


Silêncio.


Alguma honestidade.


E a possibilidade de continuar aqui quando a novidade acabar.


A conta chegou.


Paguei.


Fiquei alguns minutos olhando o parque antes de levantar.


As mulheres ainda estavam ali.


Agora falavam de outra coisa.


Talvez de homens.


Talvez de outra maneira de prendê-los.


Não importava.


Peguei o caminho de casa.


Quando cheguei, a bagunça continuava exatamente onde eu havia deixado.


Os copos.


Os brinquedos.


As migalhas.


As marcas da visita.


O cheiro de comida.


O gato continuava na janela.


Olhou para mim como quem verifica se o funcionário responsável finalmente voltou ao posto.


Depois voltou a olhar para a rua.


As crianças ainda não tinham voltado.


Talvez estivesse decepcionado.


Talvez apenas gostasse de esperar.


Fiquei pensando nisso.


Esperar também é uma forma de liberdade.


Você não espera alguém porque foi obrigado.


Espera porque quer.


Talvez seja por isso que a maturidade muda a maneira como enxergamos o amor.


Quando somos jovens, queremos ser desejados.


Depois queremos ser escolhidos.


Mais tarde, talvez, queremos apenas encontrar alguém que conheça nossas partes ruins e ainda consiga sentar ao nosso lado sem precisar fingir que elas não existem.


Alguém que poderia ir embora.


E sabe disso.


Mas fica.


Não porque foi convencido.


Não porque foi preso.


Não porque tem medo da rua.


Fica porque, entre todos os lugares possíveis, escolheu aquela mesa.


E talvez seja isso que eu tenha procurado o tempo todo sem saber dar um nome.


Não muitas mulheres.


Não muitas histórias.


Não muitas conquistas.


Só algum lugar onde dois sobreviventes pudessem parar por alguns minutos.


Olhar um para o outro.


Sem algemas.


Sem promessas grandiosas.


Sem precisar provar nada.


A porta continua aberta.


A rua continua ali.


Cada um poderia ir.


Mas ninguém vai.


E, depois de tudo o que já aconteceu, depois de todas as pessoas que passaram, todas as que partiram e todas as que juraram ficar, existe uma frase que ainda vale alguma coisa.


Não precisa ser dita.


Basta que os dois saibam.


Ainda estou aqui.

Na sua opinião, o que é mais provável: um jumentinho sustentar um homem ou um corvo? Eu sei que você dirá um jumentinho. Eu também diria isso, mas para minha e sua confusão, Deus usou um corvo, ou corvos, para sustentar o profeta Elias. Amigo, quem pode impedir a maneira estranha como Deus atua na Terra?

É mais fácil convencer um homem desanimado do que um homem saturado.

Não queira ser uma pedra de tropeço no caminho de um homem avarento, porque os avarentos são capazes de tudo.

Só a covardia e o fingimento são capazes de levar um homem a respeitar outro homem na sua presença e a desrespeitá-lo na sua ausência. Mas quem tem o temor do Senhor é fiel e sincero na presença e da mesma forma na sua ausência.

O homem pode pregar na praça na quinta, na rua na sexta e na igreja no domingo, mas, se negligenciar a prática da oração, arma uma cilada para os próprios pés.

Leve Deus a sério, e Deus te fará um homem sério.

O homem pode pregar na rua na quinta, na praça na sexta e na igreja no domingo, mas se ele negligencia a prática da oração, acaba criando uma armadilha para os próprios pés. É por isso que muitos pregadores vão para a cama com o coração pesado e acordam com o espírito amargo.

É mais fácil adestrar um cão Pitbull do que levar um homem à oração.

Sansão tinha tudo para levar para o túmulo o título de homem de Deus, mas, por causa das más escolhas, acabou indo para o cemitério com a fama de um homem vencido pelo pecado.

Faça uma pergunta a um homem simples e ele lhe dirá 'não sei'; mas, se fizer uma pergunta a um vaidoso, ele lhe dirá 'eu sei de tudo'.

O homem só é química até o momento em que Deus entra nele e faz uma obra de arte em seu caráter.

A Abrão, Deus chamou de meu amigo; a Ezequiel, Deus chamou de filho do homem; a Jeremias, Deus disse: 'Desde o ventre te escolhi'; mas a Paulo, Deus disse: 'A minha graça te basta'.