Despedida de uma Pessoa Querida
Acho que a vida é feita de escolhas,
Uma após a outra...
De todos os tipos, certas ou erradas, não importa.
Por que a vida continua a se revelar, e não vai esperar por você... Se ficar parado, vai passar por você.
Por volta da 2° série, eu percebi uma coisa. Há dois tipos de pessoas nesse mundo. As pessoas que irradiam confiança e naturalmente se sobressaem na vida.
E aquelas que esperam que toda essas pessoas morram em uma grande explosão.
Os animais vão ter você pra vida toda, mas você só vai ter eles por uma parte da sua vida... Pensando por este lado é tão triste...
Às vezes o futuro não acontece do jeito que você imagina. Coisas acontecem e as pessoas são uma droga. Talvez tenha sido por isso que parei de pensar e comecei a escrever.
Mas não é por que não aconteça do jeito que você queria, que será ruim...
Não espere chegar a uma determinada idade para tomar certas condutas e posicionamentos em sua vida. Valorizar quem nos valoriza, respeitar quem nos respeita, deixar ir embora o que não pretende ficar. Não perca mais nem um minuto da sua vida, porque para determinadas coisas, não se trata de idade, mas sim da consciência de não ser conivente nem tolerante com o que nos diminui.
Escreva um livro, uma frase, um texto, deixe um legado escrito, deixe conselhos para os seus filhos, netos e para gerações futuras. Registre cada pensamento seus no papel ou em um arquivo. Lembre-se vale é o que está escrito.
Alba
Alba, no canteiro dos lírios estão caídas as pétalas de uma rosa cor de sangue
Que tristeza esta vida, minha amiga…
Lembras-te quando vínhamos na tarde roxa e eles jaziam puros
E houve um grande amor no nosso coração pela morte distante?
Ontem, Alba, sofri porque vi subitamente a nódoa rubra entre a carne pálida ferida
Eu vinha passando tão calmo, Alba, tão longe da angústia, tão suavizado
Quando a visão daquela flor gloriosa matando a serenidade dos lírios entrou em mim
E eu senti correr em meu corpo palpitações desordenadas de luxúria.
Eu sofri, minha amiga, porque aquela rosa me trouxe a lembrança do teu sexo que eu não via
Sob a lívida pureza da tua pele aveludada e calma
Eu sofri porque de repente senti o vento e vi que estava nu e ardente
E porque era teu corpo dormindo que existia diante de meus olhos.
Como poderias me perdoar, minha amiga, se soubesses que me aproximei da flor como um perdido
E a tive desfolhada entre minhas mãos nervosas e senti escorrer de mim o sêmen da minha volúpia?
Ela está lá, Alba, sobre o canteiro dos lírios, desfeita e cor de sangue
Que destino nas coisas, minha amiga!
Lembras-te, quando eram só os lírios altos e puros?
Hoje eles continuam misteriosamente vivendo, altos e trêmulos
Mas a pureza fugiu dos lírios como o último suspiro dos moribundos
Ficaram apenas as pétalas da rosa, vivas e rubras como a tua lembrança
Ficou o vento que soprou nas minhas faces e a terra que eu segurei nas minhas mãos.
Rio de Janeiro, 1935
Estou morrendo. Nasci e naquele exato momento, uma parte de mim morreu.
E a todo instante desde então, venho morrendo dia após dia. Meu fim está próximo. Se é hoje ? não sei.
Amanhã ? talvez. O certo é que ele vira, inevitavelmente e disto não posso escapar.
Se uma Pandemia, não te faz, refletir e mudar sua visão de mundo, sua percepção pessoal e com os outros, que desperdício de oportunidade!
A cada amanhecer
uma nova história.
Um livro que se abre.
Um respiro!
Vida que segue!
O ontem já ficou na memória.
O amanhã a Deus pertence.
A Porta:
Acordei com mais uma notícia sobre amigos que se foram por infecção de corona vírus.
De forma literal, hoje, eu só queria ter acordado e conseguir abrir uma porta qualquer e encontrar do outro lado aquele velho mundo, com aquele "corre corre" gostoso, com o barulho da segunda-feira que sempre abafa o silêncio de domingo à noite, voltar a ter a expectativa da quinta-feira pra dizer: sextou!
Do outro lado da porta, não quero mais acordar na quinta ou na segunda e achar que estou no sábado.
Quero acordar e ao olhar pela janela, ouvir o som do carro do ovo ou da pamonha, e reclamar, quem sabe, ou sorrir, ou descer pra comprar, se tiver algum dinheiro "trocado"...
Eu quero sair de casa preocupado apenas por ter deixado o guarda-chuva ou não ter trocado o sapato apertado.
Quero que a notícia daquele amigo sumido tenha sido por uma viagem de última hora, sem avisar para não dar carona. O outro, que sumiu do boteco, por causa da namorada nova. E aquela amiga que está se recuperando, nada demais ou grave, foi a sua quinquagésima reparação de Botox.
Volta vida normal!
Volta e vem dar serviço ao "zigomático maior", aquele músculo que trabalha para o sorriso. Ele dorme... e vem dá sossego aos outros músculos que expressam a tristeza e a ruga.
Eu quero abrir uma porta que dê para a nossa correria, uma porta por onde todos possam passar e do outro lado, enfim, a gente volte a respirar e se abraçar, sem máscaras, sem vírus.
Do outro lado, pode deixar o metrô lotado, do mesmo jeito de antes.
O elevador pode continuar parando em quarenta andares, eu não vou reclamar. E não esqueça de manter os chatos quando eu acordar feliz, aqueles que não respondem bom dia no trabalho e na rua...
Dia 371: Quarentena por corona vírus.
Se tem uma coisa que eu faço é dar conselhos, o problema é que eu não os sigo, na real, quando te escrevo e digo todas essas coisas bonitas, eu só falo por falar, eu não sou forte, e eu talvez não seja capaz. Eu só escrevo, eu não faço...
Não espere nada de ninguém.
Não dedique uma música para ninguém.
Não corra atrás de ninguém.
Pessoas vem e vão,
nossa vida é com aquelas que ficam.
One Spring Night.
(a roteirista Kim Eun e o diretor Ahn Pan Seok,)
Uma noite de primavera.
com uma ordem severa.
O cupido saiu a aprontar
não lhe apraz
presas que
estão a cismar.
somente à alma
que possa ao outro dar amor
com sombra e formas convexas
saiu com seu alforje com duas flechas
Seu dardo espetou uma jovem
comprometida.
contra o que convém
um rico a ela
prometida.
Uma noite de primavera.
Saiu a procurar o outro, seu par.
o encontrou usando de perspicácia
na esquina do bairro
em uma farmácia.
Com alma amenista
querendo algo para ressaca
saiu, na sacola o remédio
e no coração o balconista.
De olhar elegíaca
O que estiver te faltando reitera
ao seu alcance
Vá em frente adultera
No futuro teus olhos descanse.
do noivo com palavra indeferida
desse que pôs o dedo na sua ferida.
Em cativeiro ele a manteve submissa.
Desse amor tu foste hospedeiro.
Dê logo um basta e uma sacudida.
Voe nas asas do teu aventureiro.
Quer ensinar o padre rezar a missa.
Tal noivo chantagista e só falácia.
Subornará seu pai, o vigarista.
Vês que no amor tu és pitonisa.
Ele apenas um seminarista.
Da flor não se perde a eficácia.
Nem do encontro inusitado flerte.
O perfume desse reencontro
Levarás do moço da farmácia.
Agora que o clima está pronto.
Amaras só um, o outro subverte.
O conforto que tu desperdiçar
No infeliz será como aborto.
Com teu farmacêutico se diverte.
Mantenha um vivo, o outro morto.
