Despedida Alguém que Faleceu

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​Não haveria arco-íris depois da chuva,
nem haveria construção sem alguém para erguer.
O meu próprio brilho não saberia como chegar
se não encontrasse um prisma para refletir e florescer.
​Sei bem que palavras não são emoções,
são apenas pontes, molduras do sentir...
Mas espero que, através delas,
eu tenha conseguido transmitir
um pouco do que a alma não cansa de agradecer.
​Gratidão.

Não é a força da idade
que faz alguém florescer;
é viver com dignidade
e nunca deixar de crer.

Não é o rosto sem marcas,
nem a juventude fugaz;
são as lutas que embarcas,
e a paz que a alma refaz.

Os cabelos prateados
não anunciam o fim;
são capítulos dourados
que Deus escreveu em mim.

Há beleza na experiência,
há nobreza em prosseguir;
quem cultiva a consciência
sempre encontra um porvir.

Pois o tempo não destrói
quem aprendeu a amar;
quanto mais a vida corrói,
mais ensina a recomeçar.

E assim segue a caminhada,
entre a esperança e a luz;
uma existência honrada
é a mais bela que reluz.

Não se mede a mocidade
pela idade a aparecer;
vale mais a dignidade
e a vontade de viver.

Sandro Paschoal Nogueira

Sim, eu tenho medo de ser amado. Medo de baixar a guarda, de abrir o peito e deixar alguém entrar onde ainda sangra. Tenho medo de confiar de novo, de acreditar nas palavras, de me permitir sentir… e depois ver tudo desmoronar diante dos meus olhos. Tenho medo de viver algo tão bonito que pareça eterno e acordar, de repente, com o gosto amargo de descobrir que era só um sonho. Hoje eu me escondo na solidão. Não porque ela seja leve, mas porque ela não me surpreende. A solidão não promete, não jura, não diz “para sempre” olhando nos meus olhos. Ela não vai embora, porque ela já está aqui. Prefiro o silêncio frio do meu quarto à dor de ouvir um adeus que ecoa por dentro. E o pior não é só o medo… é a culpa. Ela me acompanha todos os dias, me lembrando que fui eu quem destruiu o que mais amava. Fui eu quem deixou escapar o que me fazia feliz. Carrego esse peso como uma sentença. Eu continuo vivendo, respirando, seguindo em frente… mas por dentro há algo quebrado, e eu sei: fui eu quem quebrou.

Eu só queria ser amado… ser importante para alguém, sentir que pertenço a algum lugar, a algum coração, queria experimentar aquela alegria genuína de saber que existe alguém que se preocupa comigo de verdade, que pergunta como estou porque realmente quer saber, não por obrigação, queria ser a pessoa que procuram para sair, para rir, para conversar sobre a vida sem pressa, sem interesse oculto, apenas porque minha presença faz falta, queria ser, ao menos uma vez, a escolha e não a alternativa, mas, no fundo, sinto que estou condenado a ser sempre a última opção, sou lembrado apenas quando sou útil, quando não há mais ninguém disponível, quando precisam de algo que eu posso oferecer e depois que consigo cumprir meu papel, sou deixado de lado, descartado, humilhado, criticado, como se eu fosse apenas um objeto, um brinquedo, uma ferramenta nas mãos de quem diz se importar, mas que, na verdade, só enxerga a si mesmo, e dói perceber que, eu nunca fui alguém… apenas algo.

A palavra amor só tem significado quando você coloca alguém dentro dela.

Toda cultura está tentando discipular alguém.

“Sua história pode ser comum aos seus olhos, mas é a resposta de oração na vida de alguém.”

O que você ignora
hoje, alguém
aperfeiçoa amanhã;
a disciplina vence o
talento preguiçoso.

É simples ter
alguém para os
momentos bons,
raro é ter quem
ora contigo nos
dias maus.

O Retraimento das Pétalas


Esta é a história de vida de alguém que está cansada.


Não aconteceu de uma hora para outra. O silêncio, afinal, é um recolhimento meticuloso, uma fortaleza erguida bem devagar. No começo, ela apenas encolheu as suas raízes para não incomodar a terra ao redor, tentando não estorvar o espaço de ninguém. Depois, retraiu as folhas para ocupar menos espaço no canteiro, fazendo-se menor do que realmente era. Eventualmente, percebeu que se fechasse suas pétalas bem apertadas, o vento frio lá fora não machucaria tanto o seu núcleo. O problema de se fechar de forma tão perfeita para se proteger do inverno é que, quando a tempestade finalmente passa, você olha para si mesma e percebe que esqueceu como desabrochar.


Nem sempre foi assim. Quando era apenas um broto novo e vulnerável no canteiro, ela era tão pequenina e cheia de luz. Não entendia o mundo e as suas tempestades severas, não compreendia a complexidade da vida e suas frustrações, e muito menos conhecia a erva-daninha dos julgamentos alheios. Para aquela pequena haste, a terra era um convite caloroso e o sol brilhava como um abraço diário. Ela não tinha pressa de crescer; só queria esticar suas folhinhas verdes para cima, brincar com as gotas cristalinas de orvalho nas manhãs calmas, ver as cores vibrantes ao redor, sentir a brisa suave e descobrir até onde o seu verde poderia alcançar. Naquela época inocente, o canteiro parecia o lugar mais seguro do mundo para se viver.


Mas as estações são implacáveis e os ciclos mudam. Conforme o tempo passava e os dias avançavam, aquela pequena flor começou a se desenvolver e a criar a sua própria essência, a rascunhar as cores únicas e autênticas de suas pétalas. Foi aí que o jardineiro — aquele que recebeu a missão de apenas regar, nutrir e proteger — começou a intervir de forma agressiva. Achando que sabia o formato exato e ideal que uma flor deveria ter para orgulhar o jardim, o jardineiro começou a podá-la. Dizia com rigidez para qual lado ela deveria se inclinar, como deveria se portar diante das rajadas de vento e que tipo de folha era aceitável ou não aos olhos dos outros.


O jardineiro a cobria com as expectativas dele, amando e moldando aqueles galhos jovens à força. E a flor, em sua doçura inocente, aceitava cada corte doloroso e cada amarra sufocante. Afinal, na cabeça daquele broto que nada conhecia do mundo, quem mais entenderia de cuidar dela se não aquele que a havia plantado e cultivado desde o início? Ela silenciava suas próprias vontades, anulando sua própria voz, apenas para caber com perfeição no molde geométrico que o jardineiro desenhou.


No entanto, a natureza possui suas próprias leis sagradas e a essência de um ser não pode ser podada para sempre sem sufocar a alma. Ao crescer mais um pouco, aquela flor começou a perceber que havia algo profundamente desalinhado dentro de si. As amarras que o jardineiro lhe impunha já não serviam bem; na verdade, apertavam o seu caule e a impediam de respirar. A maneira como ela se portava diante do restante do canteiro já não era real ou espontânea; era apenas o reflexo mecânico das mãos controladoras que ditavam os seus passos.


Foi nessa época de descobertas que ela esticou o olhar e notou o restante do jardim além do seu pequeno espaço. Viu que todas as outras flores ao seu redor direcionavam suas folhas para as grandes e robustas árvores, buscando nelas o seu par, o seu encaixe natural. O jardineiro autoritário repetia que o destino inevitável de uma boa flor era inclinar-se para um tronco forte. Mas o coração daquela flor batia em um ritmo completamente diferente. Para ela, o que parecia certo, bonito, genuíno e perfeitamente comum era inclinar-se em direção a outras flores. O seu perfume não buscava a rigidez cinzenta dos troncos, mas sim a delicadeza, a textura e a cor de outras pétalas.


Mas a verdade, às vezes, assusta e choca quem foi ensinado a crescer apenas em moldes prontos e artificiais. Mesmo percebendo que a sua essência mais profunda era diferente do padrão do canteiro, o medo avassalador de ser rejeitada, julgada ou arrancada da terra falou mais alto. Diante do abismo da incompreensão, ela escolheu o silêncio como esconderijo. Continuou seguindo, milimetricamente e sem questionar, as ordens diárias do seu jardineiro. Fingia inclinar-se para onde apontavam, engolindo a própria natureza e sufocando o próprio perfume dia após dia.


Para piorar o sufocamento, o canteiro começou a receber com frequência a visita de outros jardineiros — olhares atentos, vigilantes e severos da mesma linhagem familiar, que vinham fiscalizar o seu crescimento. Eles também traziam suas próprias tesouras invisíveis de podar, seus julgamentos pesados disfarçados de conselhos benévolos, ditando em tom de aprovação como uma flor "de boa família" deveria florescer e se comportar. Mesmo sem querer, mesmo sentindo suas pétalas esmagadas pelo desconforto da hipocrisia, ela cedia. Aceitava as regras rígidas de cada um deles e engolia o choro, porque aprendeu, desde muito cedo, que agradar aos outros era o único preço aceitável para continuar recebendo um pouco de água e atenção.


Então, aceitando esse destino cinzento que nunca foi seu, a flor continuou seguindo a correnteza. Mas o peso esmagador de sustentar uma mentira começou a cobrar o seu preço na seiva, e ela aprendeu, pela primeira vez, a dolorosa arte de se esconder. Nos dias mais nublados e frios, ela encolhia suas folhas o máximo que podia, tentando passar totalmente despercebida pelos olhares curiosos e avaliadores daqueles outros jardineiros; não queria ser vista, não queria ser avaliada, não queria ser julgada.


No entanto, para o seu cultivador principal, ela ainda fazia um effort sobre-humano, gastando as últimas reservas de sua energia vital. Mesmo murchando e morrendo por dentro, ela se forçava a ficar erguida e à mostra no centro do canteiro. Abria um sorriso opaco em suas pétalas e fingia um brilho que já havia se apagado há muito tempo, tudo para continuar mantendo o título de 'boa flor' que tanto esperavam dela. Era uma encenação diária e torturante: dar cor, beleza e orgulho a um jardim que, na verdade, só lhe tirava a vida a cada poda.


Tempos depois, olhando de soslaio para além das cercas altas que limitavam o seu mundo, ela começou a vislumbrar outras flores vivendo em absoluta liberdade, balançando soltas ao vento com as cores e formas que bem entendiam, sem amarras ou tesouras. Aquela visão distante acendeu nas suas raízes uma faísca murcha, mas real, de esperança: ela também queria tentar viver de verdade. Tomada por uma coragem tímida e desesperada, a flor decidiu falar com o seu cultivador. Com as pétalas trêmulas pelo nervosismo e a voz retraída pelo medo, pediu para começar a se expressar da maneira que a deixava livre, para ter a liberdade de deixar brotar de seu peito o que realmente gostava.


No início, o cultivador recuou contrariado, olhando com profunda desconfiança e estranheza para aquela nova forma que a flor assumia. No fim, após muita insistência silenciosa, acabou permitindo que ela mudasse suas cores exteriores. Porém, essa aparente concessão veio acompanhada de espinhos: críticas discretas no dia a dia, comentários ácidos disfarçados de piadas ou de cuidado excessivo, que perfuravam a alma da flor e a magoavam profundamente.


Mesmo carregando as feridas abertas dessas pequenas alfinetadas diárias, o simples fato de ter se aberto e mostrado um pedaço de si trouxe um sopro renovador de confiança. Ela sentiu que o cultivador, de alguma forma e à sua maneira, havia tolerado a sua nova folhagem. Aliviada por não ter sido arrancada dali, a flor alegrou-se genuinamente e, em um momento raro e precioso de leveza perto de quem a plantou, voltou a esboçar — mesmo que de forma tímida, contida e pequenina — um sorriso verdadeiro.


A primavera fictícia, porém, foi um sopro rápido que não durou muito. Logo que a novidade passou, a rotina sufocante e cinzenta do canteiro voltou ao seu curso normal. Eram podas atrás de podas, cortes diários e invisíveis na sua individualidade que a deixavam cada vez mais exausta, vazia e desgastada. Até que o limite absoluto de suas forças chegou. Em um dia de tempestade interna devastadora, a dor, o sufocamento e a raiva acumuladas por anos de submissão transbordaram em uma briga violenta e ruidosa com o jardineiro. Gritando através de suas cores reprimidas, a flor finalmente reuniu os pedaços de sua coragem e expôs a sua maior verdade: revelou que seus sentimentos e o seu perfume pertenciam, na verdade, a outras flores, e nunca às árvores.


A reação do jardineiro foi imediata, violenta e terrivelmente cortante. Tomado pela raiva da decepção e pelo orgulho ferido, ele brigou agressivamente com a flor, rejeitando veementemente a sua natureza e despejando palavras cruéis que agiram como uma geada devastadora sobre suas pétalas escancaradas. Aquela rejeição foi a última poda que ela permitiu em sua existência. Diante da fúria implacável de quem deveria amá-la e aceitá-la por inteiro, a tranca final e definitiva foi passada na garganta da flor. Ela se fechou por completo para o mundo exterior. Decidiu, naquele exato momento de dor congelante, que nunca mais compartilharia uma única gota de sua vida, de seus pensamentos, de seus sentimentos ou de sua essência com o seu cultivador. O canal da confiança havia sido cortado pela raiz.


A partir daquele dia traumático, a flor passou a habitar uma solidão profunda, escura e impenetrável. Mesmo rodeada fisicamente por tantos outros jardineiros e sob os olhos constantemente vigilantes do seu cultivador, ela se sentia completamente sozinha e abandonada no canteiro. O isolamento voluntário tornou-se o seu único chão seguro, a sua única forma de manter o que restava de si inteira. Ela aprendeu a gostar de estar só, longe dos olhares julgadores e das lâminas afiadas das tesouras; abraçou o silêncio absoluto e a paz melancólica que ele transmitia, fazendo daquela quietude o seu casulo protetor contra o mundo.


Enquanto ela murchava dia após dia em sua própria quietude isolada, o cultivador olhava para o canteiro com total indiferença e achava que estava tudo perfeito. Afinal, para o mundo lá fora e para a sociedade do jardim, aquela sempre foi considerada uma flor calma, quieta, que não causava problemas, não dava trabalho e que era uma "boa flor" aos olhos de todos. Ninguém ao redor possuía a sensibilidade de perceber que aquela calmaria aparente era, na verdade, a ausência completa de vida; era o silêncio de um cemitério interno. Para eles, aquela casca muda, previsível e obediente era exatamente a flor perfeita que sempre quiseram conhecer e exibir. Eles celebravam a simetria impecável da planta, sem notar que haviam assassinado cruelmente o seu perfume original.


Os jardineiros realmente acreditavam, em sua ignorância vaidosa, que ela havia mudado para o "lado bom", que havia finalmente se endireitado e amadurecido. Confundiam a perda total de sua vivacidade, de seu brilho e de sua espontaneidade com maturidade e bom comportamento, sem conseguir enxergar que aquela rigidez calma, na verdade, era o peso esmagador de uma tristeza profunda e crônica que havia se instalado definitivamente em suas raízes mais profundas.


Ainda assim, mesmo diante de seu nítido apagamento, as exigências sociais e as cobranças não paravam. O cultivador, movido pelas aparências, a obrigava constantemente a estar presente nas grandes exibições públicas do jardim, naqueles eventos familiares exaustivos onde todos os outros jardineiros da linhagem se reuniam para competir e vigiar uns aos outros. Nessas ocasiões sufocantes e barulhentas, a flor gastava as suas últimas e dolorosas forças procurando um canto qualquer do salão, uma sombra sutil e esquecida no canteiro onde pudesse simplesmente ficar sozinha, encolhida, sem que nenhuma tesoura inquisidora ou julgamento disfarçado a incomodasse. Ela buscava desesperadamente o silêncio para conseguir respirar e não desabar em prantos na frente de todos.


No entanto, o cultivador, cego para a dor da filha e enxergando aquela necessidade de retirada apenas como falta de respeito, rebeldia e desobediência às regras da família, guardava a sua ira para o final da festa. Assim que cruzavam os portões e voltavam para o canteiro principal, o isolamento sufocante da casa era preenchido por novas brigas, gritos e cobranças violentas, punindo severamente a flor por ela não ter conseguido fingir com maestria a alegria e o entusiasmo que eles mesmos haviam arrancado dela com suas podas.


Com o passar do tempo e o acúmulo desses traumas diários, a flor percebeu que suas pétalas de verdade, aquelas que carregavam sua história e sua sensibilidade real, estavam caindo e morrendo uma a uma — e o pior e mais triste de tudo é que ela já nem se importava mais com a própria perda. A apatia havia se instalado. A fim de evitar o desgaste terrível das brigas intermináveis e das punições de seu cultivador, ela desenvolveu um escudo de sobrevivência definitivo. Cada pétala real e orgânica que caía e morria era substituída por uma réplica artificial perfeita, feita de material fosco e inerte. O seu silêncio cortante e perceptível foi estrategicamente substituído por uma fala vaga, respostas curtas e fáceis, palavras vazias e sorrisos moldados que eram impecáveis para camuflar o seu real estado de destruição.


Atrás dessa máscara milimetricamente esculpida para agradar ao mundo, a garota foi se calando e desaparecendo cada vez mais dentro de si mesma. Longe dos olhos atentos do jardim, no escuro absoluto de suas raízes e na solidão de seu espaço, ela chorava em um silêncio sufocante e doloroso. Por dentro, a exaustão total havia vencido a partida; ela só queria o direito simples de ficar em seu canto, quieta e esquecida. Mas o recolhimento pacífico nunca funcionava, pois o cultivador continuava a arrastá-la para todos os cantos, exibindo-a como um troféu contra a sua própria vontade. A única diferença gritante é que agora, com a proteção daquela máscara artificial de "boa menina perfeita", as brigas finalmente diminuíram, pois ela já não oferecia resistência alguma.


Então, ela se calou por definitivo e para sempre. Já não falava absolutamente nada sobre si mesma, sobre seus gostos reais, sobre o que sentia, sobre o que queria ou com o que ousava sonhar. De tanto usar aquela carcaça plástica para sobreviver ao ambiente hostil, ela chegou ao ponto mais doloroso da jornada: já nem sabia mais quem era de verdade sob o disfarce. Sua vida resumiu-se a ser uma mera peça decorativa de exposição, constantemente levada de um lado para o outro por um cultivador vaidoso que, ironicamente, transbordava orgulho da flor perfeita, educada e obediente que acreditava ter criado com tanto esmero. Ele limpava o pó do vaso e exibia a planta com um sorriso no rosto, sem nunca notar que o que havia restado ali dentro era apenas uma escultura sem vida, cujo perfume real havia morrido há muito tempo.

Com o tempo, percebi que correr atrás de alguém que não era meu estava se tornando uma perda de tempo. Então deixei esses sentimentos de lado e segui minha vida. Quando deixamos de nos importar, algumas pessoas começam a nos valorizar, e é aí que percebemos o quanto esperar nem sempre vale a pena. Mais do que uma volta por cima, isso mostra que sou capaz de seguir em frente sem depender de amores que nunca existiram.

Talvez chegue um momento em que a vida de alguém precise se tornar seu trabalho...

"Talvez exista um momento em que a vida de alguém passe a ser a sua missão,
seu trabalho."

"A flor, apesar de bela, é arrancada da terra para enfeite de alguém"


Mateus E Dadinho - Os Tincoãs

Eu amo tanto as palavras boas que eu nem me importo se alguém escreve errado.

Escolha ficar com alguém pelos defeitos (os defeitos com os quais você não se importaria tanto), não pelas qualidades, pois, de qualquer forma, as qualidades sempre serão boas, e são os defeitos que vão tirar essas qualidades dessa pessoa, caso não escolha os defeitos certos, da pessoa certa para você.

"Se não sabes o peso de uma promessa, não a faças. Prometer é selar a esperança de alguém com a tua palavra e quebrá-la é destruir mais do que apenas confiança."

"O homem é tolo perante uma mulher comporta-se como alguém com os olhos vedados, guiado não pela razão, mas pela ilusão."







Binilson Quissama

Se pensar em fazer algo faz já, alguém pode ter o mesmo que você

Passei os últimos anos interpretando um papel: o de alguém que superou, que esqueceu e que, finalmente, seguiu em frente. Mas hoje, a máscara caiu. Ver você agora, seguindo a sua vida e construindo o seu caminho, me fez perceber que falhei miseravelmente na missão de te arrancar de mim. Antes de tudo, me perdoa por te incomodar mais uma vez. Sei que não tenho esse direito e te peço sinceras desculpas por reaparecer assim, mas eu precisava ser honesto com você e comigo mesmo.
Não importa quem passe pelos meus dias ou o quanto eu tente me distrair nos silêncios; meu coração sempre encontra um atalho para voltar ao mesmo pensamento: você. O que vivemos não foi um capítulo passageiro; foi algo que se enraizou na minha alma de um jeito que nem o tempo, nem a distância conseguiram apagar. Reconheço hoje, com toda a clareza, que a culpa de não estarmos mais juntos foi inteiramente, total e exclusivamente minha. Eu falhei com você de formas que hoje me assombram; eu errei onde deveria ter sido porto seguro, e carrego o peso amargo de saber que o que perdemos não foi obra do destino, mas fruto direto e cruel dos meus próprios tropeços, da minha imaturidade e do meu egoísmo.
Se eu pudesse voltar ao passado, se houvesse qualquer maneira de reescrever a nossa história ou mudar cada atitude errada que tomei, eu o faria sem hesitar. Daria tudo o que tenho para voltar ao tempo em que tínhamos tudo, apenas para não ter te perdido por minha causa.
Desde que você se foi, algo em mim se apagou definitivamente. A verdade mais triste que carrego — e a maior prova do vazio que você deixou — é que eu nunca mais sorri daquela forma leve e verdadeira como eu sorria quando estava ao seu lado. Aquele brilho nos olhos e aquela alegria que transbordava eram reflexos da sua presença na minha vida; sem você, o meu sorriso tornou-se apenas uma máscara social, uma sombra sem vida e sem alma do que já foi um dia.
Dizem que todo mundo tem direito a uma segunda chance na vida, mas a realidade é mais dura do que os ditados. Eu sei que, no nosso caso, essa chance nunca virá. Dói aceitar que eu nunca tive e sei que nunca terei uma segunda oportunidade para te provar que aprendi com a dor. Aceito que essa ausência de um novo começo é o castigo justo pelas falhas que foram só minhas.
O que eu mais queria, na verdade, era poder dizer tudo isso olhando nos seus olhos, sentindo a sua presença e deixando que você visse a verdade no meu olhar, sem filtros ou telas. Mas, como sei que o momento exige esse distanciamento, escrevo estas palavras. Talvez você não saiba, mas saiba agora: você foi, e continua sendo, a minha maior inspiração. É por sua causa que hoje consigo encontrar força para expressar essa sensibilidade que ninguém mais consegue tocar.
Se algum dia você olhar para trás e se perguntar se ainda existe alguém que te espera com a mesma intensidade... a resposta sempre será sim. Meu amor por você é a única constante em um mundo que não para de mudar.
Escolhi o dia de hoje para confessar isso porque o mundo celebra o seu nascimento, mas eu celebro o privilégio de ter conhecido a sua essência. Parabéns por ser essa mulher extraordinária. Mais uma vez, peço que me perdoe por desabafar em uma data que deveria ser só de alegria para você. É um egoísmo meu não conseguir guardar esse peso no peito justamente hoje.
Amar alguém de verdade é deixá-la ser feliz. Às vezes, a gente pensa que amar é viver com a pessoa para sempre, mas nem sempre a vida permite que o amor cure o que os meus erros estragaram. O amor verdadeiro não morre; ele se transforma em memória e respeito. Você sempre será o meu primeiro, único e eterno amor.
Me perdoa por tudo. Me perdoa por ter percebido o valor da sua luz somente quando me vi na escuridão que eu mesmo criei. Me perdoa por ainda te amar assim. Siga o seu caminho com a certeza absoluta de que a culpa foi inteiramente minha, mas que o meu carinho, a minha admiração e o meu amor por você são imutáveis e eternos.
Feliz aniversário, meu eterno grande amor.