Deserto
Ser mulher cristã é conquistar um lugar de refrigério no meio do deserto e um lugar de calma no meio de um tempestade.
Quem se alimenta de tentações é como entrar em um deserto árido, de calor sufocante e morrer, sedento, ao longo da caminhada.
Como um cactus a morrer no deserto, assim é a alma do homem que recusa ser a planta que Deus quer plantar em Seu manancial.
Como um manancial de águas cristalinas no deserto, assim é Deus para com todos quando desejam beber da Fonte de Água Viva, Jesus.
Aila provedora da luz
nas nossas noites escuras
no deserto da existência,
Rosa nômade fragrante
feita para uma vida inteira.
Salvar os vivos
Os teus olhos têm um pouco
de morte e um pouco de vida,
um pouco de deserto e de jardim,
você nasceu perfeito para mim.
Para uns olhar para trás tem sido
mais crível do que salvar os vivos
estarei pronta ser o tal castigo
contra a tal macabra convenção.
O enamoramento com a coerência,
a paciência e a placidez fará com
que o oportunismo perca a validez.
Toco a cítara do tempo sob o poder
da razão tudo o quê há de trazer
a paz para cada coração se refazer.
Rodeio tem Oásis
Mesmo sendo rodeada
por Mata Atlântica,
Mesmo sem ser deserto
e sendo esta terra romântica,
Rodeio tem Oásis
e mistérios incontáveis
sempre prontos a serem descobertos.
Rodeio tem Oásis,
Rodeio tem surpresas,
Rodeio tem Oásis
e muito mais que todos os poemas.
O Hemisfério Celestial Sul
celebra o Willka Kuti,
No Deserto de Siloli,
a Via Láctea reverencia
poética a Árvore de Pedra,
e eu continuo a sua espera.
O amor se encontra no meio do deserto, sedento por água, sedento por dom de vida, o amor é o oásis no vasto e devastador árido existencial.
Não está entendendo por que está doendo
Mas é preciso passar por este tempo
Quando você adora, alivia a alma
Não se desespere
Deserto não é pra sempre
Do que valem palavras não ditas? Sentimentos abafados? Sonhos não vividos? Metas não cumpridas? Apenas grãos de areia no deserto do tempo perdido.
Quem dera se cada lágrima de sofrimento fosse uma gota de água pura e que ao tocar o solo germinasse uma semente.
Quem dera corresse em mim rios de água viva para que eu pudesse fazer crescer flores no deserto.
Carlos Alberto Pinto Duarte
PoetaDuarte
Meus Jardins e Meus Desertos
E foram tantas
as flores que eu colhi,
ao longo da vida!
Plantei em terra firme.
Reguei com meu amor.
Suores e sonhos.
Floresceram.
Sorrimos.
Cada amor foi um
jardim de flores encantadas.
Enamorados!
Vivemos momentos só nossos.
Mas tudo tem um tempo!
Jardins desfeitos!!
Hoje vejo a terra fértil.
Porém seca!!
Sem flores.
Sem sementes.
Quase sem sonhos.
Desejos permanecem…
Mas o deserto de mim
seca a minha pele.
Racha o meu chão…
E sozinha!
Escuto apenas
ventos que passam
arando os meus desertos.
Olho pela janela, imagino...
Ao chorar em silêncio,
desejo ver a chuva
Imagino que cada uma de suas gotas
possa ser uma de minhas lágrimas.
Muitos irão ver, mas não irão saber.
Desejo que caiam gotas delicadas.
Desse modo, penso ter alguém
a chorar junto comigo, fazendo-me companhia
Em algum lugar desse vasto mundo de chuvas.
E se forem torrenciais,
Talvez consiga purificar minha alma,
Eliminar o que nela há de triste
E preenche-la do que de alegre vive.
Mas sei que o sol existe e vem comigo
Devolve-me o sorriso,
Renova-me as esperanças,
Contamina-me com sua energia,
Preenche minha alma
Aquece meu corpo,
Faz renascer meu espírito.
Pois a Vida brilha nos corações de todos.
E o sol surge como um amigo
que aquece o amor do outro
Com apoio, carinho e consolo,
Preenchendo-o com puros raios de sol.
E a suave brisa a beijar nossos rostos.
Na escuridão do quarto ela se encontra
Da escuridão do mundo ela se esconde
Protege seu coração ressequido
Das frustrações amargas da vida
Oculta sentimentos há tempos esquecidos
Sufoca memórias há tempos não sentidas.
Se andas ao Sol
Esbanja luz em sorrisos
Se andas sob a lua
Diamantes em seus olhos
Se dança pela chuva
Lágrimas lhe fogem
Em meio à multidão
Sozinha agoniza
Em meio ao deserto
Se sente preenchida
Pelo vento
Pelo silêncio
Pelo tempo.
Lilás
Tem que ser espetacular para ser verdadeiro?
Tem que ser famoso para ser de Deus?
Tem que ser BONITO, ENGRAÇADO ou LILÁS?
Quando lembro daquela multidão indo até o deserto ouvir a pregação de João Batista, concluo: As necessidades das pessoas de hoje são as mesmas daquelas, mas a sede não.
APROFUNDANDO A FÉ NO CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA
(França, Espanha e Portugal)
De uma forma ou de outra, desde pequena, tenho buscado aquela fé que consegue remover a inquietude humana e proporcionar a paz essencial à vida neste ou em qualquer outro plano.
Quando criança e adolescente, acreditava que tinha essa fé, isto porque participava ativamente, mesmo de forma ingênua, em atividades da Igreja Católica.
No entanto, a idade adulta, ou seja, a vida no Colégio Central em plena ditadura militar, na Universidade e, depois, como docente, aluna de mestrado e de doutorado, envolvi-me em movimentos político-sociais, na luta por uma sociedade mais justa e igualitária, por um ensino de qualidade, por melhores condições de vida, entre outros, ficando invisíveis muitos dos valores religiosos que foram inicializados na minha infância.
Não mais livros religiosos, procissões, palavras proferidas em missas, novenas etc, mas livros que mostravam a realidade mundial, brasileira, baiana: desigualdade social, pobreza, desemprego, inacessibilidade a serviços básicos como educação e saúde, além da baixa resolubilidade desses serviços.
Uma mudança, por que não dizer, radical!
Essa nova vida não me deixou perceber que a vida com Deus é, como diz Frei Inácio de Larranaga, vida de fé, e fé não é sentir, mas saber; não é emoção, mas convicção; não é evidência, mas certeza.
Viria compreender um pouco essa mensagem algum tempo depois, ao vivenciar a dor de perdas acumuladas, especialmente a do meu filho de 20 anos, que me levaram a um estado de “cansaço” intenso! Não tinha a ideia de que procurava um deserto, isto é, sair do lugar onde vivia, trabalhava, e retirar-me para um lugar solitário: campo, bosque, montanha...
Teria que ser algo que me fizesse conhecer melhor o meu eu para superar a dor, para me superar.
Caminhar/peregrinar foi uma opção pois cada caminho é um caminho que nos leva ao desconhecido, ao que esse desconhecido é capaz de nos ensinar.
Em apenas uma semana lá estava eu fazendo, a pé, como peregrina, o Caminho de Santiago de Compostela, inicialmente, o Caminho Francês (33 dias pelas montanhas).
Ao chegar à Santiago e assistir à tradicional Missa dos Peregrinos, senti um “vazio” profundo, uma necessidade de continuar caminhando rumo ao desconhecido. Foi incrível! Ainda estava faltando algo!
Então, decidi fazer o Itinerário Santiago/Fisterra-Muxia (Costa da Morte), não aprovado, naquele momento, pela Igreja Católica, porque era permeado pelo misticismo.
Foram mais 96km pelas montanhas, com apenas três albergues à disposição do peregrino. Ao chegar em Fisterra-Muxia, onde fiquei uma semana bastante envolvida pelo seu misticismo, vivenciando momentos especiais, tudo ficou mais confuso. Descobri que ainda não havia conseguido a revelação que buscava e que não era muito clara para mim.
Continuar caminhando/peregrinando, não mais pelas montanhas mas por terras planas, vales e montes, seria uma saída: o Caminho Português ao “reverso”, isto é, de Fisterra-Muxia (Espanha) para Porto (Portugal). No entanto, encontrei-me em um “Caminho” sem “calor humano”, com poucos peregrinos, albergues vazios mas fui parcialmente compensada ao participar, em Redondela, durante três dias, como voluntária, da construção de tapetes de flores, com desenhos religiosos, nas ruas desta cidade portuguesa.
Ainda inquieta, tomei a decisão que deveria estar “guardada” no meu íntimo: de trem, fui de Porto para Fátima onde tentei deixar uma medalhinha desta Santa, que meu filho usava quando mudou de plano. Fátima não era o seu lugar! Uma freira orientou-me a levá-la de volta para o Brasil, onde, num certo dia, ao mirá-la, de forma especial, levantei-me repentinamente, fui ao cemitério e mandei cravá-la no túmulo do meu filho. A partir daí, não mais me preocupei com a medalha uma vez que ela já estava onde deveria, provavelmente, estar há muito tempo.
Bem, consciente ou inconscientemente fiz um deserto, um tempo forte dedicado a Deus em silêncio, solidão, e pude sentir como na fé Jesus toca as nossas feridas, especialmente aquelas que nos machucam muito!
Para Frei Ignácio, a vida de quem crê é uma peregrinação. Mas eu não sabia o que é “ser peregrina”. Aprendi no Caminho que o peregrino não sabe nada: onde vai dormir nem o que fará no dia seguinte; que fadiga, incerteza e insegurança são o pão do seu cotidiano; e que ele tem uma meta mas não consegue vê-la claramente. Assim, comecei a entender que as duas forças dialéticas da fé podem ser a certeza e a obscuridão.
Dessa experiência existencial, um dos grandes aprendizados na minha vida: quando pensei que o objetivo infinito estava ao meu alcance, nas minhas mãos, Deus se ausentou e silenciou; apareceu, desapareceu; aproximou-se, afastou-se; tornou-se concreto e se desvaneceu. Foi nas montanhas, em direção à Astorga (Espanha), onde me perdi por 14h. Pedi socorro a Ele mas tão logo encontrei o “sinal” do Caminho, deixei de crer e me perdi de novo...
Apesar do meu “afastamento/alheamento”, passei a perceber que deveria reduzir a silêncio a minha mente quando ela tentasse se rebelar e que deveria abandonar-me na fé.
Mas, como é difícil ter “aquela” fé que tudo suplanta!
Só Ele sabe como tenho tentado/venho tentando...
Dizer a um paciente com câncer que tudo vai ficar bem é como dizer a alguém que está prestes a cruzar o deserto que, em algum lugar distante, há um oásis.
São tantos os desertos para atravessar
na vida. Alguns desertos atravessamos sozinhos e, às vezes, por opção. Mas, quando acertamos a companhiaa alma fica até mais leve e o cansaço quase desaparece. Como é bom ter você ao meu lado nos desertos da vida.
