Desejo
Até que nada mais nos abale - Prosa
Posso até um dia não ser seu e, nem você ser minha também, mas sei que todo esse amor valeu.
Valeu apena, cada momento que passamos juntos.
Valeu, toda a dor que sinto hoje.
Valeu, cada beijo, cada abraço.
Cada despedida que fizemos, valeu a pena.
Nada do que foi dito, se perdeu.
As mesmas palavras de antes, são as mesmas de agora.
Cada olhar que trocamos, infinitos olhares inesquecíveis.
Nunca olhei alguém assim nos olhos, como eu te olhei.
Nunca antes, ninguém encarou dessa mesma forma, esse meu olhar de amor e ternura sereno.
Cada sorriso continua valendo a pena.
Cada expressão de tristeza e dor que transmitimos um para o outro, jamais será esquecida também.
Cada volta, cada recomeço, estarão para sempre adormecidos e, guardados em nossos corações, esperando apenas o momento certo da partida, chegar ao fim.
E, no momento certo, todo esse ciclo lindo e maravilhoso da paixão, nos juntará novamente e, novamente, até que nada mais, nos abale.
Tudo o que posso lhe dizer agora, é que se hoje eu choro, choro com muito orgulho.
Tenho orgulho de chorar por um sentimento simples e verdadeiro.
Por mais que eu sinta dor por não ter o seu amor, sinto-me orgulhoso de ter o seu coração tocado, de uma forma diferente.
Nem todas as lágrimas que eu derramar, serão capazes de levar embora todo esse desejo que sinto por seu amor.
Minha flor, meu amor.
Menina que tanto aprendi a amar e desejar.
É com lágrimas nos olhos que agora te escrevo todas essas palavras.
Talvez, de alguma forma, eu esteja prevendo que jamais ficaremos juntos, mas com toda a certeza do mundo, não te deixarei partir, sem que antes, vivamos cada momento que a vida nos permitir passarmos juntos.
Eu e você.
Meu amor, amor da minha adolescência que não vivi, sempre esperei por você e, agora chegou, meu amor.
Te desejo todos os dias.
Sei que é errado, mas estou disposto a pagar o preço que for, para tê-la ao meu lado, mesmo que momentaneamente.
E quando chorar lembrando de tudo o que vivemos, lembrarei também, que sempre estará a me esperar, assim como eu te espero todos os dias também.
Minha flor, meu amor, minha Paixão.
Aceita minha carne como tua penitência. Me mastigue com a calma de quem saboreia o fim. E quando eu não for mais nada além de memória no fundo da sua língua, ainda assim, que meu gosto te assombre por uma eternidade.
Em busca
Quando tudo é só um pouco
Do muito que me poderia ser,
Eu vejo quão pequeno sou
Distante desse amor...
Ventos que te tocam
Me trazem o teu perfume
Em tenros pensamentos.
O tempo passa só lá fora,
Aqui em mim, é só você e eu...
Tudo isso me ocupa algum espaço
E não preenche o coração.
A vida é longa
Quando a caminhada
Não nos leva a lugar algum...
Mas cada passo que eu dou
Ainda é em busca desse amor.
Edney Valentim Araújo
1994...
Se alegrar
.
Todos os anos se passaram
Pra chegar aonde cheguei
Pensando ser aqui
Onde encontrar felicidade.
.
Queria eu que fosse assim,
Tão volúvel quanto queira,
Que se sirva de um tanto
E outro tanto se transborde.
.
Mas não é algo que se encha
Do quanto dela se retenha...
A tanto tenho entendido
Que se alegra repartindo
Com quem sabe partilhar.
.
A cada ano nova vida,
E tudo é felicidade
Quando brilha numa vida
O sol de cada dia
Que nos faça caminhar.
.
De muito eu compreendo
Que a tal felicidade
Não é onde se vai chegar
Nem quanto eu devo caminhar.
.
Felicidade é caminhar
A vida a cada dia
Em toda forma de amar...
.
Não é feliz
Quem sabe ser feliz,
Mas é feliz
Quem sabe se alegrar...
.
Edney Valentim Araújo
Te darei
.
Fiz do tempo o que ele é,
Um instante de momento
Pra mim e pra você...
Onde o tempo para
Nesse eterno sentimento
Que é o amor.
.
Se me fosse mais que uma gota no oceano,
Ou mesmo toda água que preenche todo mar,
Ainda assim, me seria tão pequeno esse amor...
Por quanto em todo tempo
Secam-se as águas do oceano
Evaporando todo amor que nele há.
.
Já não há o amanhã
Se eu não vivo o hoje
Pra te amar por mais um dia,
Mas se a ti eu me entreguei
No ontem que te amei
Vivo agora o amor que sempre ei de dar-te.
.
Edney Valentim Araújo
1994...
Desejo a paz e a fortaleza das águas,
que impetuosas em caudalosos rios
vão percorrendo montanhas
e contornando obstáculos.
Na nascente, estreito riacho,
rolando seixos,
silenciosamente engrossa seu leito,
e proporciona abundante colheita.
Prosseguindo seu caminho,
encontra seu afluente que lhe traz força e vigor,
aprofundando seu leito, até que,
silenciosamente, e juntos,
derramem-se num lindo por de Sol no Oceano.
E até que a Lua venha para iluminar,
com um eterno mar de estrelas refletidas,
no oculto da noite,
e o Sol venha despontar
na hora mágica do amanhecer,
num lindo e eterno dia,
de luz e de festa no Universo.
Quando um coro de anjos
dará glórias, aleluia e dirá:
o amor é eterno
e só ele transforma, cura e salva.
Meu amor por ti é tão grande que nem cabe dentro de mim
palpita a todo instante que passo noites sem dormir,
paixão forte e incessante é o que ainda sinto por ti
Mas logo logo acabará, de cá até lá será franzino
afinará até cessar, pois não foi correspondido
não é fácil encontrar um amor assim tão lindo.
Não sabes o quanto dói, amar e ser rejeitado
é uma dor que te corrói, e te deixa amargurado
por que existir um 'nós' pra você é tão errado?
A angústia que estou sentindo, fica a cada dia mais forte
é possível que no caminho, eu não tenha tanta sorte
sinto ela estar vindo, a escura e fria dona morte.
Se não posso mais te ter, ninguém a mim terá
pois fui feito pra você, e você pra me amar
não faz sentido mais viver, sem contigo não ser par.
Em sua fúria eu vejo um homem
doce e misterioso
Lutando a cada dia pela sobrevivência
Ele luta contra tudo e contra todos e contra ele mesmo
pois precisa acreditar que o amanhã será melhor
Dentro dele despertara a sua beleza
que estava escondida
através de uma flor
que não sabia que era flor
mas na fúria daquele homem ela descobriu o que é amor
Ela luta contra tudo e contra todos e contra ela mesma
pois ela precisa acreditar que o amor
sempre vence
Ambos aprenderam um com o outro
o quão importante é ser furioso
e lutar pelos seus objetivos
mas não deixando de exalar a beleza
que faz a vida ter sentido
Não sou psicóloga
mas o amor me deu um dom
O dom de ver além das aparências
Sempre haverá uma razão na loucura de se amar tanto uma pessoa. Que nos desperte a felicidade de um tamanho que sempre
esperamos e de uma forma especial e madura como raramente encontramos.
Enquanto o ciúmes se traduzir em ego para a maioria das pessoas, não haverá de forma efetiva, o amor.
Veio a noite trazendo a sua presença com o doce aroma da nossa paixão, seu vestido rente e transparente... A noite, nossa amiga e confidente, trouxe em seu ventre os nossos sonhos e os pousei na tez macia dos seus lábios, deslizando as mãos por sob um vestido em uma carícia de desejo... Lábios que foram se encontrando na profusão do amor e o louco ardor a queimar os nossos corpos, e um suspiro no seu seio desnudo veio despertar as loucas fantasias...
Eu preciso de você como ninguém nunca precisou ... envolvido no desejo, envolvido no amor ... eu preciso te amar como ninguém nunca te amou ... seja sentado, trepado, deitado, ou de pé. Eu te amarei tanto do jeito que você quiser!
Dentre tantas derrotas, você foi a qual eu mais sofri. Pois a perdi, sem ao menos lutar, sem ao menos tentar, e tudo simplesmente por não crer, não acreditar, te merecer.
Chama e fumo
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...
Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder!
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Portanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...
A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas...tem de ser...
Amor?...- chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa.
RONDÓ DE MULHER SÓ
Estou só, quer dizer, tenho ódio ao amor que terei pelo desconhecido que está a caminho, um homem cujo rosto e cuja voz desconheço.
Sempre estive duramente acorrentada a essa fatalidade, amor. Muito antes que o homem surja em nossa vida, sentimos fisicamente que somos servas de uma doação infinita de corpo e alma.
O homem é apenas o copo que recebe o nosso veneno, o nosso conteúdo de amor. Não é por isso que o homem me atemoriza, quando aqui estou outra vez, só, em meu quarto: o que me arrepia de temor é este amor invisível e brutal como um príncipe.
Quando se fala em mulher livre, estremeço. Livre como o bêbado que repete o mesmo caminho de sua fulgurante agonia.
A uma mulher não se pergunta: que farás agora da tua liberdade? A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor? Que farei deste amor informe como a nuvem e pesado como a pedra? Que farei deste amor que me esvazia e vai remoendo a cor e o sentido das coisas como um ácido? É terrível o horror de amar sem amor como as feras enjauladas.
É quando o homem desaparece de minha vida que sinto a selvageria do amor feminino. Somos todas selvagens: são inúteis as fantasias que vestimos para o grande baile. Selvagem era a romana que ficava em casa e tecia; selvagens eram as mulheres do harém, as mais depravadas e as mais pudicas; selvagem, furiosamente selvagem, foi a mulher na sombra da Idade Média, na sua mordaça de castidade; mesmo as santas - e Santa Teresa de Ávila foi a mais feminina de todas - fizeram da pureza e do amor divino um ato de ferocidade, como a pantera que salta inocente sobre a gazela. E selvagem sou eu sob a aparência sadia do biquíni, olhando a mecânica erótica de olhos abertos, instruída e elucidada. Pois não é na voluntariedade do sexo que está a selvageria da mulher, mas em nosso amor profundo e incontrolável como loucura. O sexo é simples: é a certeza de que existe um ponto de partida. Mas o amor é complicado: a incerteza sobre um ponto de chegada.
Aqui estou, só no meu quarto, sem amor, como um espelho que aguarda o retorno da imagem humana. O resto em torno é incompreensível. O homem sem rosto, sem voz, sem pensamento, está a caminho. Estou colocada nesse caminho como uma armadilha infalível. Só que a presa não é ele - o homem que se aproxima - mas sou eu mesma, o meu amor, a minha alma. Sou eu mesma, a mulher, a vítima das minhas armadilhas. Sou sempre eu mesma que me aprisiono quando me faço a mulher que espera um homem, o homem. Caímos sempre em nossas armadilhas. Até as prostitutas falham nos seus propósitos, incapazes de impedir que o comércio se deixe corromper pelo amor. Quantas mulheres traçaram seus esquemas com fria e bela isenção e acabaram penando de amor pelo velhote que esperavam depenar. Somos irremediavelmente líquidas e tomamos as formas das vasilhas que nos contêm. O pior agora é que o vaso está a caminho e não sei se é taça de cristal, cântaro clássico, xícara singela, canecão de cerveja. Qualquer que seja a sua forma, depois de algum tempo serei derramada no chão. Os vasos têm muitas formas e andam todos eles à procura de uma bebida lendária.
Li num autor (um pouco menos idiota do que os outros, quando falam sobre nós) que o drama da mulher é ter de adaptar-se às teorias que os homens criam sobre ela. Certo. Quando a mulher neurótica por todos os poros acaba no divã do analista, aconteceu simplesmente o seguinte: ela se perdeu e não soube como ser diante do homem; a figura que deveria ter assumido se fez imprecisa.
Para esse escritor, desde que existem homens no mundo, há inúmeras teorias masculinas sobre a mulher ideal. Certo. A matrona foi inventada de acordo com as idéias de propriedade dos romanos. Como a mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita, muito docilmente a mulher de César passou a comportar-se acima de qualquer suspeita. Os Dantes queriam Beatrizes castas e intocáveis, e as Beatrizes castas e intocáveis surgiram em horda. A Renascença descobriu a mulher culta, e as renascentistas moderninhas meteram a cara nos irrespiráveis alfarrábios. O romancista do século passado inventou a mulherzinha infantil, e a mulherzinha infantil veio logo pipilando.
O tipos vão sendo criados indefinidamente. Médicos produzem enfermeiras eficientes e incisivas como instrumentos. Homens de negócios produzem secretárias capazes e discretas. As prostitutas correspondem ao padrão secreto de muitos homens. Assim somos. Indiquem-nos o modelo, que o seguiremos à risca. Querem uma esposa amantíssima - seremos a esposa amantíssima. Se a moda é mulher sexy, por que não serei a mulher sexy? Cada uma de nós pode satisfazer qualquer especificação do mercado masculino.
Seremos umas bobocas? Não. Os homens são uns bobocas. O homem é que insiste em ver em cada uma de nós - não a mulher, a mulher em estado puro ou selvagem, um ser humano do sexo feminino - o diabo, a vagabunda, a lasciva, o anjo, a companheira, a simpática, a inteligente, o busto, o sexo, a perna, a esportista... Por que exige de nós todos os papéis, menos o papel de mulher? Por que não descobre, depois de tanto tempo, que somos simplesmente seres humanos carregados de eletricidade feminina?
Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, ou está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
Amor Amante
Tardes amenas e místicas,
de repente eis que surge,
aquele encontro fugidio,
cúmplices no mesmo ato,
com horário marcado.
Da tarde não podem passar !
O tic-tac do relógio,
funde-se com os corações,
Lábios murmurando,
tanto para contar...
Emoções, apenas emoções,
sem juízo e sem razões...
sugam-se nos abraços,
roupas pelo chão.
Dançam corpo a corpo,
sussurrando a canção,
numa fusão dominante,
provam de um néctar,
quente e embriagante.
Tontos pelo prazer,
Rolam pelo chão,
Delicioso chão !
Faz-se leito confidente,
dos murmúrios falantes,
toque de peles travessas,
de um amor amante.
