Desculpa mas Nao posso Retribuir seu Amor
Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizava a atração.
As mais novas odiavam-na, por seu desleixo, que ainda assim e talvez graças a isso, hipnotizava os machos civilizados, queriam matá-la e o faziam em suas mentes invejosas, queriam ser ela.
Lavou seu rosto na bacia,
Escovou os dentes,
Arrumou seus lençóis,
Calçou os sapatos de feltro,
Após colocar as meias de algodão,
Degustando a programação,
Cuspida de seu televisor,
Vomitando a superstição,
Que veio impor um estupor.
Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E ao som do desespero despertou,
A lança num golpe certeiro flagelou,
Mas a força interior te sustentou.
Seu Pesadelo
O braço dormente, a garganta seca,
As pernas trêmulas, aquela enxaqueca,
O cansaço levando a exaustão,
Monstruosidades despertaram.
Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E ao som do desespero despertou,
A lança num golpe certeiro flagelou,
Mas a força interior te sustentou.
Aquele antigo pesadelo,
Retornou pra atormentar,
Em uma prisão de gelo,
Quer te encarcerar.
Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E ao som do desespero despertou,
A lança num golpe certeiro flagelou,
Mas a força interior te sustentou.
No fundo do túnel você avistará,
Apenas alguém com quem contar,
Apenas alguém em quem confiar,
E do seu pesadelo te resgatará.
Na noite o seu pesadelo te encontrou,
E alguém em quem você confiou,
Te resgatou.
Poderia ser um índio anônimo,
Impetuoso em seu frenesi,
Mas consagrou-se como São Gerônimo,
Salvador dos Apaches, protetor dos colibris.
Uma Bárbara Menina, com seu Balão Laranja,
Por onde caminha, só energia e dança,
Que contagia e alegria esbanja.
A sabedoria é o sorriso de uma criança.
O sabonete que era seu desgastou,
A avelã que me deu estragou,
O estoque de aveia esgotou,
O banquete pra dois esfriou.
Será que seremos salvadores,
Nessa via vitimada ?
Vitoriosos sim, noutra pista.
Seu próprio nome já leva a conquista !
Na guerra de rapina dos capitalistas, os trabalhadores e oprimidos pagam a conta com seu sangue e suas vidas. Errados estão todos os poderosos, que dividem o mundo, para lucrar com a morte e o sofrimento de outros.
Ecoa numa avalanche de esplendor,
Seu esplendor,
Sou seu benfeitor,
Sou seu devedor.
Devo-lhe meu amor como troco
E devo supor
Que o prazer implacável,
Ainda que louco,
Deva ser formidável e recíproco.
Suellen
Furiosa comigo (seu interlocutor),
Estranho, como ela gosta.
Gosta repelindo,
Gosta afastando a causa de seu gosto.
A conseqüência é o encaramento,
Encara sem dó.
Encarnando uma couraça para se proteger,
Do desgosto que possam injetar nela.
Talvez esse afastamento,
Seja a maior prova irrefutável,
Vista, revista e certificada,
De que a distância é segura;
A margem ameniza.
E distanciada de seu inspirador,
Ela pode gostar.
Danielle
Seu hálito indicava 97% de álcool no sangue,
Completamente embriagada, mas alegre,
Dançava gritando e celebrando sua liberdade.
Tinha herdado dois terrenos de seu falecido pai,
Morava na rua, não quis herdar ausência.
Desapreciava comida japonesa, preferia pinga,
Tinha largado a heroína, dois anos limpa,
As picadas ainda se salientavam no braço.
O que marcava expressivamente
Seus passos e sua honestidade,
Era o trago de cachaça
E o traço de amizade.
Quézia
Maquiada.
Por baixo de seu gloss,
Blush, rímel e delineador,
Está a mais plena graça.
Permeada de múltiplas inconsistências,
Ela consegue consistir.
Tem conteúdo,
E o que contém nela
Me agrada demais.
Mas não se resume ao agrado,
É o excesso que conta.
O exagero em abundância,
A redundância.
Demasiadamente
Ela me entusiasma demais.
E sua demasia muito me anima.
Ameixas
As ameixas, na prateleira, reluzem.
Os olhares atentos fitam seu porte ?
Fazem o possível para amadurar,
Sua polpa, intacta, não foi extraída.
Ameixas que iludem arbustos e seduzem,
Ameixas que alimentam o pecado puro.
Maneira interiorana entre sete capitais.
Esperando, “distraídas”, a sobremesa.
Por um segundo, ambas foram imortais.
Por um segundo, ambos fomos imortais.
