Desculpa Irmã

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Quem usa a graça como desculpa para pecar nunca conheceu o Deus da graça.

Para se alegrar, você tem disposição; para aprender, você tem desculpa.


No dia da festividade você chega cedo; no culto de doutrina você nunca chega.

A fraqueza não reside em cair, mas em usar o cansaço como desculpa para não se reerguer.

Não existe desculpa para quem quer.

“O que te impede não é o mundo. É a desculpa que você mais gosta de repetir.”

“Se ele não faz esforço, a verdade é só uma: você não é prioridade. O resto é desculpa.”

Democracia é desculpa para ladrão fazer política.

Democracia é desculpa para ladrões na política.

E se a religião for uma desculpa pra morte?

Deus deixa a gente errar por puro divertinento e dá como desculpa a falacia do livre-arbítrio.

Você dirige olhando pelo retrovisor — olhe para a frente. Passado não serve como desculpa da incompetência.

O brasileiro é tão imbecil ao ponto de votar para depois ter como desculpa o “direito de reclamar” dos ladrões eleitos.

Deus é a desculpa metafísica dos covardes que não suportam assumir a própria crueldade.

Não existe falha existencial, só desculpa mal formulada para continuar postergando a ação.

Deus é a desculpa dos covardes para não enfrentarem o caos nu e cru da existência.

O fanático chama o diabo de primeiro ateu e vê em cada ateu moderno uma desculpa para ampliar sua intolerância e sua cegueira intelectual.

O Direito reconhece condicionamentos, mas não pode transformar todo condicionamento em desculpa.

A responsabilidade jurídica começa onde termina a desculpa da irresponsabilidade.

O livre-arbítrio começa onde termina a desculpa de que somos apenas produtos das circunstâncias.

Prolixa

Me desculpa.
Não pelo que eu disse,
mas pelo quanto eu disse.

Ultimamente eu tenho aprendido a dar nome aos meus defeitos,
como quem cataloga feridas para fingir que entende a dor.
E foi assim que descobri:
eu sou prolixa.

Prolixa é essa incapacidade de calar quando o silêncio já seria misericórdia.
É continuar falando mesmo depois de perceber o cansaço no outro.
É esticar a frase até ela sangrar.

Eu insisto.
Sempre insisto.

Insisto em falar.
Insisto em permanecer.
Insisto em ocupar um espaço que talvez nunca tenha sido meu.

Eu gasto o seu tempo.
E tempo não volta.
Tempo não cicatriza.

Eu te gasto.
E nesse gasto eu te desgasto.

Perdão pela minha prolixia longa, cansada, invasiva.
Eu tento pagar pelo tempo que te roubo,
mas não existe moeda que compre o que eu consumi.

Você dizia que tempo é dinheiro.
Eu descobri tarde demais que é vida.
E eu usei demais da sua.

Sou prolixa até na culpa.
Até quando peço desculpa, eu exagero.
Até quando reconheço o erro, eu o repito.

Eu poderia ter parado aqui.
Poderia ter escrito só:
“Desculpa.”

Mas continuo.
Porque a minha maior falha não é falar demais.
É não saber quando ir embora.